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5.2 H VORDAN SKJER LÆRING I LYS AV VALGT TEORI ?

5.2.4 Grenser

Estudos sugerem que exercícios que dependem da força explosiva (i.e. potência muscular) podem manifestar efeitos de PPA quando precedidos por exercícios de alta intensidade como, por exemplo, exercícios com cargas que permitam a realização de apenas 1-5RM (CHIU et al., 2003; GOURGOULIS et al., 2003; SALE, 2004). Nossos resultados sugerem que a execução de exercícios de força de 5RM não manifesta efeitos de PPA sobre exercícios que dependam, predominantemente, do metabolismo aeróbio (ou força de endurance). Nossa manipulação com exercício de FM não foi capaz de melhorar o tempo no teste de 20 km quando comparado à condição controle. De fato, outros estudos também não demonstraram PPA com a utilização de exercício de força máxima (4 RM) semelhante ao usado aqui (LINDER et al., 2010).

A ausência de melhora no desempenho no teste de 20 km pode estar ligada ao tipo de fibra muscular onde os mecanismos da PPA se manifestam; o aumento da fosforilação da miosina de cadeia leve e o aumento da excitabilidade do pool de motoneurônios (EBBEN, 2006; ESFORMES et al., 2010). Como sugerido por alguns (BOULLOSA et al., 2011), é possível que a manifestação dos mecanismos da PPA dependa do tipo fibra muscular ativada durante o exercício prévio à tarefa principal. Desta forma, a execução de um exercício prévio que promovesse maior ativação de fibras do tipo I poderia ter produzido algum efeito de PPA no teste de 20 km, uma vez que ciclistas treinados costumam adotar maiores cadências de pedalada (> 90 rpm), reduzindo a participação das fibras do tipo II e aumento a participação de fibras I (ATKISSON et al., 2003). Neste caso, é necessário assumir que a manipulação com exercício de FM ativou, predominantemente, fibras do tipo II.

A realização prévia de um exercício de FR também não influenciou, significantemente, o tempo para completar o teste de 20 km. Embora a curva de potência (W) após manipulação de um exercício de FR manifestasse comportamento inferior quando comparada às demais condições (COM e FM), o cálculo das integrais revelou que a resposta

total foi semelhante em todas as condições. Burnley et al., (2005) e Palmer et al., (2009) encontraram resultados similares utilizando exercícios prévios executados em cicloergômetro. Burnley et al., (2005) não verificaram alteração no desempenho durante um exercício de 5 minutos com potência mecânica variável e cadência auto-selecionada, após exercício que elevava a acidose metabólica (~3,0 mmol.l-1 de lactato sanguíneo). Palmer et al., (2009) também não encontraram mudanças no desempenho durante um teste contra relógio de 4 km, após intervenção que induzia uma significante acidose metabólica (~4,8 mmol.l-1 de lactato sanguíneo). Embora um diferente modelo de exercício prévio tenha sido empregado no presente estudo (FR – 15RM), tal intervenção foi eficiente em gerar acidose metabólica, indicado pelas concentrações de lactato sanguíneo (~2,22 mmol.l-1 de lactato sanguíneo) significantemente maiores antes do início do teste de 20 km.

Entretanto, um aspecto relevante deve ser ressaltado. Embora nenhuma diferença significante tenha sido observada no tempo de exercício, quando comparado à condição controle houve um acréscimo de 7,2 % no tempo gasto para completar o teste de 20 km após exercício de força de FR. Embora não seja possível justificar os mecanismos responsáveis por tal redução no desempenho em nossos dados, estudos sugerem que exercício de força com > 8RM seja capaz de diminuir a eficiência das propriedades contráteis do músculo (PALMER & SLEIVERT, 2001), ou alterar o comportamento de importantes variáveis fisiológicas associadas ao desempenho aeróbio, como por exemplo, a economia de movimento (DRUMMOND et al., 2005). De fato, embora sem significância, o exercício de FR gerou maiores valores médios de VO2 (3 ml.kg-1.min-1) na carga de 100 W.

Outro achado foi a ausência de alteração na estratégia adotada para completar o teste de 20 km após quaisquer intervenções (5RM ou 15RM). O formato de distribuição da potência mecânica ao longo do teste foi mantida entre as condições, com os maiores valores de potência gerada na fase final do teste (últimos 10%), principalmente quando comparada à fase intermediária (< 90%). Interessante, mesmo quando o teste foi iniciado com elevadas concentrações de lactato sanguíneo (FR), houve elevação da potência gerada ao final do teste. Inclusive, a taxa de elevação na potência gerada na fase final em FR foi maior do que em FM (tabela 5). Nossos resultados são contrários aos achados por Burnley et al. (2005), que observaram discreta queda da potência gerada ao final de um teste de 5 minutos com potência mecânica variável e cadência auto-selecionada. Neste caso, o tipo de tarefa empregada no estudo de Burnley et al. (2005) pode ter prejudicado que os sujeitos se antecipassem ao ponto final do exercício na presença de acidose metabólica, uma vez que o ponto final foi

estabelecido pelo tempo. No ciclismo, exercícios com ponto final estabelecido pelo tempo são menos comuns do que exercícios com ponto final estabelecido pela distância.

Tomados em conjunto, nossos dados são sugestivos de que o exercício é regulado centralmente e a PSE seja um marcador da duração de exercício (TUCKER & NOAKES, 2009), independentemente das manipulações experimentais. Nesse modelo, seria possível estimar o ponto final do exercício através da taxa de elevação da PSE durante exercício. De fato, evidência recente mostra que a taxa de elevação da PSE é capaz de predizer o ponto de exaustão de exercícios executados em diferentes intensidades (PIRES et al., 2011). Embora não tenham ocorrido diferenças significantes na taxa de elevação da PSE entre as condições, nossos dados sugerem que os sujeitos adotaram uma estratégia mais cautelosa nas fases iniciais e intermediárias do teste de 20 km, após o exercício de FR. Desta forma, os menores valores de potência mecânica gerada nestas fases possibilitaram uma maior elevação na potência mecânica produzida ao final do teste (10% finais), permitindo que a PSE atingisse níveis máximos somente ao término da tarefa.