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FORSTERKNING AV GRØFTER OG ELVE- OG BEKKEREGULERINGER

Forberedende tiltak og generelle kostnader

47 FORSTERKNING AV GRØFTER OG ELVE- OG BEKKEREGULERINGER

Na bacia do Aricanduva, a urbanização ocorreu sob um sítio geomorfologicamente complexo, o que junto às constantes intervenções urbanas (des)planejadas, criaram um espaço problemático em relação aos períodos chuvosos.

Afluente da margem esquerda do Rio Tietê, o Aricanduva é considerado o maior tributário depois do Pinheiros e do Tamanduateí, apresentando área de drenagem aproximada de 100 km², orientada no sentido SSE-NNW, com eixo maior que 20 km e larguras entre 5 e 6 km (SÃO PAULO, 2004).

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A compartimentação do relevo na bacia do Aricanduva ainda carece de estudos específicos e sistemáticos, sendo que se destaca na literatura dois entre vários trabalhos reunidos para a comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo, sob a organização de Aroldo de Azevedo, sendo o primeiro uma breve caracterização de Aroldo de Azevedo (1957) em seu “Itaquera, Poá, subúrbios residenciais”, que apontava as feições geomorfológicas como elemento dominante da paisagem, e junto a este, o trabalho do geólogo Fernando F. M. de Almeida (1957) sob o título de “Planalto Paulistano”, onde mesmo de forma sucinta, destaca a singularidade geomorfológica no vale do Aricanduva, devido ao contato brusco dos sedimentos terciário com o complexo granítico.

Em outro importante trabalho, Ab´Saber aponta em sua tese de doutoramento de 1957 (AB´SABER, 1957), o caráter estrutural do Aricanduva, a partir do curso direcional do rio que se encaixa entre o bordo SSE do maciço de Itaquera e da bacia sedimentar de São Paulo, onde:

Nota-se que 4 ou 5 km para sudeste, a montante de sua embocadura, o rio Aricanduva continua assimétrico, embora devido a razões diferentes: aí ele é nitidamente direcional, refletindo mais de perto o arranjo estrutural da região. Seu vale encaixou-se exatamente entre o bordo SSE do maciço granítico de Itaquera (750-840 m ) e uma das indentações sul-orientais da bacia sedimentar pliocênica regional. (AB´SABER, 1957, p.183)

Sendo que:

As explicações mais aceitáveis parecem estar ligadas aos fatos observados no médio vale do Aricanduva, onde êste rio é subseqüente ao contato entre os granitos e os sedimentos terciários. As altas colinas da Penha, embora constituídas localmente por sedimentos terciários, corresponde a ponta final de um espigão que acompanha o rebordo sul-oriental do maciço granítico de Itaquera. O Aricanduva, que é o mais importante afluente da margem esquerda do Tietê, depois do Tamanduateí, ao iniciar seu encaixamento a partir da superfície de erosão de São Paulo, adquiriu uma tendência d´recional típica, permanecendo orientado segundo a linha de contato geral entre o maciço granítico e a extensão regional de terrenos terciários. A despeito dos epiciclos erosivos pós- pliocênicos, permaneceu sempre subseqüente, possuindo sua vertente esquerda diretamente no terciário e sua vertente direita no cristalino. (AB´SABER, 1957, p.185)

Atualmente se sabe que a bacia Sedimentar de São Paulo remonta ao Paleógeno do período terciário (LIMA, 1991), e que a intrusão do maciço granítico de Itaquera ocorreu ao final do Proterozóico/início do Fanerozóico a cerca de 560 Ma Antes do Presente, a partir da estabilização da Plataforma Continental (SILVA, 2000).

Tal feição, que representa um bordo do Planalto Atlântico alteado em relação à Bacia Sedimentar de São Paulo (identificável no mapa geomorfológico de Ross & Moroz, 1997), é supostamente originária da reativação de falhamentos secundários com direção nordeste existentes no município (SÃO PAULO, 2004), formando um complexo de pequenos morros modelados por processos morfoclimáticos durante os períodos iniciais de formação dos planaltos do atlântico até os dias atuais, devido à atuação de processos climáticos sob o domínio tropical, responsáveis por suas feições mamemolares (AB´SABER, 2004b).

Conforme destacada na figura 2, a compartimentação geológica da bacia hidrográfica do Aricanduva, caracteriza-se pela linearidade das planícies aluvionares formadas por sedimentos de idade quartenária, circundados pelo contato entre a Bacia Sedimentar de São Paulo, composta por sedimentos de idade terciária, junto ao bordo leste inicial do Planalto Atlântico, constituídos por micaxistos e eventualmente gnaisses e granitos de idade pré-cambriana:

As rochas Pré-Cambrianas são principalmente representadas pelos micaxistos do Complexo Pilar (do Grupo Açungui) e, mais localizadamente, por ocorrências pouco expressivas de gnaisses e migmatitos do Embasamento e de intrusões graníticas do denominado Fácies Cantareira. Os sedimentos Terciários constituem-se por siltes argilosos intercalados por camadas contínuas ou não de areias finas argilosas, com fácies de areias médias e grossas, com pedregulhos. Pertencem à formação Resende, do Grupo São Paulo. Os sedimentos aluvionares Quaternários acompanham principalmente as calhas do rio Aricanduva e de alguns de seus afluentes, com a conformação de cordões com larguras geralmente compreendidas entre 50 e 100 metros. (DEPARTAMENTO DE ÁGUAS E ENERGIA ELÉTRICA, 1999, p.18)

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Figura 02 – Geologia da Bacia do Aricanduva Fonte: DAEE (1999). Sem escala.

A geologia da bacia do Aricanduva, associada aos processos paleoclimáticos ocorridos no Quartenário (AB´SABER, 2004b), conferiu uma expressiva complexidade topográfica, apresentando uma amplitude altimétrica de aproximadamente 200 m ao longo de uma extensão aproximada de 19 km no transecto NO-SE.

Dessa forma, os padrões hidrográficos da bacia do Aricanduva, marcadamente de ordem dentrítica, são representados por um expressivo gradiente nas áreas a montante (cabeceira), principalmente devido ao padrão geomórfico mamemolar nos espaços situados sobre o maciço granítico de Itaquera, ganhando uma padrão de planície com baixa diferenciação altimétrica a partir de seu curso médio e baixo, onde os desníveis entre sua foz e as proximidades do Shopping Aricanduva (trecho baixo) não excedem mais que 30 metros, apesar de conferir nesse transecto uma distância (sentido NO-SE) que corresponde a quase metade de toda a bacia, conforme destacado no mapa fisiográfico da bacia (Figura 02 e 03).

morrotes mamemolares do maciço de Itaquera, ainda nas proximidades da Cidade Tiradentes, onde até o cruzamento das avenidas Ragueb Choff e Aricanduva, seu curso permanece encaixado entre o complexo granítico e o sistema de colinas (AB´SABER, 1957), sendo que neste setor sua planície encontra-se enclausurada pelos morrotes a sua margem esquerda, e pelo terraço fluvial onde se localiza a avenida Ragueb Choff, a sua margem direita. Nesse trecho, que pode ser considerado alto vale (devido as diferenças altimétricas na totalidade da bacia), há uma densa ocupação sub-urbana beiradeira a suas planícies fluviais, que constantemente é atingida (principalmente as ocupações localizadas à sua margem direita, devido ao enclausuramento entre seu canal e os morrotes do maciço de Itaquera) por episódios de inundações.

Em seu trecho médio, iniciado ao final da Av. Aricanduva (cruzamento junto a avenida Ragueb Choff), o canal (artificial devido desvios, canalizações e retificações) do Rio Aricanduva mantém como barreira intransponível os morrotes mamemolares à sua margem direita, o que lhe confere uma condição de encaixamento. Tal condicionante acarretou maior trabalho de suas águas sobre o bordo da bacia sedimentar, o que lhe possibilitou principalmente nos períodos de cheias e chuvas torrenciais, a constituição de uma extensa planície fluvial com até oitenta metros, ladeada por terraço lindeiro onde hoje se encontra instalada a movimentada Av. Rio das Pedras, conforme caracterizado por Ab´Saber (1957):

O baixo Aricanduva, na zona que precede as altas colinas do bairro da Penha, representa um caso oposto ao vale do Tamanduateí, já que ali dominou o encaixamento e a escavação ao longo da vertente direita. Tal fato aparentemente anômalo é explicado, entretanto pela influenciado contacto entre o terciário e o cristalino na região, como já salientamos. De fato, o Aricanduva, na maior porção de seu curso, enconsta a sua margem direita diretamente na base de morros graníticos, pertencentes à face sul do maciço de Itaquera, tendo por outro lado, na sua margem esquerda em contato com formações terciárias, por uma grande extensão. Tal herança direcional, observável principalmente ao longo de seu curso médio, influi indiretamente, por extensão, até a foz do rio. Temos razões para pensar que a aludida assimetria se iniciou a partir do nível intermediário das colinas paulistanas, que está muito bem expresso nas colinas de altitude média do bairro do Tatuapé. Deve ter sido, portanto, após o estabelecimento do nível de 740-750 m na região, que o Aricanduva se encaixou

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direcionalmente, forçando seu baixo curso a obedecer as injunções estruturais imperantes em uma extensão considerável de seu trecho médio. Tal tendência para escavar a margem direita e deixar oportunamente quase exclusiva para o terraceamento da margem esquerda é bem visível nas baixas colinas entre o Parque São Jorge e a Vila Maranhão. Realmente, ali todos os baixos e médios terraços estão situados à esquerda do ponto de confluência Tietê-Aricanduva, enquanto a colina da Penha se salienta altaneira na vertente direita. (AB´SABER, 1957, p.285-286)

Por estar situado no contato entre o limite do Planalto Atlântico e da Bacia Sedimentar de São Paulo, o Aricanduva foi dotado de maior poder de erosão durante períodos climáticos de grande intensidade pluvial que atuaram sobre a bacia sedimentar (AB´SABER, 2006), criando assim um sistema geomorfológico fluvial originalmente vulnerável a chuvas torrenciais.

A constituição de uma microplanície configurada pelo contato abrupto com os morrotes graníticos à sua margem direita, e por uma extensa planície limitada pelos terraços à sua margem esquerda, possibilitaram a ocorrência de inundações periódicas que antecedem a “explosão da cidade”, quando subáreas adjacentes à Itaquera ainda eram marcadas por glebas rurais, sitiocas e fazendas, ou então por meio das primeiras glebas agrícolas oriundas dos pioneiros assentamentos com colonos japoneses (LEMOS; FRANÇA, 1999).

Sua originalidade geomorfológica e seus precedentes históricos, somados as inúmeras transformações ocorridas no espaço total de sua bacia, junto às inúmeras intervenções em seu canal e planície fluvial, conferem ao Aricanduva uma complexidade que deve se melhor compreendida, para desta forma pode-se apontar os agravantes e condicionantes dos períodos denominados por Ab´Saber (2004c) de “Revanche das Águas”.

II - EVOLUÇÃO DOS EPISÓDIOS DE INUNDAÇÕES NO

ARICANDUVA E SUA CORRELAÇÃO COM A EXPANSÃO URBANA

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II - EVOLUÇÃO DOS EPISÓDIOS DE INUNDAÇÕES NO ARICANDUVA E SUA CORRELAÇÃO COM A EXPANSÃO URBANA

A compreensão da evolução dos episódios de inundações na bacia do Aricanduva, apesar de seu suporte geomórfico a ocorrência das cheias, demanda a necessidade de correlação com a expansão urbana, bem como a caracterização dos impactos do fenômeno urbano a intensificação das inundações.

Desta forma, o presente capítulo procurará discutir a evolução e repercussão dos episódios de inundações na bacia do Aricanduva, a partir de sua correlação com a expansão urbana, com destaque ao processo de supressão dos espaços florestados na bacia, os agravantes dos episódios de inundações, em especial aos prejuízos humanos e materiais, bem como aos impactos sobre a saúde pública. Ao final, destacam-se as características da política de macrodrenagem na bacia do Aricanduva, considerado como solução única a problemática hídrica local.