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Det var ikke mulig å sammenstille resultatene fra enkeltstudiene i meta-analyser, på grunn av at data var oppgitt på en måte som ikke tillot meta-analyser, ulik varighet

Vedlegg 6 GRADE Evidence profiler

Baseada nas reflexões foucaultianas acerca do poder e das formas de resistência lançadas a ele, Barbosa (2014) defende uma noção de cuidado em saúde mental que possa escapar e deslocar a dominação de estratégias e relações de poder que reponha olhares e práticas a partir da visão tradicional acerca da loucura construída pela psiquiatria tradicional entre os séculos XVIII e XIX. Consequentemente, ao trabalhador é importante a atenção com formas tutelares que persistem em enclausurar o usuário da rede pela via do autoritarismo e da arbitrariedade.

A referida autora sinaliza para o posicionamento de quem cuida, no sentido de fomentar o encontro com quem é cuidado no reconhecimento da alteridade deste, tensionando os saberes construídos na formação acadêmica tradicional. Desse modo, deve construir ações que tomem a saúde como uma produção social multivetorial na qual é preciso considerar aspectos socioculturais, econômicos, biológicos, percursos e histórias de vida; inventar um cuidado, uma relação singular para cada usuário.

Aos profissionais, segundo a autora, também é fundamental refletir acerca de suas próprias constituições enquanto sujeitos. Aqui, a autora aponta para vinculação política dos técnicos para com a Reforma Psiquiátrica. Os trabalhadores devem estar atentos para como acabam também sendo constituídos pelos dispositivos de saúde mental; Barbosa (2014) sinaliza que é necessário desconstruir o hospital e o manicômio em nós, quando somos capturados sutilmente pelos mandatos de tutela, controle ou a acreditar e agenciar unicamente as respostas medicalizantes. Nesse questionamento, faz-se mister a participação política dos usuários dos serviços nas decisões administrativas dos serviços, evitando a hierarquização não

só na relação entre as diferentes profissões, mas também a relação de hiato profissional- usuário.

Outro ponto citado por Barbosa (2014) no cuidado é o fomento de encontros marcados por atitudes de solidariedade, traduzidas na consideração da diferença e da singularidade, no acolhimento dos discursos e no olhar acurado para o trabalho como a tênue linha existente entre limitações-potencialidades. Como consequência, indica a vitalidade da utilização de tecnologias leves, que, criados a partir da consideração de desejos e projetos de vida, são dispositivos passíveis de compreensão e de utilização por quem é cuidado.

Todas as produções textuais elencadas acima, assim como a emergência do cuidado na política nacional de saúde mental, delineiam que a noção de cuidado em saúde mental engloba também uma noção de sujeito, bem como a utopia ativa da produção de novos sujeitos. Nessa articulação, o cuidado deve passar pela consideração das múltiplas dimensões que envolvem a vida do sujeito, sejam elas sociais, culturais, econômicas, familiares, de trabalho, redes afetivas de amizade e de solidariedade. Todos os autores propõem uma visão de sujeito assentada numa perspectiva política de transformação e autonomia; elegem o encontro como âmbito fundamental para a constituição dos sujeitos; indicam, alinhadas algumas com a Reforma Psiquiátrica, um sujeito em produção, que deve ser constituído nesta arte múltipla dos encontros, encontros com a cidade e suas possibilidades e encontros com os serviços de saúde.

As reflexões éticas propostas por essas noções práticas de cuidado em saúde mental esboçam apontamentos que devem direcionar os caminhos das relações entre os sujeitos. Primeiramente, quando questionam os lugares de exercício de poder das práticas tradicionais de saúde e sugerem vinculações mais simétricas e, ao mesmo tempo, com respeito, reconhecimento e sem o apagamento das diferenças e singularidades. Cartografam também uma noção de sujeito que se pauta no movimento e na ação, ou seja, um sujeito capaz de agir politicamente nos mais diferentes campos e transformar realidades. Com efeito, o sujeito não é concebido como unidade estanque ou cristalizada, mas marcada por processualidade e com potencial de alteridade de seus modos de vida, enfim, um sujeito que se constitui, que se inventa.

Acreditamos que essas problematizações são importantes porque ajudam a pensar o avanço das políticas públicas no cotidiano dos serviços e questionam, em termos éticos, as produções das mesmas acerca de seus impactos sociais e comprometimento político. Em especial, para o campo da Reforma Psiquiátrica, que se propõe como movimento político e social para além das mudanças técnicas; debates desta natureza devem ser uma constante e

uma necessidade. A multiplicidade de vozes que encontramos acerca do sujeito nas produções acima se aproxima dos interesses da Reforma, pois reafirmam as diretrizes encampadas por ela e recolocam frequentemente velhas e boas questões: Que sociedade nós queremos construir? Quais sujeitos estamos produzindo? Nosso interesse, ao discutir práticas de cuidado em saúde mental no cotidiano de um CAPS, é evidenciar os modos de subjetivação que estão se forjando nesses processos de trabalho.

Durante os 04 meses de meu percurso no CAPS, as impressões (e certezas) acerca da produção de práticas tradicionais e relevadas por heranças manicomiais foram se confirmando e sendo sentidas perenemente no cotidiano. Os meus itinerários de formação, com estudos, práticas e pesquisas me auxiliaram na atenção/afetação, com estranhamentos e inquietações, em relação ao que se fazia diariamente junto aos usuários do serviço.

As reflexões filosóficas fazendo história de Foucault me serviram de caixa de ferramentas para a produção de um quadro composto por linhas de análise que concentram práticas comuns no serviço (MUCHAIL, 2004). Linhas que se enredam e compõem uma textura complexa de relações de poder e, consequentemente, produção de sujeitos. Mas antes de falarmos sobre essas linhas, vejamos mais uma intercessão foucaultiana para uma melhor aproximação dos modos de subjetivação constituídos no CAPS.