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98 AS ONDAS DE CONCRETO: O INÍCIO DAS PISTAS DE SKATE

O uso de bicicletas e o recorrente crescimento da Caloi e da Monark, a promoção de patins, skates, asas voadoras, do surf e windsurf e o frenesi das discotecas do final da década de 70 já se tornavam alguns dos símbolos da juventude e, em geral, incluíam a necessidade de ser veloz tanto no uso do tempo quanto no consumo dos espaços.

Denise Bernuzzi de Sant`Anna (SANT’ANNA, 1994, p. 99)

No decorrer da segunda metade da década de 1970, ou mais especificamente a partir da passagem de 1976 para 1977, diversos elementos começaram a caracterizar o skate como uma atividade em constante ascensão no país e em vias de se tornar um esporte, o que foi gerando uma modificação nas representações que o percebiam como uma derivação do surfe para, aos poucos, perceberem-no como uma prática com certa autonomia. A própria revista Veja, por exemplo, que no ano de 1973 havia noticiado a existência de um pequeno grupo de “surfistas do asfalto” em São Paulo, agora se mostrava espantada com o crescimento no número de praticantes dessa atividade. De acordo com uma matéria publicada em novembro de 1976,

Há quatro anos, quando os primeiros adeptos do skate – mini prancha de madeira sobre rodas, à moda de um patim – deslizavam por ladeiras do Rio de Janeiro e São Paulo, não sabiam como podia terminar a brincadeira. [...] O incipiente número inicial de skatistas, que não passava de uma centena, chega hoje perto dos quatro mil. Lojas especializadas na venda de equipamentos igualmente se multiplicam – seus preços variam entre 120 e 1200 cruzeiros – enquanto seis fábricas fazem sair de suas linhas de produção desde simples pranchas de madeira até transparentes skates de acrílico. E no último dia 24, finalmente, houve o I Campeonato Nacional de Skate, realizado no Rio, com 300 participantes – além de cariocas, havia representantes de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília1.

Além do crescimento no número de praticantes, os novos elementos que ajudaram a impulsionar essa atividade se deram através do aparecimento de lojas, indústrias, campeonatos e, principalmente, com a construção das primeiras pistas específicas para a prática do skate em transições. A primeira pista de skate registrada

99 nas fontes pesquisadas foi inaugurada no ano de 1976 e situada no Centro de Lazer Ricardo Xavier, no município de Nova Iguaçu2, Rio de Janeiro,

Em grande parte, este fenômeno das lojas, fábricas e pistas de skate marcou tanto uma reviravolta nas representações sobre esta prática até então contidas na revista Pop quanto favoreceu o surgimento de revistas especializadas em skate, como a revista Esqueite, publicada no ano de 1977, e também a revista Brasil Skate, esta no ano de 1978.

Neste capítulo, com a finalidade de compreendermos esta nova fase do skate, marcada pelo início de sua associação com o termo “radical”, cruzaremos as matérias sobre ele veiculadas pela revista Pop – assim como de outras revistas que esporadicamente o abordaram, como as revistas Veja e a Manchete – com essas duas outras mídias mais especializadas e que foram publicadas durante as duas datas mencionadas, isto é, os anos de 1977 e 1978.

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Como vimos no capítulo anterior, a prática do skate no Brasil teve início como um prolongamento das técnicas corporais advindas do surfe, o que explica os nomes pelos quais o skate ficou inicialmente conhecido no país: “surfe de asfalto” e “surfinho”. Embora os primeiros skates tenham sido feitos a partir das rodas e eixos retirados dos patins3, os movimentos corpóreos que possibilitaram o skatismo tiveram inspiração no surfe, uma vez, como já observamos, ser o surfe uma prática mais antiga que o skate.

Mas embora filiado ao surfe, o skate foi aos poucos construindo uma trajetória própria, principalmente a partir da segunda metade da década de 1970, quando começaram a surgir no Brasil as primeiras pistas, campeonatos, skatistas profissionais e, nesse movimento, as mídias específicas sobre skate. Assim, no ano de 1977 foi fundada a revista Esqueite, a primeira publicação voltada especificamente para esta prática cultural, mas também abordando – com menor destaque – as outras práticas oriundas da expansão dos “esportes californianos”, como o surfe e o vôo-livre.

2 Revista Pop, n. 34, novembro de 1977, p. 32.

3 Desenvolvemos essa relação entre skate e patim no seguinte artigo: BRANDÃO, Leonardo. Histórias

esquecidas do esporte. Conexões: Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 7, nº 2, 2009, p. 13 – 23.

100 Com o fim da revista Esqueite (apenas duas edições foram lançadas) surgiu no ano seguinte a revista Brasil Skate, também com distribuição nacional, mas igualmente de vida curta, somente três edições foram lançadas ao longo do ano de 1978. Embora tais revistas não tenham conseguido se estruturar no mercado editorial brasileiro, cremos que elas, ao lado da revista Pop, podem nos auxiliar a uma melhor compreensão dessas transformações pelas quais passava a prática do skate no período. No entanto, diferentemente da revista Pop, compreendemos o lançamento dessas revistas como “mídias de nicho”, ou seja, publicações de caráter mais intimista, extremamente segmentadas e direcionadas a um público em específico.

Segundo Sarah Thornton4, podemos considerar a “mídia de nicho” como um canal de comunicação construído por sujeitos que partilham dos valores e ideais do grupo a qual pertencem, pois este tipo em específico de mídia não valoriza os principais requisitos do jornalismo, como a questão do distanciamento ou da necessidade de uma formação em curso superior para exercer o cargo de articulista ou redator. No entanto, ao se comunicarem pela “língua da tribo”, as mídias de nicho tornam-se atraentes para o grupo a qual representam e são vistas, ao contrário das revistas de informação em geral, como instrumentos legítimos e autorizados a falar em nome do grupo, uma vez que nelas o que conta, ao invés da formação profissional, é a inserção e o compromisso de seus produtores na cultura que comunicam. Assim, se a Pop visava a “totalidade da cena teen”, tanto a revista Esqueite quanto a Brasil Skate passaram a focalizar uma parcela bem mais definida dessa totalidade, ou seja, os praticantes e/ou simpatizantes de skate. A revista Esqueite teve em Sérgio Moniz (já falecido) seu principal articulador. Destacamos abaixo o editorial de estréia desta revista, o qual celebrava o advento da publicação como a realização de um sonho dos “esqueitistas”,

Esse era o sonho que milhares de esqueitistas de todo Brasil esperavam ter, uma revista de skate, inteiramente brasileira para que pudesse preencher uma lacuna no esporte que mais se desenvolve no mundo inteiro. ESQUEITE é tão brasileira, que até o nome também é nosso. Aqui trataremos de assuntos técnicos, de campeonatos, divulgação de “points”, pistas e locais ideais para a prática do skate. Faremos campanhas positivas no sentido de aumentar o prestígio do nosso esporte, fazendo com isso, que também aumente o número de pistas verdadeiras para o skate como são a de Nova Iguaçu, a primeira

4 THORNTON, Sarah. Club cultures: music, media and subcultural capital. Hanover/EUA: Wesleyan

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do Brasil, a de Alphaville, São Paulo e como será a de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa para sempre. Sentimo-nos orgulhosos com esse lançamento tão almejado, ainda que não toda a cores, mas confiamos plenamente na explosão do skate no Brasil. Já é tempo de se fazer alguma coisa por este esporte, ainda sem federação. O skate está virando coqueluche, principalmente em Brasília, Minas Gerais, São Paulo e grande parte do Paraná, que por falta de praias ou estas muito longe buscam no skate a sensação de liberdade, a sensação de independência, que proporciona. Cada vez mais indústrias especializadas aparecem e apresentam novos materiais [...] Mas, para que o skate não desapareça, é preciso praticá-lo com SEGURANÇA, que é o nosso principal tema. Agradecemos sensibilizados a todos os esportistas e comerciantes que nos vem prestigiando e fiquem certos de que ESQUEITE é nosso e a nós pertence5.

Como podemos observar, se a revista, por um lado, comemorava o crescimento no número de praticantes em alguns Estados fora do eixo Rio-São Paulo, por outro, ao colocar para si o compromisso de realizar “campanhas positivas no sentido de aumentar o prestígio do nosso esporte”, ela também revelava, nas entrelinhas, o desprestígio existente para com esta atividade. A esse respeito, por exemplo, em uma entrevista com o skatista carioca Eric Willner, publicada em sua segunda edição, o entrevistado comentava que “os adultos acham (o skate) um esporte para loucos. Há ainda muita proibição por parte dos pais para que possamos desenvolver”6.

A questão é que a maioria dos jovens que se iniciava nesta atividade geralmente o fazia em uma idade bastante precoce (a média de idade observada nas revistas Esqueite e Brasil Skate era entre 14 e 19 anos), e voltar para a casa após uma sessão de skate com um braço ou uma perna quebrada era um motivo mais do que suficiente para que os pais ou responsáveis os proibissem de novas investidas.

Neste contexto, usar equipamentos de proteção, como capacetes, joelheiras e cotoveleiras (ou, em outras palavras, praticar skate com proteção) era um modo de garantir a continuidade do skate, evitando que ele deixasse de ser praticado e desaparecesse por falta de adeptos. É por esse motivo, portanto, que nesse editorial de estréia da revista Esqueite encontramos escrito que “para que o skate não desapareça, é preciso praticá-lo com SEGURANÇA, que é o nosso principal tema”.

Além da ênfase fornecida aos equipamentos de proteção, a revista Esqueite também se demonstrava preocupada com os julgamentos dos campeonatos que estavam

5 Editorial da Revista Esqueite, nº 1, setembro de 1977, p.2. 6 Revista Esqueite, nº 2, novembro de 1977, p. 27.

102 começando a ocorrer no país. Numa matéria publicada em sua primeira edição, intitulada “Como julgar campeonatos de skate”, ela trazia uma série de elementos que buscavam organizar esta atividade para tais fins. Os itens abaixo foram organizados por Sergio Muniz (diretor da revista Esqueite). Flavio Badenes (Assessor Técnico da revista Esqueite), Paulinho (Chefe da equipe de skate Beija-Flor); Marco e Servio (Fabricantes de skate Surf-house), Dado Cartolano (Fabricante dos skates Vortex), Waltinho Pará e Luiz Carlos Mansur (ambos chefe de equipes de skate cariocas). De um modo geral, é possível destacarmos a atenção fornecida por esses agentes aos seguintes itens:

1 – Necessidade de unificação e simplificação do sistema de pontuação, com notas entre zero e dez pontos;

2 – Delimitação dos skatistas em três categorias distintas, a “jovem”, “junior” e “sênior”;

3 – Repartição do campeonato em provas eliminatória, semi-final e final;

4 – Estabelecimento de um corpo de jurados composto de quatro juízes e um juiz supremo (o qual supervisionará todo o evento);

5 – “O júri deve levar em consideração: estilo, velocidade, continuidade, número de manobras executadas, graus de dificuldade, coordenação e concatenação”;

6 – “Após o término de cada prova serão contados os pontos por um ou mais contadores de pontos, cujo resultado será lido na presença de todos os participantes”;

7 – “Haverá sempre um sinalizador ao lado do juiz supremo. A função do sinalizador é a de usar um apito para com ele dar início e término a cada concorrente, usando o seguinte código: Apito longo, início de cada concorrente chamado pelo juiz supremo; Apitos longo, término das manobras dos concorrentes; Apito breve, irregularidades na pista (invasão de público, etc); Vários apitos breve, suspensão da prova; 8 – “Para a realização perfeita de uma prova de skate, sugerimos o seguinte: autorização legal da prefeitura ou órgão especial, policiamento, interdição da área de campeonato, área de competição mínima em 10 x 40 metros, cordões de isolamento para a área de competição e serviço médico de urgência”7.

103 Como podemos observar, havia um forte interesse manifestado por essa revista, assim como por empresários e chefes de equipes de skate, na promoção organizada de campeonatos no país. As regras impostas, a presença dos juízes (até mesmo de um “juiz supremo”), do contador de pontos e do sinalizador indicam perfeitamente como o poder esportivo atravessando essa prática corporal. Se devemos, como acentuou o historiador Roy Porter, enxergar como as atividades que envolvem a expressão da corporeidade foram alteradas por intermédio das regulamentações e demais interferências ocorridas tanto no âmbito público quanto no privado8, essa transformação do skate numa atividade competitiva nos ajuda a compreender que o corpo apresenta uma dimensão social que o ultrapassa. Os simples deslizamentos por ruas e ladeiras tomam agora a forma de manobras que precisam ser pontuadas, classificadas e julgadas. O som do apito marca o início da prova e também o fim desta. Sucedendo ao tempo do “surfinho”, o skate mostrava uma predileção pelo mundo esportivo.

Um ano após a revista Esqueite ter circulado por bancas brasileiras, outra revista, chamada Brasil Skate (dirigida pelo skatista Alberto Pecegueiro e tendo como editor adjunto o também skatista César Diniz Chaves, mais conhecido como Cesinha Chaves, o qual nos forneceu, no capítulo anterior, seu testemunho sobre o início da prática do skate no Rio de Janeiro) foi lançada como uma publicação bimestral da Editora Brasil Surf Ltda. Assim como a revista Esqueite, seu editorial de estréia também celebrava, junto aos skatistas, a inauguração de uma revista de skate no Brasil e o aumento expressivo no número de praticantes,

Não se impressione, não se surpreenda ao se dar conta de que você tem na mão uma revista de skate. É um passo natural que a evolução do esporte origina. Talvez digna de espanto e principalmente de admiração seja a rapidez com que o skate se desenvolveu no Brasil. A terra do rolimã, já passa a ser a terra das rodas de uretano, dos eixos cientificamente pesquisados, das tábuas milionariamente personalizadas, das pistas de skate. Não há dúvidas; o skate é uma realidade concreta (ou sobre o concreto) que a cada dia sobe mais um degrau na escala do crescimento. [...] Esta é uma revista sobre um assunto de crescente importância no Brasil, skate9.

8 Nesse sentido, podemos pensar o campeonato no âmbito público e os treinos no âmbito privado, quando

o skatista treina para exibir-se posteriormente numa competição. Sobre outas formas de alteração dos sentidos do corpo através dos tempos, ver : PORTER, Roy. História do corpo. In BURKE, Peter (org.). A

escrita da história: novas perspectivas. São Paulo : Editora da UNESP, 1992.

104 Além do destaque dado ao crescimento do skate no país, ao lermos os primeiros editoriais tanto da Esqueite quanto da Brasil Skate, verificamos que ambas, além de tratarem o skate como um “esporte”, conferiam grande importância às pistas de skate, ou aos “locais ideais” para o desenvolvimento desta prática corporal. Sem dúvida, como vimos no capítulo anterior, a prática do skate nas ruas das grandes cidades, como as do Rio de Janeiro ou as de São Paulo, era algo que estava começando a criar problemas, inclusive gerando a prisão de inúmeros skatistas, como nos revelaram as fontes estudadas. Deste modo, a criação das chamadas “pistas de skate” – ou somente de rampas avulsas que eram colocadas em diversos pontos das grandes cidades – passou a ser algo que tanto autorizava quanto legitimava o uso do skate, uma vez que elas ofereciam aos praticantes um local “apropriado” para exercerem os movimentos e as técnicas corporais advindas do skatismo.

Algumas das principais pistas de skate que surgiram no Brasil durante a segunda metade da década de 1970 foram inspiradas nas pistas construídas na Califórnia/EUA, sendo que essas, por sua vez, surgiram a partir do uso do skate em piscinas vazias provenientes de uma seca que assolou este Estado no início da década de 1970. Charles Putz, por exemplo, o responsável pela construção, no ano de 1977, de uma pista de skate na cidade de São Paulo, chamada “Wave Boys – Gledson”, relembra como tudo começou,

Na viagem de férias aos EUA de 1976 para 1977, escapei da família e fui visitar as pistas da Califórnia. [...] No retorno ao Brasil a determinação de realizar o sonho de ter uma pista levou-me a encontrar um terreno, negociar carência de aluguel até que a pista ficasse pronta e buscar patrocínio. Quase fechei patrocínio com a Ellus, importante jeanswear que investia no mercado jovem, mas acabei conseguindo oferta melhor da concorrente Gledson. A pista se chamaria Wave Park – Gledson. No início, engenheiros, arquitetos e mestres de obra não entendiam bem o que eu queria fazer. Montei maquetes, mostrei fotos das pistas da Califórnia, e chegamos a montar rampas de madeira. As obras começaram e no dia 07/07/1977 dei a primeira volta de skate no primeiro pedaço que estava cimentado10.

Como podemos perceber neste depoimento de Charles Putz, a influência das pistas existentes na Califórnia foi determinante para que surgisse no Brasil a idéia de se

105 investir, para além das Ruas de Lazer, na construção de espaços específicos para o skate. No entanto, como afirmamos, a existência de pistas de skate na Califórnia não aconteceu devido a engenhosidade de algum skatista ou empresário, elas surgiram ao acaso, de uma seca ocorrida neste Estado e que deixou vazias inúmeras piscinas que lá existiam. Há um filme documentário norte-americano que buscou explicar como foi possível a invenção dessas primeiras pistas de skate, relacionando a presença do surfe nesta atividade como algo importante neste sentido. O documentário chama-se Dogtown and Z-Boys11, foi dirigido por Stacy Peralta e lançado pela Alliance Atlantis no ano de 2001.

Z-Boys era a abreviatura de Zephyr-Boys (Zephyr era o nome de uma loja montada para surfe e skate durante o final da década de 1960 e o início da década de 1970 no centro de Santa Mônica, Califórnia). A loja mantinha uma equipe – os chamados Z-boys – que era composta por doze jovens, inicialmente surfistas, mas que acabaram fazendo do skate sua prática principal. Com exceção de um, Chris Cahill, todos os demais componentes da equipe foram localizados pelo produtor do documentário, o norte-americano Stacy Peralta, o qual também fazia parte dessa equipe de skatistas. A única mulher skatista do grupo era Peggy Oky, sendo que compunham o restante da equipe os skatistas Shogo Kubo, Bob Biniak, Nathan Pratt, Jim Muir, Allen Sarlo, Tony Alva, Paul Constantineau, Jay Adams e Wentzle Ruml.

Stacy Peralta, ex-skatista profissional e atual diretor de documentários, conseguiu reencontrar praticamente todos esses skatistas da década de 1970, os quais tomaram caminhos díspares na vida, e desde o final da referida época não tinham mais se encontrado. Atualmente eles são empresários, a grande maioria casada, muitos surfam e alguns ainda praticam o skate regularmente. Através de entrevistas, conversas e depoimentos, Stacy Peralta foi estruturando seu documentário, fazendo da atual memória desses skatistas o fio condutor de sua história.

Considerado, como afirma a jornalista Bruna Bittencourt, um “verdadeiro registro do nascimento do skate”12, este vídeo-documentário traz imagens raras sobre o início desta atividade, suas primeiras manobras, truques e espaços percorridos. Pelo

11 PERALTA, Stacy. Dog Town and Z-Boys: Onde Tudo Começou. EUA: Alliance Atlantis, 2001.

Ficha Técnica:Título Original: Dogtown and Z-Boys. Gênero: Documentário. Tempo de Duração: 87 minutos. Ano de Lançamento (EUA): 2001. Site Oficial: www.dogtownmovie.com Estúdio: Agi Orsi Productions / Vans Off the Wall. Distribuição: Sony Pictures Classics / Imagem Filmes. Direção: Stacy Peralta. Roteiro: Stacy Peralta e Craig Stecyk. Produção: Agi Orsi. Música: Paul Crowder e Terry Wilson.

Fotografia: Peter Pilafian. Desenho de Produção: Craig Stecyk. Edição: Paul Crowder.

106 valor histórico de suas imagens (que exibem esta prática durante as décadas de 50, 60 e 70 do século XX) e por sua qualidade na edição de cenas e imagens, ele é reverenciado por diversas mídias como um excelente registro da invenção do skate, sendo considerado, por isso, um “documento histórico’ desta prática corporal. Um exemplo disso está no relato do jornalista Bernardo Krivochein, pois, de acordo com suas palavras, como “documento histórico, Dogtown tem a força de firmar o skate enquanto movimento de expressão imprescindível da época contemporânea “ 13.

Um dos pontos interessantes do filme está nas imagens que retratam a apropriação, feita pelos Z-boys, de espaços da cidade de Santa Mônica/EUA enquanto lugares para o uso do skate. No início eles praticavam skate em escolas, que por terem sido construídas sobre colinas, possuíam “rampas” de cimento em seus pátios.

In document Nora Happny aug. 13.pdf (2.782Mb) (sider 62-67)