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Del I: Grunnlaga for studien

4. Metodologisk grunnlag

4.1. Eit kvalitativt forskingsopplegg

4.1.2. Forskarrolla og språk som kunnskapsmessig tilgang

Durante a administração de Armando de Arruda Pereira, mais precisamente no ano de 1953, os proprietários3 de um terreno com frente para as ruas 7 de Abril

e Bráulio Gomes, vizinhos da Galeria Ipê, contrataram a Construtora Serson Ltda para instalar ali uma nova galeria.

O projeto do engenheiro Saul Renato Serson, contava com uma galeria linear em piso único, com pé-direito de quatro metros e meio. Ao longo dela estariam distribuídas trinta e sete salas divididas proporcionalmente pelo comprimento do terreno, ficando apenas as lojas das extremidades sujeitas a pequenas variações de tamanho ocasionadas pela oscilação na inclinação do lote com área pública. Na parte central da galeria, Serson posicionou o bloco de sanitários feminino e masculino, ventilados e iluminados por um átrio. O memorial tratava o projeto como uma simples “ re fo rma a se r e xe c uta d a e m p ré d io sito na zo na c e ntra l, c o m fre nte p a ra d ua s rua s, b a sta nte ve lho , c o m a p ro xima d a me nte 35 a no s d e uso ” (Me mo ria l d e sc ritivo a p re se nta d o p e la C o nstruto ra Se rso n Ltd a ). Apesar do esforço da construtora e dos investidores em classificar a obra como uma reforma, a arquitetura simples e bastante modesta desse primeiro projeto não foi aceita pelos órgãos municipais que exigiram o cumprimento do ato 1.366 de 1938 (que regula o

Sa ul Re na to Se rso n: Pro je to d e p a ra a G a le ria d a s Arte s, p ro c e sso 190467/ 1953

Jo ã o Se rp a Alb uq ue rq ue : Pro je to G a le ria d a s Arte s, p ro c e sso nº256675/ 1956

1)Pla nta a nd a r tip o ; 2) p la nta g a le ria ; 3) C o rte e sq ue má tic o d a g a le ria ; 4) C o rte g e ra l fo nte : Arq uivo G e ra l Pre fe itura Munic ip a l d e Sã o Pa ulo

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gabarito dos edifícios nas ruas centrais), resultando no arquivamento do processo em 1954, a pedido do vice-prefeito em exercício Porphyrio da Paz.

A atitude da Administração Municipal frente à construção de uma galeria térrea sugere que internamente o poder municipal pretendia exercer um controle sobre as construções no Centro Novo. É preciso lembrar que esses anos foram de singular importância para São Paulo e para a nova área central em processo de afirmação. Aliada ao desejo dos investidores, a Prefeitura atua, através de seu quadro de profissionais responsáveis pela aprovação e correção dos projetos, priorizando o adensamento e a verticalização da área central, ainda que até certo ponto controlados pela legislação em vigor.

Em 1956, um novo projeto foi encaminhado para aprovação, agora, de um edifício composto por uma torre com cinqüenta e três escritórios e quinze lojas na galeria térrea. Para erguer um edifício de tal porte, a família Mello Freire se associou a outros investidores4, incluindo o proprietário da Sociedade Comercial Construtora

S.A., empresa responsável pela construção do novo projeto.

O desenho cuidadoso da galeria e do edifício como um todo, assinado por João Serpa Albuquerque, atendia as exigências do mercado imobiliário para a região e da “boa” arquitetura corrente. O edifício foi organizado em dois blocos, solução recorrente para os casos de terrenos estreitos e com exigência de um alto índice de aproveitamento do solo, como é o caso da maioria desses edifícios.

Ficha técnica

Edifício: Galeria das Artes Localização: rua 7 de Abril, 127

Ano do projeto:1º projeto- 1953 (Saul Renato Serson), 2º projeto-1956 (João Serpa Albuquerque)

Ano da construção: 1956

Autor do projeto: João Serpa Albuquerque

Construtor: Sociedade Comercial Construtora S.A.

Empreendedor: Família Melo Freire, Jocondio Meira de Vasconcellos, Herbert Victor Levy, Heitor Portugal e Rubens Lessa Vergueiro

Número de pavimentos: T + SL+ 13

Uso original: térreo comercial e torre de escritórios Uso atual: térreo comercial e torre de escritórios Situação atual:

Acervo pesquisado: DPH e Arquivo Geral - PMSP Observações:

Um átrio central organiza a distribuição dos dois blocos espelhados - com mesma dimensão e planta - e, além disso, ilumina e ventila a galeria, através de um lanternin. O traçado recortado e simétrico da galeria permitiu a localização das lojas maiores próximas às entradas da galeria e na parte central. Nos pontos de dimensões menores foram distribuídas, estrategicamente, vitrines para exposição dos produtos. Em pontos próximos aos acessos, a circulação vertical foi organizada de forma a construir nos andares superiores um bloco de distribuição para as salas comerciais, por isso a caixa de elevadores foi posicionada em frente à escada e a portaria. Assim, foi possível concentrar o acesso aos blocos, de forma independente em cada um deles e perfeitamente adequada ao conjunto da galeria, sem que isto interferisse em sua dinâmica.

A circulação horizontal, interligando as quadras ganhou ritmo e fluidez com o emprego de ângulos de inclinação direcionando o percurso do pedestre no interior da galeria. A cada passo, as vitrines e lojas vão se abrindo ao olhar, em um conjunto coeso, quebrado apenas pelo tratamento diferenciado dado pelo autor à circulação vertical. Para marcá-la, Albuquerque construiu barras verticais de pastilhas cerâmicas esverdeadas, em toda dimensão do pé-direito, fazendo com que esses

Jo ã o Se rp a Alb uq ue rq ue : Pro je to G a le ria d a s Arte s. Rua 7 d e Ab ril, 127 c / Brá ulio G o me s,107, C e ntro , Sã o Pa ulo ,1956

1)Fa c ha d a p a ra a rua Brá ulio G o me s; 2) Fa c ha d a p a ra a rua 7 d e Ab ril fo nte : Arq uivo G e ra l Pre fe itura Munic ip a l d e Sã o Pa ulo

elementos saltassem visualmente do restante do conjunto. As vitrines e lojas receberam um tratamento homogêneo, resultado do uso de faixas de transparência (vitrines) e faixas opacas (painéis de fechamento das lojas).

Na Galeria das Artes, pela primeira vez, aparece um andar projetado como depósito. Nos projetos anteriores, Galerias Ipê e Guatapará, a preocupação em definir espaços para manutenção e reposição dos estoques das lojas não existia ou não era ainda uma necessidade. Com dimensões superiores às das próprias

Jo ã o Se rp a Alb uq ue rq ue : Pro je to G a le ria d a s Arte s

1)Vista d a g a le ria p a ra o a c e sso à to rre ; 2)C o rre d o r d e d istrib uiç ã o a nd a re s d e e sc ritó ri- o s; 3) Vista d a g a le ria ; 4) De ta lhe e sc a d a ; 5)De ta lhe e sc ritó rio

lojas, os espaço de depósito aparecem como uma inovação nessas galerias, que começam a ganhar dimensões bem mais significativas no espaço urbano.

Completando o projeto, duas torres de escritórios idênticas em planta, mas diferentes quanto ao gabarito. Como a rua 7 de Abril, nesse período, ainda era regulamentada pela lei 1.366, o gabarito da fachada voltada para ela não pode ultrapassar o correspondente a dez pavimentos alinhados com o lote (térreo mais dez andares). A partir deles mais quatro foram propostos, de forma recuada, não ultrapassando os cinqüenta metros limítrofes da lei. O esquema presente na prancha da Prefeitura explica simplificadamente os termos da lei.

O segundo bloco, com frente para a rua Bráulio Gomes, um volume composto por dezesseis pavimentos, com escritórios até o décimo quarto e depósitos e casa de máquinas nos dois últimos; mesmo não estando sujeito a lei 1.366, o que permitiu uma altura maior, ficou sujeito às restrições do Decreto nº 92 de 1941. Esse decreto definia a altura máxima para as ruas centrais, com exceção das referentes à lei 1.366, como sendo de duas vezes e meia a largura da rua para ruas maiores de doze metros. Sendo assim, os dois últimos andares também foram recuados, respeitando as restrições legais.

O pavimento tipo, simetricamente dividido pela circulação vertical, fora pensado com duas salas comerciais, voltadas para a rua e para o vão central. Ambas servidas por blocos de sanitários individuais a cada sala e átrios de ventilação e iluminação para eles. Essa estrutura manteve-se nos dois blocos organizados pelo eixo central que coincidia com o vão central de iluminação. As salas, com aproximadamente noventa metros quadrados cada - um tamanho bem generoso para salas comerciais, eram servidas pela circulação central sem que houvesse a necessidades dos longos corredores de distribuição comuns nos prédios anteriores.

No primeiro andar acima da galeria, uma das salas de cada bloco deu lugar a um conjunto de sanitários específicos para atender os usuários da galeria. O pé- direito também foi reduzido em todo o conjunto, “ o p ro je to a p re se nta d o te m 3.15 me tro s d e p iso a p iso , e q uiva le nte a 3.00 me tro s d e p é d ire ito ma is uma la je no rma l d e 15 c m d e e sp e ssura , julg a mo s e sta r o b e d e c e nd o a o e sp írito d a le i, e mb o ra o p é d ire ito livre se ja d e a p e na s 2.85 m. (...) so me nte a d iminuiç ã o d o p é d ire ito livre , c o nse q u6e nc ia d a a d o ç ã o d e um tip o ma is mo d e rno d e e strutura no q ua l nã o fic a m vig a s a p a re nte s” (C o munic a d o inte rno – a rq uite to 201, e m 20/ 08/ 1956).

As quatro fachadas projetadas por João Serpa Albuquerque (duas voltadas para as ruas 7 de Abril e Bráulio Gomes e duas para o pátio interno) receberiam, em projeto, tratamento idêntico com a presença das lajes marcando os andares e amplas janelas ocupando todo o vão entre elas. A cadência de faixas opacas e translúcidas aparece novamente, provocando um efeito de unidade. Todo o conjunto seria marcado por faixas verticais no encontro com os edifícios lindeiros, bem como definindo a parte superior e inferior da torre.

Mas durante a construção, algo ocorreu e apesar de não encontrarmos relatos sobre o fato, podemos afirmar que a fachada para a rua Bráulio Gomes recebeu um tratamento diferenciado. A opção de Albuquerque por criar um plano solto de vidro vedando essa face do edifício, talvez, possa ser compreendida como a busca em ressaltar a relação entre o edifício e a praça da Biblioteca Mário de Andrade, um lugar aberto que garantiria uma escala melhor para a percepção do edifício. Outros arquitetos já haviam experimentado essa solução projetual como Giancarlo Palanti no projeto de reestruturação da fachada do edifício Conde de Prates, para a Construtora Alfredo Mathias em 1952 e Lucjan Korngold no projeto do edifico Palácio do Comércio, próximo a Galeria.

Em termos técnicos, a laje dos andares foi recuada e um plano de vidro passou a cobrir toda a face do edifício sustentado por caixilhos presos por perfis metálicos a face externa da laje. Com isso, a marcação dos andares foi eliminada e apenas a faixa de pilares e a viga, que definiam a separação entre a galeria e a torre de vidro, permaneceram. Essa pele de vidro salta do conjunto de edifícios da rua Bráulio Gomes, como uma superfície contínua e homogênea em meio a um conjunto de edifícios tão diversificado.

Sem receber tal tratamento, a fachada para a rua 7 de Abril, permaneceu fiel ao projeto original com as lajes marcando o limite do lote horizontalmente e compondo, junto com as faixas laterais dos pilares, os requadros que receberam as janelas em extensão. O destaque desta face do edifício foi dado pela marquise, idêntica a da outra fachada, porém muito mais presente para a rua 7 de Abril.

1)Ma p a Sa ra , 1930 - fo nte : Ac e rvo Ele tro p a ulo , Sã o Pa ulo ; 2)Vô o a é re o d e 1954 - fo nte : Bib lio te c a d a Se c re ta ria d e Pla ne ja me nto , PMSP ; 3)

Ed ifíc io C a lifó rnia - imp la nta ç ã o

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