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Generell litteratur om vann og spesifikk litteratur om Tyrkia-Syria

Para a análise de como o Manual do Professor (MP) da coleção Projeto Buriti orienta o professor para a EDH, foi escolhida a abordagem qualitativa por meio da análise textual discursiva. De acordo com Minayo (2009), a pesquisa de cunho qualitativo responde a questões que não podem ser quantificadas, pois a mesma:

[...] trabalha com o universo de significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes. [...] O universo da produção humana que pode ser resumido no mundo das relações, das e da intencionalidade e é objeto da pesquisa qualitativa dificilmente pode ser traduzido em números e indicadores quantitativos. (MINAYO, 2009, p. 21).

Ao considerarmos os MP das coleções didáticas de História artefatosproduzidos conforme intencionalidades de seus autores, editores e toda equipe que elabora os materiais para os professores da Educação Básica, que registram concepções de DH e contribuem para formação docente, a abordagem qualitativa se mostra a mais adequada para compreender nosso objeto de pesquisa.

Entre as várias modalidades de pesquisa qualitativa, optamos pela pesquisa documental com base na análise textual discursiva proposta por Moraes e Galiazzi

(2011), a qual pode ser realizada em documentos já existentes, ou textos produzidos durante a realização da pesquisa. Para os autores, a análise textual discursiva corresponde a uma metodologia alternativa entre duas concepções de análises textuais (análise de conteúdo e análise de discurso). Ela se caracteriza por se distanciar da análise de conteúdo e se aproxima de alguns elementos da análise de discurso, ou seja, ela mantem um equilíbrio entre as duas concepções.

A análise textual discursiva busca a compreensão dos fenômenos. De acordo com Moraes (2002), a intenção da investigação por meio dessa metodologia é compreender e não testar hipóteses ou comprová-las ao final da pesquisa. Nessa direção, partimos do entendimento de que não há um modelo ideal de EDH para verificar sua aplicação nos Manuais do Professor, mas foi realizado um levantamento de concepções de DH que circulam e estão em conflito na atualidade, para compreender como elas se apresentam no material para a formação de professores, no que tange a EDH.

A proposta da análise textual discursiva consiste em um processo auto- organizado, do qual podem emergir novas informações. Ela tem três etapas principais: desmontagem dos textos ou unitarização; estabelecimento de relações ou categorização; e nova compreensão:

... a análise textual qualitativa pode ser compreendida como um processo auto-organizado de construção de compreensão em que novos entendimentos emergem de uma sequência recursiva de três componentes: desconstrução dos textos do corpus, a unitarização; estabelecimento de relações entre os elementos unitários, a categorização; o captar do novo emergente em que a nova compreensão é comunicada e validada. (MORAES, 2002, p. 192).

Moraes (2002) compara todo esse processo da análise textual, com uma

tempestade de luz, pois é a partir da construção da desordem e do caos que surgem insights, que ele nomeou de raios de luz, os quais clareiam, de certa forma, novas

compreensões dos fenômenos investigados.

A análise textual, levando em consideração que todo texto possibilita uma multiplicidade de leituras e interpretações, atribui sentidos e significados a um conjunto de textos, em busca da compreensão de novos significados dos fenômenos investigados. No caso da nossa pesquisa, analisamos quais concepções de DH e de EDH estão presentes nos textos e sugestões de atividades do MP da coleção Projeto Buriti História – nosso corpus.

Dessa forma, a "análise textual propõe-se a descrever e interpretar alguns dos sentidos que a leitura de um conjunto de textos pode suscitar". (MORAES e GALIAZZI, 2011, p.14). Esse processo de análise se move em torno da produção do metatexto, a partir da unitarização e categorização.

Nesse propósito, a análise textual discursiva tem como ponto de partida um conjunto de pressupostos em relação à leitura dos textos a serem examinados e esses materiais analisados constituem um conjunto de significantes, os quais por meio do pesquisador em concordância com seus conhecimentos, intenções e teorias recebem significados.

A desmontagem do texto compreende a desconstrução e a unitarização do corpus, o qual é constituído primordialmente de produções textuais. O corpus consiste em um conjunto de informações sistematizadas que podem estar na forma de textos, imagens ou outras formas de representações gráficas. São produções humanas que expressam discursos sobre diferentes fenômenos os quais podem ser lidos, descritos e interpretados por meio da multiplicidade de sentidos que eles traduzem. Assim, quando os textos a serem analisados já existem, como é o caso da nossa pesquisa, "seleciona-se um conjunto de textos capaz de produzir resultados válidos e representativos em relação aos fenômenos investigados" (MORAES; GALIAZZI, 2011, p. 17).

Na desmontagem dos textos, ou no processo de unitarização, o primeiro contato com o texto deve ocorrer por meio de um exame detalhado do mesmo, para em seguida estabelecer unidades de análise ou unidades de sentidos e significados que caracterizem particularidades do fenômeno que será investigado. Para definir estas unidades de análise, pode-se utilizar o processo dedutivo, indutivo ou intuitivo, de desconstrução do texto. Os dados obtidos podem ser digitados e interpretados de forma a considerar a ideia principal de cada unidade que foi previamente estabelecida pelo pesquisador, e são caracterizados por meio de códigos (letra ou número) que indicam a conexão com cada unidade.

Esta fase que exige a desorganização e desconstrução do documento em várias unidades recebe o nome de unitarização. Ela pode ser realizada em três momentos distintos: 1) fragmentação dos textos e codificação de cada unidade; 2) reescrita de cada unidade de modo que assuma um significado, o mais completo possível em si mesma; 3) atribuição de um nome ou título para cada unidade assim produzida. (MORAES; GALIAZZI, 2011, p. 19).

Para a segunda fase da análise textual discursiva se estabelece a categorização das unidades de análise. Nessa fase são reunidos os elementos semelhantes após serem nomeadas e definidas suas categorias, em um "processo de comparação constante entre as unidades definidas no processo inicial de análise, levando ao agrupamento de elementos semelhantes". (MORAES, 2002, p. 197).

As unidades de análise podem ser reagrupadas em categorias pré-estabelecidas (categorias a priori) ou elas podem emergir durante o processo (categorias emergentes). As categorias a priori referem-se às construções que o pesquisador organiza antes da análise dos dados. Os dados são examinados com base em teorias escolhidas com antecedência, ou seja, "são caixas em que os dados serão classificados" (MORAES e GALIAZZI, 2011, p.28). Ao passo que para as categorias emergentes, o pesquisador utiliza-se de construções teóricas organizadas a partir do corpus.

A construção das categorias se constitui em um processo que articula as unidades de análise para elaborar uma nova ordem, de forma clara e precisa de modo a ampliar a compreensão da investigação analítica dos fenômenos. Ela se processa por meio da dedução, indução e intuição do investigador.

A partir da unitarização e organização das categoriasfundamentadas e validadas por meio de descrições elaboradas com base em informações retiradas dos documentos, é possível obter o metatexto da escrita que é o produto final de uma análise textual qualitativa e significa a "expressão por meio da linguagem das principais ideias emergentes das análises e apresentação dos argumentos construídos pelo pesquisador em sua investigação, capaz de comunicar a outros as novas compreensões atingidas" (MORAES e GALIAZZI, 2011, p.94).

Elaborado na fase denominada pelos autores de "captando o novo emergente", o metatexto compreende a descrição e a interpretação que constituem a teorização do fenômeno. Em outras palavras, ele representa as interpretações do pesquisador à luz da teoria:

mais do que apresentar as categorias construídas na análise, deve constituir-se a partir de algo importante que o pesquisador tem a dizer sobre o fenômeno que investigou, um argumento aglutinador construído a partir da impregnação com o fenômeno que representa o elemento central da criação do pesquisador. Todo texto necessita ter algo importante a dizer e defender e deveria expressá-lo com o máximo de clareza e rigor (MORAES e GALIAZZI, 2007, p.40-41).

Assim, nessa fase o pesquisador expõe suas apreensões e percepções sobre o fenômeno em análise. A partir da desconstrução do corpus, no processo da auto- organização, quando a análise textual discursiva atinge a produção de metatextos, o investigador desenvolve um processo da compreensão que segue um processo intuitivo e auto-organizado. Nesse sentido,

os metatextos são constituídos de descrição e interpretação, representando o conjunto um modo de compreensão e teorização dos fenômenos investigados. A qualidade dos textos resultantes das análises não depende apenas de sua validade e confiabilidade, mas é, também, conseqüência do pesquisador assumir-se como autor de seus argumentos (MORAES, 2002, p. 202).

Para essa fase, após a análise rigorosa dos dados, o pesquisador inicia um processo de reflexão para expressar novos entendimentos para o fenômeno investigado. O metatexto corresponde à análise das categorias construídas à luz da teoria escolhida pelo investigador.

Segundo Moraes (2002), a validade e confiabilidade dos resultados da análise textual discursiva, depende do rigor com que cada etapa da análise foi construída, uma vez que "uma unitarização e uma categorização rigorosas encaminham para metatextos válidos e representativos dos fenômenos investigados" (MORAES, 2002, p. 206).Torres et al. (2008), a partir da leitura de Moraes (2002), desenvolveram uma representação gráfica sistematizada da metodologia para uma melhor compreensão de todo o processo da análise textual discursiva:

Figura 3: Sistematização do processo de análise textual discursiva

Em conformidade com esta metodologia, iniciamos o processo de análise do Manual do Professor dos quatro volumes da coleção Projeto Buriti História. Primeiramente, definimos as unidades e categorias que compuseram a análise textual discursiva de nosso corpus (MP dos quatro volumes da coleção, em especial, as orientações para desenvolvimento das atividades da seção "O Mundo que Queremos" e do item "Educação em Valores" presentes em várias unidades), conforme descrito a seguir.

2.5- Descontruindo e reconstruindo o corpus documental da pesquisa: definição de