Suggested Power System Alternatives for Trondheimsfjord I
8.3 Battery-Electric Power System Dimensions
As variáveis independentes foram reagrupadas em apenas duas categorias. Assim foi realizada a análise bivariada, com cada uma delas confrontada com o desfecho representado pela hipossalivação cuja presença foi utilizada para alocar os indivíduos no grupo caso e a ausência, no grupo controle.
As variáveis foram recategorizadas pela mediana, no entanto, algumas variáveis quantitativas relativas à saúde geral e hábitos foram recategorizadas por um outro critério, em que se utilizou como parâmetro o tempo (em anos) suficiente para mostrar o efeito da exposição ao fator de risco. Assim, para a variável tempo que toma remédio considerou-se o tempo de cinco anos, e, para aquelas relacionadas ao tempo de tabagismo e etilismo, considerou-se o tempo de dez anos.
O índice de massa corpórea também foi recategorizado em duas categorias, a partir de parâmetros da Organização Mundial de Saúde64.
A variável quantitativa número de dentes presentes foi transformada em categórica a partir da mediana, a qual correspondeu a presença de edentulismo ou não.
Como já foi descrito, foram incluídas na análise somente aquelas variáveis que tiveram expressão na população, representando, pelo menos, uma ocorrência de 10%.
A associação entre as variáveis independentes representativas das condições sócio- econômico-demográficas e hipossalivação são apresentadas na Tabela 6.
Tabela 6: Valores absolutos e percentuais, significância estatística, OR e seu intervalo de
confiança para cada variável representativa das condições sócio-econômico-demográficas em relação aos casos e controles. Natal-RN, 2007.
Grupo Variável Categoria Controle
n(%) Controlen(%) p OR IC Não Casado 37(53,6) 32(46,4) 0,415 1,518 0,679-3,392 Estado civil Casado 16(43,2) 21(56,8) Profissões domésticas 38(50,7) 37(49,3) 1,000 1,095 0,474-2,538 Profissão Profissões não
domésticas 15(48,4) 16(51,6) Não própria 8(66,7) 4(33,3) 0,359 2,178 0,614-7,729 Tipo de moradia Própria 45(47,9) 49(52,1) Não possui 45(49,5) 46(50,5) 1,000 0,856 0,287-2,557 Posse de automóvel Possui 8(53,3) 7(46,7) Até 350 reais 30(52,6) 27(47,4) 0,697 1,256 0,585-2,699 Renda > 350 reais 23(46,9) 26(53,1) Até 3 anos 27(49,1) 28(50,9) 1,000 0,927 0,433-1,987 Escolaridade > 3 anos 26(51,0) 25(49) 0,5 30(56,6) 23(43,4) 0,244 1,701 0,789-3,668 Densidade domiciliar < 0,5 23(43,4) 30(56,6)
De acordo com os resultados apresentados acima, as variáveis sócio-econômico- demográficas investigadas representadas pelo estado civil, profissão, renda, escolaridade, densidade domiciliar, tipo de moradia e posse de automóvel não apresentaram associação estatisticamente significativa com a hipossalivação. Portanto, as condições sócio-econômico- demográficas estudadas não foram fatores de risco para a hipossalivação.
No que se refere à associação entre as variáveis representativas dos problemas de saúde e medicamentos, índice de massa corpórea e hipossalivação, os resultados obtidos estão apresentados abaixo na Tabela 7.
Tabela 7: Valores absolutos e percentuais, significância estatística, OR e seu intervalo de
confiança para cada variável representativa das condições de saúde e medicamentos em relação aos casos e controles. Natal-RN, 2007.
Grupo Variável Categoria Caso
n (%) Controle n (%) p OR IC Não 4(57,1) 3(42,9) 1,000 1,361 0,289-6,397 Problema de saúde Sim 49(49,5) 50(50,5) Não 11(50,0) 11(50,0) 1,000 1,000 0,391-2,557 Toma Remédio diariamente Sim 42(50,0) 11(50,0) 5 anos 20(55,6) 16(44,4) 0,845 1,165 0,542-2,504 Tempo em que
toma remédio Menos de
5 anos 33(47,1) 37(52,9) 2 15(62,5) 9(37,5) 0,246 1,930 0,759-4,908 Nº de medicamentos diários Menos de 2 38(46,3) 44(53,7) Não 16(55,2) 13(44,8) 0,663 1,331 0,564-3,137 Doenças do coração e circulatórias Sim 37(48,1) 40(51,9) Não 40(47,1) 45(52,9) 0,223 0,547 0,206-1,455 Diabetes Sim 13(61,9) 8(38,1) Não 31(50,8) 30(49,2) 1,000 1,080 0,500-2,334 Doenças osteoarticulares Sim 22(48,9) 23(51,1) Não 36(48,0) 39(52,0) 0,669 0,760 0,328-1,761 Outras doenças Sim 17(54,8) 14(45,2) Não 25(52,1) 23(47,9) 0,845 1,165 0,542-2,504 Anti- hipertensivos Sim 28(48,3) 30(51,7) Não 40(46,5) 46(53,5) 0,214 0,468 0,170-1,288 Hipoglicemiantes Sim 13(65,0) 7(35,0) Não 31(47,7) 34(52,3) 0,690 0,787 0,360-1,724 Diuréticos Sim 22(53,7) 19(46,3) Não 42(47,2) 47(52,8) 0,290 0,487 0,166-1,433 Inibidores de
reabsorção óssea Sim 11(64,7) 6(35,3) Fora do
peso 34(49,3) 35(50,7) 1,000 0,920 0,414-2,046 Índice de massa
corpórea Peso
normal 19(51,4) 18(48,6)
Analisando os resultados acima, verifica-se que não existe associação significativa da hipossalivação e presença ou ausência de problemas de saúde, indicando que hipossalivação pode estar presente de modo independente da condição de saúde geral do idoso.
Do mesmo modo, não houve associação da hipossalivação com o uso diário ou não de medicação, número de medicamentos, nem com o tempo de uso de medicação considerando- se o uso por menos ou mais de cinco anos.
Em relação às doenças referidas pela população estudada que entraram na análise, também não foi encontrada nenhuma associação com a condição estudada. Essas doenças foram representadas por doenças do coração e circulatórias, diabetes, doenças osteoarticulares e outras doenças. As doenças endócrinas não foram incluídas nesta análise.
Considerando-se os grupos de medicamentos utilizados diariamente por essas pessoas, não houve associação entre anti-hipertensivos, hipoglicemiantes, diuréticos, inibidores de reabsorção óssea e hipossalivação. Os outros grupos de medicamentos não entraram na análise bivariada por não terem tido expressão na população estudada.
Com relação à associação entre as variáveis representativas da dieta, conforme a presença ou não da dieta e a restrição a determinados alimentos ou grupos de alimentos e hipossalivação, os resultados obtidos são mostrados na Tabela 8.
Tabela 8: Valores absolutos e percentuais, significância estatística, OR e seu intervalo de
confiança para cada variável representativa da dieta em relação aos casos e controles. Natal- RN, 2007.
Grupo Variável Categoria Caso
n (%) Controle n (%) p OR IC Não 12(41,4) 17(58,6) 0,383 0,620 0,261-1,471 Dieta alimentar Sim 41(53,2) 36(46,8) Não 18(40,9) 26(59,1) 0,168 0,534 0,244-1,169 Restrição a sal Sim 35(56,5) 27(43,5) Não 31(52,5) 28(47,5) 0,558 1,258 0,584-2,711 Restrição a doces Sim 22(46,8) 25(53,2) Não 29(48,3) 31(51,7) 0,845 0,858 0,398-1,850 Restrição a massas Sim 24(52,2) 22(47,8) Não 24(51,1) 23(48,9) 1,000 1,079 0,502-2,323 Restrição a frituras Sim 29(49,2) 30(50,8)
Assim como nos resultados anteriores, não foi verificada associação da restrição de nenhum dos tipos de alimentos pesquisados e hipossalivação, o que demonstra que a quantidade de fluxo salivar não tem qualquer relação com a restrição alimentar nesse grupo populacional estudado.
No que diz respeito à associação entre as variáveis representativas dos hábitos de tabagismo, etilismo e hipossalivação, a Tabela 9 mostra os resultados obtidos.
Tabela 9: Valores absolutos e percentuais, significância estatística, OR e seu intervalo de
confiança para cada variável representativa dos Hábitos de tabagismo e etilismo em relação aos casos e controles. Natal-RN, 2007.
Variável Categoria (n) (%) Casos Controles(n) (%) p OR IC
Não 47(51,6) 44(48,4) 0,577 1,602 0,527-4,871 Fuma atualmente Sim 6(40,0) 9(60,0) Não 28(46,7) 32(53,3) 0,557 0,735 0,340-1,588 Fumo passado Sim 25(54,3) 21(45,7) > 3 vezes 19(70,4) 8(29,6) 0,021 5,146 1,442-18,361 Nº cigarros/dia
que fumava 3 vezes 6(31,6) 13(68,4)
Não 43(47,8) 47(52,2) 0,715 0,686 0,220-2,138 Etilismo
passado Sim 8(57,1) 6(42,9)
Algumas variáveis representativas dos hábitos pesquisados não entraram na análise porque cada uma delas representou menos de 10% de freqüência entre esses idosos. Foram elas: tempo, tipo e freqüência de tabagismo atual, tempo e tipo de tabagismo passado, etilismo atual, tempo e freqüência de etilismo atual e freqüência do etilismo passado.
Considerando-se o hábito de tabagismo, somente a variável número de cigarros que fumava ao dia teve como resultado uma associação significativa, indicando indiretamente que o fumo, sobretudo em relação à sua freqüência, pode ser um fator de risco para a hipossalivação. Não houve associação entre o fato de os indivíduos fumarem ou não no passado e hipossalivação.
Em relação ao etilismo, verificou-se que não houve associação entre as variáveis testadas e a variável dependente hipossalivação. Nenhuma associação apresentou significância estatística, demonstrando que esse hábito não interfere na redução do fluxo salivar.
Com relação à associação entre as variáveis representativas da saúde bucal e hipossalivação estão apresentadas na Tabela 10.
Tabela 10: Valores absolutos e percentuais, significância estatística, OR e seu intervalo de
confiança para cada variável representativa da saúde bucal em relação aos casos e controles. Natal-RN, 2007.
Grupo Variável Categoria Caso
n (%) Controle n (%) p OR IC Não 14(50,0) 14(50,0) 1,000 1,000 0,422-2,37214 Uso de prótese Sim 39(50,0) 39(50,0) Não 14(50,0) 14(50,0) 1,000 1,000 0,422-2,372 Uso de prótese superior Sim 39(50,0) 39(50,0) Não 30(46,9) 34(53,1) 0,551 0,729 0,334-1,592 Uso de prótese inferior Sim 23(54,8) 19(45,2) Nenhum 33(52,4) 30(47,6) 0,692 1,265 0,582-2,751 Nº dentes presentes Um ou mais 20(46,5) 23(53,5)
Na análise das variáveis relacionadas à saúde bucal, verificou-se a não associação do edentulismo, como também do uso de prótese, com a hipossalivação, o que demonstra que essa condição não está relacionada à diminuição do número de dentes nem a sua substituição na população estudada.
6 DISCUSSÃO
A hipossalivação representa uma das alterações mais comuns das glândulas salivares, normalmente associada à xerostomia e caracteriza-se pela diminuição do fluxo salivar, podendo estar ou não associada a alguns sinais e sintomas, como alterações na mucosa oral, lábios secos, queilite angular, lesões de cáries atípicas, candidose e halitose2,36. No entanto, em geral, mesmo na presença da sintomatologia, a queixa não é valorizada, principalmente em idosos que, sendo portadores de algumas doenças com sinais e sintomas mais graves, não percebem a presença de xerostomia ou outros sintomas associados à hipossalivação.
Entretanto, a condição estudada reflete diretamente na saúde oral e geral do idoso, como também na sua qualidade de vida. Alguns dos severos problemas associados à hipossalivação são as dificuldades na manutenção de adequados níveis de umidade, podendo ocasionar engasgos freqüentes e pneumonias por aspiração de patógenos orais47,55, que, no idoso, podem representar um sério agravo à sua saúde, piorando ainda mais a sua qualidade de vida. Alterações no paladar, na mastigação, e na deglutição dos alimentos também podem ocorrer e, em conseqüência, provocar alterações na ingesta de alimentos, ou seja, no seu comportamento dietético, comprometendo o estado nutricional do idoso. Além disso, uma condição dentária pobre pode piorar ainda mais a sua qualidade de vida13,48.
A constatação desse agravo, geralmente, é feita através do diagnóstico de patologias decorrentes de sua presença, como a cárie dentária. Os sintomas são recursos valiosos nessa investigação. No entanto, o diagnóstico final é feito através da realização de sialometria não estimulada e estimulada32.
Tomando como base esse método diagnóstico, algumas divergências são encontradas em relação aos parâmetros de determinação da hipossalivação e que dificultam a comparação entre os estudos.
A primeira delas refere-se aos parâmetros atuais utilizados como valores de ponto de corte na definição de hipossalivação, que são bastante variados, principalmente em relação à sialometria estimulada. Alguns estudos utilizam valores de fluxo menores ou igual a 0,7mL/min12,60, outros consideram valores menores que 0,8 mL/min30, e ainda alguns utilizam valores igual ou menor que 0,5 mL/min na seleção de casos de hipossalivação46,51,52.
Ainda em relação à análise sialométrica, alguns estudos utilizaram o fluxo salivar não estimulado, enquanto outros usaram apenas o fluxo salivar estimulado, quando,
provavelmente, uma análise mais rigorosa exigiria a utilização conjunta dos dois tipos de secreção salivar de saliva integral, como a que foi a utilizada neste estudo.
No que se refere aos medicamentos, muitos são citados como xerogênicos, independentemente de sua ação ser no limiar da percepção de boca seca ou na redução do fluxo salivar. Esses medicamentos, citados em listas prontas de grupos tidos como xerogênicos, provocariam, indistintamente, a xerostomia e a hipossalivação57.
Um outro aspecto em relação às dificuldades de comparação dos estudos diz respeito ao estudo da xerostomia e da hipossalivação conjuntamente, principalmente em relação a alguns fatores de risco como medicação. Diferentemente, este estudo teve como objetivo estudar a hipossalivação isoladamente da xerostomia, buscando elucidar sua associação ou não a alguns fatores, entre eles, o uso e tipo de medicamentos e tempo de uso.
Nesse sentido, a coleta de dados foi realizada nos grupos de idosos com objetivo de identificar 323 casos de hipossalivação e selecionar indivíduos sem esta condição para comparação desses grupos através de um estudo caso-controle. No entanto, como se trata de uma condição de baixa prevalência, foram encontrados apenas 53 casos de hipossalivação, os quais foram selecionados dentro de um universo teórico de aproximadamente 2500 idosos, cadastrados nas 3 instituições pesquisadas. A baixa prevalência pode ser explicada, em parte, pelo rigor dos parâmetros utilizados para definir hipossalivação neste estudo. Foram selecionados 53 controles totalizando a amostra em 106 indivíduos.
Esses idosos foram representados quase que exclusivamente pelo sexo feminino, perfazendo um total de 98,1% da mostra. Provavelmente, esse resultado deve-se a um fator cultural e ao fato de as atividades, na maioria dos grupos, serem mais direcionadas ao sexo feminino. Em grupos onde havia atividades e jogos direcionados ao sexo masculino, verificou-se uma freqüência maior desses participantes, indicando uma mudança positiva no sentido da inserção, nesses grupos, de pessoas do sexo masculino que, no entanto, não apresentaram hipossalivação.
Conforme relatos de estudos anteriores em relação ao sexo, é consenso que mulheres apresentam taxas de fluxo salivar não estimulado e estimulado mais baixas que homens39,52,57. A mesma constatação foi feita em relação à hipossalivação19. Neste estudo, observou-se uma média de 68 anos de idade, sendo essas pessoas consideradas menos idosas que aquelas da maioria dos estudos relacionados a fluxo salivar realizados nessa faixa etária. Maiores médias obtidas por outros estudos devem-se, principalmente, a características ligadas à origem dessas pessoas, que provêm de países com alto índice de desenvolvimento humano, como a Finlândia, a Austrália, a Inglaterra, o Canadá, os Estados Unidos e Nova Zelândia. Esses
países garantem direitos básicos e qualidade de vida de sua população. O ponto de corte naqueles estudos, que se situa em 65 anos, também contribuiu para aumentar a média de idade dos participantes.
Com relação à idade investigada como um fator de risco para hipossalivação, os estudos são contraditórios40. Alguns afirmam não ter encontrado associação através de
sialometria de saliva integral estimulada19,39.
Entretanto, estudos comparando grupos de jovens e idosos, demonstraram haver diminuição do fluxo salivar estimulado com a idade28,57, assim como em relação ao fluxo salivar não estimulado.29
Poucos estudos com idosos apresentaram media de idade semelhante13,19 a do estudo
ora apresentado. Outros estudos que investigaram fluxo ou hipossalivação na população em geral, utilizaram a estratificação por faixas etárias5,28,60. Togashi e colaboradores60 observaram que idade, foi associada à hipossalivação, quando apenas o fluxo salivar estimulado foi avaliado. Em concordância, Moritsuka e colaboradores28 verificaram que idosos apresentaram baixo fluxo salivar quando comparados com jovens utilizando fluxo salivar estimulado.
Neste estudo, idade e sexo foram utilizados como variáveis de emparelhamento como uma forma de garantir que casos e controles tivessem uniformidade em relação a essas variáveis. Dessa forma, assegura-se a homogeneidade entre os dois grupos, quando se comparam outras variáveis em relação ao desfecho (hipossalivação)42.
A hipossalivaçao foi definida através de medidas de fluxo salivar não estimulado menores que 0,1 mL/min e fluxo salivar estimulado menores ou igual a 0,5mL/min. Decidiu- se por esses parâmetros, porque são os valores mais baixos utilizados na literatura como ponto de corte na seleção de casos de hipossalivação e, principalmente, porque é uma forma de garantir resultados mais consistentes em relação aos possíveis fatores de risco pesquisados.
Em relação a ambos os fluxos, verificou-se que a sialometria não estimulada teve uma menor variabilidade nos dois grupos estudados quando comparados com a sialometria estimulada. Portanto, deduz-se que o fluxo salivar não estimulado variou menos quando comparado com o fluxo estimulado, tanto no grupo controle como no grupo caso. Esse resultado é explicado pelo fato de que o fluxo salivar não estimulado representa o fluxo basal, portanto, o nível de estimulação glandular nessa situação é mínimo. Contrariamente, o fluxo salivar estimulado representa a capacidade funcional das glândulas salivares, e, neste caso, apresentando variação ampla do fluxo, dependendo do tipo de glândula, natureza e duração do estímulo a que estão submetidas53.
Além disso, outros fatores como ansiedade, stress e depressão podem estar envolvidos na produção do fluxo salivar. Bergdahl e Bergdahl5, estudando os fatores de risco associados à xerostomia, verificaram que houve associação entre esta e aqueles fatores. O mesmo foi relatado por Anttila1 e colaboradores. Assim, as condições de vida podem estar associadas a
essa condição estudada, especialmente em países como o nosso em que as desigualdades sociais são tão acentuadas.
Os fatores de risco ora investigados foram classificados em cinco grupos, que estão representados por: condições sócio-econômico-demográficas; saúde geral e medicamentos;
hábitos como tabagismo e etilismo; dieta e condições de saúde bucal.
No que se refere às condições sócio-econômico-demográficas da população estudada, constatou-se que são pessoas com baixa escolaridade, baixo poder aquisitivo e com renda média inferior a dois salários mínimos de referência. O valor da mediana dessa renda foi de 350,00 reais, indicando que pelo menos metade desses indivíduos sobrevive com apenas um salário mínimo.
A maioria dessas pessoas era representada por viúvas, divorciadas e solteiras, muitas delas vivendo sozinhas, o que pode contribuir para o aumento de transtornos psicossomáticos como a depressão, que tem sido associada à hipossalivação. Em relação à profissão, a maioria era profissional do lar, que neste estudo foi considerada uma profissão, embora não remunerada, seguida por costureiras em menor proporção. Outras profissões como lavadeira, cozinheira, agricultora, empregada doméstica, auxiliar de serviços gerais, auxiliar de enfermagem, professora e comerciante tiveram pouca expressão nessa população. Apesar da condição socioeconômica desfavorável, a grande maioria delas possuía moradia própria, embora em alguns casos em condições precárias; apresentava baixa densidade domiciliar; e apenas uma pequena parcela possuía automóvel.
Avaliando as condições sócio-economico-demográficas dessa população estudada, constatou-se que não houve associação entre essas variáveis e hipossalivação, indicando que essa condição pode estar presente, independentemente do estado civil, profissão, renda, escolaridade, densidade domiciliar, tipo de moradia e posse de automóvel. Os estudos relacionados ao tema não investigaram essa possível associação5,29,31,39, provavelmente porque se trata de países desenvolvidos que garantem boa qualidade de vida à população e, dessa forma, as desigualdades sociais são menores, ao contrário do Brasil, onde a repercussão dessas desigualdades são nitidamente visíveis e principalmente associadas à saúde e à qualidade de vida. Nesse sentido, a investigação da associação desses fatores pode contribuir para esclarecer melhor a condição estudada, especialmente nesta população.
Já em relação às variáveis associadas aos problemas de saúde, observou-se que 93,4% dessas pessoas relataram ter algum problema de saúde, embora, segundo relatos, tratava-se apenas de sintomas isolados como dores nas pernas e braços e dores de cabeça. Observou-se que entre esses, 79,2% faziam uso de medicação diária há seis anos em média, sendo que metade dessas pessoas fazia uso há apenas 3,5 anos e utilizava 2,0 medicamentos por dia. As doenças mais prevalentes foram as circulatórias e do coração (72,6%), osteoarticulares (42,5%) e diabetes (19,8%). Thomsom e colaboradores56, em seu estudo, encontraram resultados semelhantes, sendo que 81,9% dos idosos faziam uso de 3,2 medicações diárias. Apesar de não terem relatado o tempo de uso dessas medicações, observaram os possíveis efeitos desses medicamentos sobre o fluxo salivar durante 5 anos. As doenças mais prevalentes não foram citadas nos diversos estudos relacionados ao tema investigado. Como citado anteriormente, a média de idade da maioria dos estudos foi bem mais alta que a utilizada neste estudo29,31,56. Esse pode ser um dado importante, principalmente em relação ao uso de medicamentos. Teoricamente, numa população mais idosa, que utilizasse a medicação há mais tempo, poderia ser detectado mais facilmente o efeito de tais medicações sobre o fluxo salivar.
Em relação à medicação, neste estudo foi classificada em 16 grupos, considerando-se a medicação prescrita ou não em uso. Dentre esses, apenas 4 grupos de medicamentos fizeram parte da análise bivariada: anti-hipertensivos, diuréticos, hipoglicemiantes e inibidores de reabsorção óssea. No entanto, não houve associação entre hipossalivação e nenhum desses grupos de medicação investigados. Entretanto, não há na literatura estudos utilizando os mesmos parâmetros de definição de hipossalivação para que possam ser comparados com este.
Dessa forma, destacam-se alguns estudos que investigaram a associação entre fluxo salivar e medicamentos, utilizando taxas de fluxo salivar não estimulado ou estimulado em idosos.
Investigando a associação entre xerostomia, fluxo salivar e medicação através de fluxo de saliva integral não estimulada, Thomson e colaboradores57 em um estudo de coorte encontraram associação entre baixo fluxo salivar e antidepressivos, na linha base e no acompanhamento. Não houve associação com anti-hipertensivos, analgésicos e outras medicações como aspirina de uso profilático, hipoglicemiantes, terapia de reposição hormonal, anti-úlceras, agentes hipolipidêmicos, broncodilatadores e tiroxina. Contrariamente, Maciel23 encontrou associação entre hipossalivação e anti-hipertensivos,
diuréticos, antiinflamatórios, antidepressivos e quimioterápicos num estudo de prevalência, quando comparou apenas 40 idosos quanto ao uso diário ou não de medicação xerostômica.
Anttila e colaboradores1 estudaram uma população de 55 anos de idade e não encontraram também associação entre doenças xerogênicas como síndrome de Sjögren, doenças reumatóides, sarcoidoses, hipertensão, diabete melitus, distúrbios de ansiedade e medicações xerostômicas, considerando-se o fluxo salivar não estimulado.
De modo similar, alguns estudos seccionais como o de Nagler e Hershkovich29, utilizando uma amostra pequena e comparando jovens e idosos, observaram que não houve associação entre fluxo salivar e medicação. Entretanto, como nenhum dos participantes usava antidepressivos ou drogas anticolinérgicas, essas duas medicações não puderam ser testadas.
Por outro lado, outros estudos investigaram a associação entre essas duas variáveis através de fluxo de saliva integral estimulada, como o de Ostemberg e colaboradores39 que, num estudo de coorte, constataram que o fluxo salivar estimulado permaneceu constante durante 5 anos entre aqueles que usavam ou não medicação. Já Närhi e colaboradores31, investigando uma coorte e considerando hipossalivação como taxas de fluxo inferiores a 0,7 mL/min, encontraram associação entre psicotrópicos e baixo fluxo na linha base, mas