CHAPTER 4 LITERATURE REVIEW
4.2 INDUSTRIAL ELECTRICITY DEMAND
4.2.1 General literature on industrial electricity demand
Ao adoptar-se este constructo no estudo, tem-se por objectivo investigar quais são os factores que determinam a propensão para inovar nas organizações, sendo que a inovação pode ocorrer ao nível de produto, processo, ou serviço para o cliente, de uma nova tecnologia ou maneira de fazer os negócios.
Segundo Damanpour (1991) uma inovação pode ser um novo bem ou serviço, um novo processo de produção, uma nova estrutura ou sistema administrativo, ou um novo plano ou programa adoptado pela organização, o que implica a criação, desenvolvimento e implementação de novas idéias e comportamentos, tendo por foco base a sua utilidade, sendo que para o autor as organizações promovem as suas orientações para a inovação como forma de responder às mudanças que ocorrem nos seus ambientes, quer internos e/ou externos.
Para Calantone et al., (2002:522), “a inovação pode ser vista como um amplo
processo de aprendizagem que permite a implementação de novas ideias, produtos ou processos", relevando igualmente a necessidade de se ter em consideração os aspectos
culturais (abertura para novas ideias) e comportamentais (introdução de novos produtos) detidos pelas organizações.
2.6.1. Tipologias de Inovação Organizacional
De acordo com Schumpeter (1934, 1945) a inovação é um instrumento vital à sustentação e ao crescimento das organizações, independentemente da sua dimensão.
Inovação é a geração de uma ideia ou invenção e a sua conversão em algum negócio ou aplicação útil (Roberts, 1988), sendo que para Pennings e Harianto (1992), é a recombinação qualitativa de Know-how residente nas pessoas e no capital da organização, representando a adopção de novas ideias, processos, produtos ou serviços que podem ser desenvolvidos internamente ou adquiridos externamente.
A focalização das empresas na satisfação das necessidades e expectativas dos clientes, bem como na resposta atempada às alterações que os mercados impuseram às empresas através da inovação passaram a dinamizar a pesquisa e o desenvolvimento na procura de novas soluções, produtos e processos, como forma de impulsionar o valor acrescentado para os consumidores, bem como a sustentabilidade de vantagens competitivas das organizações (Zhou, Yim, e Tse, 2005).
A revisão da literatura identifica que a classificação de inovação varia em função dos diferentes pontos de vista dos investigadores, sendo que entre as numerosas tipologias avançadas na literatura associada à temática, Henderson e Clark (1990) apresentam uma estrutura com quatro tipos de inovações, concretamente a incremental, radical, modular e arquitectural, a saber:
a) Inovação incremental: Adaptações e melhorias dos processos, produtos ou serviços em algo já existente. Segundo Lawless e Anderson (1996) as inovações incrementais representam mudanças decorrentes de uma progressão natural e ordenada do conhecimento;
b) Inovação radical ou distintiva: Modificações significativa dos processos, produtos ou serviços ou seja a criação de algo novo. Este tipo de inovação força as organizações a se questionarem sobre a necessidade de um novo conjunto de interesses, criação de novas habilidades e aplicação de novas abordagens na solução de problemas ou oportunidades.
Em suma, e de acordo com Lawless e Anderson (1996), as inovações radicais provocam alterações no mercado e causam mudanças disruptivas dentro da organização.
Quando um novo produto, serviço ou processo distintivo integra várias componentes numa dada arquitectura, surgem as duas restantes tipologias:
c) Inovação modular: alteração das componentes e preservação da estrutura vigente;
d) Inovação arquitectural: nova combinação das actuais componentes. 84
Segundo os autores as inovações podem gerar impactos ao longo da cadeia de valor, afectando de forma diferenciada os diferentes stakeholders de forma agregada.
Christensen (1997) apresentou novas abordagens em termos de conceitos de inovações que geram oportunidades de crescimento, respectivamente as sustentadoras e as disruptivas, sendo as primeiras obtidas pela via das inovações incrementais, assentes nos melhores produtos e serviços das organizações, com posicionamento nos melhores clientes já existentes e mais exigentes. Por essa via o lucro é significativo e consolidado, pois o negócio já existe e as melhorias são tipicamente baseados em tecnologia, as segundas procuram novos mercados e modelos de negócios, com soluções e atributos mais eficientes e diferentes dos existentes, baseando nos atributos da sua comercialização.
A inovação disruptiva numa fase introdutória posiciona-se com preços mais baratos, produtos mais simples, na conveniência do seu uso e direccionado para novos mercados e clientes. Começam por apresentar aplicações simples, oferecendo o produto a pessoas que até então não eram consumidores, muitas vezes com qualidade inferior, mas a um preço mais acessível, e progressivamente, vão fazendo o aperfeiçoamento dos produtos, com conquista de novos mercados e eliminação de concorrentes já estabelecidos.
Esta tipologia assenta na procura de novas oportunidades de negócios, tendo por base atributos distintivos na vertente custo e conveniencia, factores que os tornarão atractivos e acessíveis, e com margem de expansão e conquista no tempo. Segundo o autor, as características destes produtos denominados de ruptura, são considerados segundo três características distintivas: os mais simples e mais baratos; com menores margens de lucro, e; que são comercializados por norma em mercados emergentes ou insignificantes.
Em suma, o produto inicialmente possui valorização fraca por parte do mercado, mas compensando pela vertente da sua acessíbilidade, e com atributos de incorporação distintivos, que permitirão no tempo que o mesmo venha a ser utilizado com maior confiança, e venha a ser reforçada a sua valorização pelo mercado, e com a consequente conquista de quota e relevância.
De forma análoga existem autores que denominam a inovação, pela expressão “inovatividade” (inovativeness) que é usado para designar a orientação para a inovação (Damanpour, 1991) e por outros para designar a capacidade de inovação (Calantone, Cavusgil, e Zhao, 2002; Wang e Ahmed, 2004; Zaheer e Bell, 2005).
A inovatividade, é a abertura para novas ideias, um aspecto da cultura das empressa, uma medida da orientação para a inovação, e a capacidade de inovação traduz a aptidão das organizações para adoptarem ou implementar novas ideias, processos ou produtos com sucesso (Hurley e Hult, 1998).
Wang e Ahmed (2004) definem a capacidade de inovação como a aptidão da empresa para desenvolver novos produtos e/ou mercados através do alinhamento de uma orientação estratégica inovadora com processos e comportamentos inovadores. A capacidade de inovação de uma empresa pode ser entendida sob duas perspectivas, uma interna, como consequência do trabalho de pesquisa e desenvolvimento, assentes em capacidades de absorção, e uma segunda, externa, fruto do posicionamento em rede, fonte de acesso potencial a recursos e a uma maior diversidade de informações e conhecimentos (Zaheer e Bell, 2005).
De igual modo quando se abordou a aprendizagem fez-se uma abordagem organizacional e interorganizacional, o mesmo ocorre neste constructo, onde a inovação aberta traduz a envolvência do constructo nas relações que se estabelecem com as entidades externas.
2.6.2. Inovação Aberta
Segundo Chesbrough (2003), a inovação aberta ("open innovation") traduz as posturas e atitudes que as empresas implementam nas suas relações colaborativas com entidades externas, através das quais procuram e promovem o alcance de avanços tecnológicos, pela partilha dos seus recursos físicos e tácitos, reforçando a criação de valor das partes envolvidas, a qual pode ocorrer pela via da cooperação com instituições de pesquisa e desenvolvimento (P&D), universidades, fornecedores, clientes e, até mesmo com concorrentes, pela via da partilha de ideias e desenvolvimento de produtos e serviços.
Um dos grandes desafios das empresas para maximizarem a sua capacidade de inovação é o desenvolvimento de mecanismos que proporcionem a obtenção da complementaridade de competências entre empresas (Moffat, Gerwin e Meister, 1997), promovendo a redução do risco e a incerteza do processo de desenvolvimento de novos produtos (Teece, 1986).
As empresas que fazem uso da inovação aberta recebem e partilham ideias com o mercado de forma cooperante, como forma de promover a criação e reforço de valor, com instituições de pesquisas, universidades, fornecedores, clientes e, até mesmo, com seus concorrentes para o desenvolvimento tecnológico dos seus produtos e ou serviços (Rigby e Zook, 2002; Chesbrough, 2003), nomeadamente para suprir as suas necessidades, em termos de conhecimento e bases tecnologias, dentre as quais, as actividades de cooperação tecnológica (Chung, Bae e Kim, 2003).