Forberedende tiltak og generelle kostnader
52 FILTERLAG OG SPESIELLE FROSTSIKRINGSLAG
A evolução dos episódios de inundações na bacia do Aricanduva, antes de ser compreendida enquanto um fenômeno de ordem antrópica, deve ser caracterizada a partir de sua gênese geomorfológica que lhe confere uma condição, de suscetibilidade permanente aos períodos de cheias, devido ao seu sistema de planícies enclausuradas entre os morrotes do maciço de Itaquera e aos terraços que ponteiam os setores inicias do sistema de colinas da bacia sedimentar.
Ainda sobre a gênese das inundações, Ab´Saber (1957) destaca a composição argilosa dos estratos litológicos que revestem a bacia de São Paulo, conferindo-lhe assim menor maior condição de saturação hídrica e em consequência grande permanência de água na superfície durante os períodos de chuvas. Mesmo antes da intensificação do processo de urbanização na bacia, Azevedo (1945; 1957) caracterizou as cheias como um processo comum no Rio Aricanduva, apesar de considerá-lo uma drenagem intermitente e de pequeno porte, de caráter marcadamente sazonal:
O Aricanduva, que tem direção SE-NO e alcança o Tietê nas vizinhanças da Penha; E o Guaiaó, que segue rumo diametralmente oposto, de SO-NE, fazendo sua confluência não londe de Poá. Ambos, porém, são verdadeiros ribeirões,
cuja largura não vai além de uns 2 metros e cjua extensão não chega a ser de 20 km.
[...]com as secas do inverno, tornam-se delgados filetes d´água (menos o Tietê, é claro), quando não desaparecem em boa parte de seus cursos; com as chuvas do verão, tomam vulto, inundam as várzeas, transformando-se muitas vezes em verdadeiras lagoas. (AZEVEDO, 1945: p.49-51)
Apesar da caracterização das inundações enquanto um fenômeno oriundo da gênese climática e geomorfológica, principalmente/especialmente no domínio tropical atlântico, os episódios de cheias são consensualmente considerados processos intensificados pela urbanização (ALVES FILHO 2001; CABRAL, 2002; AVLES FILHO; RIBEIRO, 2005; LIMA, 2007; BRANDÃO, 2010) e pelas inúmeras intervenções dela resultantes, tais como supressão da vegetação, impermeabilização dos solos, canalização, retificação e principalmente apropriação das planícies, genuinamente formadas para a permanência das águas durante os períodos de cheias.
Na bacia do Aricanduva, Lima (2007) destaca a ocorrência dos primeiros registros de inundações ainda durante as obras de canalização e retificação do rio no baixo vale, entre os anos de 1976 e 1980, e também durante a segunda etapa das obras realizadas entre 1981 e 1984.
A retificação do rio Aricanduva, junto ao aterramento de setores da planície que sazonalmente transformavam-se em lagoas durante os períodos de cheias, possibilitou a apropriação dos espaços varzeanos, uma vez que até então a ocupação restringia-se aos terraços e colinas, dentre outros setores de terra firme. Desta forma, com a consolidação do processo inicial de urbanização nas planícies do rio Aricanduva, os episódios de precipitação extrema passaram a ser considerados um problema, uma vez que atingiam instalações residenciais e comerciais, além da própria via de circulação, anteriormente inexistentes.
A partir de então, os episódios de inundações passaram a ter um caráter permanente, uma vez que as obras de apropriação das planícies do Aricanduva se intensificavam, inclusive sob o álibi da necessária redução e controle das inundações, possibilitando assim a ocupação de novas áreas, até então exclusivas aos períodos de cheias.
O caráter sazonal, porém permanente das inundações na bacia do Aricanduva, demandou a necessidade de levantamento histórico dos episódios de
48
inundações, devido a inexistência de registros publicados sobre a evolução da ocorrência das situações de inundações.
Desta forma, buscou-se o levantamento dos episódios de inundações registrados no site Folha.com a partir do ano de 1995, uma vez que a partir desse período, tem-se a atualização quase instantânea das informações com cobertura total a partir do advento da internet, facilitando assim a aquisição, bem como a dificuldade de levantamento e organização de outras fontes, tais como a Subprefeitura, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.
O recorte do período entre 1995 e 2010, possibilitou além do levantamento dos episódios com cobertura total e instantânea do Folha.com, agrupar os totais pluviométricos registrados na bacia do Aricanduva, a partir dos registros das subprefeituras localizadas no interior ou nas proximidades da área hidrográfica, uma vez que a partir de 1995 passou-se a registrar os totais pluviométricos por meio de pluviômetros, coordenados pela Defesa Civil e Secretaria das Subprefeituras e posteriormente, Sistema de Alerta de Inundações de São Paulo – SAISP e Centro de Gerenciamento de Emergências – CGE.
Desta forma, foi possível inferir a média pluviométrica registrada em cada episódio de inundação ocorrido na bacia, possibilitando assim apontar a intensidade média das precipitações que resultaram em inundações.
Para tanto, utilizou-se média aritmética dos totais pluviométricos registrados nas subprefeituras localizadas no interior ou nas proximidades da bacia do Aricanduva (Cidade Tiradentes - CT; São Mateus – SM; Aricanduva Formosa – AF; Penha – PE), a fim de se obter a precipitação aproximada ocorrida na bacia durante cada episódio veiculado no site Folha.com, apresentado na tabela 01.
A escolha das quatro subprefeituras se deu pela necessidade de se obter um maior número de registros a fim de possibilitar uma amplitude na cobertura dos totais pluviométricos ocorridos na bacia do Aricanduva, devido sua extensão e complexidade, principalmente devido à localização das subprefeituras possibilitar a cobertura dos setores de cabeceiras na Cidade Tiradentes, limite do trecho alto e médio em São Mateus, setor central do trecho baixo junto a subprefeitura Aricanduva/Vila Formosa e das proximidades da foz na região da Penha conforme destaca no mapa abaixo (Figura 05).
As médias foram tomadas a partir da soma dos totais pluviométricos subtraídos pelo número de subprefeituras responsáveis pelos registros, sendo que o pluviômetro da Cidade Tiradentes entrou em operação a partir de 17/10/2005, e o de São Mateus permaneceu fora de atividade durante todo o mês de março de 2002.
Os totais foram contabilizados a partir do início da precipitação (somando-se os períodos de coleta realizados quatro vezes ao dia – 7h00, 13h00, 19h00 e 0h00), podendo estender-se por mais de um dia.
Desta forma, entre o período de janeiro de 1995 a dezembro de 2010, ocorreu na bacia do Aricanduva um total de 47 episódios de inundações, apresentando média pluviométrica dos episódios da ordem de 49,1 mm.
O episódio de maior pluviosidade ocorreu entre os dias 24 e 25/05/2005, com média pluviométrica de 132,8 mm registrados na bacia do Aricanduva, sendo que os pluviômetros das subprefeituras registraram um total de 157,8 mm em São Mateus, 125,9 mm na Aricanduva/Formosa e 114,7 mm na Penha, excluindo-se Cidade Tiradentes por não apresentar até a presente data a existência de pluviômetros.
O referido episódio configurou um evento pluvial extremo de elevada magnitude, paralisando a metrópole praticamente por todo o dia 25/03/2005, devido inundações na maior parte dos tributários, inclusive no rio Tietê após quase 8 anos sem enchentes.
[...] A precipitação medida no dia 24 atingiu a marca dos 71 milímetros em cerca de 24 horas, um evento pluvial de tamanha magnitude e vigor não era registrado no mês de maio em São Paulo há pelo menos três décadas, de acordo com o relatório oficial elaborado pelo SAISP.
Ainda segundo, o SAISP, a madrugada do dia 24 foi atingida por esse intenso e vigoroso evento de pluviosidade, em função da entrada de uma forte massa de ar frio oriunda do sul do país, no setor leste do estado de São Paulo, provocando uma situação de verdadeiro caos não somente na Grande São Paulo como também em demais municípios do estado como Indaiatuba, localizado a cerca de 100 km da capital, que foi tragicamente atingido pelo temporal no dia seguinte. (PEREIRA ; GALVANI, 2008, p.9).
O episódio de menor média pluviométrica registrada na bacia do Aricanduva durante o período ocorreu em 15/01/2004, com média pluviométrica de 13,8 mm, tendo registrado nas Subprefeituras 12,6 mm em São Mateus, 15,5 mm em Aricanduva/Formosa e 13,4 mm na Penha, ainda não havendo nesse período registros em Cidade Tiradentes.
Tal episódio, que compreendeu um elevado total pluviométrico em toda região sudeste, acarretou inúmeros prejuízos ao município de São Paulo, com registros de inundações e transbordos em vários pontos da capital. Na bacia do Aricanduva, apensar do reduzido total pluviométrico em ambas as subprefeituras, a inundação possivelmente ocorreu devido ao curto período da precipitação, registrada em menos de meia hora durante a manhã, após forte precipitação ocorrida no fim da tarde do dia anterior, que certamente contribuiu para a elevação do nível do Aricanduva e tributários, aumentando assim sua suscetibilidade ao transbordo.
Tabela 01 – Repercussões e totais pluviométricos dos episódios de inundações na bacia do Aricanduva entre 1995 e 2010.
Totais Pluviométricos em mm
Data do
Episódio Repercussão na Folha Online CT* SM** AF PE TOTAL MÉDIA
29/01/1995 a 30/01/1995
- 31/01/1995
Chuva volta a inundar ruas
na zona leste. ___ 93,5 69,2 77,2 79,9
28/02/1996
- 28/02/1996
Chuva para trânsito nas zonas sul e leste de SP. Água invade casas na avenida Aricanduva. ___ 46,4 57,0 16,5 39,9 03/10/1996 a 04/10/1996 - 04/10/1996
Enchente prende paulistano
na cidade. ___ 64,2 96.7 58,4 73,2
27/01/1997 a 28/01/1997
- 28/01/1997
Chuva mata 2 e mostra despreparo de SP.
- 29/01/1997
Três horas de chuva bastam para alagar SP.
___ 82,8 147,8 79,2 103,2
05/12/1997
- 05/12/1997
SÃO PAULO SUBMERSA:
Alagamentos ocorreram
onde deveria haver obras municipais e estaduais contra as enchentes.
52
10/12/1998 a 12/12/1998
- 12/12/1998
SP SOB AS ÁGUAS: Obras atrasadas da prefeitura não surtiram efeito e a chuva alagou avenidas na capital. Tietê transborda e alaga marginal. ___ 75,7 98,4 57,7 77,2 10/02/1999 a 11/02/1999 - 12/02/1999
Radar não mostrou
intensidade das. ___ 79,3 72,1 53,3 68,2
26/02/1999 - 27/02/1999 Chuva de 5 horas mata 4
pessoas em SP. ___ 39,1 21,0 38,5 32,8
27/02/1999 - 28/02/1999 Mortos pela chuva em SP
chegam a seis. ___ 99,1 88,0 55,4 80,8
02/03/1999 - 02/03/1999 Chuva mata de novo e faz SP
virar mar. ___ 18,0 49,8 70,3 46,0
12/01/2000 - 13/01/2000 Temporal mata 8 na Grande
São Paulo. ___ 69,0 22,9 12,8 35,2 17/12/2000 a 18/12/2000 - 18/12/2000 - 11h22 SP tem 16 km de congestionamento; Veja os principais pontos. ___ 71,9 84,2 134,2 96,7 01/10/2001 - 01/10/2001 - 14h40 Chuva causa transbordamento no Aricanduva, Tietê e Tamanduateí. ___ 80,0 100,4 76,4 85,5
23/11/2001 - 24/11/2001 Na zona leste, chuva derruba
casa de auxiliar. ___ 64,1 29,1 37,8 43,5
10/12/2001
- 10/12/2001
Enchentes tumultuaram o domingo dos paulistanos;
rio Tietê e córrego
Aricanduva transbordaram, atrapalhando o tráfego.
13/02/2002
13/02/2002 - 19h13
Enchente na zona leste deixa
motoristas ilhados na Avenida Aricanduva. ___ 12,0 50,0 30,0 30,6 28/02/2002 - 28/02/2002 Grupamento Aéreo da PM resgata vítima de enchente na zona leste. ___ 16,0 42,0 20,0 26,0 17/03/2002 a 18/03/2002 - 18/03/2002
Chuva faz Aricanduva
transbordar de novo: O córrego encheu pela 5ª vez desde setembro de 2001; zonas oeste e central da
capital também foram
atingidas. ___ ___ 48,0 56,0 52,0 24/03/2002 a 25/03/2002 - 25/03/2002
- Chuva provoca 21 pontos de alagamento - Entre 13h40 e 16h, a cidade toda ficou em estado de atenção; às 19h, o Tietê transbordou perto da ponte Aricanduva. ___ ___ 90,0 75,0 82,5 14/12/2002 - 14/12/2002, 23h09. - Córrego Aricanduva transborda e causa
transtorno na zona leste de SP.
___ 20 45,3 43,3 36,2
28/01/2003 - 29/01/2003, 09h32 - Capital registra 69 pontos
de alagamento. ___ 45,6 79,5 36,4 53,8
15/01/2004
- 17/01/2004
- Chuva castiga o Rio e deixa dez mortos. Em São Paulo,
apesar de a Prefeitura de São Paulo ter concluído oito piscinões -construídos para armazenar as águas e combater as enchentes- na bacia do rio Aricanduva (zona leste), os locais onde as ruas são mais baixas do que o leito do rio ainda alagam com a chuva.
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31/01/2004 - 31/01/2004 - Vila Prudente tem chuva de
1 semana em 1 h. __ 14 32,9 17,6 21,5
04/02/2004 - 05/02/2004 - 75 minutos de chuva
inundam zona leste. ___ 42,2 73,3 66,0 60,5
11/01/2005
- 11/01/2005, 19h47
- Chuva deixa desabrigados, causa enchentes em SP e corta energia no Rio.
___ 114,6 69,9 37,5 74
24/05/2005 a 25/05/2005
- 26/05/2005
- Inundação causa mal-estar
entre tucanos. ___ 157,8 125,9 114,7 132,8
01/12/2005 a 02/12/2005
- 03/12/2005
- Sem bomba prometida,
Tietê alaga de novo. 25,8 14,1 46,3 51,0 34,3
02/01/2006 a 03/01/2006
- 03/01/2006
- Ano novo começa com
trânsito e enchentes. 61,7 48,4 108,2 68,5 71,7
27/11/2006
- 27/11/2006 - 16h51
- Chuva deixa ao menos 23
alagamentos em SP;
Congonhas volta a operar.
00 00 28,0 46,2 18,5
04/12/2006 - 05/12/2006 - Temporal alaga ruas, pára o
trânsito e derruba árvores. 46,6 59,5 41,5 72,3 54,9
06/12/2006 - 06/12/2006, 21h49 - São Paulo deixa estado de atenção, mas alagamentos aumentam. 12,4 00 26,8 23,0 15,5 18/02/2007 - 19/02/2007 - Tempestade em SP interdita Congonhas. - Houve 18 pontos de alagamento; previsão é de pancadas de chuva durante a tarde e a noite de amanhã.
25/02/2007 - 25/02/2007 - Chuva causa alagamentos
e deixa três bairros sem luz na cidade de São Paulo.
2,8 7,0 33,8 29,2 18,2
24/02/2008
- 25/02/2008
- Chuva causa alagamentos e deixa três bairros sem luz na cidade de São Paulo.
27,4 33,1 29,0 22,2 27,9
23/02/2009
- 24/02/2009, 20h15
- Chuva em São Paulo provoca quatro pontos de alagamento.
18,2 84,6 37,5 15,0 38,8
08/09/2009
- 08/09/2009, 14h13
- Rio Tietê transborda e interdita a marginal no sentido Ayrton Senna; SP tem 65 alagamentos.
76,3 79,4 8,0 87,1 62,7
26/10/2009
- 26/10/2009, 17h17
- Córrego transborda e parte da zona leste de SP fica em estado de alerta.
25,3 28,0 16,0 39,1 27,1
01/12/2009
- 01/12/2009, 12h12
- Chuva deixa regiões de SP em atenção; av. Aricanduva tem alagamentos.
69,0 68,0 68,0 1,5 51,6
08/12/2009
- 08/12/2009, 18h14
- Frente fria provoca maior chuva desde 2007 em São Paulo; seis morreram.
75,9 68,0 47,9 58,9 62,6
27/12/2009 a 28/12/2009
- 28/12/2009, 09h31
- Chuva causa alagamentos na Grande SP; homem morre em Guarulhos.
18,2 21,0 30,0 6,5 18,9
05/01/2010
- 05/01/2010, 22h17
- Chuva causa mais de 30 alagamentos em SP e fecha Congonhas por 40 minutos.
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18/01/2010
- 18/01/2010, 18h15
- Chuva diminui e
temperatura cai em SP; nova frente fria chega quarta-feira à cidade.
5,0 29,0 47,1 4,4 21,3
21/01/2010
- 21/01/2010, 04h17
- Chuva deixa 45 pontos alagamento em SP; uma pessoa está soterrada.
- 21/01/2010, 07h31
- Chuva provoca caos em São Paulo; marginal Tietê para com alagamentos.
22,8 61,0 41,0 44,0 47,5
26/01/2010
- 26/01/2010, 23h31
- Chuva bate recorde em São Paulo; cidade teve 77 alagamentos.
30,6 16,0 38,5 64,3 47,6
03/02/2010
- 03/02/2010 - 20h25
Rio Tietê transborda; cinco regiões de São Paulo ficam em estado de alerta.
- 04/02/2010 - 07h11
Deslizamento de terra
interdita avenida
Aricanduva, na zona leste de SP. 32,2 40,0 46,0 55,6 43,4 04/02/2010 - 04/02/2010 - 17h08 Aricanduva e córrego Ipiranga transbordam em SP; regiões ficam em alerta.
00 30,0 25,4 14,4 17,4
13/12/2010
- 13/12/2010 - 18h41
Córregos da zona leste de SP transbordam e Vila
Prudente entra em estado de alerta .
60,8 14,0 71,7 30,5 44,2
Organizado por: SANTOS, Felipe Almeida dos (2011). Fonte: Folha.com (2009); CGE-SP; COMDEC-SP; SAISP.
* O pluviômetro da Subprefeitura da Cidade Tiradentes entrou em operação a partir de 17/10/2005
** O pluviômetro da Subprefeitura de São Mateus permaneceu fora de atividade durante todo o mês de março de 2002.
Como forma de organizar os episódios de inundações por intensidade de precipitação, os 47 episódios foram classificados por grupos organizados em ordem crescente de 15 em 15 mm conforme destacado na tabela 2, onde se obteve valores próximos a média pluviométrica do período (1995-2011) registrada em 49,05 mm para toda a bacia. Desta forma, os grupos de maior ocorrência situam-se entre 15 e 45 mm, com total de 24 episódios de inundações, sendo 12 episódios ocorridos entre 15 e 30 mm e 12 ocorridos entre 30 e 45 mm. Os episódios registrados no grupo onde se situa a média para toda a bacia, entre 45 e 60 mm ocorreram sete vezes, assim como os episódios registrados no grupo entre 60 e 75 mm, também com sete ocorrências.
Foi registrado apenas um episódio inferior a 15 mm, justamente a precipitação citada anteriormente enquanto o episódio de inundação com a menor média pluviométrica em toda a bacia durante o período 1995-2011.
Entre o grupo de 75 e 100 mm, foram classificados seis episódios de inundações, sendo que acima desse, ocorreram apenas dois episódios, sendo um entre 100 e 115 mm.
Apenas um episódio obteve precipitação acima de 115 mm, justamente o maior registrado na bacia durante todo o período, ocorrido conforme citado anteriormente entre os dias 24 e 25/05/2005.
Tabela 02 – Totais de Episódios de inundações por grupos de intensidade de precipitações entre 29/01/1995 e 13/12/2010. Intensidade --- Total de Episódios 0-15 mm 15-30 mm 30-45 mm 45-60 mm 60-75 mm 75-100 mm 100-115 mm Acima de 115 mm 1 12 12 7 7 6 1 1
Organizado por: SANTOS, Felipe Almeida dos (2011). Fonte: Folha.com (2009)
No período entre 1995 e 2010, o ano com o maior número de episódios de inundações na bacia do Aricanduva foi 2010, com um total de oito episódios, seguido por 2009 com um total de seis registros de inundações, justamente os anos de maior pluviosidade para o período segundo os registros da Defesa Civil e CGE- SP.
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Durante a série do período, em todos os anos ocorreram episódios de inundações na bacia do Arcanduva, sendo que os anos com o menor número de registros foram 1995, 1998, 2003 e 2008, o que impossibilita apontar uma evolução crescente dos episódios de inundações, até mesmo pela pequena extensão do período analisado, conforme se observa na tabela 03.
Tabela 03 - Totais de episódios de inundações ocorridas anualmente entre 1995 – 2011 a partir de classes de intensidade.
Intensidade Ano de Ocorrência 0-15 mm 16-30 mm 31-45 mm 46-60 mm 61-75 mm 76-100 mm 101-115 mm 116-130 mm Totais 1995 0 0 0 0 0 1 0 0 1 1996 0 0 1 0 1 0 0 0 2 1997 0 1 0 0 0 0 1 0 2 1998 0 0 0 0 0 1 0 0 1 1999 0 0 1 1 1 1 0 0 4 2000 0 0 1 0 0 1 0 0 2 2001 0 0 2 0 0 1 0 0 3 2002 0 1 2 1 0 1 0 0 5 2003 0 0 0 1 0 0 0 0 1 2004 1 1 0 0 1 0 0 0 3 2005 0 0 1 0 1 0 0 1 3 2006 0 2 0 1 1 0 0 0 4 2007 0 2 0 0 0 0 0 0 2 2008 0 1 0 0 0 0 0 0 1 2009 0 2 1 1 2 0 0 0 6 2010 0 2 3 2 0 0 0 0 8
Organizado por: SANTOS, Felipe Almeida dos (2011). Fonte: Folha.com (2009); CGE-SP; COMDEC-SP; SAISP.
Entre o período, os meses de maior ocorrência caracterizam justamente o período considerado de chuvas, compreendido pela estação de verão e com maior intensidade entre dezembro e fevereiro.
Dos 47 episódios registrados no período, 37 ocorreram entre dezembro e fevereiro, configurando assim aproximadamente 80% dos episódios de inundação em apenas três meses do ano, o que caracteriza a desigualdade das precipitações responsáveis pelas situações de inundações, conforme destacado na tabela 04.
A distribuição dos registros de inundações entre dezembro e fevereiro, ocorreu praticamente de forma homogênea, com um total de doze episódios em dezembro, onze em janeiro e treze em fevereiro, mês considerado de maior registro de inundações.
Os períodos entre junho e agosto, caracterizados enquanto estação com menores precipitações, não registraram episódios de inundações, junto também o mês de abril, considerado transitório em relação ao término do período de chuvas e início do período de estiagem. O mês de maio, configurado entre o período transitório, registrou um episódio isolado de inundação, sendo esse o de maior precipitação em toda a série analisada, devido à ocorrência de episódio pluvial intenso conforme destacado anteriormente.
Tabela 04 – Meses de ocorrência dos episódios de inundações entre 1995 – 2011. Mês
--- Total de Episódios
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
11 13 3 0 1 0 0 0 1 3 2 13
Organizado por: SANTOS, Felipe Almeida dos (2011).
Fonte: Folha.com( 2009); CGE-SP; Defesa Civil – COMDEC-SP
Apesar da pequena série analisada não possibilitar inferir quanto à possível evolução dos episódios de inundações na bacia do Aricanduva, conforme bem caracterizou Lima (2007), pode-se destacar a vulnerabilidade da bacia quanto aos episódios de precipitações extremas, bem como o caráter paliativo da política de macrodranagem na bacia do Aricanduva.
Após a conclusão da atual etapa de implementação dos piscinões, realizada no ano de 2002, havia se registrado no período compreendido entre 1995-2002 um total de 20 episódios de inundações, sendo que após esse período, entre 2003-
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2010, já com os oito piscinões da bacia do Aricanduva em operação, ocorreu um total de 27 episódios de inundações, sendo desses alguns considerados de grande intensidade e responsáveis por impactos significativos, a exemplo do registrado em maio de 2005.
Desta forma, destaca-se a ineficácia da política de adoção dos reservatórios de retenção/contenção (piscinões), uma vez que as inundações têm ocorrido com maior frequência mesmo após a construção dos primeiros reservatórios ao final da década de 1990, adotada como solução prioritária ao agravante das cheias (DAEE, 1999), em detrimento dos espaços florestados.