Regulering av sild sør for 62°N
3 SILD SØR FOR 62°N
3.4 FORSLAG TIL INNFØRING AV KVOTEFLEKSIBILITETSORDNING FOR FISKE ETTER SILD I NORDSJØEN
Vale ressaltarmos a existência da verbo-visualidade na língua de sinais e o papel predominante da visualidade no que tange à apropriação de novos conceitos, porque,
Fazem parte das produções de caráter verbo-visual, em circulação em diferentes esferas, charges, propagandas, capas de revistas, páginas de jornal, [...] poemas articulados a desenhos, comunicação pela Internet, textos ficcionais (BRAIT, 2009, p. 144).
Esse fato nos leva a estudar justamente a característica da língua de sinais de se apresentar na modalidade viso-espacial, e na não oral-auditiva, como a língua portuguesa. Quanto aos recursos da verbo-visualidade, enfatizamos que, de fato, são o cerne desta pesquisa e balizaram as negociações de sentidos-e-significados dos conceitos. Características que se justificam tanto no que é sinalizado quanto na capacidade de expressão e lógica produzida pelo discurso, pois,
[...] à primeira vista, a língua de sinais afigura-se pantomímica; dá a
impressão de que, prestando atenção, logo a entenderemos– todas as
pantomimas são fáceis de entender. Mas à medida que continuamos a olhar, perdemos essa sensação de já sei; ficamos vexados ao descobrir que, apesar de sua aparente transparência, ela é ininteligível (SACKS, 2010, p. 70).
Identificando as peculiaridades da língua de sinais, podemos verificar a forte existência dos aspectos da visualidade e da multidimensionalidade. Elementos de composição prioritariamente espaciais, mediadores do enunciado e de sua organização que propiciam reais sentidos-e-significados, pontuar o tempo das narrativas e as interações de pessoas nos discursos produzidos em língua de sinais. Segundo Nascimento (2011), a presença dos elementos verbo-visuais, observados durante a mediação em língua de sinais, indica os efeitos de sentido instaurados a partir deles no processo de ressignificação entre as línguas envolvidas nesse ato interpretativo.
A dimensão verbo-visual de um enunciado, sob a ótica da linguagem verbal, segundo Brait (2011), passa a externar uma função distinta na produção de sentidos-e-significados, não deixando de lado sua importância no que se refere aos resultados de sentido. Dessa maneira, o enunciado possibilitará a produção de sentido baseado num contexto, visto que ocorre um padrão concomitante à visualização da imagem e do referente verbal ou, no caso da língua de sinais, a realização do próprio sinal.
Quando lidamos com os aspectos relacionados da verbo-visualidade, precisamos identificar particularidades de usabilidade entre a língua portuguesa e a língua de sinais. A análise da verbo-visualidade para a língua portuguesa verifica os elementos de um texto escrito e a reverberação da visualidade na construção de sentidos. No caso da língua de sinais, o texto é produzido em sinais. A visualidade auxilia na construção imagética do referente, na elucidação de sentidos de uma forma mais eficaz, fazendo uma interpretação do visual, ou seja, da cultura visual, inerente à comunidade Surda.
Segundo Brait (2011, p. 190), quando olhamos “as ilustrações e conhecendo o texto verbal, tem-se a impressão de que elas citam o texto original: tudo que se vê está no texto verbal”. Entretanto, as “ilustrações formam um conjunto de signos visuais independentes, com sintaxe temporal e espacial próprias, e, consequentemente, com organização semântica nova”. O mesmo ocorre com os participantes Surdos desta pesquisa, pois os recursos visuais foram complementos importantes no desenvolvimento de produções de discurso e (re)construção de novos conceitos.
Segundo Nascimento (2011), “a imagem constitui um papel fundamental para construção de sentido” e a “sua forte interferência na materialidade linguística da língua de sinais nos mostram como os elementos verbo-visuais, tanto os que são utilizados para exibir textos verbais” (no caso de nossa pesquisa, os textos das capas da Revista Veja), como as imagens específicas das reportagens apresentadas “colaboram para a realização de um enunciado” seja este concreto ou abstrato.
Importante tratarmos aqui como o recurso verbo-visual é visto pelos participantes Surdos desta pesquisa. O texto é reproduzido em língua de sinais, numa modalidade viso-espacial com muitas representações e referenciais visuais. A compreensão de sentidos-e-significados é vista como imagens em sua decodificação do léxico, fazendo com que a visualidade seja um elemento facilitador à apropriação de novos conceitos concretos ou abstratos.
Segundo Aristóteles, importa saber que a abstração é entendida como uma operação intelectual em que se isola um objeto de reflexão dos fatores que comumente se relacionam com ela na realidade. Percebemos que “há, pela materialidade visual, um caráter semiótico cujas especificidades expressam a dimensão ideológica, a costura de discursos, de relações que dão identidade ao texto” (BRAIT, 2011, p. 190).
Ressaltando a importância da interação dialógica, a verbo-visualidade trará ao enunciado nuances discursivas que perpassam sentidos-e-significados para a construção de novos conceitos, além da:
[...] enunciação, um enunciado concreto articulado por um projeto discursivo do qual participam, com a mesma força e importância, a linguagem verbal e a linguagem visual. Essa unidade significativa, essa enunciação, esse enunciado concreto, por sua vez, estará constituído a partir de determinada esfera ideológica, a qual possibilita e dinamiza sua existência, interferindo diretamente em suas formas de produção, circulação e recepção (BRAIT, 2010, p.194).
Isso passa a ocorrer por consequência das propriedades da língua de sinais que possibilita explorar a construção imagética, memórias e alteridades dos envolvidos nesse dialogismo, permitindo novas construções, novos saberes, sentidos, significados e conceitos.
3 METODOLOGIA DA PESQUISA
Neste capítulo apresento os procedimentos metodológicos para a realização desta pesquisa. Além do contexto da pesquisa, a realização das conversas reflexivas, os critérios de escolha dos participantes Surdos e os procedimentos para a produção e coleta de dados. Em seguida, apresento as categorias que foram utilizadas para analisar os dados coletados nas conversas reflexivas.
3.1 PESQUISA CRÍTICA
Nosso trabalho esteia-se na concepção da criticidade reflexiva: nuances transformacionais do conteúdo apresentado de tal modo que a teoria e a prática sejam objetos indissociáveis. Segundo Magalhães (2007, p. 91), “uma pesquisa que tome a colaboração como central, pressupõe que todos os participantes se tornem pesquisadores de sua própria ação”.
Baseados na proposta de Magalhães (2007), buscamos explorar a reflexão crítica no discurso realizado em língua de sinais entre o pesquisador e os participantes Surdos, identificando como ocorreu a construção discursiva, aliada aos recursos da verbo-visualidade e da utilização de contexto social para a (re)construção de novos conceitos. Ainda sob esta perspectiva, a
[...] colaboração não significa cooperação, tampouco participação, significa oportunidade igual e negociação de responsabilidades, em que os participantes têm voz e vez (...) geradas por meio da mútua concordância e de relações mais igualitárias e democráticas voltadas para o desenvolvimento de novos conhecimentos, novas compreensões (IBIAPINA, 2006, p. 18).
Entendemos pesquisa crítica como um exercício de aprofundamento e aprimoramento em parceria, objetivando transformação na ação, reflexão e possibilidades de apropriação de novos saberes. Nesse sentido, Freitas (2001, p. 43), afirma que a colaboração crítica “envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer”. Ao sermos compelidos a colaborar criticamente
com o outro, percebemos divergências, predileções, escolhas e peculiaridades dos participantes da pesquisa.
O papel do pesquisador ouvinte bilíngue não consiste, apenas, em conduzir a pesquisa de forma investigativa. Em parceria com os participantes Surdos, pretendemos construir possibilidades de novos conhecimentos, a partir dos textos apresentados, do contexto social, das interlocuções e dos enunciados produzidos.
Na perspectiva sócio histórica o sujeito apesar de singular é sempre social e a compreensão se dá na inter-relação pesquisador/pesquisado. Esse movimento interlocutivo é um acontecimento constituído pelos textos criados, pelos enunciados que são trocados. Os sentidos construídos emergem dessa relação que se dá numa situação específica e que se configura como uma esfera social de circulação de discursos. Os textos que dela emergem marcam um lugar específico de construção do conhecimento que se estrutura em torno do eixo da alteridade, possibilitando o encontro de muitas vozes que refletem e refratam a realidade da qual fazem parte (FREITAS, 2003, p. 10).
Entendemos que essa interação se faz fundamental ao compartilhamento e à negociação de sentidos-e-significados, como identificamos nos estudos de Magalhães (2011): a colaboração crítica marca um processo que conduz a um processo transformacional, sendo este o objetivo principal da escolha dessa perspectiva.
Ainda nessa perspectiva, a reflexão e o pensar sobre a ação corroboram para a transformação, através da colaboração entre os participantes, pois todos estão em igualdade com relação a exposição de suas opiniões, experiências e seus argumentos. Logo, percebemos entre os participantes a existência de contribuição, reciprocidade e construção de novos saberes.
3.2 CONTEXTO DA PESQUISA
Apresento, nesta seção, como aconteceu a conversa reflexiva, os participantes, os procedimentos para coleta dos dados, o sistema de transcrição utilizado, as categorias de análise da língua de sinais e os tipos de perguntas.
3.2.1 Conversa Reflexiva
Para a realização da conversa reflexiva, os participantes Surdos foram convidados para um encontro informal no espaço residencial do pesquisador. Na ocasião, explicamos aos participantes como seria a condução da pesquisa. A conversa se deu de modo interativo, através de perguntas dirigidas especificamente a algum participante Surdo ou por meio de perguntas abertas não direcionadas para que todos pudessem se manifestar.
Consideramos essa prática dialógica como um recurso para melhor apropriação de novos saberes e, segundo Schön (2000, p. 91), essa prática “deve ser capaz de produzir e controlar, a partir de sua intuição interior, o que aprende através da observação visual de sinais externos”. Esse processo é visto como fruto de uma reflexão-na-ação, em que o observador (participante Surdo) constrói e experimenta suas ações por consequência do que observou no detentor da ação (pesquisador).
Os temas de discussão e perguntas foram norteados pelo cenário político de 2014, com base nas capas da Revista Veja10 e do jornal A Folha de São Paulo,11 do mesmo ano. Assuntos correlatos, levantamento de hipóteses e exemplificação foram utilizados para que a conversa reflexiva acontecesse de maneira eficiente.
10 Foram utilizadas as capas da Revista Veja dos meses de junho, agosto, setembro de 2014.
3.2.2 Os participantes da Pesquisa
Para a coleta de dados, selecionei três Surdos adultos, usuários da Língua Brasileira de Sinais como meio de comunicação, formados no Ensino Médio, com idades entre 26 e 37 anos, que fazem parte de meu círculo de amizades.
Amanda,12 25 anos, nascida em Iguatu, Ceará, filha de pais ouvintes que não sabem língua de sinais, apenas a mãe sabe alguns poucos sinais. A surdez foi descoberta aos oito meses de idade; Amanda apresenta perda bilateral profunda. Começou a aprender a língua de sinais com sete anos de idade. Estudou em Escola Especial, atualmente denominada como Escola Bilíngue para Surdos. Concluiu os estudos até o Ensino Médio; nunca repetiu uma série escolar, teve bom aproveitamento em seus estudos. Relata que sempre lê jornais, às vezes lê revistas e consulta dicionários. Não possui o hábito de ler livros como romance, conto, ficção. Tem interesse em sites diversos e matérias na internet. É casada com um ouvinte que sabe língua de sinais; professora de língua de sinais; atualmente se prepara para o ingresso no Ensino Superior.
Fabíola, 37 anos, nascida em São Paulo, filha de pais ouvintes que não sabem língua de sinais, comunicando-se apenas pelo uso da leitura labial. Os pais trabalham como caseiros. A surdez foi descoberta logo após o nascimento pelo fato de a mãe ter tido rubéola na gestação, como consequência apresenta perda bilateral, sendo profunda no ouvido esquerdo e moderada no ouvido direito. Começou a aprender Libras com dois anos de idade. Estudou em Escola Regular sem o auxílio de intérprete de língua de sinais; concluiu os estudos até o Ensino Médio; repetiu duas vezes o 2º ano escolar, alegando ter muitas dificuldades de aprendizagem pelo fato de a professora explicar as matérias enquanto escrevia na lousa, impossibilitando-a de realizar leitura labial. Relata que sempre lê jornais, revistas e livros, romance, conto, ficção; se interessa por sites diversos e matérias da internet. Seu marido é Surdo e usuário de língua de sinais. É profissional de Recursos Humanos, atualmente se prepara para o ingresso no Ensino Superior.
12 Os nomes dos participantes Surdos foram alterados para preservar suas identidades, seguindo
Mário, 36 anos, nascido em São Paulo, filho de pais ouvintes que não sabem língua de sinais; a comunicação entre eles sempre foi estabelecida pela leitura labial. A surdez foi descoberta aos quatro anos de idade, apresenta perda bilateral moderada. Começou a aprender língua de sinais com 19 anos de idade. Estudou em Escola Regular sem o auxílio de intérprete de língua de sinais. Repetiu três vezes o 3º ano escolar, e seu aproveitamento nos estudos foi prejudicado por falta de atenção e estímulo. Concluiu os estudos até o Ensino Médio. Graduou-se no curso de Letras-Libras oferecido pela UFSC. Relata que sempre lê jornais, às vezes lê revistas e consulta dicionários. Raramente possui o hábito de ler livros como romance, conto, ficção. Tem interesse por sites diversos e matérias da internet. É casado com uma Surda usuária de língua de sinais. Professor de língua de sinais, atualmente está no curso de pós-graduação em Libras e Educação de Surdos pelo Grupo Educacional Uninter.
Rogério, o pesquisador ouvinte bilíngue tem 36 anos de idade. Formação superior em Fisioterapia com especialização na área. Iniciou os estudos na área da surdez no início dos anos 2000, atualmente possui especialização em Libras e educação de Surdos; atua como tradutor/intérprete de Libras-Português e Português-Libras em instituição pública federal, Universidade Federal do ABC (UFABC), e em instituições privadas (tanto como tradutor/intérprete como professor de língua de sinais e disciplinas específicas de conversação e técnicas de interpretação em língua de sinais); participa do segmento religioso (evangélico); atua em eventos institucionais, estaduais, municipais; é Presidente do Conselho de Ética e membro da Associação de Profissionais Intérpretes e Guias-Intérpretes de Línguas de Sinais do Estado de São Paulo (APILSBESP). Possui formação em guia- interpretação para surdocegos; é pesquisador da área da surdez; militante da comunidade Surda, defendendo a educação bilíngue para Surdos.
3.2.3 Procedimentos para a Coleta dos Dados
No encontro com os participantes Surdos, com data e horário predeterminados, realizamos entrevistas para colher informações pessoais, preencher fichas de autorização de uso de imagem, seguindo as orientações do Comitê de Ética, e entrevista para a coleta de dados por meio de filmagem. Explicamos os objetivos da pesquisa, os participantes assinaram o termo de consentimento de participação (TCLE) voluntária para a pesquisa; esclarecemos que as imagens seriam utilizadas exclusivamente para fins acadêmicos e seus nomes seriam omitidos nos dados analisados, a fim de preservar suas identidades.
Filmamos oito períodos de aproximadamente vinte minutos cada, com intervalo de dez minutos entre cada período. A filmagem foi feita com uma câmera de vídeo apoiada num tripé, colocada em frente do local da conversa reflexiva, numa posição que filmava os participantes de maneira frontal.
Tema Tempo Cidadania e Democracia 20 minutos 14 minutos Intervalo 10 minutos Repressão 19 minutos 15 minutos Intervalo 10 minutos Manipulação 18 minutos Intervalo 10 minutos Discriminação 20 minutos 19 minutos 13 minutos
Quadro 2: Tema e Tempo desenvolvidos na pesquisa Fonte: O Autor.
3.3 A TRADUÇÃO-INTERPRETAÇÃO E A TRANSCRIÇÃO DOS DADOS EM