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In document OTIVASJON PÅ HJEMMEKONTOR (sider 25-28)

Para a análise dos principais aspectos e tendências metodológicos presentes nas teses e dissertações sobre a educação CTS, adotaram-se os descritores do "gênero de trabalho acadêmico", muito utilizados em pesquisas do tipo ‘estado da arte’, como as desenvolvidas por Megid Neto (1999), para o ensino de Ciências, e o de Teixeira (2008) para o ensino de Biologia.

Os descritores de "gênero de trabalho acadêmico", nomeados também como indicadores da “natureza do texto” foram formulados inicialmente por Soares (1989) e posteriormente passaram por reformulações com descrito na pesquisa desenvolvida por Soares e Maciel (2000). Segundo Megid Neto (1999, p. 120) a Soares (1989) autora ao utilizar o termo gênero objetiva designar “tipos ou classes de textos de trabalhos científico- acadêmicos segundo o critério de sua relação com a realidade ou com o fenômeno em estudo”. Nesse sentido,

quando o texto corresponde à representação do sucedido, a autora considera-o um relato de experiência; se corresponde à representação do investigado, é designado por pesquisa; se à representação do pensado, um ensaio (MEGID NETO, 1999, p. 120).

Portanto, para a presente pesquisa realizou-se uma adaptação dos indicadores da “natureza do texto” criando-se assim um conjunto de "gênero de trabalho acadêmico" semelhante aos utilizados por Megid Neto (1999) e Teixeira (2008). E assim como indicado por estes autores para a análise foi realizada a leitura do texto completo das teses e dissertações, visto que “os resumos, em geral, descrevem superficialmente os detalhes

metodológicos adotados em cada trabalho, além de, muitas vezes, cometerem equívocos nesse quesito” (TEIXEIRA, 2008, p.63).

Soares e Maciel (2000) caracterizam natureza do texto em três grandes gêneros, os que subdividem os Ensaios, Relato de experiência e Pesquisas (que podem ser caracterizadas como Pesquisa histórica; Pesquisa descritivo-explicativa; Survey; Estudo de caso; Estudo comparativo; Análise de documentos; Estudo longitudinal; Estudo transversal; Pesquisa experimental). Nos quadros a seguir são caracterizadas as naturezas do texto segundo Soares e Maciel (2000).

Quadro 24. Caracterização da Natureza do texto (SOARES; MACIEL, 2000, p. 57-58).

Natureza do texto

Ensaio

São textos em que o autor disserta a respeito de um determinado tema ou problemática, expõe, teoriza; ainda quando lança mão de dados ou de documentos, não os toma como fonte de pesquisa, mas como exemplos, testemunhos ou referências. Em geral, o pesquisador apresenta um construto teórico do processo do tema ou problemática estudado; o ensaio pode ser sobre a vida, a obra e o pensamento pedagógico de um educador. Outro exemplo de ensaio é de documentos (livros e relatos de experiência) que não são tomados como fonte de pesquisa, mas como pretexto para a apresentação de certo ponto de vista sobre o tema ou problemática estudado. São também consideradas ensaios as dissertações e teses que apresentam propostas didáticas, propostas curriculares, programas de ensino.

Relato de

experiência Um segundo gênero sob o qual se apresentam textos identificados na produção acadêmica e científica sobre alfabetização é o relato de experiência: descrição e análise de uma prática de alfabetização promovida e efetivada pelo(a) próprio(a) autor(a) da tese ou dissertação, em rede de ensino público ou em classes de alfabetização, quer em situações não específicas, quer em situações peculiares . classes de alunos pertencentes às camadas populares, classes de crianças com dificuldades de aprendizagem ou, ainda, estudo de crianças com problemas de aprendizagem. Distingue-se da pesquisa denominada .pesquisa-ação. (considerada nesta classificação como um tipo de estudo de caso) porque, nesta, aquele que realiza a experiência se faz intencionalmente pesquisador, dirige sua ação segundo o fenômeno que pretende investigar, enquanto no relato de experiência é feita a descrição e/ou análise de uma experiência que se desenvolveu sem a intenção de realizar uma pesquisa.

Pesquisas São textos que analisam dados obtidos através de procedimentos cuidadosamente definidos e sistematizados, com o objetivo de investigar determinado objeto ou fenômeno. As pesquisas encontradas no conjunto dos textos foram caracterizadas quanto a seu tipo (embora considerando a inegável dificuldade de classificar pesquisas em tipos.); sobretudo na área das Ciências Humanas e Sociais, caracterizar textos como pesquisa, apenas, seria pouco significativo, porque o termo é demasiado abrangente, não permitindo avaliar as tendências metodológicas da investigação do tema ou problemática estudada.

Quadro 25. Subcategorias de pesquisa (SOARES; MACIEL, 2000, p. 57-58).

Subcategorias de pesquisas

Pesquisa histórica

São pesquisas que descrevem e analisam fatos ou fenômenos do passado: o que foi? como foi? por que foi assim? - ou seja: como nas pesquisas descritivo-explicativas, a pesquisa histórica identifica e/ou descreve e/ou explica, com a diferença de que aquelas se referem a fatos ou fenômenos contemporâneos ao pesquisador e esta, a fatos passados.

Pesquisa descritivo- explicativa

São pesquisas que identificam a existência de um fato ou fenômeno (o que é? o que existe?) e/ou descrevem ou caracterizam um fato ou fenômeno (como é? quem é?) e/ou explicam fatos ou fenômenos, descobrindo relações, ainda que de caráter tendencial e probabilístico, de natureza causal, funcional ou estrutural.

Como se dá tal fato ou fenômeno? - identificação, descrição;

Por que tal fato ou fenômeno é assim? tal fato ou fenômeno é causa de quê? que efeito ou consequência tem tal fato ou fenômeno? - explicação: relação causal; - Qual é a função de tal fenômeno? - explicação: relação funcional;

Que lugar ocupa tal fenômeno na estrutura do ensino-aprendizagem? - explicação: relação de natureza estrutural.

Identificar, descrever e explicar os momentos de uma escala contínua - o pesquisador pode ficar só no primeiro momento, ou pode chegar ao segundo, ou pode ir até o último nível de interpretação, que é a explicação.

Pesquisa experimental

É a pesquisa que descreve e analisa o que será ou ocorrerá em determinadas condições (o que será? como tal fato ou fenômeno se transformará em tal outro em tais condições?). Supõe levantamento de hipóteses, determinação de variável(eis) de intervenção, variável(eis) dependente(s), pré e pós-teste, realização de um experimento; o experimento pode ser feito em um só grupo ou em grupos paralelos equivalentes - grupo(s) experimental(ais), com ou sem grupo de controle.

No quadro 26 apresentam-se as seis subcategorias descritas por Soares e Maciel (2000) para caracterizar as pesquisas descritivo-explicativas, que correspondem ao gênero de pesquisa das teses e dissertações sobre a educação CTS analisadas na presente pesquisa.

Quadro 26: Descritores de Gênero de Trabalho Acadêmico, relativos às pesquisas descritivo-explicativas, ou

seja, pesquisa de descrição (SOARES; MACIEL, 2000, p. 59-60).

Pesquisa descritivo-explicativa (Pesquisa de Descrição)

Survey

Identificação e/ou descrição e/ou explicação de um número limitado de variáveis de um número relativamente grande de casos (sujeitos) em um momento dado (alunos ou escolas de um município ou de uma cidade, professores de uma rede de ensino, etc.). O survey pesquisa um número limitado de fatores em um grande número de casos. Podem ser colhidos dados do universo da pesquisa (todos os alunos ou todas as escolas de um município, ou todos os professores de uma rede de ensino, etc.) ou por amostragem - amostra intencional (as unidades que compõem a amostra são intencionalmente escolhidas pelo pesquisador, na pressuposição de que representem o universo ou sejam cruciais para o conhecimento do universo), amostra aleatória (unidades escolhidas inteiramente ao acaso, mediante processos estatísticos); ambas podem ser ou não amostras estratificadas (com unidades representativas de cada estrato do universo).

Estudo de caso

Identificação/descrição e/ou interpretação de um só caso ou de um limitado número de casos, explorando tudo que seja importante, relevante ou possivelmente significativo para o fenômeno ou fato investigado (um grupo de alunos ou de professores ou de escolas, etc.). O estudo de caso limita a pesquisa a um tema ou a um problema específico e examina o maior número possível de fatores relevantes ou significativos para esse tema ou problema num número limitado de casos. Incluem-se aqui a pesquisa-ação: um estudo de caso em que o pesquisador é o próprio autor da dissertação ou tese, que busca investigar determinado fenômeno ou fator, promovendo ele mesmo a situação para essa investigação.

Estudo comparativo

Comparação de casos (sujeitos, instituições, métodos, etc.), de fenômenos, através de identificação e/ou descrição e/ou explicação de características, consequências, condições, comportamentos, analisando o que realmente ocorre (o que é diferente da pesquisa experimental, em que são criadas condições para que algo ocorra ou não). Procedimentos mais frequentes nos estudos desse tipo são: a comparação de dois grupos submetidos a provas ou tratamentos diferentes (diferencia-se da pesquisa experimental porque, nesta, o pesquisador provoca a ocorrência de fatos, introduzindo variáveis no processo, enquanto na comparativo-causal o pesquisador analisa o que ocorre sem sua intervenção); a comparação do mesmo grupo antes e depois de um período de aprendizagem.

Análise de documentos

Identificação de fatos, fenômenos, princípios, teorias, temas em documentos, descrição e explicação (exemplos: análise de textos produzidos por alunos ou professores, análise de discursos presentes em documentos, diários de campo ou entrevistas, análise de cadernos escolares, análise de legislação ou propostas curriculares, livros didáticos, artigos, etc.). Aqui é preciso não confundir o documento como fonte com o documento como objeto da pesquisa.

Estudo longitudinal

Identificação, descrição, explicação da sucessão de estados ou de mudanças que caracterizam um processo ao longo do tempo, considerando-se os mesmos sujeitos: investiga-se o desenvolvimento de pessoas e instituições ao longo de certo tempo - o objeto é o processo. A pesquisa pode acompanhar o processo ao longo de certo tempo ou avaliar o processo em determinados momentos, estabelecendo a progressão de um a outro. Foram classificadas como longitudinais pesquisas que acompanham o processo ao longo de certo tempo; pesquisas que avaliam o processo em momentos separados por um espaço de tempo, analisando a diferença entre eles.

Estudo transversal

Identificação, descrição, explicação da sucessão de estados ou de mudanças que ocorrem durante um processo, comparando, em um determinado momento, sujeitos em diferentes estágios do processo - o objeto são os estados em diferentes sujeitos num mesmo momento.

Pesquisa-Ação

Processos de natureza qualitativa dos quais o autor participa ativamente, envolvendo-se em ação planejada - pesquisador ou pesquisador-participante, buscando algum tipo de transformação da, cujo objetivo é a modificação da situação investigada; estes estudos encontram-se nos processos de intervenção escolar em que o autor do trabalho se apresenta como professor realidade. Na pesquisa-ação se lida com um problema concreto, localizado em uma situação imediata, sendo o processo monitorado passo a passo, por períodos variados e mecanismos diversificados de coleta de dados (questionários, diários de campo, entrevistas, grupos-focais, etc.), ensejando feedbacks, modificações, ajustes e redefinições, quando necessários.

Deste modo, realizou-se uma adaptação da pesquisa de Soares e Maciel (2000) em relação à natureza da pesquisa com o intuito de estudar os gêneros de pesquisa, chegando-se

aos seguintes conjuntos descritores: Survey; Estudo de caso; Estudo comparativo; Análise de documentos; Pesquisa histórica; Pesquisa descritivo-explicativa; Estudo longitudinal; Estudo transversal; Pesquisa experimental; Pesquisa-ação. Estes são os descritores de Gênero de Trabalho Acadêmico utilizados para as análises das teses e dissertações defendidas em IES brasileiras e portuguesas.

In document OTIVASJON PÅ HJEMMEKONTOR (sider 25-28)