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3.2 Fuel Cells

Conforme já dito na revisão de literatura15, a avaliação da Qualidade de Vida deve se basear na percepção do indivíduo sobre o seu estado de saúde, englobando-se aspectos gerais da vida e do bem-estar.

Na odontologia, bem como em outros ramos da área médica, sabe-se que medições objetivas da doença fornecem poucas respostas do impacto das alterações bucais na vida diária e na qualidade de vida1. Daí a importância de se buscar conhecer os fatores psicossociais que podem estar envolvidos na doença.

Em DTM, têm-se encontrado trabalhos que avaliam a qualidade de vida através do OHIP (Oral Health Impact Profile) 33, 32, 68, que difere do WHOQOL, usado na presente pesquisa.

Reißmann e colaboradores55, utilizando o RDC-TMD como meio diagnóstico, encontraram que os pacientes com dor miofascial (Grupo I do RDC-TMD) tiveram, através do OHIP, maior impacto sobre a qualidade de vida que os demais grupos (deslocamento de disco e outras doenças degenerativas da ATM – Grupos II e III do

RDC-TMD). Os achados da presente pesquisa se opõem a estes, uma vez que a qualidade de vida esteve associada ao Grupo II do RDC-TDM, mas não aos outros dois

grupos. Tal fato provavelmente decorre das diferenças metodológicas dos estudos. O índice OHIP é um instrumento mais específico, que trata do impacto da saúde oral sobre a qualidade de vida. Já o WHOQOL, é um instrumento que não se restringe à saúde oral. Como a DTM não envolve apenas a saúde oral, considerou-se mais adequado o uso do WHOQOL nesta pesquisa.

Assim, foi observada associação entre a qualidade de vida (QV) e os Deslocamentos de Disco com redução (p = 0,01), DTM Muscular e Articular (p =

0,037) e DTM leve (p = 0,042).

Dentre os subtipos de DTM, o único que apresentou associação foi o deslocamento do disco com redução com o fator social. Tal fato pode ser entendido 80

pelos sinais e sintomas comuns desta categoria de disfunção, tais como estalidos e limitação de função. Pode-se depreender deste achado que possivelmente esteja ocorrendo um prejuízo das funções sociais, como por exemplo, atividades em grupo.

Já entre os tipos de DTM (muscular / articular / muscular e articular) houve associação estatisticamente significante para o domínio Físico (p = 0,037), onde a associação mais forte se deu entre os portadores de DTM Muscular e Articular. Isto implica dizer que neste grupo há maior expressão fisiológica e percepção de energia quanto à existência de dor e desconfortos. Diferentemente deste resultado, que mostra que a existência de dois componentes (muscular e articular) foi importante para haver associação com a qualidade de vida, Reißmann e colaboradores55 encontraram que aqueles pacientes diagnosticados unicamente no Grupo I do RDC-TMD ( DTM Muscular) estiveram mais associados a QV que os demais. Embora sejam instrumentos de medida diferentes, tanto o OHIP, quanto o WHOQOL tem o mesmo fim - avaliar o impacto de condições adversas sobre a qualidade de vida - e ambos encontraram associação com a DTM.

Em relação ao Grau de DTM, novamente a DTM leve esteve mais associada que a moderada e a severa aos fatores psicológicos. Neste caso, a associação se deu no

domínio Físico do WHOQOL, que denota maior percepção do comprometimento físico

causado pela disfunção. Esta percepção é maior quando se sai de um estado de higidez para de doença (leve) do que entre os níveis da doença (moderada e severa). Não foram encontrados outros estudos que avaliassem a associação entre o grau de severidade da disfunção e a qualidade de vida.

Novos estudos, especialmente relativos ao acompanhamento2 durante e após o tratamento, são fundamentais para que se possa compreender o papel que o aspecto psicossocial pode estar desempenhando, quer seja como um dos fatores causais quer seja como conseqüência da disfunção. Alerta-se para o fato de que é necessário se tentar superar as limitações aqui encontradas. Os resultados que aparecem neste estudo estão ligados ao contexto em que se desenvolveu, e este possui limitações, tais como o desenho do estudo que pôde ser realizado e o número amostral. Esta última se refere ao número de participantes que se tornou pequeno diante da classificação em subtipos pelo RDC-TMD. A primeira se refere à dificuldade em se desenvolver um estudo com grupo controle, que talvez fosse o ideal para efeitos de comparação dos aspectos psicológicos entre uma população dita normal (livre de DTM) e outra portadora da disfunção. Esta

dificuldade reside no fato de que haveria inúmeras variáveis confundidoras no grupo controle, uma vez que o paciente sem DTM poderia apresentar os mesmos indicadores psicológicos que os com DTM, porém por motivos adversos. Acredita-se que o aprimoramento metodológico auxilie na realização de novas pesquisas para contribuir com melhorias no atendimento do paciente com DTM. Há de se destacar o caráter multiprofissional que as interconsultas e as diferentes ciências podem ofertar na qualificação deste atendimento, tornando-o mais humanizado.

“O estudo é a valorização da mente a serviço da felicidade humana” (François Guizot)

7. Conclusões

Dentro das limitações do estudo e de acordo com os resultados encontrados, pode-se concluir que:

Quando um paciente apresenta mais de um tipo de Disfunção Temporomandibular (DTM), por exemplo, um componente muscular e outro articular, há associação com a Qualidade de Vida, no sentido em que o paciente percebe mais suas alterações fisiológicas e conseqüentes limitações decorrentes destas alterações.

A DTM articular, do tipo deslocamento de disco com redução, também apresentou uma associação significante com a Qualidade de Vida, no tocante ao aspecto social. Isto quer dizer que, estes pacientes apresentam, de alguma forma, prejuízo nas relações sociais devido às dificuldades e /ou limitações provocadas pela disfunção.

O grau de DTM apresentou associação significante com todos os indicadores psicológicos do estudo. Dentro da análise da ansiedade, houve associação com a Ansiedade-traço (relacionada à personalidade do indivíduo). Em relação à saúde geral, expressa por itens de distúrbios psiquiátricos menores, presentes no QSG, houve associação estatisticamente significante, exceto para fator estresse (QSG), que não esteve associado a nenhum tipo nem grau de DTM. O grau de severidade de DTM também se mostrou associado à Qualidade de Vida, com maior expressão no domínio físico. Ou seja, há maior percepção da existência de dor e desconfortos pelo paciente.

Quando observados em conjunto, os graus e tipos de DTM foram associados apenas a Qualidade de Vida.

Diante do exposto por este estudo, reforça-se a necessidade de atenção múltipla ao portador de DTM, visto que indicadores psicológicos de ansiedade, saúde geral e qualidade de vida estão de alguma forma associados à disfunção.

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