Nesse experimento foram realizadas 21 coletas de sêmen, de cinco varrões da raça Landrace, estando os dados inerentes às características físicas do sêmen, à preparação das doses inseminantes e resfriamento do sêmen, bem como ao desempenho reprodutivo dos varrões, apresentados na tabela 26.
Tabela 26. Características físicas do sêmen e desempenho reprodutivo dos varrões utilizados no Experimento II, de acordo com a fração do ejaculado utilizado
Parâmetros avaliados Fração do ejaculado
Fração 1 (15 mL) Fração 2 (restante)
Número de varrões 05 05
Número de ejaculados 21 21
Volume do sêmen (mL) 15,00 ± 0,0 194,43 ± 0,13
Motilidade do sêmen a fresco (%) 73,57 ± 1,15 74,29 ± 0,99 Vigor do sêmen a fresco (0 – 5) 4,40 ± 0,10 4,43 ± 0,08 No de sptz/mL (x106) 1414,29 ± 155,49a 208,10 ± 23,75b No de sptz móveis/mL (x106) 1057,62 ± 121,01a 153,71 ± 17,43b No de sptz totais/fração (x109) 21,21 ± 2,33b 37,38 ± 3,79a No de sptz móveis/fração(x109) 15,85 ± 1,81b 27,61 ± 2,73a Volume de sêmen/dose inseminante (mL) 4,32 ± 0,76b 24,82 ± 2,88a Volume de diluidor/dose inseminante (mL) 95,68 ± 0,76b 75,18 ± 2,88a No potencial de fêmeas inseminadas 5,28 ± 0,60b 9,20 ± 0,91a
No real de fêmeas inseminadas 3,05 ± 0,48 3,14 ± 0,53
Tempo da colheita à pré-diluição (min) - -
Tempo da colheita à diluição (min) 17,81 ± 0,81b 22,67 ± 1,00a Tempo da colheita ao resfriamento (min) 61,14 ± 5,86 55,33 ± 6,19 a,b Médias seguidas por letras diferentes, na mesma linha, diferem (p < 0,05)
As análises estatísticas referentes à tabela 26, estão apresentadas no anexo IIc do Experimento II (página 196 a 198).
Observa-se na tabela 26, que o volume da segunda fração encontrado nesse experimento (194,43 mL) foi inferior ao do Experimento I (208,98 mL, tabela 13). Já que os machos utilizados nos dois experimentos foram os mesmos, uma maior pressão na freqüência de coletas, neste experimento, resultou em um menor volume do ejaculado total. Embora o volume total do ejaculado encontrado aqui esteja dentro da amplitude normal de 150 a 300 mL (Pinart et al., 1999), Smital (2009) relatou que os varrões apresentam um volume do ejaculado aceitável, após um descanso sexual de três dias; entretanto, atinge um volume normal após um intervalo de cinco dias entre coletas. Desta forma, considerando-se que na maioria das coletas desse experimento não foi possível respeitar o intervalo de cinco dias, essa redução pode ter respondido pela queda do volume total e conseqüentemente da fração 2.
Assim como para o volume, a concentração espermática encontrada aqui também foi inferior à do Experimento I, para ambas as frações. Considerando-se que Smital (2009) relata ser a concentração e o número de espermatozóides totais no ejaculado restabelecidos em 5-7 dias após a última coleta, embora o completo restabelecimento do pool de espermatozóides no ejaculado tenha sido alcançado após uma pausa sexual de 10-11 dias, certamente, a maior freqüência de coletas do presente experimento, respondeu pela redução da concentração espermática (tabelas 13 e 26) e do número de espermatozóides totais quando compara-se os dados dos Experimentos I e II, de 75,1 x 109 e 58,59 x 109, respectivamente. Comparando-se os dados do número de espermatozóides totais no ejaculado, somando-se as duas frações
(58,59 x 109) do Experimento II, com os apresentados por Braga (2007), envolvendo machos Landrace da mesma linhagem (DanBred) utilizada aqui, verifica-se um valor inferior no presente experimento, considerando-se o número de 66,16 x 109 de espermatozóides totais, apresentado no trabalho citado, quando utilizou-se a coleta total do ejaculado.
O número potencial de fêmeas inseminadas também, neste experimento, diferiu entre as frações (p<0,05), como já havia sido observado, anteriormente, no Experimento I. Em decorrência do menor número de espermatozóides totais e móveis presentes no ejaculado nas duas frações neste experimento, o número potencial de fêmeas a serem inseminadas, nas respectivas frações, também foi menor no Experimento II, quando comparado ao que se observou no Experimento I (tabelas 13 e 26).
De acordo com o volume de sêmen e diluidor necessários para a preparação de uma dose inseminante de 3 x 109 de espermatozóides em 100 mL, observados na tabela 26, a taxa de diluição (sêmen:diluidor) encontrada para a fração 1 foi de aproximadamente 1:22 e para a fração 2 de 1:3. Esses valores estão em desacordo com os preconizados como ideal, por diferentes autores, quando deveria ser de 1:5 a 1:15 (Martin Rillo et al., 1994; Ruvalcaba, 1994). Nesse contexto, poderia ser esperado um choque osmótico nos espermatozóides na fração 1, devido a alta taxa de diluição (Flowers, 1996; Levis, 1997), bem como uma redução da viabilidade espermática devido à carência de substratos energéticos e à perda da capacidade tamponante do meio na fração 2, em decorrência de uma taxa de diluição abaixo da recomendada (Flowers, 1996). Contudo, baseando-se no preconizado por Varner et al. (1987), de que o número de células espermáticas por mL de sêmen diluído deveria estar no intervalo de 30 a
50 x 106 de espermatozóides por mL de sêmen diluído, as duas frações atenderam tal premissa.
De acordo com as observações de Rozeboom (1999), quanto à coloração
ideal do sêmen, que deveria ser branco leitosa, verifica-se na tabela 27 as diferenças observadas quanto ao aspecto/cor do sêmen a fresco, considerando-se as duas frações coletadas separadamente.
Tabela 27. Influência da fração do ejaculado sobre a cor/aspecto do sêmen in natura no Experimento II Fração do
ejaculado
Cor/aspecto do sêmen
Leitoso (%) Soroso-leitoso(%) Soroso (%)
1 80,95 (17/21) 19,05 (4/21) 0,00
2 23,81 (5/21) 57,14 (12/21) 19,05 (4/21)
Observa-se que em mais de 80% das coletas, a fração 1 apresentou aspecto leitoso em decorrência da alta concentração espermática por mL observada nessa fração. Contudo, nesse experimento, observou-se também a ocorrência de sêmen com aspecto soroso-leitoso nessa fração, o que não tinha sido observado no Experimento I (tabela 14). Embora essa situação tenha ocorrido em cerca de 19,05% (4/21) dos ejaculados, certamente, a maior freqüência de coletas dos varrões no Experimento II, respondeu por essa observação. Com relação à fração 2, em 12 de 21 coletas (57%) o sêmen apresentou aspecto soroso-leitoso, em decorrência da baixa concentração espermática por mL de sêmen, dessa fração.
Embora, cerca de 23% (5/21) das coletas envolvendo a fração 2 tenha apresentado um aspecto leitoso, um número aproximado de ejaculados (4/21; 19,05%) apresentou aspecto soroso, indicando baixa concentração, associada a um menor número de espermatozóides totais presentes no ejaculado.
Embora não tenha sido observada diferença aparente no número de aglutinações no sêmen in natura de acordo com a fração do ejaculado no Experimento II (tabela 28), vale ressaltar a maior presença de aglutinações em ambas as frações, em relação ao que observou-se no Experimento I (tabela 15).
Tabela 28. Número de aglutinações no sêmen in natura de acordo com a fração do ejaculado, no Experimento II Fração do ejaculado Número de aglutinações 1 a 2 (%) 3 a 5 (%) ≥ 6 (%) 1 57,14 (12/21) 38,10 (8/21) 4,76 (1/21) 2 47,62 (10/21) 47,62 (10/21) 4,76 (1/21)
Não se encontraram na literatura trabalhos associando a freqüência de coletas e as frações do ejaculado à presença de aglutinações no sêmen, não sendo possível, portanto, explicar o maior número de aglutinações observadas aqui.
4.2.2 Período de conservação do sêmen