BYBARNA I FORSKNING OG PLANLEGGING
FORNØYELSE
No ano de 1998 Nahapiet e Ghoshal publicaram um artigo sob o título “Capital Social, Capital Intelectual e a Vantagem da Organização”8, em que enfatizavam o equívoco de certos estudiosos de teorias empresariais por insistirem na sua convicção de que são as capacidade particulares das organizações de criar e compartilhar conhecimentos, o motivo fundamental da vantagem de certas organizações sobre outras no mercado. Para Nahapiet e Ghoshal (1998), os teóricos dessa perspectiva argumentam
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82 que as organizações possuem certos recursos particulares que viabilizam a criação e o compartilhamento de conhecimentos, fato este que lhes garantiria vantagem distintiva com relação a outros arranjos institucionais no mercado.
Diante disto, a proposta dos autores foi desenvolver três argumentos para tais estudos, a fim de apontar aspectos que não haviam sido considerados anteriormente por tais teóricos empresariais. O primeiro é de que o capital social facilita a criação de conhecimentos, ou capital intelectual; o segundo argumento é o de que as organizações com determinadas configurações institucionais são propícias para o desenvolvimento de capital social; e o terceiro baseava-se na afirmação de que é justamente por causa do capital social, que ocorria de forma mais intensa em certas empresas, que é possível se ter uma vantagem sobre os mercados de criação e compartilhamento de capital intelectual. (NAHAPIET & GHOSHAL, 1998).
Mas afinal, como se caracteriza o Capital Social? Qual a sua relação com a governamentalidade neoliberal e o individualismo conectado? Quais os seus efeitos?
O conceito de capital social foi utilizado inicialmente em estudos de comunidade, destacando a importância de relações sociais desenvolvidas para a sobrevivência e o funcionamento de bairros e vizinhanças da cidade. Nestes artigos ressaltava-se que ao longo do tempo tais relações passam a fornecer a base para a confiança, a cooperação e ação coletiva nas comunidades. (JACOBS, 1965).
Sua primeira aparição é atribuída a um artigo publicado em 1916 sob o título de “Rural School Community Center”, em que a autora, Lyda Hanifan, afirmou não utilizar o termo “capital” referindo-se ao sentido em que é aceito e utilizado, mas num sentido figurado. Dessa forma, não se referia a bens imóveis, bens pessoais ou ao dinheiro em si, mas às substâncias tangíveis que para ela são mais importantes para vida cotidiana das pessoas como a boa vontade, amizade, simpatia e a relação social entre indivíduos e famílias de uma unidade social. Assim, Hanifam (1916) ressaltava que o indivíduo solitário é socialmente sem defesa, mas se começar a se relacionar com seus vizinhos, e estes por sua vez com outros vizinhos ocorrerão uma acumulação de capital social que poderá satisfazer suas necessidades sociais e que permitirá buscar uma potencialidade social tal, que facilitará uma melhoria notável nas condições de vida de toda a comunidade.
83 Diversas foram as aplicações e os usos do conceito a partir daí, quase sempre relacionado a fenômenos sociais, sendo que crescentemente passou a ser estudado em sua relação e influência na produção de capital humano, como fez James Coleman (1988), no desempenho econômico das empresas e do mercado de forma geral, tal como Gary Baker (1979; 2000), ou ainda no desenvolvimento de regiões geográficas, como fez Robert Putnam (2006). (NAHAPIET & GHOSHAL, 1998).
Em “Social capital in the creation of human capital”, Coleman (1988) chamou a atenção para a relação do capital social com a educação comparando desempenhos e resultados de escolas católicas e públicas. Para o autor, o capital social constituiria um conjunto de recursos relativos às relações familiares e à organização social, que contribuíam para o desenvolvimento cognitivo, intelectual e social das crianças e adolescentes. Destarte, por um lado, tal como outros tipos de capital, o capital social é também produtivo, já que possibilita atingir propósitos que não seriam alcançados na sua ausência, mas por outro, distingue-se das demais formas de capital na medida em que é inerente a estruturas de relações entre pessoas. Não pode ser atribuído a cada um dos termos, dos indivíduos ou em ferramentas de produção, já que diz respeito à relação entre eles. (COLEMAN, 1988).
Para Coleman (1988), o capital humano é pouco tangível, uma vez que é relativo às habilidades e conhecimentos adquiridos por um indivíduo, mas o capital social é menos tangível ainda, mas se o capital físico e o capital humano facilitam as atividades produtivas, o capital social o faz tão bem quanto. “For example, a group within which there is extensive trustworthiness and extensive trust is able to accomplish much more than a comparable group without that trustworthiness and trust”. (COLEMAN, 1988, p. 104).
Coleman (1988) afirma que todas as formas de relações e organizações sociais podem facilitar diversas variedades de capital social, contudo certos tipos de relações sociais podem ser mais vantajosos para que se consigam formas específicas de capital social. Tais tipos de relações estariam ligadas a normas familiares, de grupos, vizinhanças, opções relacionadas ao local onde se trabalha, onde se reside ou à escola em que as crianças estudam. Sobre tais tipos de relações sociais, mais recentemente, Gary Baker (2000) procurou investigar como mudanças no meio social em que se vive determinam e são determinadas pela forma como indivíduos interagem, a partir de
84 facilidades de locomoção, sensação de segurança no bairro onde residem, condições de acesso e consumo de produtos e confortos.
Contudo, o mesmo autor já se dedicava ainda na década de 1970 a investigar o investimento de tempo dos indivíduos em atividades não relacionadas ao trabalho. Se antes Baker (1976) empenhava-se a investigar o uso do tempo para a educação, treinamento ou outros tipos de capital humano, a partir de seu livro “The Economic Approach to Human Behavior”, passou também a lançar seu olhar sobre todas as outras formas como o sujeito utilizava o tempo, como foi abordado no tópico acima, inclusive no que dizia respeito a sua forma de se comunicar e sociabilizar.
Assim, ao propor em seu artigo que a vantagem da organização em criar e compartilhar conhecimentos não estava estritamente relacionada à organização ou empresa, mas fundamentalmente ligada ao capital social, Nahapiet e Ghoshal (1998), chamavam a atenção para as condições que consideravam fundamentais para a produção de capital intelectual, ou seja, a combinação e a troca. A combinação, por um lado, entre indivíduos de contextos diferentes, com informações e recursos diferentes que, combinados podem ser úteis e vantajosos para todos os envolvidos; e a troca, por outro lado, que é condição indispensável para que se agregue e coloque em uso conhecimentos adquiridos. Ora, tanto uma como outra condição são facilitadas, portanto, quando existem relações de confiança, cooperação e ação coletiva entre os indivíduos de um grupo, organização, associação, rede etc. (GRANOVETTER, 1973).
No caso do Individualismo Conectado, o capital social tem importância fundamental e é intensamente incentivado, contudo o propósito central a ser alcançado é o aumento do capital humano. Ou seja, a finalidade desse esforço por facilitar e incentivar a produção e o compartilhamento de conteúdos diversos é incrementar as habilidades e os conhecimentos individuais para que, como foi visto acima, o indivíduo possa oferecer serviços e informações que, quanto mais raras forem, devido a sua combinação, maiores valores no mercado terão. Assim, um conjunto de estratégias para a ampliação e a intensificação da conectividade entre indivíduos para que consigam compartilhar, criar e obter informações e habilidades que serão únicas a cada um graças à individualização da conectividade que fará com que cada um tenha uma combinação única de capital humano a oferecer, aumentando o valor das atividades daqueles que aumentarem sua conectividade. (GRANOVETTER, 1985; COLEMAN, 1988).
85 No tópico a seguir, será possível identificar as positividades operantes no individualismo conectado atual, e quais os seus efeitos.
86 4.2 CONECTIVIDADES E GOVERNAMENTALIDADE
We can’t go on togheter with suspicious minds. Elvis Presley
Os investimentos e incentivos ao desenvolvimento do mercado de telecomunicações vêm provocando efeitos diversos nas formas de se comunicar e se relacionar desde o início do século XXI. A convergência de serviços e ferramentas vem facilitando e incentivando a ampliação de conectividades entre indivíduos, incrementando cada vez mais possibilidades de acesso, produção e compartilhamento de conteúdos, informações, conhecimentos. (PROULX, 2010).
As redes passaram a se constituir a partir da conexão entre constelações de artefatos técnicos empresariais, domiciliares ou móveis, sejam telefones celulares ou serviços personalizados, computadores portáteis ou de mesa, câmeras fotográficas, aparelhos de TV digital com conexão à internet etc. (PROULX, 2010).
Produtos multifuncionais hibridamente produzidos entre empresas do setor de telecomunicações pululam no mercado, convidando o consumidor a experimentar as atualizações de seus serviços e produtos. Sua publicidade passou a ser cada vez mais conjugada, de tal forma a ser corrente encontrar anúncios de determinadas empresas em que se ressaltam a marca e o produto das empresas com que trabalham conjuntamente.
87 Figura 3: Publicidade da TIM e da Samsung.
Fonte: http://www.tim.com.br
A empresa Samsung vem realizando diversas campanhas publicitárias junto a TIM, conforme a figura acima, de forma a investir na convergência de serviços e produtos. No primeiro semestre de 2012, a área de Tecnologias de Informação (TI) representava 11,5% de todas as fusões realizadas no Brasil, tendo aumentado 8,7% o número de fusões e aquisições, em relação ao mesmo período no ano anterior, dentre 43 atividades econômicas pesquisadas pela KPMG. Neste período foram 50 transações comerciais, o maior volume em um só semestre já contabilizado no Brasil, desde 1994. (PETRY, 2012).
Em 2011, a empresa lançou no mercado uma Câmera Fotográfica Compacta que possui uma função de publicação imediata de fotos em diversas redes sociais, através de uma rede wi-fi, sem que seja necessário passar as fotos para um computador, notebook, smartphone etc., antes de compartilhá-las.
88 Figura 4: Publicidade da Samsung.
Em tais campanhas publicitárias é corrente perceber um conjunto de positividades relacionadas à produção, acesso e publicação de conteúdos diversos em sites, plataformas, microblogs, blogs etc. No que diz respeito aos produtos, ressalta-se a exclusividade dos recursos para conexão, acesso, produção e publicação de informações e conteúdos diversos, fazendo operar positividades relacionadas à busca e aquisição de conhecimentos e habilidades raras. Tal estratégia pode ser percebida em outros segmentos do mercado de telecomunicações, como as redes de TV por assinatura, como a Telecine, que adotou para o ano de 2012 a campanha publicitária “Saia do básico. Assine o melhor do cinema”, remetendo-se também a uma separação entre algo que é raro, exclusivo e algo que é ordinário.
Nesse contexto, de que forma podemos identificar a busca e o alcance de propósitos individuais nas redes sociais? De que modo as conectividades individualizadas operam? E como podemos afirmar que envolvem uma forma de governo de si e dos outros nas redes sociais?
4.2.1 Facebook
Fundado em 2004, o Facebook é um site de rede social que tem como objetivo oferecer maneiras de estabelecer contatos, interagir socialmente, e acessar e compartilhar diversos conteúdos de forma fácil e descontraída. Para utilizá-lo é
89 necessário criar uma conta no site que, segundo os dizeres de sua página de entrada, “é gratuito e sempre será”; fornecendo um endereço de e-mail válido, cadastrando uma senha e alguns dados pessoais, como sexo, idade e nacionalidade. Seus usuários dispõem de um conjunto de maneiras de localizar pessoas de seu interesse a partir de algumas categorias principais, a saber, por região, em redes que estão relacionadas a países ou cidades; por local de estudo, em faculdades ou universidades informadas pelos usuários em seu perfil; e por local de trabalho; através de listas de conhecidos das pessoas a que se está conectado; buscas de pessoas conhecidas ou que possuam perfis e opiniões de interesse do usuário. O site disponibiliza ainda um serviço de localização de contatos de e-mail no Facebook, basta que o usuário forneça o endereço e senha de e- mail para que o site compare e associe seu banco de dados a sua lista de contatos do e- mail. O site de redes sociais disponibiliza ainda o acesso dos usuários a partir de aparelhos móveis, como telefones celulares, de modo que é necessário informar o número do telefone móvel para que o site envie o aplicativo para ser instalado no telefone9.
A conectividade é assim facilitada e incentivada através de aplicativos e serviços do site, que oferecem um instrumental amplo para que cada um administre sua rede. Para que se possa identificar a constituição da rede e de como comporta conexões individualizadas e atende propósitos individuais, apesar da alta conectividade, expressa- se no gráfico a seguir a constituição da rede completa de um usuário do Facebook.
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90 Gráfico 1: Rede de um usuário do Facebook.
Fonte: Facebook/netvizz v0.4
Neste gráfico estão discriminados com as cores azul e vermelho os usuários componentes da rede individual de usuário do site, que possuem ligação entre si. Dessa forma, pode-se perceber uma das principais características do individualismo conectado, que é o fato de que cada indivíduo possui uma rede única, de composição e fluxo de conteúdos únicos e que, desta maneira, não tem acesso ao todo de uma rede, não chega a estar ciente de todos os componentes de uma rede e tampouco de suas escolhas e condutas com relação a outros contatos, conexões. Mapeando os contatos que cada indivíduo tem dentro de uma rede, é possível perceber sua limitação de conexões com relação à rede que participa, assim é inacessível a visualização dos demais contatos que este possui para além desta rede que está representada.
91 Gráfico 2: Conexões do indivíduo 1 componente da Rede.
Fonte: Facebook/netvizz v0.4
É possível perceber na distinção entre conexões de indivíduos, que grande parte destes componentes da rede do usuário não possui contatos em comum, como se pode observar no Gráfico 3.
92 Gráfico 3: Conexões do indivíduo 2 componente da Rede.
Fonte: Facebook/netvizz v0.4
O Facebook disponibiliza ainda aos seus usuários a opção para a criação e participação de comunidades, que são separadas por temáticas e administradas por um ou mais usuários quanto ao conteúdo a ser publicado e ao ingresso de novos usuários. O gráfico a seguir representa a conectividade dos usuários de uma comunidade do Facebook.
93 Gráfico 4: Rede de uma Comunidade do Facebook.
Fonte: Facebook/netvizz v0.4
Pode-se perceber no gráfico seguinte que, mesmo os usuários participantes de comunidades, que expressam um interesse comum, não possuem ou mantém contato com todos os participantes desta. Ainda que todos visualizem e recebam as publicações da comunidade, emitida pelos administradores e demais autorizados a publicar, nem todos mantém ou já estabeleceram contato com os demais membros da comunidade.
94 Gráfico 5: Conexões do membro Y da comunidade.
Fonte: Facebook/netvizz v0.4
A ausência de interesse nos demais participantes da comunidade pode levar um indivíduo a não estabelecer qualquer contato entre estes, tal como é possível perceber no gráfico a seguir.
95 Gráfico 6: Conexões do membro X da comunidade.
Fonte: Facebook/netvizz v0.4
Assim, as conexões estabelecidas através do Facebook, representadas nos gráficos, expressam o modo de funcionamento das conectividades individualizadas e de que maneira conformam o individualismo conectado em sua relação com a governamentalidade neoliberal, ou seja, permitindo que cada indivíduo possua uma rede única, exclusiva, que lhe permita obter recursos, conhecimentos e habilidades raras, que poderão ser utilizadas para fins de concorrência.