5 EMPIRI OG DRØFTELSE
5.3 Funn og drøfting emne informasjon og kommunikasjon
As entrevistas semiestruturadas individuais (APÊNDICE E) foram realizadas no mês de março, nos dias 06, 09, 10, 14 e 27, de 2009. Houve retorno a campo em outubro de 2009, para completar e esclarecer informações concedidas nas entrevistas já realizadas e, em fevereiro de 2010, para entregarmos aos entrevistados cópias das transcrições das entrevistas individuais e da entrevista coletiva para possíveis alterações em suas falas, antes de prosseguirmos com as análises.
Do total de entrevistas individuais, três foram concedidas nas respectivas escolas onde trabalham os professores e duas na residência da pesquisadora. O tempo de duração de cada entrevista, sem o momento inicial da conversa, variou entre 30 e 45 minutos. Todas as entrevistas foram gravadas em fita cassete e em câmera digital. A dinâmica de cada uma seguiu uma tônica particularizada. Para a sistematização das questões, estabelecemos como centrais dois eixos, quais sejam:
os sentidos dos professores de Sociologia do Ensino Médio da escola pública estadual da cidade de Picos/PI sobre si mesmos, relacionados com a profissão docente, nos âmbitos pessoal, histórico, político e sociocultural;
as dimensões e interações pessoal, histórica, política e sociocultural, para estabelecer as inter-relações que circundam a construção da sua identidade profissional.
Durante a realização das entrevistas individuais e coletiva, atentamos para a compreensão das respostas dos entrevistados e quando a resposta não estava clara ou direcionada à questão, repetíamos a pergunta ou fazíamos outro questionamento, procurando compreender melhor o que eles pensam e fazem. Esse esforço visava extrair, das falas dos professores, os sentidos que atribuem à profissão docente e às ações que realizam, buscando, assim, informações para compreender os elementos definidores do seu saber-fazer pedagógico e suas inter-relações no processo de construção da sua identidade profissional. Para tanto, apoiamo-nos nas recomendações de Ghedin e Franco (2008, p. 185), quando alertam que
captar o sentido implica perceber a coerência das relações estabelecidas com base nas informações fornecidas ao pesquisador. A força da interpretação não repousa na rigidez com que essa relação se mantém ou na segurança com que são sustentadas numa argumentação, mas na leitura do que acontece, sem divorciá-las do que acontece. Uma boa interpretação de qualquer coisa exige descobrir o que significa toda a trama de significados.
Concluídas as entrevistas, comunicamos aos professores entrevistados que, após a análise das informações concedidas, realizaríamos ou não outras entrevistas, e todos concordaram em concedê-las, caso fossem necessárias. Tal procedimento deve-se ao fato de que na etnografia desaparece a separação entre o domínio da descoberta e o da verificação. Os dois movimentos são realizados simultaneamente, promovendo a autodefinição da própria dinâmica da pesquisa.
Desse modo, no mês de outubro de 2009, ao concluirmos as análises preliminares das entrevistas, retomamos, por telefone, o contato com os cinco professores de Sociologia entrevistados, para marcarmos novos encontros, como havíamos combinado, e obtivemos resultado positivo de todos. Assim, foram marcados os locais e as datas dos encontros. Marcos, Petrônio, Daniel e Valter marcaram nos intervalos das aulas das escolas onde trabalham e Rosa, em uma concessionária de motos, onde exerce a função de chefe de
serviço, no horário da manhã. Em curtas entrevistas, gravadas em fita cassete, fizemos algumas perguntas a fim de complementar e esclarecer informações concedidas nas entrevistas realizadas anteriormente.
Como mais um procedimento relevante para a pesquisa, no mês de fevereiro de 2010, retornamos a campo para entregarmos aos professores entrevistados as cópias das transcrições das entrevistas individuais e coletiva, explicando o propósito da devolução e sua importância para o andamento das análises. Por outro lado, buscamos privilegiar a aprovação deles na produção do conhecimento que nos foi possibilitado e também a condição de interação compartilhada com seus pensamentos sobre a temática investigada neste estudo.
Os professores aceitaram ler as transcrições e, em um curto período de tempo, fizeram a devolução com alterações mais de caráter ortográfico. Dos cinco professores entrevistados, um alterou o conteúdo da fala em três respostas, modificando o sentido do discurso, e fez alterações em duas respostas, apenas mudando algumas palavras e reorganizando as ideias. Outra professora fez algumas alterações na maioria de suas falas, acrescentou novas ideias que não alteraram o sentido do discurso, apenas reorganizando o que havia dito, e fez, na devolução do texto, o seguinte comentário: “Em parte das falas fiz algumas alterações porque quando a gente está falando diz muita besteira, as que não mudei nada é porque gostei da minha fala, achei ótima” (Professora Rosa). Dois acrescentaram algumas palavras para completar o sentido do pensamento abordado e um explicou que não fez qualquer alteração nas falas e aprovava a realização das análises dos seus discursos da maneira como estavam. Após a devolução das transcrições das entrevistas, sentimo-nos com mais autonomia para dar continuidade ao processo de análise.
Conforme as recomendações de Ghedin e Franco (2008, p. 190), “à medida que se vai efetuando a coleta, vai sendo construída a interpretação, até ser alcançado um nível de redundância das informações, indicativo de que o pesquisador conseguiu o máximo de variação sobre dado contexto”.
Vale ressaltar que as entrevistas possibilitaram uma maior aproximação entre a pesquisadora e os entrevistados e permitiram a exploração das suas concepções sobre o ser professor de Sociologia no Ensino Médio, sobre o seu saber-fazer pedagógico e sobre o que pensam acerca da sua identidade profissional. Enfim, a entrevista semiestruturada ocupou lugar de destaque nas investigações sobre a construção da identidade profissional, por ser um procedimento metodológico que se caracteriza pela palavra, pelos sentidos atribuídos,
possibilitando entender, por meio das falas dos professores, suas marcas identitárias, tornando mais evidente, mais possível, a construção das análises como unidades de sentido.