5 STATUS OG KONSEKVENSUTREDNINGER
5.4 Fugl
Como assinala Demo (1981, p.13), embora a Metodologia seja uma disciplina instrumental, ela “desempenha papel decisivo na formação do cientista, à medida que o faz consciente de seus limites e de suas possibilidades”. Para o autor:
O maior problema da ciência é a realidade, tanto no sentido que ela tem como questão central atingir a realidade da melhor maneira possível como no sentido de que este atingimento é sempre apenas parcial e imperfeito. Por isso pesquisamos, por que a realidade nunca está suficientemente estudada (DEMO, 1981, p.13).
Neste capítulo, expõem-se os eixos metodológicos que orientaram a realização da pesquisa, a saber, o desenho, os métodos e as técnicas de recolha de dados, bem como o tratamento e análise de dados.
1.7 DESENHO DA PESQUISA
Esta pesquisa enquadra-se nos pressupostos do paradigma qualitativo.
Cook e Reichardt (1986, p.66), definem a pesquisa qualitativa como um novo “marco de explicação”, uma orientação para o desenho da pesquisa, adotando-se “conceitos sensíveis” direcionados para explicar o fenômeno objeto da pesquisa. Para os referidos autores:
o paradigma qualitativo emprega um modelo fechado, de raciocínio lógico dedutivo desde a teoria até as proposições, a formação do conceito, a definição operacional, a medição das definições das proporções operacionais, a recolhida de dados, retroinformações e modificações constantes da teoria e dos conceitos baseados nos dados obtidos (COOK e REICHARDT, 1986, p.66).
Afirmando que a mudança social acelerada e a consequente diversificação das esferas de vida exigem cada vez mais a adoção das estratégias indutivas, Flick (2009, p.21), acentua que “a pesquisa qualitativa é de particular relevância ao estudo das relações sociais devido à pluralização das esferas de vida”. Segundo o mesmo autor os aspectos essenciais da pesquisa qualitativa consistem na apropriabilidade de métodos e teorias; nas perspectivas dos participantes e sua diversidade; na reflexibilidade do pesquisador e da pesquisa; e na variedade de abordagens e de métodos (FLICK, 2009, p.21). Haguette (1987, p.55) discute a importância do método qualitativo na compreesão profunda de certos fenômenos sociais apoiados no pressuposto da maior relevância do “aspecto subjetivo da ação social face à configuração das estruturas societais”, permitindo conhecer “um fenômeno em termos de suas origens e de sua razão de ser. No entendimento de que o objeto da pesquisa qualitativa é caracterizado pela subjetividade, um dos mais utilizados desenhos é o estudo de caso. Para
Macedo, o estudo de caso:
tem por preocupação principal compreender uma instância singular, especial. O objeto estudado é tratado como único, idiográfico − mesmo quando compreendido como emergência relacional −, isto é, consubstancia-se numa totalidade complexa que compõe outros âmbitos ou realidades (MACEDO, 2006, p.90).
Creswell (2010, p.38) resgata o conceito de estudo de caso de Stake (1995), o qual se considera adequado à pesquisa em tela, segundo o autor:
Estudos de caso são uma estratégia de investigação em que o pesquisador explora profundamente um programa, um evento, uma atividade, um processo ou um ou mais indivíduos. Os casos são relacionados pelo tempo e pela atividade, e os pesquisadores coletam informações detalhadas usando vários procedimentos de coleta de dados durante um período de tempo prolongado.
A especificidade natural consubstanciada pelos elementos geomorfológicos e climáticos presentes na região de abrangência da BHRA, conforme visto, influencia de forma direta no cotidiano das populações que ali habitam. Este conjunto de características do componente natural resulta na ocorrência de frequentes eventos climáticos extremos, como as enchentes, marés meteorológicas e astronômicas e ventos fortes, assim como deu origem ao conhecido Catarina, o primeiro furacão presenciado no Atlântico Sul. A alta suscetibilidade à ocorrência desses eventos associada à vulnerabilidade social presente, amplia o risco de ocorrência de desastres, gerando a necessidade de preparação, em vários sentidos, para o seu enfrentamento. Por tudo isto, o estudo de caso mostrou-se o desenho metodológico mais adequado ao desenvolvimento da presente investigação, principalmente pela singularidade da perspectiva espacial e histórica que as comunidades Barranca e Baixadinha, objeto de estudo da presente pesquisa, inserem-se.
As duas comunidades citadas, que se situam em área de risco no município de Araranguá, no litoral sul do estado de Santa Catarina, ocupam o leito do rio de mesmo nome, estando por isso, sujeitas a sofrer influência dos eventos extremos já atrás referidos, com destaque para enchentes com certa regularidade. Pelas estratégias importantes de adaptação, a Barranca segue como uma das mais antigas comunidades de Araranguá, representando forte resistência às condicionantes postas pelas enchentes. Tudo indica que a Baixadinha, por sua vez, instalada mais recentemente, é impactada pelas enchentes em grande parte como consequência de obras inadequadas à especificidade ambiental local.
Assim, dentre as razões da especificidade que justificam a adoção do estudo de caso que aqui propusemos, está o pressuposto do envolvimento do indivíduo na prevenção e enfrentamento de enchentes, principalmente pelas recordações e experiências que condicionam sua adaptação. Neste sentido, a pesquisa identifica e lida com fatores de
resiliência que contribuem para a valorização da percepção própria do ambiente, experiências e recordações que possibilitam a sua permanência ou que justificam uma perspectiva de mudança. Trata-se, em boa verdade, de dois estudos de caso ou, se preferirmos, um estudo de caso com duas unidades de análise.
Notadamente, pode esse conjunto de formas de adaptação derivado de suas vivências constituírem-se fatores de resiliência que fundamentem o planejamento e a realização de ações participativas no âmbito do enfrentamento de desastres possibilitando, com isso, o efetivo envolvimento de todos na busca pela melhoria da qualidade de vida enquanto ali residirem. As duas comunidades, embora sofram com as enchentes de distintas configurações, se encontram no mesmo contexto socioambiental. Por isso, não se estudaram as duas comunidades mais diretamente afetadas por enchentes como uma amostra representativa de determinada população, mas se tratou cada uma “como tendo um valor próprio” (Macedo, 2006, p.90), com o objetivo de “resguardar a natureza idiográfica e relacional”, evitando-se “a mera comparação” (Macedo, 2006, p.91).
As conclusões ou resultados obtidos não se aplicam em sua totalidade a outras situações, embora seus métodos e instrumentos possam ser amplamente utilizados em estudos da mesma temática, tendo importante aplicabilidade e servindo para ilustrar casos semelhantes.
1.8 AMOSTRAGEM
O universo da pesquisa compreendeu as comunidades Barranca e Baixadinha/Vila São José, município de Araranguá. Foram realizados diversos tipos de amostragem.
No caso do estudo de sondagem (survey) tratou-se de uma combinação entre amostragem aleatória com amostragem intencional. Amostragem aleatória, através de questionários deixados em locais públicos (prefeitura, por exemplo) e amostragem intencional através da entrega de questionários a líderes locais que os entregaram a quem entenderam melhor (Apêndice A). No caso da aplicação de entrevista passou-se algo semelhante. Efetivamente, por um lado, seguindo Ander-egg (2003), buscou-se consultar informantes- chave e entrevistaram-se, de forma intencional, lideres locais e outros atores relevantes (segundo vários critérios). Por outro lado, de forma mais ou menos aleatória, entrevistaram-se moradores que foram encontrados na rua ou em locais públicos, sem qualquer critério prévio de natureza intencional. As entrevistas foram guiadas por roteiro previamente definido, apenas para conduzir a conversa (Apêndice B).
No que se refere às reuniões e oficinas comunitárias a amostragem foi aleatória. Tratou-se, contudo, de uma forma específica de amostragem aleatória, o que poderíamos chamar de amostragem por adesão voluntária. Assim, toda a comunidade de ambos os bairros (Baixadinha e Barranca), população, foi convidada para participar através da afixação de cartazes, da convocação boca a boca e pela rádio, além de formas complementares, como informação pelos alunos, enquadrando-se na amostra convidada (Apêndice C). A amostra participante ficou constituida pelas pessoas que, voluntariamente, quiseram e puderam participar, havendo alguma flutuação na amostra, ou seja, a coincidência entre as pessoas que particparm a uma reunião ou oficina não é total com as pessoas que apareceram a outras. Também no caso de trabalho de campo participativo ele foi aberto a quem compreceu na reunião em qu etal trabalho foi agendado.
Como um dos objetivos da pesquisa foi o envolvimento das comunidades nas ações de Proteção e Defesa Civil, também foi necessário ouvir esta instituição e a Prefeitura Municipal no sentido de tomar conhecimento de como estão sendo tratados os eventos climáticos extremos sob o ponto de vista do setor público. Ainda, auxiliando no entendimento dos fatores socioambientais, especialmente com relação à BHRA, entrevistou-se o representante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá e o representante da Organização Não Governamental (Ong) Sócios da Natureza.
Os indivíduos entrevistados são identificados pelas siglas a seguir expostas.
Quadro 2: Atores entrevistados
Setor Entrevistado Código
Poder público
Diretor de Defesa Civil de Araranguá RI1 Secretário de Planejamento Municipal RI2
Presidente do Comitê da BHRA RI3
Coordenador Regional da Defesa Civil do Vale do Araranguá RI4 Lideranças Presidente da Associação de Moradores da Barranca Coordenador da Ong Sócios da Natureza. L1 L2
Moradores da Barranca Menino M1 Homem M2 Homem M4 Mulher M5 Homem M6 Mulher M7 Homem M8 Homem M9 Homem M10 Mulher M11 Moradores da Baixadinha/ Vila São José
Homem MV1
Homem MV2
Falas consultadas em
bibliografia Homem EB1
No que se refere à análise documental definiram-se populações de documentos, a saber: AVADANs de um determinado período temporal; notícias dos periódicos disponíveis no Arquivo da Casa da Cultura e referentes a um certo período de tempo; fotografias disponibilizadas por moradores. Em todos os casos as amostras coicidiram com as populações definidas.
1.9 TÉCNICAS DE RECOLHA DE DADOS
Para atender aos objetivos propostos, empregaram-se várias técnicas de recolha de dados, a saber, análise documental, trabalho de campo, sondagem (survey) com aplicação de questionários, realização de entrevistas, realização de reunião e oficina comunitárias, observação participante e mapeamento integrado.
Para atender o primeiro objetivo que é o de identificar e caracterizar as percepções de risco das comunidades frente à ocorrência de inundações e ventos fortes foram aplicados questionários e desenvolvidas entrevistas junto aos moradores das duas comunidades. Além disso, as reuniões e oficinas também proporcionaram apreender suas percepções e entendimentos com relação aos eventos extremos tratados na pesquisa em tela.
Para atingir o segundo objetivo que é o de identificar as formas de organização das comunidades no sentido de enfrentar e prevenir desastres ambientais, especificamente as enchentes foram realizadas reuniões e oficinas comunitárias envolvendo também a Defesa Civil. As oficinas incluíram atividades em grupo, oportunidades nas quais foi desenvolvido o mapeamento participativo das áreas de risco das comunidades bem como a recolha das indicações para o PGRP. Empregaram-se os métodos observação participante e a cartografia social.
Para atingir o terceiro objetivo que é o de testar metodologias de SIG-P no mapeamento de risco e no planejamento preventivo de desastres ambientais, foi desenvolvido trabalho de campo participativo e realizadas oficinas comunitárias para fins de mapeamento de risco e de planejamento das ações preventivas (PGRP).
Para atingir o quarto objetivo que é o de auxiliar na promoção do diálogo entre a Defesa Civil e as comunidades no sentido de se articularem para a construção de seus planos de gestão de risco, fornecendo contributos para a constituição de NUPDECs, foram realizadas reuniões com funcionários da prefeitura, Defesa Civil, as comunidades e a intermediação dos pesquisadores para a recolha de sugestões e aprovação final das indicações para a construção de seus planos de gestão de risco.
1.9.1 Análise documental
A análise documental consistiu em pesquisa realizada em periódicos do Arquivo Público Municipal de Araranguá, nos Formulários de Avaliação de Danos (AVADANS) disponibilizados pela Defesa Civil Municipal, bem como registros fotográficos digitais, fotografias recentes e antigas impressas de enchentes fornecidas pela comunidade Barranca.
Os periódicos de Araranguá que continham evidências sobre a temática em estudo foram: A Verdade, Correio de Araranguá, Diário Oficial do Estado de Santa Catarina, Jornaleco, O Tempo Diário, Vale do Araranguá, Tribuna Criciumense e Tribuna do Vale. O período compreendeu os documentos dos anos 1929-2009.
Os AVADANS verificados compreendem os eventos extremos registrados no período de 2004 a 2011.
As fotografias históricas são referentes ao rio, às enchentes e registram, essencialmente, a margem esquerda do rio.
1.9.2 Trabalho de campo
Para Minayo (2001, p.26), o trabalho de campo “consiste no recorte empírico” que associa o emprego de vários métodos de coleta de dados como “entrevistas, observações, levantamento de material documental, bibliográfico, institucional”, com a finalidade de investigar determinada realidade. Podemos considerar que, a pesquisa de campo:
visa dirimir dúvidas, ou obter informações e conhecimentos a respeito de problemas para os quais se procura resposta ou a busca de confirmação para hipóteses levantadas e, finalmente, a descoberta de relações entre fenômenos ou os próprios fatos novos e suas respectivas explicações (BASTOS, 1992, p.55).
Uma primeira etapa do trabalho de campo consistiu na visita aos municípios de Araranguá e de Balneário Arroio do Silva, em outubro de 2010, com a finalidade de conhecer a região de uma forma mais ampla. As ações propostas para esta etapa envolveram o registro de aspectos paisagísticos por meio de observação primária e, ao mesmo tempo, dados secundários foram relevantes ao possibilitar indicar inicialmente as características da área de estudo. O trabalho de campo, que também podemos chamar de diagnóstico, teve enfoque para o ambiente de estuário, relevo, clima, usos e ocupações, procurando identificar situações atuais como resultados de processos naturais e humanos. Também possibilitou conhecer a conjuntura e o comportamento das questões socioambientais e econômicas, e ter um primeiro entendimento da problemática das enchentes e dos ventos fortes.
Neste trabalho de campo identificaram-se as comunidades Barranca e Baixadinha que sofrem com enchentes com alguma regularidade. Situadas em área urbana de Araranguá, nas margens do rio de mesmo nome, as duas comunidades foram elegidas para a realização da presente pesquisa. A partir da definição da população da pesquisa, passou-se à reflexão dos métodos e técnicas mais apropriadas para a compreensão da realidade em foco.
Outra etapa do trabalho de campo teve a contribuição dos moradores, os quais acompanharam os pesquisadores aos locais de risco indicados pelas comunidades. Nessas ocasiões, os moradores indicaram as áreas suscetíveis à enchentes, as residências mais atingidas e afetadas, os locais de referência das comunidades, além de indicar outros problemas existentes. Foram coletadas informações e dados sobre os níveis de enchente já ocorridos, níveis de risco que são entendidos como os locais que representam um maior perigo às comunidades, dentre outras questões destinadas à compreensão dos problemas das comunidades. Esta etapa teve a finalidade de construir o mapeamento participativo de risco.
Finalmente, realizou-se um trabalho de campo complementar destinado à observação do meio físico, sem a participação das pessoas, tendo como finalidade observar outros elementos que foram identificados, bem como aqueles que se tornaram mais relevantes no desenrolar da pesquisa. Nesse campo também se registraram coordenadas de GPS para complementar o mapeamento das áreas de risco, obras estruturais (comportas e ponte a ser construída para viabilizar o acesso Barranca-Centro), a barra do rio Araranguá, dentre outras informações.
1.9.3 Questionários
O questionário foi estruturado com perguntas abertas, que, conforme Goldenberg (1999, p.86), resultam “numa resposta livre, não limitada por alternativas apresentadas, o pesquisado fala ou escreve livremente sobre o tema que lhe é proposto”. A definição dos conteúdos e instrumentos de coleta consideraram que o pesquisador deve conhecer bem o assunto, examinar as pesquisas já realizadas sobre o tema, não fazer perguntas desnecessárias e repassar confiança ao participante (Id Ibid).
Com base no primeiro trabalho de campo realizado (diagnóstico), partiu-se para a elaboração do questionário, que contemplou questões voltadas à vivência de desastres naturais, locais de ocorrência dos eventos, tipologia de desastres experienciados, perdas materiais e humanas, percepção sobre áreas de risco e participação em ações para enfrentamento.
O questionário apresentou um cabeçalho contendo os dados da pesquisa, para que o participante tivesse informação sobre qual projeto estaria participando. Nas demais questões se seguiram uma abordagem direta sobre a temática objeto. Apresenta um cabeçalho com oito campos para preenchimento de perguntas referentes à definição do perfil do entrevistado; três questões voltadas para suas experiências sobre desastres; quatro questões sobre a percepção de risco; uma pergunta sobre as causas dos desastres. Com relação à participação na prevenção e enfrentamento colocaram-se três questões; uma questão sobre as mudanças percebidas na comunidade e finalmente apresentando um campo para expor alguma outra consideração.
O objetivo da aplicação do questionário foi o de obter respostas livres com relação aos entendimentos das comunidades, sua percepção sobre a temática de risco. O instrumento foi direcionado à abordagem de moradores das comunidades para a obtenção de respostas individuais. Os participantes receberam instrução sobre o preenchimento do questionário e, em alguns casos, as perguntas foram lidas para o entrevistado e as respostas transcritas para o documento de registro.
A validação dos questionários foi realizada a partir da realização de uma pesquisa piloto, com o objetivo de testar o formato das questões e torná-lo mais simples para o entendimento de todos os participantes. Pequenas adequações foram realizadas em sua organização, não havendo alterações significativas ou de conteúdo em sua versão definitiva. A validação resultou na elaboração de um artigo publicado nos Anais do XIV Encontro Nacional da ANPUR, nomeadamente “Percepção de Risco Ambiental e Participação Popular na Prevenção de Desastres Ambientais: resultados de um estudo piloto em Santa Catarina”5.
O questionário abrangeu a opinião das pessoas que habitam as comunidades na ocasião da realização do primeiro trabalho de campo, em reuniões em suas sedes comunitárias, e em outras oportunidades em que se dirigiu até as residências de moradores. Antes de qualquer coisa verificou-se o interesse e disponibilidade por parte do morador em participar da pesquisa respondendo o questionário naquele momento e também participando das reuniões e oficinas.
5
1.9.4 Entrevistas
As entrevistas foram realizadas como uma conversa direcionada a captar a percepção socioambiental, possibilitando compreender os entendimentos, percepções e comportamentos das pessoas com relação ao meio ambiente.
A entrevista é o procedimento mais usual no trabalho de campo. Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa uma conversa neutra e despretenciosa, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada (NETO, 2001, p.57).
A entrevista teve o apoio de um roteiro de orientação geral, consistindo num importante método de recolha de dados e fonte de informações da pesquisa. O roteiro elaborado apresenta a seguinte estrutura: um cabeçalho com sete campos para preenchimento com dados de identificação do entrevistado; quatro questões de abordagem sobre as experiências com eventos extremos; uma questão sobre mudanças na comunidade após a ocorrência dos fenômenos; uma questão sobre as causas dos desastres; uma questão sobre o que poderia ser feito para reduzi-los; três perguntas sobre percepção de risco; quatro questões sobre participação; uma sobre preparação; duas questões sobre fixação e dragagem da barra do rio Araranguá; uma sobre as principais mudanças ambientais observadas na comunidade e, finalmente, um espaço para informações complementares. O roteiro foi apresentado a três especialistas que o analisaram e comentaram. Depois disso foi testado com três moradores de Araranguá, no sentido de se analisar sua clareza e adequação.
1.9.5 Reuniões e oficinas comunitárias
As reuniões e oficinas consistiram momentos comunitários em que as comunidades foram convidadas a participar da pesquisa ativamente, colocando suas opiniões e entendimentos que pudessem contribuir para refletir sobre as melhorias necessárias no âmbito local.
A seguir detalham-se as tarefas realizadas nas reuniões e oficinas comunitárias. 2.3.5.1. Reuniões
A realização de reuniões junto às comunidades possibilitou a participação e colaboração dos moradores na realização das tarefas da pesquisa. Com este procedimento pode-se apreender seus entendimentos, haja vista que o conhecimento comunitário local é a
principal fonte de dados para a construção das estratégias a integrar o PGRP. Realizaram-se