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5. Work for Future Research

5.3 Further Recommendation

A segunda narrativa está associada a um comportamento amigável. Como uma pessoa experiente, as participantes compartilharam seus dilemas durante as entrevistas e, ao mesmo tempo, elas se posicionaram como conselheiras. A diferença de idade entre nós despertou uma relação de natureza amigável, enquanto aspectos associados à maturidade estavam sendo construídos em termos de experiência de vida, sabedoria e conhecimento. Minha posição como “outsider” foi um fator relevante, que nos aproximou e contribuiu para a construção de meu papel de confidente. O comportamento das mulheres pareceu natural e elas falaram abertamente sobre o envelhecimento.

Durante as entrevistas, algumas das mulheres começaram a me chamar pelo meu apelido e me recomendaram o que eu deveria ou não fazer a fim de ter sucesso em minha vida pessoal. Uma das mulheres estava falando sobre o desejo de ser mãe. Ela tinha tido algumas tentativas frustradas, mas ainda estava tentando engravidar aos 44 anos. Muitas mulheres executivas enfrentaram a mesma dificuldade. Algumas delas assumiram a prioridade da carreira por um longo período de tempo e a decisão pela maternidade veio tarde em suas vidas. Essa mulher, em especial, me disse em voz baixa, para que ninguém no escritório pudesse ouvir: “Eu tenho 44 anos, mas ainda estou tentando ter um bebê”. Ela confiou em mim. Ela sabia que eu não iria revelar seu segredo para ninguém daquela empresa. Em resposta à sua posição amigável, eu fiz diversos comentários a fim de apoiá-la em termos de uma maternidade bem- sucedida. Eu senti que ela estava frágil por estar enfrentando dificuldades para engravidar e eu decidi confortá-la com mensagens para encorajá-la. Eu disse: “Eu tenho certeza que você irá ter seu bebê”, “me avise quando você engravidar”, “eu conheço outras mulheres que engravidaram ao longo dos 40 anos”. Quando ainda discutíamos esse tópico, ela questionou sobre a minha vida pessoal e minha intenção de ter um bebê. Então, ela perguntou minha idade e, após minha resposta, ela me aconselhou: “Se você não sabe se quer ter um bebê agora, corra e congele seus óvulos”. Eu reagi: “Ok, vou fazer isso”. De fato, eu saí do escritório onde a entrevista foi realizada considerando tal possibilidade, ainda que eu jamais tivesse pensado nisso antes.

Em um outro caso, a diferença de idade entre mim e a participante criou uma relação na qual eu me posicionei como uma amiga jovem confortando uma amiga mais velha que queria

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conversar sobre sua vida amorosa. Assim como outras mulheres entrevistadas, essa participante acreditava que uma mulher mais jovem tem mais oportunidades afetivas do que uma mulher mais velha e também em comparação com homens mais velhos. Então, eu senti que ela estava disposta a discutir este tópico com uma mulher mais jovem, ainda que ela estivesse bastante fragilizada. A participante compartilhou seus dramas amorosos e chorou ao longo da entrevista. Ela estava chateada por ter rompido um relacionamento um dia antes da entrevista que realizamos. O tópico emergiu porque ela estava falando a respeito da dificuldade de ter uma vida amorosa sendo uma executiva mais velha. Ela não tinha tempo, nem energia suficiente para administrar sua relação. Eu confesso que me senti bastante incomodada com aquela situação e diversos sentimentos surgiram ao mesmo tempo. Por um lado, eu estava satisfeita, porque sua emoção era um importante elemento para minha pesquisa que colaborava para entender o tópico em questão. Por outro lado, eu me senti egoísta, porque ela estava sofrendo e eu não sabia o que fazer ou dizer para confortá-la. Na verdade, eu não sabia ao certo como agir naquela situação. Eu tentei me posicionar, exclusivamente, como uma ouvinte atenta e não interferir durante sua fala. No entanto, parecia que essa não era a atitude que a participante esperava de mim. Eu percebi, então, que deveria ajudá-la de alguma forma. Segundo King e Horrocks (2010), se um participante começar a se estressar durante uma pesquisa sensível, a melhor resposta é, gentilmente, oferecer um rol de opções sobre como proceder. Seguindo as sugestões dos autores, eu saí em busca de lenços de papel para que ela pudesse se restabelecer emocionalmente, além de tentar distraí-la com comentários a respeito de minha compreensão sobre sua situação. Então, eu ofereci a ela algumas opções de tópicos para continuarmos a entrevista, porque eu estava realmente preocupada sobre o quanto estressante a entrevista estava sendo para ela. No entanto, eu compreendi que uma relação diferente estava sendo construída e que esta relação poderia minimizar seu sofrimento. Como King e Horrocks (2010) afirmam, “o fato de um participante começar a se estressar não significa necessariamente que o participante está entendendo a experiência da entrevista como negativa”. Lentamente, eu notei que meu papel de pesquisadora estava se transformando em um papel de “amiga”. Após desligar o gravador, nós discutimos, informalmente, o quanto era difícil construir uma relação amorosa sólida. Eu disse que ela não deveria se preocupar sobre seu comportamento, porque ela não estava fazendo nada de errado. Depois da entrevista, ela me enviou um email, me pedindo desculpas por algum tipo de inconveniente sobre a entrevista, além de me oferecer um emprego em sua empresa. Eu senti que nós tínhamos construído uma relação com base na confiança e compreensão.

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Essas relações foram firmadas a partir do sentido de envelhecimento que estava sendo construído ao longo das entrevistas. Apesar do tópico sensível, aquelas mulheres não tiveram medo de falar sobre o tema. A relação respaldada na ideia de conhecimento e sabedoria como aspectos associados à maturidade colaborou para minimizar o impacto do tópico sensível durante as entrevistas. Elas se posicionaram como “amigas” amadurecidas me aconselhando com relação a assuntos que elas tinham conhecimento e experiência. Ao mesmo tempo, eu possuía, na visão das entrevistadas, todos os atributos associados à juventude e poderia aconselhá-las em situações nas quais o envelhecimento se posicionava como uma característica de fragilidade.