João Köpke completou os estudos na Academia de Direito do Largo São Francisco em 1875 e, como de costume na época, o fato foi noticiado pela imprensa. Além de apresentar seu nome na lista de formandos, destacou o Noticiário: “O senhor João Köpke completou ontem os seus estudos na faculdade” e “tomou grau de bacharel o nosso inteligente colaborador senhor João Köpke, a quem desejamos felicidades dignas de seu caráter e talento” (A Província de São Paulo, Noticiário, 31.10.1875) (ver anexo 2.1).
o promotor público em Itapeva da Faxina (SP). Em carta enviada ao amigo, o editor José Maria Lisboa, além de comunicar entusia
, u ter o rei na barriga; e, com maior alegria,
rogresso e da civilização, colaborou na criação do Gabinete de Leitura Itapevense, uma iniciativa sob as expensas de particulares. No dia 2 de abril de 1876, no sal
luzes, realizara destinada a org
Noticiário, Nesse mesmo ano, foi nomead
smadamente a partida de São Paulo, relata seus temores em embrenhar-se no desconhecido e quase inabitável lugarejo do sertão paulista:
Fiz subir o meu pedido as escadas do Palácio, e no dia 7 de novembro os jornais da Capital unissonante anunciavam aos povos que eu fora nomeado promotor público da comarca de Itapeva da Faxina. Lendo a notícia confesso-lhe que me parece
comecei aviar-me para a viagem, não sem munir-me, no Garraux, de um revólver, tal era a descrição que me faziam dos sertões em que ia viver (Köpke, 1878, p.109).
Em Itapeva da Faxina (SP), além de exercer o cargo na promotoria pública, João Köpke trabalhou como advogado e participou ativamente da vida cultural do lugar. Em nome do p
ão do teatro dessa cidade, ele e outros moços “sequiosos de saber e m uma reunião popular, para a instalação de uma sociedade anizar e manter um gabinete de leitura” (A Província de São Paulo,
Figura 2.1. Anúncio de João Köpke no jornal A Província de São Paulo
Fonte: A Província de São Paulo, 16.2.1876.
Após as subscrições, foram eleitos para presidente o Dr. José Rolim de Oliveira Ayres, para secretário João Köpke, para tesoureiro o vigário Sizenando Dias e para procurador o sr. Ernesto de Queiroz. Na mesma ocasião, foi nomeada uma comissão para redigir os estatutos, composta pelos srs. Capitão Barros, Capitão Antonio, Elias de Carvalho e João Köpke.
A ênfase popular, consid décadas do séc editorial de 187
como sendo um país no qual é comum homens consagrarem parte de sua fortuna à causa da instrução:
Os cidadãos daquele maravilhoso país, cujo extraordinário progresso em todos as ramos da atividade humana enche de justa admiração o mundo civilizado, quando querem para si um título de nobreza perdurável e capaz de perpetuar o seu nome na memória das futuras gerações, não procuram esses brasões que se extinguem com a vida e que afinal nada significam, mas tratam com um desinteresse e uma nobreza d'alma, dignas de imitação, de gravá-los na fachada de um templo, que possa recolher o povo
na iniciativa de particulares, no que se refere à causa da instrução erada caminho para o progresso, era uma constante nas últimas ulo XIX, seguindo, assim, o exemplo dos "países civilizados”. Em um 5, o jornal A Província de São Paulo já destacara os Estados Unidos
para ensiná-lo a meditar e a raciocinar. E quando o esforço individual não basta para a realização de tão grande obra, congregam-se os elementos esparsos as vontades isoladas se associam e diante dessa comunhão de forças desaparece o impossível (A Província de São Paulo, Editorial, 04.02.1875).
O editorial afirma ainda que é a consciência do dever que faz dos americanos homens verdadeiramente livres e constata que, no Brasil, somente em meados da década de 1870 é que se começa a reconhecer a educação como uma questão de dever
imprensa veiculou, em suas páginas, notícias acerca da iniciativa de particu
eis em prol da
s afirmam que elas não eram um fim em si mesmas, mas sim um ins
privado ou público, conforme o Estado seja ou não presente, mas um controle daqueles que ainda não sabem ler bem, ou escolher
e consciência pública. Essa discussão torna-se recorrente nos jornais republicanos A Província de São Paulo, sob a direção de Rangel Pestana e Américo de Campos, e no Gazeta de Campinas, dirigido por Francisco Quirino dos Santos37.
A
lares, ora evidenciando os exemplos dados pelas “nações civilizadas”, ora destacando as experiências empreendidas pelos jovens brasileiros, como, por exemplo, a do Gabinete de Itapeva.
Essa mesma preocupação e esse mesmo interesse de pessoas notáv
instrução já se faziam presentes também na França desde meados do século XIX. De acordo com Chartier e Hébrard (1995), em 1862 foram criadas a Sociedade
Franklin e a Liga do Ensino, tendo por objetivo a criação e a gestão de bibliotecas
populares. Ao analisar o papel desempenhado pelas bibliotecas, durante a Terceira República, esses autore
trumento dentro do dispositivo da conquista republicana:
Quaisquer que sejam as intenções que presidiram ao seu nascimento, a biblioteca é um dispositivo evidente de controle das leituras populares, controle conservador, reformista ou revolucionário, conforme o caso, controle
sempre
seus livros, daqueles que não se deveria deixar sós para enfrentar os perigos de certas leituras no universo cada vez mais amplo do texto escrito (p.119).
Retornando à criação do Gabinete de Leitura Itapevense, embora não tenham
37 A esse respeito consultar: PARIS, Mary Lou. 1980. A educação no Império; o jornal A Província de São Paulo
(1875-1889). São Paulo: FEUSP. HILSDORF, Maria Lucia Spedo. 1986. Francisco Rangel Pestana: educador esquecido. Prêmio grandes educadores brasileiros: monografia premiada em 1987. Brasília: INEP. HILSDORF, Maria Lucia Spedo, 2003. As outras escolas da primeira república. História da educação brasileira; leituras. São Paulo: Pioneira.
sido localizadas informações sobre o seu funcionamento, ou mesmo um rol com as obras disponibilizadas ao público, é possível trabalhar com a hipótese de que os jovens “sequios
instituição, ao m acabavam muit a serviço de s relacionados ao
Mas, além de empenhar-se para a instalação do Gabinete de Leitura, João Köpke
critório na Rua Boa Vista, 76, em que, juntamente com Paulo de Souza
vida: a Educação. Em abril de 1879, João Köpke deixa o cargo
O que teria levado João Köpke a abandonar a promotoria pública na capital e a se voltar à ed
Consider onde João Köp Largo São Fran Segundo verdadeira inte
escravagista, o que possibilitou a ampliação dos quadros políticos e administrativos, reartic
os de saber e de luzes”, ao se empenharem com a criação dessa esmo tempo em que ofertavam ao público o livre acesso aos livros, o provavelmente controlando e regulando as leituras, submetendo-as eus valores e ideais - no caso do jovem Köpke, valores e idéias
s princípios republicanos, liberais e positivistas.
exerceu sua atividade profissional em Itapeva da Faxina, tendo em seguida sido removido para as comarcas paulistas de Jundiaí, Campinas e finalmente para a Capital.
Em São Paulo acumulou às atividades na promotoria, o trabalho como advogado, em um es
Queiroz, advogou no cível em segunda instância, conforme noticia o jornal A
Província de São Paulo (cf. A Província de São Paulo, Anúncio, 19.07.1878).
Contudo sua carreira foi curta e a magistratura preterida pela opção que o acompanharia por toda a
de promotor público para tomar posse do cargo de professor substituto do Curso preparatório anexo à Academia de Direito (cf. A Província de São Paulo, Noticiário, 25.04.1879).
ucação?
emos a questão, por um momento, voltando à atenção para o local ke adquiriu sua formação como bacharel em Direito, a Academia do cisco.
Adorno (1988), a Academia de Direito permitiu a criação de uma
lligentzia profissional liberal, proveniente da sociedade agrário-
ulou as alianças entre os grupos rurais e urbanos e, principalmente, “possibilitou a separação entre poder doméstico e poder público, fundamental para a emergência de uma concepção de cidadania” (p.78). Esses bacharéis ocuparam cargos nos poderes judiciário, legislativo e executivo, garantindo, assim, permanentes vínculos com os interesses locais e com o cotidiano das camadas
populares:
Toda uma ‘trama’ intrincada de relações e de práticas sociais constituiu o terreno sobre o qual se edificou o universo ideológico que fez emergir o princ
bachipal intelectual da sociedade brasileira durante o século passado: o arel. Tratou-se de um intelectual que se desenvolveu às expensas de
lítico, segundo as teses e os princípios liberais. Esses
a o único caminho legítimo para melhorar os homens, para dar-lhes inclusive
A crença generaliz
décadas de 1870 e 1880, como João Köpke, e seus coetâneos se propusessem a ilustrar
uma vida acadêmica controvertida, agitada e heterogênea, constituída nos interiores dos institutos e associações acadêmicas, que teve no jornalismo seu mais eficaz instrumento de luta e tornou viável a emergência de uma ética jurídica liberal, defensora das liberdades e da vigília permanente da sociedade (Ibid., p.79).
As Academias de Direito formaram um tipo de intelectual disciplinado e educado, do ponto de vista moral e po
intelectuais foram capazes de produzir um saber sobre a nação “que se sobrepôs aos temas exclusivamente jurídicos e que avançou sobre outros objetos de saber” (Ibid., p.79).
Muitos desses intelectuais, na defesa de seus princípios liberais, manifestaram forte oposição ao regime monárquico e estiveram à frente dos Partidos Liberal e Republicano, bem como das iniciativas educacionais de caráter inovador na Província de São Paulo.
Assim, nas últimas décadas do século XIX, a Província de São Paulo viveu intensamente, através de seus homens públicos, o que Barros (1959) denominou como sendo o período da “ilustração brasileira”:
... sob o influxo dos autores ‘populares’ do século XIX, criamos um movimento ‘ilustrado’ que, sob forma nova, de certo modo desempenhou um papel semelhante ao do iluminismo na Europa do século XVIII. Deste, a nossa ‘ilustração’ guardou a crença absoluta no poder das idéias; confiança total na ciência e a certeza de que a educação intelectual é um destino moral – traços todos estes característicos também desses autores ‘populares’ do oitocentos que, herdeiros do Iluminismo, abriram, entretanto, para essas convicções uma dimensão nova, que o século XVIII não compreendera totalmente: a dimensão histórica (p.23).
ada na instrução e na educação fez com que homens das
, investindo e definindo acerca dos assuntos educacionais, tomando a escolarização elementar como uma de suas mais fundamentais bandeiras de luta. De acordo com Barros (1959), uma geração ilustrada que, em vez de explicar o
atraso do ensino como sendo um reflexo da situação do país, buscou antes compreendê-la como conseqüência do ensino: “... são as idéias, acredita-se, que movem
éculo XIX, v
os países considerados como avançados e civilizados, o que, de acordo com Barros (1959), evidencia um caráter bastante peculiar da ilustração brasil
apel fundamental da instrução primária, a instrução por excelência popular, mas compreende-se claramente que esta, sozinha,
al, manteve o mundo e a escola é, por excelência, a instituição que as organiza e desenvolve” (p.24).
No Brasil, esses homens inspiraram-se em filósofos como Comte, Spencer, Stuart-Mill, dentre outros, para alicerçar suas idéias cientificistas, em voga no s
inculadas ao darwinismo, ao spencerismo e ao positivismo, a partir da defesa dos ideais liberais e republicanos e, sobretudo, na crença de que as instituições de ensino colocariam em marcha a realização desses ideais, tanto no que se referia à esfera política quanto à educacional.
Assim, essa geração de intelectuais esteve à frente das iniciativas no âmbito da imprensa republicana, onde, como redatores ou colaboradores, escreveram, defenderam e propuseram medidas relativas às questões educacionais nos dois maiores jornais republicanos: A Província de São Paulo e a Gazeta de Campinas, apontando os problemas e as deficiências da instrução pública e apresentando iniciativas e possibilidades consideradas como sendo as melhores para os males educacionais. Esses homens exerceram também liderança e destaque nas associações literárias e científicas, proferindo conferências, palestras, inaugurando gabinetes de leitura e lecionando em cursos noturnos. Dedicaram-se ao ensino privado, através da criação, direção, apoio e docência em escolas de caráter inovador e científico.
O intento almejado era o de colocar o país no nível d
eira, o de criar a reivindicação popular:
E, para que isso se torne possível, exige-se, antes de tudo, uma elite preparada e competente, capaz, não de traduzir as aspirações populares, mas de desenvolvê-las, de incentivá-las. Não se esquece, de forma alguma, o p
desamparada de uma instrução superior de alto nível, de pouco serviria (p.27).
João Köpke integrou essa elite ilustrada, a grande responsável pelos projetos de reforma, com pareceres e debates educacionais. Como um de seus membros, participou das associações acadêmicas, fez jornalismo profission
escritó
a escrita, na preocupação com os materiais de ensino
amede, conforme indicado abaixo:
O ensino será teórico e prático (A Província de São Paulo, Anúncio, 30.04.1875).
Vicente Mamede de Freitas, além de co
dirigiu durante os anos 50 e 60 o Colégio Culto à Ciência e, depois, em meados da década de 70, o Colégio Mamede, erigido em um grande sobrado da ladeira Porto Geral. Foi também um ativo membro do partido liberal da Província de São Paulo, tendo sido eleito deputado nas legislaturas de 1864-1865 e 1866-1867.
rio de advocacia, exerceu o cargo de promotor público, mas, acima de tudo, foi um pedagogista.
Recebeu na Academia de Direito a formação que lhe permitiu vislumbrar, na educação e na instrução, a defesa de seus princípios liberais e republicanos, já, em verdade, aprendidos e apreendidos desde a mais tenra idade, junto a sua família e em meio às experiências educacionais na escola de seu pai, o Colégio Köpke.
Munido destas ferramentas mentais, João Köpke participou efetivamente das discussões acerca dos fundamentos teóricos das escolhas feitas, bem como buscou uma metodologia mais adequada a seus objetivos. Pôs em circulação, na imprensa e nas escolas, uma pedagogia moderna e republicana, definida pelos recursos financeiros privados, nos currículos baseados no ensino prático, concreto e científico para ambos os sexos, na metodologia intuitiva, no ensino analítico da leitura, no ensino simultâneo da leitura e d
, nas aulas seriadas, graduadas e simultâneas, nas atividades extraclasse, além da preocupação em divulgar sistematicamente o trabalho, fazendo conferências pedagógicas. O interesse e a dedicação de João Köpke pela causa da educação já se manifestara desde 1874, época em que adquiriu fama de “talentoso mestre de reconhecida cultura” (Meneses, 1984, p.30), enquanto cursava o 4º ano da Academia de Direito de São Paulo e ministrava lições particulares em cursos preparatórios. Em 1875, precisamente em 30 de abril, o jornal A Província de São Paulo anunciava que, a partir do mês de maio, o sr. João Köpke ofereceria aula de inglês em uma das salas do Colégio do sr. M
As quartas-feiras – das 5 1 ¼ às 7. Aos sábados das 5 às 7.
A condição para freqüência é a mensalidade de 5$000, pagos adiantadamente, e a matrícula pode fazer-se ou no referido colégio ou no escritório desta folha.
O Colégi ensino secund
objetivos e conteúdos ao exigido pelos exames parcelados. Os preparatórios eram, na ve
ressivo apenas para uma minoria privileg
uma vaga nas Academias do Império seriam examinados, para disputá-la com outros candidatos.
Assim, p Jurídicas e Soc Latim, Francês, História e Geo
regulares e seriados, ministrados no Pedro II, abrangendo estudos de Grego, Alemã
e acordo com Hilsdorf (1986), os estudos secundários foram compreendidos duzindo-se, assim, aos preparatórios exigidos para a matrícula nas Academias. Uma opção que se oferecia às famílias era a iniciativa particular, através dos colégios de preparatórios:
A rigor, apenas justapunham num mesmo local, as habituais aulas avulsas
o Mamede, bem como outros colégios da época, ministrava um
ário incompleto, não seriado, sem duração fixa, limitando seus
rdade, um recurso legal, oferecido pelo próprio governo central, para a realização dos estudos de maneira fragmentária. O ensino secundário brasileiro destinava-se tradicionalmente a preparar os jovens para ingressar nos cursos superiores do Império, sendo, portanto, exp
iada. O seu programa de estudos, por certo que no mais das vezes, não propiciava os princípios básicos de uma sólida formação geral e também não apresentava caráter terminal que permitisse a seus concluintes o ingresso em alguma carreira. Consistia no ensino das disciplinas nas quais os candidatos que sonhavam com
or exemplo, o jovem que pretendesse estudar nos cursos de Ciências iais38 do Império deveria ser aprovado nos exames parcelados de
Inglês, Retórica, Filosofia racional e moral, Aritmética e Geometria, grafia. Havia, no entanto, uma outra possibilidade, a dos estudos
o, matérias científicas como Zoologia, Botânica, Física e Química, Mineralogia e Geologia, Desenho figurativo e Música vocal, enfim, disciplinas que, ainda que importantes para uma formação geral, eram pouco necessárias para o ingresso nas Academias do Império.
D
durante o Império como um canal de acesso aos cursos superiores, re
38 Os alunos que quisessem se matricular no curso de Medicina deveriam ser aprovados nos mesmos exames dos
alunos que desejassem matricular-se nas Academias de Direito, exceto Retórica e Poética, e acrescido de Álgebra. O prazo inicial de dois anos para a validade dos exames foi ampliado para quatro anos em 1864 e, indefinidamente, a partir de 1877. Em 1870 o Portu passa a ingressar no rol de disciplinas obrigatórias para o exame e matrícula em qualquer instituição superior. Em 1882, inclui-se a Álgebra entre os preparatórios aos dos Estatutos de 1884, que acrescentam aos preparatórios para Medicina noções de Ciências Físicas e Naturais e a Língua Alemã.
guês
de preparatórios ministradas pelos professores particulares isolados,
ia. Contud
provação de apaniguados:
pra do voto para a aprovação de um ignorante e como oficialmente se viola a lei e se abaixa o reproduzindo nos programas desenvolvidos os pontos e compêndios fixados pelo Poder Central para os exames de preparatórios (p.17).
A incursão de João Köpke pelos preparatórios seria interrompida durante o período em que se dedicou à promotoria pública e ao exercício da advocac
o, as atividades foram retomadas em 1878, assim que abandonou o Direito para dedicar-se exclusivamente ao magistério.
Ainda neste ano de 1878 foi nomeado por decreto, sem concurso, professor substituto de Filosofia, História, Geografia e Retórica do Curso Anexo à Faculdade de Direito, porém logo se demitiu do cargo, indisposto e enojado com o tráfico de influências existente no exame de admissão para assegurar a a
Teve então oportunidade para conhecer quanto são tolas e absurdas as pretensões de muitos pais, que só querem ver seus filhos em exames. Mas viu mais que isso – a ousadia com que se propõe a com
nível moral em julgamentos que envergonham mais os que aprovam do que os que passam ignorando a matéria em que foram examinados (Pestana, 1906, p.793).
Volta-se então às aulas particulares, lecionando Inglês e Geografia, mas desta feita em sua própria casa, à Rua da Boa Vista, 58, no horário das 5 às 7 da tarde e cobrando uma mensalidade de 10$000 (cf. A Província de São Paulo, Anúncio, 18.07.1878; A Província de São Paulo, Anúncio, 20.11.1878), conforme a figura 2.2.
Figura 2.2. Anúncios de João Köpke no jornal A Província de São Paulo
Mas a concretização, de modo exemplar, da crença no poder do ensino como elemento transformador da sociedade, se daria não pelas aulas particulares e sim pela atuação direta de João Köpke, por meio da criação, direção e colaboração em escolas, de modo sistemático e regular, ao longo dos anos 70 e 80 do século XIX.
Por certo que, evidentemente, trata-se aqui de uma educação escolar tal como essas vanguardas progressistas a compreendiam, ou seja, com funções sociais determinadas, com uma estrutura pedagógica peculiar, com características metodológicas e curriculares voltadas aos objetivos político-ideológicos mais amplos. As lideranças progressistas idealizaram e viabilizaram escolas que, ao mesmo tempo, eram respostas e propostas, tal como assevera Hilsdorf (1986):
... respostas às necessidades originadas das transformações econômicas, sociais e culturais que então vinham ocorrendo na Província e, propostas de viabilização de um modelo de existência humana e social – a moderna ordem burguesa – que consideravam o melhor (p.171).
Assim, ao mesmo tempo em que a escola pública mantida pela monarquia era consid
ensino livre dos dogmas oficiais da Igr
um m
erada inaceitável para o grupo de Köpke, porque apresentava outros objetivos, era também preciso fundar escolas que criassem, antecipassem e produzissem as