No processo de análise se constatou que todas as 102 teses e dissertações estudadas são do tipo gênero pesquisa (Apêndice E), ou seja, neste total não se observou trabalhos do tipo ensaio, nem do tipo relato de experiência. Todos os documentos analisadas se enquadraram nas pesquisas do tipo descritivas explicativas (Quadro 26) de cunho qualitativo.
Survey 3% Análise de Documentos 26% Pesquisa-ação 27% Estudo de Caso 44%
Gênero de Trabalho Acadêmico
Figura 25: Gênero de trabalho acadêmico das teses e dissertações brasileiras.
Analisando a Figura 25 constata-se certa heterogeneidade de métodos e técnicas presentes nas pesquisas analisadas. Contudo, observa-se que o Estudo de Caso (44%) é o gênero predominante nos trabalhos acadêmicos. Estes estudos privilegiaram o uso de questionários e entrevistas para a coleta de dados, bem como o uso de observações de ou intervenções aulas (que muitas vezes foram filmadas ou registradas em diários de campo).
Destas destacam-se inicialmente as pesquisa do gênero Estudo de Caso, que correspondem a 44% do total dos documentos analisados, ou seja, 45 documentos38
Em relação aos focos temáticos abordados predominantes nas pesquisas categorizadas como Estudo de caso foram Conteúdo/Método CTS com 12 documentos (5 D e 7 M); Concepções CTS de Professores com 8 documentos (1 D e 7 M); Currículo CTS com 6 documentos (1 D e 5 M); Concepções CTS de Alunos com 5 documentos (1 D e 4 M); Formação de professores com 4 documentos (1 D e 3 M); Recursos Didáticos CTS com 4 documentos (1 D e 3 M); Programa de Educação Informal com 3 documentos (3 M); Alfabetização científica e CTS com 3 documentos (1 D e 2 M).
(11 teses de doutorado (D) e 34 dissertações de mestrado (M)). Estas pesquisas de modo geral realizaram a identificação/descrição de um caso ou de um conjunto de casos (um grupo de alunos ou de professores ou de escolas, etc.), possibilitando-se assim o aprofundamento do estudo ao se limitar a um tema ou a um problema.
Quanto às instituições referentes aos trabalhos caracterizados como Estudo de caso destacam-se 20 instituições, nas quais se destacam com 12 pesquisas desenvolvidas na UFSC (7 no Programa de Pós-Graduação em Educação científica e Tecnológica e 5 no Programa de Pós-Graduação em Educação); 5 na UNICAMP no Programa de Pós-Graduação em Educação; 4 na UFMS no Programa de Pós-Graduação em Educação; 4 na UNESP/Bauru no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência; 3 na USP no Programa de Pós- Graduação em Educação; 2 na UFSCar no Programa de Pós-Graduação em Educação; 2 na UFU no Programa de Pós-Graduação em Educação; 2 na Fiocruz no Programa de Pós- Graduação em Ensino em Biociências e Saúde; 1 na UFMG no Programa de Pós-Graduação em Educação; 1 na UEM no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática; 1 na USP no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências (Modalidade de Química); 1 na UnB no Programa de Pós-Graduação em Educação; 1 na UECE no Programa de Pós-Graduação em Educação; 1 na UFMT no Programa de Pós- Graduação em Educação; 1 na UFPEL no Programa de Pós-Graduação em Educação; 1 na FUFPI no Programa de Pós-Graduação em Educação; 1 na FUFSE no Programa de Pós- Graduação em Educação; 1 na UFRPE no Programa de Pós-Graduação em Ensino das Ciências; 1 na UFPA no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas.
38
Os documentos dentro do gênero Estudos de caso são: 1, 5, 6, 7, 9, 10, 11, 12, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 28, 29, 30, 33, 34, 35, 36, 38, 42,44, 45, 49, 52, 57, 58, 59, 60, 61, 66, 70, 71, 72, 87, 88, 89, 92, 93, 94, 96 e 97.
Em relação ao nível de ensino privilegiado nas 45 documentos do gênero Estudo de caso os três níveis que se destacaram foram o ensino médio (16), ensino superior (8) e nomeado como geral (11), pois abordam o ensino de Ciências Físicas e Naturais sem especificar algum nível escolar. Em relação aos outros documentos estas direcionaram seus estudos para o ensino fundamental (4), ensino médio técnico (2), educação de jovens e adultos (2), ensino técnico superior (1) e outro (1), este último estudo foi assim nomeado, pois investigou processos informais de ensino.
Outro conjunto de pesquisas que se destacaram foi as pesquisa do gênero Pesquisa- ação (27%). Em relação a este tipo de pesquisa Soares e Maciel (2000) destacam que estas também podem ser incluídas nas pesquisas do tipo estudo de caso. Contudo, optou-se em realizar sua categorização e análise em separado para que certas particularidades fossem destacadas, tais como, o fato o pesquisador ser o próprio autor da dissertação ou tese, que investigou algum acontecimento ou fator, gerando ele mesmo a situação para essa investigação.
Nas pesquisas de intervenção inserem-se as 28 investigações39
Quanto às instituições referentes aos trabalhos que foram categorizados no gênero Pesquisa-ação destacam-se 9 instituições, com 12 pesquisas desenvolvidas na UFSC (7 delas defendidas no Programa de Pós- Graduação em Educação Científica e 5 no Programa de Pós- Graduação em Educação e Tecnológica); com 3 pesquisas a UFPA (Programa de Pós- Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas) e também com 3 pesquisas a USP (uma no Programa de Pós-Graduação em Educação e no duas no Programa Pós-Graduação em Ensino de Ciências).
(5 D e 23 M) que realizaram algum tipo de intervenção categorizada dentro do gênero Pesquisa-ação. As investigações deste gênero foram desenvolvidas em trabalhos que abordaram diferentes focos temáticos, entre os quais se destacam Conteúdo-Método com 15 pesquisas (2 D e 13 M) e Formação de Professores com 5 pesquisas (1 D e 4 M). O restante das pesquisas se inseriu nas seguintes temáticas: Currículo CTS (2); Concepções CTS de professores (2); Concepções CTS de alunos (1); Recursos Didáticos CTS (1); Programa de Educação Informal (1); Alfabetização científica e CTS (1).
Em relação ao nível de ensino presentes nas pesquisas do gênero Pesquisa-ação observa-se que as investigações privilegiaram os níveis de ensino fundamental (7), ensino
médio (10) e geral (7), e com a ocorrência de somente uma investigação cada, sendo elas direcionadas à educação de jovens e adultos, ao ensino médio técnico, ao ensino superior técnico e ao ensino superior.
O terceiro grupo de documentos estudados incluem os estudos do tipo Análise de Documentos se referem às pesquisas de descrição, que correspondem 26% do total, ou seja, 26 investigações40
Teixeira (2008) também observou em sua investigação que no gênero Análise de Documentos há mais pesquisas de mestrado. Segundo o autor isso pode ser justificado pelo fato do:
(4 D e 22 M). Aqui os documentos analisados incluem desde produções escritas (como por exemplo, análise de recursos didáticos como livros didáticos, artigos de divulgação científica, propostas curriculares) quanto orais produzidas pelos participantes da pesquisa ou por fontes externas, que possibilitaram os autores, por exemplo, a identificação, a descrição e explicação de eventos utilizando-se para análise os referenciais teóricos e/ou metodológicos da análise de conteúdo ou a análise de discurso.
exíguo tempo para a titulação no mestrado, que já há algum tempo gira em torno de dois a três anos, acabe atuando como fator indutor para a escolha de estratégias de coleta de dados mais pragmáticas, como são os questionários e entrevistas, largamente utilizados pelo conjunto de autores responsáveis pelas dissertações analisadas. Assim, para apoiar o tratamento de dados nessas investigações são empregadas diversas estratégias baseadas, por exemplo, na análise de conteúdo de inspiração em Bardin (1979), na análise de discurso, nas análises textuais e de linguagem, ou simplesmente, como mais comumente encontramos, em processos de análise baseados em categorizações das respostas os sujeitos envolvidos nas entrevistas e/ou na aplicação de questionários. (TEIXEIRA, 2008, p. 186).
Especificamente em relação à inserção do referencial teórico/metodológico da Análise de Discurso, nas pesquisas categorizadas no gênero Análise de Documentos, destaca-se que é UFSC (no Programa de Pós-graduação em Educação Científica e Tecnológica) onde se tem o maior número de pesquisas que utilizaram a Análise de Discurso como referencial teórico/metodológico para analisar discursos CTS (Doc. 75, 80, 81, 98, 99). Contudo, observam-se mais dois trabalhos com este referencial um desenvolvido na UNICAMP (Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra) e outro na UNESP/Bauru (Programa de Pós-Graduação Educação para a Ciência). O crescente número de trabalhos nesta área desenvolvido na UFSC pode ser justificado pela fundação em 2004, nesta universidade, do grupo de Grupo de Estudos e pesquisas DICITE (Discursos da Ciência
40 Os documentos do gênero Análise de Documentos são: 14, 23, 26, 27, 39, 40, 47, 48, 55, 62, 64, 68, 69, 75, 77, 79, 80, 81, 85, 86, 90, 98, 99, 100, 101 e 102.
e da Tecnologia na Educação) que realizam estudos relacionados a questões relacionadas à educação e linguagem no ensino de ciências e tecnologia face aos novos entendimentos públicos das relações CTS.
Ressalta-se ainda que somente uma pesquisa do tipo estado da arte ou conhecimento que foi categorizada como Análise de Documentos, pois esta pesquisa realizou a análise de Divulgação Científica e o Ensino de Ciências (Doc. 23).
Quanto às instituições referentes aos trabalhos que foram categorizados no gênero Análise de Documentos destacam 9 instituições, a maior produção está na UFSC com 13 pesquisas (11 desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Educação científica e Tecnológica e 2 no Programa de Pós-Graduação em Educação); com 4 destaca a UNICAMP (2 pesquisas foram desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra e 2 no de Pós-Graduação em Educação); 2 pesquisas foram defendidas na UNESP/Bauru no de Pós-Graduação Educação para a Ciência; e com apenas uma pesquisa cada uma destacam as seguintes universidades: UFSCAR (Pós-Graduação em Educação); Fiocruz (Pós-Graduação em Educação em Ensino em Biociências e Saúde); UFPR (Pós- Graduação em Educação); UFU (Pós-Graduação em Educação); UEM (Pós-Graduação em Educação); USP (Pós-Graduação em Ensino de Ciências).
Em relação aos focos temáticos abordados predominantes nas pesquisas categorizadas como Análise de documentos, incluem-se as pesquisas cuja temática foi Recursos Didáticos CTS com 10 documentos (1 D e 9 M); Conteúdo/Método CTS com 4 dissertações; Concepções CTS de Alunos com 3 documentos (1 D e 2 M); Currículo CTS com 3 dissertações; Alfabetização científica e CTS com 2 documentos (1 D e 1 M); Formação de professores com 2 dissertações; Concepções CTS de Professores com 1 D; Programa de Educação Informal com 1 dissertação.
Em relação ao nível de ensino privilegiado nas 26 investigações do gênero Análise de Documentos, observam-se investigações direcionadas aos três níveis de ensino fundamental (7 pesquisas), ensino médio (7 pesquisas), ensino superior (5 pesquisas). Isoladamente tem-se uma pesquisa direcionada ao ensino médio técnico, uma no ensino superior técnico, três pesquisas que não especificaram o nível escolar categorizada como geral e duas classificadas com outro, pois direcionaram suas investigações para em processos informais de ensino.
Com um número reduzido de pesquisas (1 D e as 2 M) destacam as pesquisas categorizadas como Survey (3%)41
juntamente com as pesquisas experimentais, se caracterizam por serem estudos baseados, essencialmente, em abordagens quantitativas de pesquisa, e elas receberam nos últimos 20 anos diversas críticas, caindo em desuso no campo acadêmico-educacional, principalmente, a partir do advento as pesquisas pautadas nas abordagens qualitativas que passaram a predominar na área de educação.
. O pequeno número de pesquisas do gênero Survey, na área de educação, já foi justificado por Teixeira (2008, p. 185) que relata que estas pesquisas:
Segundo o autor uns dos fatores que favorecerem o desuso da metodologia Survey nas pesquisas em educação relaciona-se a grande complexidade que envolve as questões pesquisas nesta área, que para serem melhores analisadas requerem metodologias qualitativas. Contudo, o autor relata o enfoque quantitativo presente nas pesquisas do tipo Survey, atualmente vem dando lugar aos estudos do tipo quali-quantitativo, que geram resultados bem aceitos pela comunidade científica demonstrando assim “que a dicotomia “pesquisa qualitativa - pesquisa quantitativa” é falsa” (TEIXEIRA, 2008, 185).
As pesquisas categorizadas como Survey, também podem ser nomeadas como pesquisas de avaliação. Esta categorização se deu, pois estas pesquisas tiveram como objetivo principal a elaboração e validação de questionários, com uma escala de opinião do tipo Likert, que e foram analisados segundo métodos estatísticos multivariados. Portanto, ressalta-se que muitos outros documentos aqui estudados também utilizaram questionários, com o diferencial de não o utilizar como único instrumento de recolha de dados. Nesse sentido, observa-se que as pesquisas categorizadas no gênero survey elaboram questionários que objetivam o levantamento das concepções CTS de um grande número estudantes e professores (amostra intencional), neste sentido podem ser caracterizadas como survey descritivas, do tipo levantamento, já que visaram identificar as opiniões e concepções de um dado grupo, ou seja, trabalhou com um número limitado de fatores em um grande número de casos (LIMA, 2004).
Quanto às instituições referentes aos trabalhos que foram categorizados no gênero Survey duas pesquisas foram desenvolvidas na UNICAMP (no Programa de Pós-Graduação em Educação) e uma na UEM (Pós-Graduação em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática).
Em relação aos focos temáticos abordados predominantes nas pesquisas categorizadas como Survey, destacam-se uma dissertação cuja temática foi Concepções CTS de Alunos e dois documentos sobre Concepções CTS de Professores (1 D e 1 M).
Em relação ao nível de ensino privilegiado nas pesquisas do gênero Survey, observa-se uma de investigação direcionada ao ensino superior e duas que foram categorizadas em relação ao nível de ensino como geral nomeado assim, pois estas pesquisas abordaram o ensino de Ciências Físicas e Naturais sem especificar algum nível escolar em particular de direcionamento do estudo.
Dentro deste contexto, destacam-se as observações realizadas por Soares (2006) relata que seus estudos têm revelado que de modo geral as pesquisas em educação, como os documentos aqui analisadas, que também se incluem as pesquisas em ensino de ciências, não alteraram seus paradigmas ou mesmo adotam um único. Segundo a autora tais pesquisas podem seguir dois paradigmas, o positivista e/ou o interpretativo. Neste sentido, autora destaca que:
Não se pode dizer que nos anos 1960, 1970, o único paradigma era o positivista e que, a partir dos anos 1980, o único paradigma é o interpretativo; não há, não houve uma substituição total de um paradigma por outro, os dois vêm coexistindo ao longo das décadas. (SOARES, 2006, p. 404).
De modo geral, para a autora as transformações do paradigma vigente são mais evidentes em determinados cursos de Pós-Graduação, especificamente em algumas linhas de investigação em diversos momentos. Para a autora o paradigma interpretativo é o mais vigente, e as possíveis causas disso:
são: a chegada – tardia, já que formulada originalmente há várias décadas por Bakhtin (1979) – da Teoria da Enunciação na área da educação; a introdução da Análise do Discurso como instrumento de interpretação dos processos de coleta de dados e dos próprios dados, trazendo a concepção de que toda investigação é uma situação discursiva, é uma interação pesquisador/ objeto pesquisado, pesquisador/sujeito pesquisado, em que o conhecimento é construído nessa e por essa interação. Quanto às consequências da hegemonia atual do paradigma interpretativo, algumas mais significativas para a pesquisa de que estamos tratando e para sua apresentação em dissertações e teses devem ser mencionadas. Uma consequência é que, enquanto nos relatos desenvolvidos no quadro positivista, o pesquisador “esconde” os bastidores da pesquisa, as dificuldades encontradas, os obstáculos, as mudanças de rumo a que foi obrigado, apresentando uma descrição “asséptica” da investigação, nos relatos de pesquisas desenvolvidas no quadro interpretativo o pesquisador se vê de certa forma obrigado a contar a trajetória da pesquisa e dele mesmo, a revelar os bastidores, enfim, a apresentar as condições de produção da investigação, já que elas são consideradas como constituintes do fenômeno investigado. (SOARES, 2006, p. 406).
Contudo, a coexistência dos paradigmas positivista e/ou o interpretativo ainda é frequente, mas já se mostra atenuada dado que a “predominância atual do paradigma interpretativo é uma nítida preferência por estudos de caso; no limite, por estudos de casos singulares, de “indícios”” (SOARES, 2008, p. 408). Dado este também observado na presente investigação que categorizou no gênero Estudo de Caso das 44% teses e dissertações estudadas.