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Del I: Grunnlaga for studien

4. Metodologisk grunnlag

4.2. To pilotstudiar

4.2.2. Eit SR-intervju

A Galeria Califórnia é sem dúvida, uma relevante influência para as galerias construídas a partir de então. A solução da galeria em “L” resolvendo um problema do lote irregular abriu precedentes para o uso de novas formas de agenciamento das galerias5. Como grande parte dos lotes disponíveis para investimentos eram

bastante “complicados” do ponto de vista tradicional de implantação, a variação proposta por Niemeyer para a galeria possibilitou a utilização de outros lotes fragmentados, terrenos profundos ou estreitos demais, com novos traçados para a galeria e para o edifício. Edifícios como a Galeria Presidente e o Boulevard Centro são exemplos do uso de porções fragmentadas, estreitas e profundas de terrenos provenientes de desmembramentos e pertencentes a diferentes proprietários6.

No caso do Edifício Galeria Califórnia, dois terrenos deram origem ao empreendimento. O primeiro, localizado à rua Barão de Itapetininga pertencia da família de dona Mercedes Dias de Abreu, o segundo, de propriedade do Escritório Roxo Loureiro & Cia Ltda, fica na rua Dom José de Barros. O terreno resultante dessa união, em forma de “L”, não ocupa a parte da esquina, tendo apenas duas frentes menores para as ruas citadas.

O desenho da galeria surgiu das condicionantes do terreno e da sensibilidade de Niemeyer em transformar uma condição desfavorável em um atrativo do projeto. Mas a importância desse edifício, não está apenas na solução de sua galeria, ela abrange também os aspectos administrativos da construção de um

ACESSO RUA BARÃO DE ITAPETININGA ACESSO RUA D. JOSÉ DE BARROS O sc a r Nie me ye r: Pla nta g a le ria , p ro je to nã o c o nstruíd o , mo stra a ra mp a d e a c e sso a o

c ine ma , p ro c e sso nº31813/ 1953 fo nte : DPH, Pre fe itura

Munic ip a l d e Sã o Pa ulo

O sc a r Nie me ye r: Pla nta so b re lo ja , p ro je to nã o

c o nstruíd o , mo stra a ra mp a d e a c e sso a o c ine ma , p ro c e sso

nº31813/ 1953 fo nte : DPH, Pre fe itura Munic ip a l d e Sã o Pa ulo O sc a r Nie me ye r: C o rte lo ng itud ina l, p ro je to nã o c o nstruíd o , mo stra a ra mp a d e a c e sso a o c ine ma ,p ro c e sso nº31813/ 1953 fo nte : DPH, Pre fe itura Munic ip a l d e Sã o Pa ulo

empreendimento de porte, como este. O Edifício e Galeria Califórnia foi o primeiro a ter, legalmente registrada, uma incorporadora - a Companhia Nacional de Investimentos, respondendo pelos proprietários dos terrenos e acompanhando as atividades da Sociedade Comercial e Construtora, que mais uma vez esteve à frente da execução de um edifício na região central.

Até onde pudemos averiguar, a Companhia Nacional de Investimentos tornou- se responsável pelo projeto de Oscar Niemeyer, respondendo por ele junto à Administração Municipal, a partir de 1951. Desse momento em diante, as comunicações administrativas seguem em nome da Companhia, até mesmo o pedido de substituição de plantas de 1953, que introduziu uma série de modificações no projeto.

Lembremos que Oscar Niemeyer, nos primeiros anos da década de 50, estava envolvido com o desenvolvimento de vários projetos para a metrópole paulistana, inclusive o de maior visibilidade no momento, o Parque do Ibirapuera7. Talvez por

isso, tenha deixado que terceiros administrassem o projeto da Galeria Califórnia, interferindo em seu efeito final.

Dentre as alterações propostas no memorial de 1953 temos: 1) nos andares: aumento no número de sanitários com diminuição de sua área; 2) no andar térreo: divisão de duas lojas formando quatro novas lojas, construção de um elevador ligando uma loja à sua sobreloja e ao primeiro pavimento; 3) na cobertura: inclusão de um apartamento para o zelador; 4) nas fachadas: alteração da vista das fachadas, com o uso de um outro modelo de peitoril e brise soleil.

As modificações que mais enfaticamente interferiram na estrutura final do edifício foram às relacionadas ao tratamento das fachadas e dos pilares de sustentação das lajes. No projeto publicado pela Revista Habitat, com data de 1951, a fachada para a rua Barão de Itapetininga, sujeita a insolação, recebeu

brises nos corpo principal do edifício. Os brises estariam apoiados em perfis de

concreto que garantiriam a inclinação das placas em forma de lâminas. Por trás dessa estrutura, planos de vidros em toda a dimensão do pé-direito dos andares de escritório. Os três últimos andares surgem escalonados, respeitando as limitações da legislação quanto à altura. Eles não receberiam brises, pois a própria inclinação do plano de vidro em relação à laje do piso superior possibilitaria certa proteção.

Sustentando o corpo do edifício, pilotis delgados na base próxima ao chão e robustos no encontro com a laje garantiam uma área sombreada, protegendo o

acesso do pedestre à galeria. Além disso, o plano de vidro da fachada das lojas estaria, em projeto, afastado dos pilotis, dando leveza ao conjunto. Todos os pilotis, internos e externos foram pensados com o mesmo tratamento plástico, garantindo a integridade e fácil percepção por parte do pedestre, de todo o conjunto da galeria. A malha estrutural nos andares, porém, era outra. Os pilotis em forma circular, não receberam o mesmo tratamento plástico dado aos da galeria, o que por um lado, facilitou a distribuição das salas e por outro garantiu a diferenciação desses espaços.

Na década de 50, Niemeyer fez várias experimentações com os pilotis. Bruand as discute em um capítulo belíssimo sobre o desenvolvimento das pesquisas estruturais em seu livro Arquitetura Contemporânea no Brasil. Segundo o autor, “ Em Pa m p ulha , Nie m e ye r tinha -se d e d ic a d o re so luta m e nte a no va s p e sq uisa s e strutura is, q ue tinha m sid o tra d uzid a s p e lo na sc ime nto d e vo lume s ino va d o re s e p e la e xp lo ra ç ã o d a g ra nd e ma le a b ilid a d e d o c o nc re to a rma d o . Fa sc ina d o p e la s infinita s p o ssib ilid a d e s q ue p re sse ntia p a ra o ma te ria l ne sse se to r, p ro sse g uiu ne sse c a minho e , d ura nte uns d e z a no s, e ntre g o u-se a múltip lo s jo g o s

O sc a r Nie me ye r:1) Fa c ha d a p a ra a rua Ba rã o d e Ita p e tining a , p ro je to nã o c o nstruíd o , mo stra o b rise d o p ro je to o rig ina l; 2) Vista fa c ha d a inte rna ; 3) p e rp e c tiva inte rna

fo nte : Re vista Arq uite tura

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O sc a r Nie me ye r:1) Vista d a g a le ria p e la rua Ba rã o d e Ita p e tinig a ; 2) Vista d a g a le ria p a ra a rua Ba rã o

fo to s: a uto ra , 2004

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2 1 O sc a r Nie me ye r: Ed ifíc io G a le ria C a lifó rnia . Rua Ba rã o d e Ita p e tinig a ,255 c /

Do m Jo sé d e Ba rro , C e ntro , Sã o Pa ulo .

1) Vista d a fa c ha d a p e la rua Do m Jo sé d e Ba rro ; 2) Vista d a fa c ha d a inte rna p a ra o p á tio

fo rma is b a se a d o s numa sé rie d e suc e ssivo s a c ha d o s. (...) As p e sq uisa s e m q ue stã o b a se ia m-se e sse nc ia lme nte e m d o is e le me nto s fund a me nta is: d e um la d o , p ilo tis, d o o utro , a rc o s e a b ó b a d a s” (BRUAND, 2002, p .152). Pelo menos duas das pesquisas de Niemeyer com os pilotis foram encontradas nesse projeto. A primeira, discutimos no projeto de 1951 e, a segunda veremos a frente.

Sobre a outra face do edifício, para a rua Dom José de Barros, mais uma vez, temos a tripartição da fachada em um embasamento (galeria), o corpo do edifício e o coroamento, com os últimos andares recuados. O tratamento da galeria permanece o mesmo, com os pilotis livres e a vedação das vitrines toda em vidro afastada. Os brises em lâminas foram substituídos por uma grelha quadriculada que salta do plano recuado de vidro. Os quatro últimos pavimentos não foram escalonados como os da rua Barão e sim, recuados por completo marcando um outro plano com mesmo tratamento plástico. Conectando o corpo de escritórios e os andares recuados, um elemento escultural, recortado no concreto como um diagrama de linhas de força, marca a paisagem.

Essa riqueza de detalhes foi perdida no projeto executado. As alterações interferiram na composição final, criando um volume mais simples e economicamente interessante para os empreendedores.

Nota-se que o projeto de 1953 encaminhado à prefeitura pela Companhia Nacional de Investimentos previa a substituição dos brises e peitoris por um tipo mais novo, um indício das simplificações futuras. No entanto, não houve grande interferência no projeto dos andares de escritório e na distribuição das lojas. As alterações no piso da galeria estavam ligadas ao tipo de material empregado no acabamento e na subdivisão de algumas salas maiores, tornando-as menores e aumentando o número de lojas à venda. A mais significativa mudança ficou por conta da eliminação do pilares espacialmente trabalhados por pilares cilíndricos regulares no piso da galeria. Mesmo mantendo alguns desses exemplares, próximos às entradas, o percurso pela galeria perdeu um de seus elementos compositivos mais marcantes, o que empobreceu visualmente o conjunto.

A rampa de acesso ao cinema também ganhou contornos novos, ficando mais estreita e longa, em um único patamar. O projeto anterior previa dois patamares e uma rampa mais curta. De certa forma, a eliminação de uma das lojas voltada para a Barão, aumentou o espaço da rampa e provocou uma transformação no acesso à galeria. É interessante observar que o acesso pela Barão possuiria praticamente o dobro da largura do acesso pela Dom José, o que permitiria um

ganho de área útil para a circulação da galeria e do cinema. Além disso, a presença de uma rampa esguia recortando toda a lateral do lote criou um elemento surpresa e distanciador para a apreciação do painel de Portinari.

Infelizmente, toda a espacialidade do percurso para o cinema foi abalada com a substituição da rampa por uma escada, de mesma largura, porém menor. O painel teve suas dimensões reduzidas e a loja foi novamente recolocada no ponto original. Com isso, a galeria perdeu visibilidade pela rua mais movimentada do Centro Novo e, o acesso ao cinema perdeu, em parte, o seu glamour.

O sc a r Nie me ye r:1) De ta lhe d o s p ilo tis, a o la d o , o a c e sso a o c ine ma ; 2) De ta lhe d o p ilo ti d a g a le ria , p ró ximo a o a c e sso

fo to s: a uto ra , 2004

O sc a r Nie me ye r:1) Vista d a fa c ha d a p e la rua Do m Jo sé d e Ba rro ; 2) Vista d a fa c ha d a p a ra a rua Ba rã o d e Ita p e tining a

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Durante os anos 50 e 60, vários murais artísticos foram executados junto a edifícios símbolos da paisagem paulistana. Essa profusão que Regina Meyer8

chama de “moda muralista” teve seu registro em vários prédios, como o Teatro de Cultura Artística, obra de Rino Levi, com painel de Di Cavalacanti, o edifício do Estado de São Paulo, de Jacques Pilon e Adolf Franz Heep, com outro mural de Di Cavalcanti, ou então o Edifício Triângulo, de Niemeyer e em especial, o Califórnia, com painel de Cândido Portinari. Além de inúmeras obras institucionais e particulares que receberam em seus ambientes de acesso obras de Portinari, Di Cavalvanti, Volpi e Clóvis Graciano, entre outros.

Entre as galerias até esse período, apenas a Califórnia recebera um painel de grande porte de um artista consagrado. Menos conhecido, porém bastante atuante nesse período, o artista plástico Bramante Buffoni realizou muitas intervenções, principalmente em obras de seus conterrâneos, como as de seu amigo italiano Giancarlo Palanti. Provavelmente, por intermédio dele, Buffoni conheceu Alfredo Mathias, para quem realizou anos à frente vários painéis e desenhos de piso em edifícios e galerias construídas por esse empreendedor.

A cidade vinha se alterando nesses anos, os bairros próximos ao centro começavam a perder o aspecto apenas residencial, recebendo cada vez mais

O sc a r Nie me ye r:1) Mura l d e Po rtina ri e m c e râ mic a junto a o a c e sso a o c ine ma ; 2) De ta lhe s d o mura l e a ssina tura Po rtina ri - fo to s: a uto ra , 2004;

3) Pe rp e c tiva d o mura l - fo nte : Re vista Arq uite tura

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O sc a r Nie me ye r: De ta lhe p ilo ti na fa c ha d a p a ra a rua Do m Jo sé d e Ba rro s fo to : a uto ra , 2004

Ficha técnica

Edifício: Galeria Califórnia

Localização: rua Barão de Itapetininga, 255 c/ Dom José de Barros Ano do projeto: 1950

Ano da construção: 1951-1953 Autor do projeto: Oscar Niemeyer

Empreendedor: Mercedes de Abreu, Júlio de Abreu e Companhia Nacional de Investimentos

Número de pavimentos: T + 12 Uso original: comercial e serviços Uso atual: comercial e serviços

Situação atual: bom estado de conservação Técnica construtiva: concreto

Acervo pesquisado: DPH , Arquivo Geral – PMSP, SEMPLA- PMSP Observações: