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ANEXO A1 – Questionário respondido pela Profa. Dra. Maria Eunice Ribeiro Marcondes

1. Como se formou o grupo que escreveu o PROQUIM?

O grupo foi formado pela Profa. Roseli Schnetzler. Como eu tinha interesse em ensino e já conhecia a Roseli, fui convidada a integrar o grupo.

2. O que levou o grupo a escrever o PROQUIM?

A Profa. Roseli trabalhava na faculdade de Educação da Unicamp, e lá foi amadurecendo a idéia de escrever um projeto de ensino com características diferentes dos materiais tradicionais, voltado para uma aprendizagem mais significativa da Química.

3. Com que intenção o PROQUIM foi escrito?

De oferecer ao professor do ensino médio uma alternativa ao processo educativo, oferecendo um material que tratava os conteúdos de maneira a priorizar a formação de conceitos pelo aluno, desenvolvendo habilidades cognitivas de ordens superiores à memorização.

4. Quais foram as dificuldades encontradas ao escrevê-lo?

Elaborar material didático não é um processo fácil, requer não apenas habilidades escritoras, como também conhecimentos específicos e clareza nos objetivos que se quer alcançar. Passar as idéias para o papel é um processo complexo. O trabalho em equipe também não é simples de fazer. Lidar com diferenças pessoais, conceituais e outras é enriquecedor, mas torna o processo de elaboração mais demorado.

5. Quais foram as impressões encontradas após escrevê-lo?

À época em que foi escrito, o material representava (como representa até hoje) um avanço na abordagem dos conteúdos. Foi um desafio muito bom, o trabalho no grupo também foi muito bom, frutífero e agradável.

6. Vocês encontraram dificuldades ou limitações ao aplicá-lo em sala de aula?

Eu não o apliquei em sala de aula. Mas os relatos de professores que o fizeram, apontam dificuldades de desenvolver a metodologia sugerida, o tempo que as atividades levavam (estavam acostumados a “correr” com a matéria”), a falta de laboratório.

7. Entre vocês escritores e aplicadores do PROQUIM, qual era a condição social dos alunos onde se aplicava o material?

Não tenho dados.

8. Vocês têm conhecimento de outros professores da rede pública ou particular de ensino que trabalharam ou ainda trabalham aplicando o PROQUIM?

Hoje não saberia dizer.

9. Quais são os resultados obtidos por estes professores?

10. Porque o material não terminou de ser escrito e editado?

A Profa. Schnetzler se afastou para fazer seu doutorado fora do país, passando vários anos fora. Também, provavelmente, os membros do grupo passaram a ter outras prioridades.

11. Vocês têm alguma mensagem para deixar aos professores que trabalham ou desejam trabalhar com este material?

Eu sugiro que cada professor procure conhecer o Proquim e outros materiais que representam alternativas mais significativas para o processo de ensino-aprendizagem, que os avalie, procurem extrair o que eles têm de “bom” para a prática docente de cada um, e que não tenham medo de arriscar mudar. O ensino e a aprendizagem de Química precisam ser mais significativos na construção de uma sociedade mais democrática, em que muitos se sintam capazes e tenham conhecimentos para emitir opiniões, julgar e agir com base, também, em conhecimentos escolares.

Anexos 161

ANEXO A2 – Questionário respondido pela Profa. Dra. Lilavate Izapovitz Romanelli

1. Como se formou o grupo que escreveu o PROQUIM?

Quando eu comecei a participar do grupo, ele já estava formado. Roseli P. Schnetzler ou Eunice Marcondes podem responder com precisão como ele se formou, suponho.

2. O que levou o grupo a escrever o PROQUIM?

Também cabe a elas (questão 1) responder.

3. Com que intenção o PROQUIM foi escrito?

Foi escrito para se tornar mais uma proposta de ensino para o ensino médio de Química com as características de ser construtivista, baseada em experimentos de descoberta dirigida e favorecendo trabalho em grupo. Além disso, buscava superar o ensino tradicional, que massacrava os alunos com um excesso de conceitos prontos e desprovidos de significado para a vida do aluno.

4. Quais foram as dificuldades encontradas ao escrevê-lo?

A equipe era composta por professores de cidades diferentes e, portanto, instituições e funções diferentes. O esforço para manter os encontros regulares e freqüentes foi muito grande. Faltou, então, tempo para que as propostas escritas fossem avaliadas (dentro da equipe) e revistas, além de serem testadas junto a alunos de ensino médio. Não houve recursos específicos para pagar aos professores para esse trabalho. O trabalho era voluntário.

5. Quais foram as impressões encontradas após escrevê-lo?

Quando conheci o PROQUIM ele tinha 3 capítulos. Achei-os homogêneos, interativos e coerentes. À medida que outros eram propostos, a uniformidade não foi a mesma. Aspectos e características de autorias diferentes ficaram mais evidentes. Mas, como não houve um PROQUIM final, essa impressão é do produto virtual.

6. Vocês encontraram dificuldades ou limitações ao aplicá-lo em sala de aula?

Eu tive grande resistência dos colegas de minha escola (Colégio Técnico da UFMG). A opinião dos colegas era de que seria muito arriscado trabalhar com uma proposta tão diferente e “com pouco conteúdo”, dentre outras coisas. Pude aplicá-lo em duas das sete turmas de primeiro ano que tínhamos. Os alunos adoraram, apesar de que alguns

questionavam o fato de não terem o mesmo programa das outras turmas. Assim, temiam não “ver a matéria” que cairia no vestibular. No meu Colégio, os alunos que escolhessem cursos técnicos que não fossem Química ou Biologia não teriam mais aulas de Química. Não tive problema com as condições práticas, pois preparei um ambiente no qual pude trabalhar experimentos em grupo, um laboratório-sala. Como o Colégio dispunha facilmente de reagentes, vidraria, etc, não precisei improvisar muito. Apliquei o PROQUIM literalmente por um ano. Em vista da dificuldade de completá-lo (trabalho de elaboração da equipe original) decidi formular uma outra proposta de ensino, apoiada nas idéias metodológicas do PROQUIM. Com um esforço enorme, eu e uma colega formulamos uma estratégia na qual a participação dos alunos durante as atividades foi fundamentando o conteúdo de textos que completavam os experimentos. A proposta tomou forma e foi adotada por todas as turmas do primeiro ano do Colégio. Por alguns anos assim ficou, melhorando aqui e ali. Quando novidades mais contextualizadas foram surgindo, outra proposta foi adotada, sem que as bases daquela e do PROQUIM se perdessem.

7. Entre vocês escritores e aplicadores do PROQUIM, qual era a condição social dos alunos onde se aplicava o material?

Apliquei-o em uma escola pública. O Colégio selecionava alunos com critérios que favorecia a entrada de um grande percentual de alunos de baixa renda familiar.

8. Vocês têm conhecimento de outros professores da rede pública ou particular de ensino que trabalharam ou ainda trabalham aplicando o PROQUIM?

Sim. Principalmente na rede privada.

9. Quais são os resultados obtidos por estes professores?

Foram professoras que tiveram apoio das coordenações de ensino dessas escolas. Seus alunos aceitaram muito bem a proposta e manifestavam muito o gosto pelas aulas e pela aprendizagem.

10. Porque o material não terminou de ser escrito e editado?

O projeto oficial que financiaria a sua publicação terminou e foi ficando impraticável manter as reuniões de trabalho com a equipe organizada.

11. Vocês têm alguma mensagem para deixar aos professores que trabalham ou desejam trabalhar com este material?

Anexos 163

Já houve muitas mudanças nos materiais de ensino. Propostas com bases teóricas mais atualizadas já existem. Grupos diversos produziram outros materiais fundamentados em um contexto mais moderno. Bons materiais de apoio (textos, propostas ou livros) são importantes e fundamentais. Mas, a conscientização dos professores sobre os processos de ensino e aprendizagem, sob os inúmeros pontos de vista (social, psicológico, de linguagem, pedagógico, por exemplo) é mais importante. Não vejo sentido em usar, tal como já existiu, o material chamado PROQUIM.

Lilavate Izapovitz Romanelli Belo Horizonte