Esta questão objetivava saber, na opinião dos entrevistados, se a formação do bibliotecário deveria ser generalista ou especializada. Em relação a este tema, o Professor A, considera que a formação deve ser tanto humanística quanto tecnológica.
[...] o bibliotecário que vai atender a biblioteca pública e escolar e o bibliotecário que vai atender os outros segmentos, mas precisam saber onde está pisando, mesmo aqueles que vão atuar em áreas onde a tecnologia da informação e da comunicação é mais central no processo é uma coisa onde se trabalha mais tempo do que em uma biblioteca escolar que se trabalha na assistência na formação no auxílio [...] ambos têm que ter domínio do conhecimento humanístico.
Quer dizer, um bibliotecário que trabalha em uma empresa e não consegue fazer uma avaliação sobre a ética da empresa, para dali verificar como ele está se colocando eticamente, não me parece adequado, para saber fazer isto tem que ter lido filosofia, sociologia, política, percebe? Então, eu acho que a formação do bibliotecário deve ser muito forte humanisticamente e muito forte tecnologicamente. (Professor A)
A vocação do curso é que deve direcionar a formação do bibliotecário, na opinião da Professor B.
Eu acho que isso vai depender da vocação de cada curso, eu acho que o curso pode ter uma vocação mais humanística ou uma vocação mais tecnológica. Eu acho que sem dúvida nenhuma, temos que ter tecnologia nos cursos, um âmbito de tecnologia não pode deixar de ser, de preferência, ligados a conteúdo específicos. E a área humanística também é
importante, eu acho que não da para dizer que a formação do bibliotecário deve ser assim ou assado, tem que ser dentro do eixo e da vocação do curso. (Professora B)
Já o Professor F considera que aluno deveria ter a liberdade de escolher que formação quer ter.
Nós estamos numa situação, hoje, teoricamente, pelo menos, no sistema universitário de ensino onde seria possível você previamente não decidir nada. É você ter uma porta de acesso a universidade e aí, você ter esse mínimo, que eu falei, e cada estudante, cada aluno de acordo com seu pendor, sua habilidade, sua aptidão com a orientação devida de um tutor ele poderia tomar um caminho. (Professor F)
Enquanto para a maior parte dos professores deve haver um equilíbrio entre a formação humanística e a técnica.
- Eu acho que ela deve ter um equilíbrio, nem demais humanística, nem demais técnica ou tecnológica, nos dias de hoje se pede um equilíbrio, mas tem que ter um direcionamento. “Porque o que o mundo de hoje pede, solicita do profissional de maneira geral?” Ele tem que ter conhecimento específico de sua área, mas não pode ignorar o contexto em que ele se situa. É isso que a universidade tem que dar ao futuro profissional, então eu acho que tem que haver um equilíbrio, entre a formação humanística, que ele tem que ter uma consciência social uma consciência política e aí, está a questão da formação do cidadão, da questão da universidade formar cidadãos e não só profissionais, e têm que ser aliados a isso o conhecimento profissional para ele ser um cidadão completo, ao mesmo tempo ser um cidadão e um profissional, também atuar nestes dois níveis. (Professora C)
- Eu acho que nós temos que ter um olhar na dimensão social da área, nós temos que ter um olhar de que contexto vem nosso usuário, que impactos sociais aquele meu trabalho tem, qual a minha responsabilidade social a questão ética etc. E existe obviamente, mas agora eu também não posso desconsiderar que esse usuário e essa informação podem vir de um contexto extremamente especializado. Aqui no Brasil, nós temos uma coisa, que ser bibliotecário no Brasil é dar conta de um universo muito mais amplo. Enquanto nos Estados Unidos, eu tenho a Library and Science voltada para as bibliotecas públicas e escolares e a Information Science voltada para as bibliotecas especializadas e universitárias, aqui o profissional tem que dar conta de tudo. Então eu diria que tem que haver um equilíbrio, eu acho que o aprofundamento tem que estar nas duas. [sic] (Professor D)
- Eu acho que uma coisa não elimina a outra, tá. Eu acho que ela deve continuar humanística voltada para o social isto é o principal dela e dentro desta perspectiva maior, as especializações devem continuar, você tem várias formas de utilizar estas especializações e aprofundamento em relação as tecnologias. (Professora E).
- A pergunta de formação humanística e técnica, ele tem que ter o dois, ele não pode ser só técnico, mas zero na área humanística. Também não pode ser só humanístico e não saber nada da parte técnica. Então o conciliar isso é difícil, aí, nós vamos na teoria da administração. Lembra daquela pirâmide organizacional? Nível operacional, tático e estratégico. À medida que você
desce nessa pirâmide, você precisa ter mais técnica, por exemplo, quem trabalha na catalogação, classificação etc. precisa entender muito daquela parte de metadados, catalogação, classificação etc. Na medida em que você sobe na pirâmide o diretor, assessor etc. você tem que saber a técnica mais outras coisas ligadas à organização e à parte da cultura. Então os dois precisam coexistir, mas o nível de coexistência vai depender da posição hierárquica dentro da estrutura administrativa. (Professor G)
O Professor G relata a problemática histórica que a Biblioteconomia enfrentou por causa da falta de equilíbrio entre a técnica e o conhecimento geral.
O professor Rubens falava isso nos anos 1960 e 1970 que existe um momento na Biblioteconomia que se tem o que se chamava de bibliotecário operário. “Porque chamava assim?” É aquele bibliotecário que no arquivo vai organizar as bibliotecas praticamente do zero, no contexto de uma região qualquer, você não tem bibliotecário, você precisa primeiro organizar. Depois tem que vir o bibliotecário mais sofisticado que entende todas as técnicas, mas que tenha cultura, que tenha contatos que possa dirigir uma grande biblioteca Estadual um sistema de bibliotecas, etc. (Professor G)