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GROUP ON INTERNATIONAL AGRICULTURE RESEARCH (CGIAR)

9. FUTURE RESEARCH AGENDA ON CLIMATE-SMART AGRICULTURE

verniz.

65 - Dormitório

Foto: Edite Galote Carranza

64 - Detalhe do caixilho lateral. Foto: Edite Galote Carranza

A maioria das instalações elétricas e hidráulicas é aparente. Nos ambientes internos, luminárias e tomadas são salientes e fixas mediante argamassa, os condutores, de aço galvanizado, são aparentes e pintados na cor preta [Fig. 65]. A tubulação de esgoto, dos banheiros do pavimento superior, seguem em duas prumadas aparentes, localizadas na sala de estar e garagem. Na região de serviços, no recuo lateral direito, estão os abrigos para hidrômetro, quadro de entrada de energia e “relógio” e abrigo de botijões de gás GLP; as instalações seguem aparentes, em linha reta, paralelamente à alvenaria da casa, em condutores de aço, que são fixos mediante mãos-francesas metálicas.

A execução ficou a cargo da CEMPLA897 - construtora de reconhecida capacidade técnica, que

realizou diversas obras importantes da arquitetura paulista. No processo de aprovação na prefeitura, a construtora consta como a responsável técnico 898 e Rodrigo Lefèvre (sozinho) como autor do projeto. No entanto, Rodrigo Lefèvre supervisionou os trabalhos de execução, sendo responsável, inclusive, pela aquisição de material, conforme depoimento da proprietária899. Sobre as relações e dinâmica no

897 A Construtora CENPLA - Construções, Engenharia e Planejamento Ltda, sediada à época na Av. Paulista, 2073, foi fundada em 1962 pelo sócio proprietário engenheiro Osmar Penteado de Souza e Silva. Ela tem em seu currículo importantes contribuições para a arquitetura paulista, pois executou obras para diversos arquitetos de destaque na historiografia, como Carlos Lemos, Décio Tozzi, Eduardo de Almeida, Eduardo Longo (Casa Bola 2, 1985), Lefèvre (Res. Cleômenes Dias Batista,1964), Sérgio Ferro ( Res. Boris Fausto), João Carlos Toscano, João VilaNova Artigas ( Res. Elza Berquó, 1968), Paulo Mendes da Rocha (Res.do arquiteto, 1966) Jon Maitrejean, Sérgio Bernardes entre outros. Em nossa pesquisa, tivemos acesso aos desenhos remanescentes do projeto estrutural da Casa Juarez, onde constam os nomes dos engenheiros Ugo Tedeschi e Yukio Ogata como responsáveis pelo cálculo estrutural datados em 2/05/1968. Tivemos acesso, também, aos desenhos do projeto executivo de arquitetura, escala 1/50, executados à nanquim com instrumental, onde constam os nomes de Rodrigo Lefèvre e F.Império com data de 01/68. Ver comentário de C. Lemos sobre a construtora em (Apêndice A).

898 Conforme documento original do projeto de Prefeitura, constam os nomes da Construtora Cempla e de Rodrigo Lefèvre.

899 Segundo D. Dulce,R. Lefèvre foi um profissional muito dedicado e paciente para explicar todos os detalhes do projeto: “Ele que cuidava de tudo. Até as

coisas pequenas, como o tipo de ferrolho da porta” . Lefèvre também continuou a dar assistência aos proprietários anos depois da conclusão da obra. Conforme

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canteiro de obras - uma das teses do Grupo - o mais provável é que tenha sido um canteiro convencional, mas faltam elementos para uma análise conclusiva.

A casa foi visitada duas vezes para a presente análise e apresenta ótimo estado de conservação, pois seus proprietários preservaram suas soluções originais, inclusive cores. A exceção é a cozinha, reformada, para substituição de armários - mantidos na posição original - e substituição da bancada da pia de argamassa armada para granito polido. Também os brises de fibrocimento, do recuo lateral esquerdo, sofreram avarias e foram suprimidos.

Na Casa Juarez, alguns avanços foram conseguidos em relação à economia de meios - miserabilismo - devido ao rigor do detalhamento do projeto. O resultado espacial possui muitas qualidades, no que se refere ao agenciamento dos espaços internos, funcionalidade, relações interior- exterior dos espaços sociais, integração visual entre pavimentos, iluminação natural que penetra farta pelos caixilhos de fechamento das abóbadas e, conforto acústico, que resultou numa ambiência agradável observada pelos visitantes900 . Sua solução plástica em abóboda se destaca do entorno, mas sua fruição é prejudicada em função do lote estreito. Pelo exposto, trata-se de um exemplar de boa arquitetura.

Concluindo, a Casa Juarez não pode ser considerada nem uma casa burguesa tradicional, nem

exatamente um modelo para a casa popular, ou ainda uma casa “anti-burguesa” conforme P. Arantes901,

pois não teria atingido o desejável nível de agressão proposto pelo arquiteto. Ela resulta, portanto, num exemplar híbrido de casa-burguesa-e-anti-burguesa, simultaneamente, que discute contradições da sociedade como a vanguarda artística contracultural daquele momento.

A Casa Juarez denota que os autores do projeto, buscando ensinar aos demais arquitetos um caminho alternativo à produção arquitetônica para a casa popular, se viram diante de um impasse: a dificuldade de “se livrar dos resquícios da cultura erudita”902. Pois as propostas do Grupo Arquitetura Nova, em particular a Casa Juarez, questionaram os valores sócio culturais da classe a que pertencem, e vão de encontro ao status quo social. Sua proposta é um exemplo de Arquitetura Alternativa, no sentido discutido na presente Tese, que questiona conceitos defendidos pela arquitetura majoritária.

900 Na visita coletiva realizada em 10/09/11, contou com a presença de vários arquitetos: Ricardo Carranza e Márcio Reis, prof. Hugo Segawa, prof. Mônica Junqueira de Carmargo, além de um grupo de alunos da FAU. Cerca de vinte pessoas aproximadamente. As impressões externadas foram em geral positivas. Algumas análises comparativas afirmaram que a casa seria muito “melhor e mais aconchegante” que outros exemplares da Escola Paulista Brutalista. Outra visita foi realizada em 26/06/11 pela autora.

901 ARANTES, Pedro F. Arquitetura Nova Sérgio Ferro, Flávio Império e Rodrigo Lefèvre de Artigas aos multirões. São Paulo: Editora 34, 2002. 902 LEFEVRÈ, Rodrigo B. Casa do Juarez. Revista OU... do GFAU, São Paulo, n°4, jun.,1971.

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