• No results found

5   EMPIRI OG DRØFTELSE

5.5   Funn og drøftelse emne melde og avvikspraksis

Em uma primeira busca no campo empírico, realizamos no mês de agosto de 2008 três visitas à 9ª Gerência Regional de Educação de Picos/PI para saber quais eram as escolas de Ensino Médio e quais e quantos eram os professores de Sociologia. Por meio das fichas de lotação, localizamos as escolas e o nome dos professores, a formação, o tipo de contrato de lotação e o turno de trabalho. De posse dessas informações gerais, realizamos uma delimitação dos sujeitos da pesquisa, estabelecendo dois critérios: ser professor efetivo ou seletista/substituto, com contrato até 2009, e estar exercendo a docência no Ensino Médio regular.

Assim, foi possível, por meio das informações obtidas nas fichas de lotação dos professores, montar dois quadros. O Quadro 1, abaixo, apresenta o universo dos professores de Sociologia do Ensino Médio das escolas públicas estaduais da cidade de Picos/PI. Para manter o anonimato, adotou-se um pseudônimo para cada professor.

IDENTIFICAÇÃO FORMAÇÃO ACADÊMICA CONTRATO DE

LOTAÇÃO

ESCOLA EM QUE TRABALHA

TURNOS DE TRABALHO

01. Marcos -Licenciatura Ciências

Sociais; -Especialização Sociologia/História

Efetivo PREMEN Noite

02. Petrônio -Gra - Pedagogia e Letras

-Especialização Ensino

Efetivo Escola Normal Ensino Médio Regular

Manhã

03. Valter - Gra – Filosofia, História

e Pedagogia -Especialização Sociologia e História Parceria entre o município e o estado Escola Normal Ensino Médio Regular Tarde

04. Daniel - Gra – Teologia

– Cursando Direito

Seletista/Substituto Miguel Lidiano Manhã

05. Rosa - Gra – Pedagogia

- Esp – Filosofia

Seletista/Substituto Jorge Leopoldo Noite

06. Janaina - Gra – Filosofia Seletista/Substituto Vidal de Freitas e

Marcos Parentes

07. Antônio - Gra – Teologia Seletista/Substituto José de Deus e

Dirceu Mendes Arcoverde

Noite

08. Renata - Gra – Teologia Seletista/Substituto Francisco Santos Noite

QUADRO 1 – Distribuição do universo dos professores de Sociologia do Ensino Médio, segundo

identificação, formação, contrato de lotação, escola e turno em que trabalham.

Fonte: Fichas de lotação dos professores catalogadas na 9ª Gerência Regional de Educação de Picos/PI, em agosto de 2008.

De posse dessas informações, visitamos os citados professores e os convidamos para fazerem parte do nosso grupo de estudo. Do universo de oito professores de Sociologia do Ensino Médio, como mostra o Quadro 1, cinco aceitaram o convite para participar da pesquisa e estão identificados no Quadro 2 que se segue, no qual mantivemos as informações do Quadro 1 e acrescentamos outras obtidas com a aplicação do questionário, quais sejam, o tempo de serviço e o tempo de experiência como professor de Sociologia.

IDENTI- FICAÇÃO FORMAÇÃO ACADÊMICA CONTRA- TO DE LOTAÇÃO ESCOLA EM QUE TRABALHA TURNO DE TRABA-LHO TEMPO DE SERVIÇO TEMPO DE EXPERIÊNCIA COMO PROF°. DE SOCIOLOGIA 01-Marcos -Licenciatura Ciências Sociais -Esp Sociologia e História

Efetivo PREMEN Noite 23 anos 3 anos

02-Petrônio -Gra – Pedagogia

e Letras - Esp – Ensino

Efetivo Escola Normal

Manhã 10 anos 10 anos iniciou ministrando Sociologia da

Educação

03-Valter Gra – Filosofia,

História e Pedagogia -Esp Sociologia e História Parceria entre o município e o estado Escola Normal

Tarde 11 anos 11 anos iniciou ministrando Sociologia da

Educação

04-Daniel - Gra – Teologia,

-Cursando Direito

Seletista Miguel Lidiano

Manhã 2 anos 2anos

05-Rosa -Gra – Pedagogia

- Esp Filosofia

Seletista Jorge Leopoldo

Quadro 2 – Identificação, formação, contrato de trabalho, escola em que trabalha, turno de trabalho,

tempo de serviço e tempo de experiência como professor de Sociologia.

Fonte: Fichas de lotação catalogadas na 9ª Gerência Regional de Educação de Picos/PI, em agosto de 2008, e questionário aplicado pela pesquisadora em 20 de setembro de 2008.

A primeira reunião com os professores que formaram o grupo de estudo ocorreu no dia 20 de setembro de 2008, momento em que foi entregue aos componentes do grupo o texto Informativo de Pesquisa (APÊNDICE A), no qual apresentamos e discutimos a nossa proposta de estudo. Após tomarem conhecimento dos procedimentos da pesquisa, assinaram o Termo de Adesão (APÊNDICE B). Em seguida, aplicamos o questionário.

Com o intuito de melhor identificarmos os sujeitos da pesquisa, demonstramos, no Quadro 3, informações complementares pertinentes à elaboração de um sucinto perfil dos cinco professores de Sociologia do Ensino Médio das escolas públicas estaduais da cidade de Picos/PI, participantes do estudo.

IDENTIFI- CAÇÀO FAIXA ETÁRIA RENDA FAMILIAR SALÁRIOS MÍNIMOS CURSO DE TREINA- MENTO NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS TRABALHA COM OUTRA DISCIPLINA ESCOLHEU O MAGISTÉRIO COMO PROFISSÃO SE TIVESSE CHANCE MUDARIA DE PROFISSÃO 01-Marcos Mais de 41 anos

Entre 3 e 4 Sim Sim Sim Não

02-Petrônio 31 a 35 Acima de 6 Sim Sim Não Não

03-Valter 26 a 30 Entre 5 e 6 Sim Sim Sim Sim

04-Daniel 36 a 40 Entre 3 e 4 Sim Sim Sim Sim

05-Rosa 36 a 40 Entre 5 e 6 Sim Sim Não Não

Quadro 3 – Caracterização do perfil dos cinco professores de Sociologia do Ensino Médio.

Fonte: Questionário aplicado pela pesquisadora em 20 de setembro de 2008.

Numa primeira aproximação das informações, chamou-nos a atenção o fato de que, dos cinco professores, quatro são do sexo masculino e apenas um do sexo feminino, contrariando as estatísticas da educação brasileira, as quais apontam que o sexo feminino tem predominância na educação. Conforme Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2006, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad - IBGE), a categoria dos professores é

majoritariamente feminina, 83,1% versus 16,9% do sexo masculino, apresentando algumas variações internas, conforme o nível de ensino. Na educação infantil 98% são mulheres. No Ensino Fundamental, como um todo, o percentual de mulheres é de 93% entre os professores de 1ª a 4ª série com formação superior. No Ensino Médio, são encontradas as maiores proporções de docentes do sexo masculino, 33% versus 67% do feminino.

Outro aspecto apresentado no Quadro 3 diz respeito à faixa etária dos professores, que varia entre 26 e 41 anos, revelando um corpo docente ainda jovem na profissão. A renda familiar varia entre três e acima de seis salários mínimos, sendo que somente o professor Petrônio tem uma renda familiar acima de seis salários mínimos. Somente este professor é solteiro, não tem filho e mora no centro da cidade; os demais têm entre um e três filhos e moram em bairros periféricos da cidade. Esses níveis salariais ultrapassam um pouco a média do novo piso salarial nacional dos professores do ensino básico, atualmente de R$ 1.187,97, instituído pela Lei n. 11.738, promulgada pelo governo federal em julho de 2008 e aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que o valor se refere a uma remuneração básica. Contudo, revela ainda os baixos salários recebidos pelos educadores para o desenvolvimento da sua atividade laboral.

Tratando-se da formação, os dados indicaram que existe apenas um professor com formação acadêmica em nível de graduação em licenciatura em Ciências Sociais. Quando se refere à formação de pós-graduação em nível de especialização, a predominância é a do especialista em Sociologia e História, com dois professores formados nessas áreas. Observamos também que são os pedagogos que, em maior número, ministram a disciplina de Sociologia nas quatro escolas públicas estaduais de nível médio da cidade de Picos3 – Escola Norma Oficial de Picos, Centro Estadual de Educação Profissional Petrônio Portela PREMEN (Programa de Expansão e Melhoria do Ensino), Miguel Lidiano e Jorge Leopoldo. Tal fato decorre provavelmente da formação que esses profissionais recebem na disciplina Sociologia da Educação, no curso de Pedagogia.

Quanto ao vínculo empregatício, apenas dois professores têm contrato efetivo, os demais são professores seletistas/substitutos, com contrato temporário de até dois anos. Isso reflete a política educacional do estado, que não tem realizado concurso público para o

3 Essa realidade foi constatada em outros estados do Brasil, a exemplo de Londrina - PR. Segundo Silva (2004b,

p. 84), em Londrina, “os pedagogos(as), contudo, predominam no ensino de Sociologia da maior parte das escolas secundárias. Os que têm maior tempo de experiência são aqueles que ministravam Sociologia da Educação no curso de Magistério”. Tal realidade também foi constatada neste estudo, como demonstrado no Quadro 2.

magistério. Quando há, o número de vagas para professor de Sociologia tem se mostrado insuficiente para atender a demanda da disciplina. Entretanto, a realização de testes seletivos tem ocasionado a rotatividade de parte dos professores nas escolas públicas estaduais, acarretando sérios problemas à educação.

O tempo de experiência no magistério varia de dois a vinte e três anos. Como professor de Sociologia, o tempo de experiência varia de dois a onze anos. Esse aspecto está relacionado com a recente inclusão da Sociologia no Ensino Médio. Os professores com mais experiência são os que têm formação em Pedagogia, que ministravam Sociologia da Educação na Escola Normal. Contudo, todos possuem no mínimo dois anos de experiência como professor de Sociologia no Ensino Médio.

Conforme outros dados do questionário, todos fizeram cursos de aperfeiçoamento nos últimos cinco anos, sendo 50% na área da educação, como redação e inglês, entre outros, e 50% em outras áreas, como gerente de serviço, oratória em público etc. Outro fator avaliado foi o de que todos lecionam de duas a três disciplinas, além da Sociologia. São elas: Filosofia, Ensino Religioso, História, Artes, Prática de Ensino e Redação, o que ocorre, segundo os professores pesquisados, para completar a carga horária exigida pela escola.

Ao tomarmos como base a satisfação profissional, os cinco professores, Marcos, Petrônio, Valter, Daniel, e Rosa, dizem-se satisfeitos com a profissão. No entanto, os professores Daniel e Valter mudariam de profissão se tivessem uma chance. São professores que, conforme o Quadro 3, escolheram o magistério como profissão. Entretanto, segundo Cavaco (1999), com relação a participação pessoal no universo do trabalho e à perspectiva da construção da autonomia, as estruturas ocupacionais raramente correspondem à identidade vocacional definida nos bancos da escola, ou através das diferentes atividades socioculturais ou modeladas pela expectativas familiares. Dessa feita, para manter a satisfação com a profissão e dá sentido às suas ações deve se buscar uma conciliação entre as aspirações pessoal e as estruturas profissionais.

Sobre suas experiências como professores de Sociologia, Daniel afirma que representa uma experiência única; Valter considera “uma disciplina dinâmica que faz entrar em plena sintonia com opiniões coletivas e reflexivas da realidade atual dos educandos e seu mundo”; Rosa diz que “sem dúvidas é um desafio, pois as dificuldades são grandes; Petrônio afirma: “gosto muito da disciplina, considero a experiência satisfatória”; e Marcos diz que a

“disciplina é muito importante para a conscientização do aluno”. (Registro entrevistas individuais entre 06/03/2009 e 14/03/2009).

Evidentemente, a experiência é um fator significativo para um bom desempenho das atividades docentes e pode contribuir para um saber-fazer mais seguro, interferindo na escolha de uma metodologia de ensino que auxilie no melhor desenvolvimento do processo de ensino- aprendizagem.

Os demais dados são reveladores do perfil de instabilidade e incertezas na profissão do professor de Sociologia, a serem aprofundados no decorrer das análises dos próximos capítulos, que seguem com o propósito de mostrar aspectos que singularizam a docência de professores de Sociologia do Ensino Médio protagonistas da pesquisa. São quatro professores e uma professora em permanente processo de aprendizado sobre ser professor de Sociologia e com suas identidades profissionais em construção.

Em suma, a sistematização e a análise dos dados obtidos por meio das fichas de lotação e do questionário possibilitaram melhor conhecer quem são os professores de Sociologia do Ensino Médio da rede pública estadual da cidade de Picos, em especial os cinco participantes deste estudo. Os dados do questionário serviram, ainda, para subsidiar a condução das entrevistas individuais e coletiva e das observações realizadas em sala de aula e são, também, significativos para os estudos que buscam recuperar a história da Sociologia no Ensino Médio no Brasil.