Por associação ao desenvolvimento das competências de LI, a avaliação formal das mesmas, efetuada pelos docentes junto dos estudantes, é um dos aspetos sobre o qual a presente investigação se debruça.
Pretende-se, então, entender se a avaliação de competências de LI se faz e se sim de que modos se processa, recorrendo-se, para o efeito, ao cruzamento dos dados obtidos na entrevista ministrada aos Coordenadores ou elementos responsáveis pelas Coordenações dos Cursos e os resultados do questionário aplicado aos docentes.
Para recolher e analisar a informação prestada pelos Coordenadores de Curso ou Responsáveis pelas Coordenações dos mesmos sobre a avaliação de competências de LI, procedeu-se à análise de conteúdo das respostas obtidas nas entrevistas realizadas.
A ideia de que a avaliação de competências de LI se faz, de modo específico, em certas unidades curriculares é partilhada pelos Coordenadores de CA, CTDI, RH e EM.
Assim, o Coordenador de CA admite que essa avaliação seja feita, no atual plano do Curso, na unidade curricular de Metodologias da Comunicação e Investigação (u.c. que havia indicado como veiculadora de conteúdos de LI) e, no passado, na u.c de Seminários em que era exigida a realização de um pequeno trabalho científico no qual eram avaliadas competências ligadas à consulta, avaliação, uso e comunicação ética da informação.
A coordenadora de CTDI pensa que a avaliação formal dessas competências só é realizada na u.c. de Metodologia da Investigação, sendo que também essa u.c. havia sido indicada como veiculadora de FPLI.
A coordenadora de RH refere a u.c. de Informática, afirmando que nela se faz a avaliação da aquisição de competências para aceder à informação e também a u.c. de Seminário de Projeto II, em que os estudantes abordam o software Project, devendo saber tratar a informação.
A Coordenadora de EM refere a u.c. de Projeto e outras, como por exemplo, a de Ciência e Engenharia dos Materiais, em que o trabalho consiste na seleção de materiais, devendo seguir-se um método e o manual de estilo para apresentar o trabalho.
A ideia de que há vários trabalhos em que são mobilizadas competências de LI mas que, a nível da avaliação, não são valorizadas, ao contrário da avaliação dos conteúdos científicos, é partilhada pelos Coordenadores de CA e CTDI. O Coordenador
193 de CA refere a ausência de avaliação dessas competências de LI e a valorização de questões técnicas, por parte dos docentes, situação de que os estudantes se apercebem. A Coordenadora de CTDI refere que embora essas competências estejam presentes noutras u.c., o objetivo não é tanto avaliá-las, mas antes avaliar os conhecimentos relativamente aos conteúdos dessas u.c.
Também a Coordenadora de EGI refere que, para além dos projetos interdisciplinares, onde há avaliação formal de competências de LI, há muitas outras u.c. com trabalhos, nos quais as questões de LI contam pouco, a nível da avaliação.
A noção de que as competências de LI são indiretamente avaliadas na apresentação de trabalhos finais, é partilhada pelos Coordenadores de GAH e EB. O Coordenador de GAH transmite a mensagem de que a questão da Literacia não é avaliada direta mas sim indiretamente, no momento da apresentação de um trabalho, em que o docente regista algumas falhas, ou não, das quais poderá dar feedback ao aluno. Já o Coordenador de EB fala de avaliação final dos projetos, não havendo uma preocupação da avaliação formal sobre LI, apesar de ocorrer avaliação da parte oral e escrita dos trabalhos, relativamente aos quais não há regras rígidas, desde que seja assegurada a coerência.
O tópico de que as competências de LI são avaliadas na apresentação de trabalhos finais e com uma informação (pré?-) definida sobre as componentes da avaliação é comum aos Coordenadores de RH, EM, EGI e Design.
A Coordenadora de RH refere que, na apresentação dos trabalhos finais, os estudantes têm que explicar como é que acederam à informação, sendo o modo como o fazem ou não um fator que contribui para a reprovação ou diminuição da classificação. Acrescenta que a avaliação deste aspeto, sendo uma das componentes do conteúdo da avaliação, nem sempre se encontra expressa nas fichas ECTS.
A Coordenadora de EM refere a existência de uma grelha de avaliação onde é fixada a percentagem para várias componentes – o conteúdo do trabalho, divisão e estruturação do mesmo, esquematização, metodologia e enquadramento.
À semelhança de EM, também a Coordenadora de EGI fala de uma avaliação formal da LI em todos os projetos e projetos interdisciplinares, relativamente aos quais existem itens de avaliação, como a qualidade da informação, metodologia utilizada, visão crítica ou a capacidade de síntese.
194
Quanto ao Coordenador de Design, afirma que as competências de LI estão incluídas numa lista de critérios de avaliação, subjacentes à apresentação das monografias, dos relatórios, dos projetos maiores e das apresentações orais.
Relativamente à questão sobre a avaliação de competências de LI, por parte dos docentes, a qual possibilita várias escolhas, dentre as quais a opção de ela não ocorrer, regista-se a seguinte distribuição percentual: atra és de “ estes ou tra alhos so re outros te as e ue são a aliadas co pet ncias de I” – %; “ estes ou tra alhos co questões relativas às matérias relacionadas co I” – %; “A a alia ão de co pet ncias de I não se realiza” – 19,1% e “ utros” [ odos de azer a a alia ão de LI] – 3,4%
Tabela 12 Avaliação de competências de LI: docentes
Avaliação de Competências de LI Frequência % Válida
Testes ou trabalhos com questões relativas às matérias
relacionadas com LI 23 25,8
Testes ou trabalhos sobre outros temas em que são
avaliadas competências de LI 46 51,7
A avaliação de competências de LI não se realiza 17 19,1
Outros 3 3,4
Total 89 100,0
Especificamente sobre que aspetos de LI recai a avaliação dos trabalhos académicos realizados pelos estudantes, dentre as 317 respostas obtidas, a opção mais escolhida pelos docentes é “ so cr tico da in or a ão consultada” – 19,9%; seguem-se “Estrutura do trabalho” –18%; “Diversidade e credibilidade das fontes de informação utilizadas” – 17,4%; “Uso ético da informação” – 16,1%; “Utilização de citações e referências bibliográficas” – 15,4%; “Utilização de norma de referenciação bibliográfica recomendada” – 10,7% e “Outros” – 2,5% (Anexo B 26).
195