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A seguinte síntese descritiva reporta-se à sequência didática das aulas dos dias 7, 11 e 14 de dezembro de 2018 (Anexo 4/ 4.1), na mesma turma. O plano tem como título “The Gingerbread man” e gira à volta de um ícone cultural numa história para crianças, que tem como personagem principal um biscoito alusivo ao Natal. Esta sequência fomenta o uso da expressão dramática, a aprendizagem do nome de alguns animais e tem como base a metodologia storytelling articulada com o Teatro. A sequência pretendeu promover competências comunicativas como obter conhecimentos culturais sobre o Gingerbread man, compreender de uma história, dramatizar um texto dramático e desenvolver capacidades expressivas e de mímica. Relativamente às competências de aprendizagem, pretendia-se que as crianças desenvolvessem a aprendizagem cooperativa, que desenvolvessem a habilidade de observar e participar em novas experiências de aprendizagem e que refletissem sobre as aprendizagens através de questionário de autorregulação.

No primeiro passo - “Introducing the history of the Gingerbread man” - foi afixada no quadro uma representação do Gingerbread man (Anexo 4/ 4.2) e questionei as crianças se a reconheciam, passando a apresentar através de um PowerPoint (Anexo 4/ 4.3) a sua história e a receita para confecionar o biscoito (como, quando e onde surgiu esta personagem? Quais as suas características? Por que se tornou um ícone cultural no Reino Unido? Como se confeciona o

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biscoito?). No segundo passo, as crianças visualizaram um vídeo com uma versão da história infantil, com legendas (Anexo 4/ 4.4), e informei-as de que iriam dramatizá-la no último dia de aulas do 1º período, antes do Natal. Depois de verem o vídeo, coloquei as seguintes questões, em Inglês, às crianças: Did you like the story? Which animals are in the story? Did you like the end of the story? Em português, perguntei: Notaram que há uma frase que se repete várias vezes? Percebem o que quer dizer? Depois de as crianças responderem, escrevi essa frase no quadro, junto ao Gingerbread man: “Run, run, as fast as you can! You can´t catch me! I´m the gingerbread man!”. Li-a de forma expressiva e as crianças repetiram em coro. De seguida, expliquei às crianças que as personagens que perseguem o biscoito dizem frases diferentes, mas que nós iriamos utilizar apenas uma frase para todos eles: “Stop little man! I´m very hungry!”. Esta frase também foi escrita no quadro e as crianças repetiram-na depois de mim. No terceiro passo - “Order the story” - decidi fazer uma revisão da história, para que na hora de a dramatizar, já estivessem bastante familiarizados com ela. Para tal, colei pequenos cartões (Anexo 4/ 4.5) com as imagens das personagens da história no quadro e os alunos repetiram os seus nomes, por ordem de aparição na história, em Inglês: gingerbread man, old woman, old man, pig, cow, horse, fox. Foi então distribuída uma versão reduzida da história vista no filme para ser dramatizada (Anexo 4/ 4.6) e foram atribuídas as personagens a quem distribuí as respetivas máscaras (Anexo 4/ 4.8) para pintarem em casa. Tendo em conta o final infeliz do Gingerbread man e a impossibilidade de dramatizar o ato da raposa engolir o biscoito, pedi às crianças que escolhessem outro final para a história e a versão original foi, então, por mim modificada, de maneira a estar pronta no dia da aula seguinte, para que os alunos ensaiassem a peça final (Anexo 4/ 4.7). Em coro, as crianças ensaiaram as suas falas no texto, seguindo o meu modelo de leitura expressiva. Na aula seguinte começámos por recordar o novo final da história escolhido pelas crianças. De seguida, as crianças sublinham as suas falas no texto, e depois foram agrupadas por personagem. Depois de feita esta organização, lemos em coro: primeiro li eu e depois as crianças leram as suas respetivas falas. Neste passo monitorizei e dei especial atenção à pronúncia das palavras, corrigindo-a sempre que necessário. Depois de ensaiada oralmente, passámos então para o ensaio da peça no “palco”, mais precisamente toda a sala de aula, pois as personagens estavam espalhadas pela sala. Decidi também incluir uma música para ser cantada e dançada/ mimada por todos no final da peça de teatro. Trata-se da música “Gingerbread man song” (Anexo 4/ 4.9), onde o Gingerbread man executa alguns movimentos - run, jump e stop. A terceira e última aula diz respeito ao passo “Theatre/ Play” e foi dedicada à apresentação da peça de teatro aos colegas da escola, seguida

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da dança e mímica dos movimentos da música no final, para que os colegas acompanhassem. Reservei 10 minutos no final da aula para que as crianças preenchessem o questionário de autorregulação (Anexo 4/ 4.10).

Esta sequência visou fomentar o uso da expressão dramática na aprendizagem da língua inglesa e as crianças apresentam uma pequena peça de teatro, mas também participam nas preparações prévias, mais especificamente: na escolha das personagens, no ensaio das falas e das posições na sala de aula, na criação dos adereços, na escolha de roupa apropriada, na preparação final das máscaras (colorir, recortar e colar) e na reescrita da parte final da história. A apresentação da peça aos colegas da escola pretendeu-se que as crianças se empenhassem na interpretação da peça e na expressividade, como que se “esquecessem” que estavam a falar noutra língua, e que, sem se darem conta, aprimorassem o seu Inglês de uma forma divertida, lúdica e responsável (responsabilidade na memorização das falas e movimentos da sua personagem). A participação numa peça de teatro poderá ser um momento singular de aprendizagem, no sentido em que se faz a aprendizagem da língua e se desenvolvem capacidades psicomotoras da criança, favorecendo a sua autoconfiança e estimulando a sua capacidade de concentração e memorização. Todo o processo para chegar à dramatização da peça serve interesses diversificados e permite uma aprendizagem diferenciada, pois as atividades precedentes abrangem história, culinária, literatura, expressão dramática, expressão plástica e aprendizagem de novo vocabulário. O tema da história é adequado à faixa etária, tendo em conta que se fala de um biscoito animado que pode já ser conhecido por algumas crianças (por exemplo, como “Gingy” nos filmes “Shrek”). Uma das potencialidades da sequência é que promove aprendizagens relevantes no âmbito da disciplina, pois as crianças recitam frases completas, aprendem alguns novos verbos e nomes de animais, tudo isto de uma maneira positiva, ensaiando as falas e interagindo com os colegas. Acima de tudo, proporciona experiências significativas, realistas, personalizadas e relacionadas com a experiência, no sentido em que coloca as crianças em situações de novidade, e o que ainda não foi experimentado é o que poderá fornecer novos conhecimentos. Relativamente à expressão dramática e à aprendizagem do Inglês, as crianças, apesar de apoiadas e ensaiadas por mim, puderam estabelecer uma conexão entre as duas, estabelecendo-se aqui aprendizagens diante de situações novas, criando as suas próprias perceções sobre como devem agir e com autonomia. Aqui, falo especificamente da liberdade de expressão facial, corporal e vocal que as crianças puderam adotar conforme a fala das suas personagens. Através da representação as crianças são

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também estimuladas a mostrar a sua personalidade, trabalhando-se aqui a competência existencial, mais especificamente a (falta de) autoestima, a introversão/extroversão, (falta de) autoconfiança, entre outros aspetos (Conselho da Europa, 2001, p. 151 e 152).

O momento alto desta sequência, a apresentação da peça de teatro à outra turma da escola, foi um momento de alguma tensão para alguns alunos. A narradora estava nervosa e a aluna que interpretou o papel de raposa também estava extremamente nervosa, o que levou a que a aluna bloqueasse e infelizmente não conseguiu dizer todas as suas falas. Principalmente para esta última, penso que esta atividade não tenha sido positiva, pois notava-se um grande desconforto. As restantes crianças pareceram-me estar sérias, pois sentiram responsabilidade na interpretação dos seus papéis, mas essa responsabilidade não impediu que se tivessem divertido. Gostaria de salientar aqui a diferença entre ensaiar a peça e representar a peça. Qual o peso de estar em frente a um público? Quais as perceções das crianças nestas duas fases: gostaram igualmente, foi igualmente fácil e divertido? No Quadro 4 apresento os resultados de acordo com o questionário de autoavaliação, respondido por 15 crianças (uma faltou).

Liked? Easy? Fun?

Yes ? No Yes ? No Yes ? No

Ensaiar a peça de teatro

“The Gingerbread man” 15 0 0 13 2 0 12 3 0

Representar a peça de

teatro para os colegas 15 0 0 13 2 0 15 0 0

Quadro 4 Resultados do questionário de autoavaliação (“The Gingerbread man”)

Posso concluir que representar a peça em frente a um público se mostrou, apesar de toda a pressão e de toda a responsabilidade exigida, mais divertido para as crianças, e que apesar de se mostrar um pouco difícil para alguns, as crianças mostraram entusiasmo e até algum êxtase, para além de se vislumbrar algum orgulho por serem “atores”. O teatro exige muita organização de tarefas e uma preparação prévia, mas neste dia tive de lidar com um imprevisto: as crianças tinham ido a uma visita de estudo e tinham deixado as mochilas em casa, e parte delas, inclusive a criança que interpretou o Gingerbread man, esqueceram-se das máscaras em casa, e daí ver-se na foto abaixo (Figura 5), a criança com o Gingerbread man gigante usado nas atividades anteriores, em vez de estar a usar a máscara. Este desvio do plano de aula, mais concretamente este imprevisto, não causou em mim nenhuma apreensão, pois penso estar preparada para lidar

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com mudanças de planos ou imprevistos, tendo em conta que o problema da personagem principal foi solucionado com sucesso.

Figura 5 Crianças no final da dramatização da peça