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Greenhouse gases with solely anthropogenic sources

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O núcleo que deu início ao bairro surgiu em volta da ermida / igreja de São José dos Carpinteiros de Entre as Hortas que foi edificada entre cardais, ocupando uma pequena parte da encosta poente da colina de Santana. Esta era uma situação comum a todas as freguesias periféricas de Lisboa, onde os focos de urbanização se encontravam rodeados e entrecortados por espaços

verdes mais ou menos alargados. Abundavam as casas térreas com chousos (quintais murados), quintais e poços (Marques, 1994 : 91).

Apesar da urbanização do Bairro de São José se ter iniciado em meados do século XVI, as áreas limítrofes e algumas partes do bairro mantiveram caraterísticas rurais ao longo do tempo, como o atestam as fontes existentes. Senão vejamos: em 1550 e em 1586 encontramos uma escritura de quitação e outra de compra de casas com quintal junto ao mosteiro da Anunciada.38 Umas casas, com quintal e poço, foram adquiridas, em 1594, na rua do Lavra pelo mesmo convento39, tendo estas propriedades passado para a posse do convento de Santa Joana após a destruição do primeiro, ocorrida com o terramoto de 1755. Em 1608 há referência nas fontes à compra de meio quintal e de meio poço na rua das Pretas, feita por Pedro Gonçalves a Luísa Esteves.40 A 18 de agosto de 1641 é feita uma escritura de umas casas com seu quintal, no local onde viria a ser edificada a Casa do Despacho da Irmandade do Santíssimo Sacramento.41

Em 09 de novembro de 1710 a Irmandade do Santíssimo Sacramento da freguesia de São José adquiriu aos padres lóios uma horta: “Termo da compra da orta que fica defronte da freg.a de S. Joseph q[ue] se comprou p.a edificar nova Igr.a”.42 Em 1753, são referidas casas com quintal na rua de São Direita de São José, propriedade do mosteiro da Anunciada.43 Em 1754, entre as propriedades pertencentes ao convento de Santa Joana, encontramos um conjunto de casas descritas como nobres, situadas junto à igreja do convento, onde constam palheiros, estrebaria e quintal.44Em 1762, no livro do lançamento da décima45 encontramos referência a quintas como a do conde de Redondo, descrita como terra de pão “que por anno comum ao preço medio costuma produzir vinte e dous alquejres de trigo e outto de seuada” e a

38 ANTT, liv. 79-B : entradas 99 e 143. 39 ANTT, liv. 107-A : 1 v.

40 Anunciada, 10 : 28 v.

41 Anunciada, 10 : 1 e 3; 35 : 5 v. 42 Anunciada, 1 : 51.

43 ANTT, Liv. 69-A : 105. 44 ANTT, liv. 69-A : 1v.

de Lázaro Verde, esta situada na travessa do Enviado de Santa Marta (atualmente travessa do Enviado de Inglaterra). Entre 1800 e 1814, são referidas casas, por cima de uma loja, com seu quintal.46 Existem ainda referências a outros espaços rurais como vinhas e cardais. Por exemplo, entre 1723 e 1750, Manuel Francisco, denominado o cantareiro, paga um censo à Irmandade do Santíssimo, relativo a uma terra e vinha situada junto à cerca do convento de Santo António dos Capuchos, no Cardal do Bairro de São José.47

Os cardais, enquanto espaços não urbanizados destinados ou não a algum tipo de atividade agrícola, aparecem referidos nas fontes desde a fundação da ermida em 1545 e até meados do século XVIII. A partir da segunda década deste século, estes espaços começam a ser edificados, surgindo a atestá-lo referências toponímicas como rua Nova do Cardal ou dos Cardais, ruas do Cardal, rua da Caridade ao Cardal, rua do Passadiço ou Cardal (anexo 6).

Outro uso que parece ter sido dado aos terrenos designados genericamente por “cardais”, na área do bairro, é o da extração de argilas, matéria prima que constitui uma parte significativa do substrato geológico da área onde aquele se implantou48. Essa exploração parece ter ocorrido até pelo menos ao século XVIII. Encontrámos referências, situadas entre 1723 e 1750, da existência de um forno de tijolo situado no Cardal do bairro, explorado por Manuel Francisco, o cantareiro, já referido acima.49

A análise das profissões referidas nas fontes conduz-nos a conclusões idênticas, de que a urbanização da zona onde se implanta o bairro constituiu

46 ANTT, liv. 124-B : 51. 47 Anunciada, 3 : 88 a 91.

48 Sousa (1909 : 57), que efetuou um levantamento relacionado com o comportamento de

algumas das principais edificações de Lisboa no terramoto de 1755, afirma que a designação rua do Telhal se relacionaria com a existência de argilas com as quais eram fabricadas telhas: “Apparecendo as argilas dos Prazeres na Rua do Telhal, como tive ocasião de reconhecer no sitio onde esta rua alarga, junto ao prédio nº 48, e na encosta, onde se apoia este prédio e que vae até á altura do 1º andar, de onde julgo que vem o nome de Rua do Telhal, por ahi se fabricar talvez telha com estas argilas.”

um processo lento, inscrito no tempo longo. Dito isto, é também evidente a diminuição, a partir das últimas décadas do século XVII da variedade de profissões ligadas à ruralidade e no número de pessoas exercendo essas profissões, o que indicia um maior índice de urbanização.

No período compreendido entre 1588-1630 encontramos referidas cinco profissões de caraterísticas nitidamente rurais: hortelões (19), lavradores (8), moço de monte (1), rendeiro (1) e vinhateiro (1). É o maior grupo profissional do período, com 30 entradas e 19%, num total de 162 entradas. O grupo profissional que se lhe segue, o dos sapateiros, com 18 representantes, representa 11% do total (anexo 16).

Entre 1631 e 1670, nota-se uma nítida redução no número das entradas relacionadas com as profissões rurais. Encontrámos quatro profissões com essas caraterísticas: cabreiros (3), hortelões (3), lavrador (1), moço de monte (1) e uma de caracterização mais ambígua – jardineiro. Excluindo esta última, temos 8 entradas, que correspondem a 7%, num total de 182 entradas (anexo 16). Entre 1671 e 1710 não encontrámos qualquer referência a profissões com caraterísticas rurais (anexo 16). Entre 1710 e 1717, encontrámos hortelões (5) e fazendeiros (4). São 9 entradas, 5% de um total de 170 (anexo 16). Em 1741 surgem apenas fazendeiros (3), 2% de um total de 142 (anexo 16). Em 1762 / 63 não surgem quaisquer referências a este tipo de profissões (anexo 16). Em 1802 surge uma referência a um vaqueiro, morador na travessa do Açougue Novo (anexo 16). Em 1832 surgem mais referências a vaqueiros a habitarem no bairro, na travessa das Freiras e na rua das Pretas (anexo 16). Apesar de termos classificado a profissão de vaqueiro como rural, cremos que essas referências estão relacionadas com a existência de um açougue no Bairro de São José, nomeadamente na travessa do Açougue Velho, atual travessa Larga.

Atualmente os resquícios do ambiente rural permanecem na toponímia50 e nos pequenos espaços verdes, geralmente não visíveis das ruas, que permeiam parte do edificado do bairro (Figura 8).

Figura 8 Imagem obtida a partir da aplicação Google Earth mostrando os espaços verdes que permeiam o bairro.

50 Travessa das Parreiras, travessa do Loureiro, rua do Cardal de São José, rua da Esperança do

CAPÍTULO II

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