4.2 Hvordan fordeler rødlisteartene seg langs ulike gradienter?
4.2.3 Fordeling av rødlistearter etter miljøvariabler
Classicamente, as histórias de vida são construídas a partir de entrevistas qualitativas em profundidade (MASON, 2002; BRYMAN, 2004 apud JAIME; GODOY; ANTONELLO, 2007), no entanto, no que se refere ao uso de entrevistas, vale ressaltar que a entrevista deve ser pensada nessa abordagem metodológica como um evento interativo, uma coprodução, uma atividade dialógica, um desempenho que envolve as atividades de ambos: o entrevistador e o entrevistado (CRAPANZANO, 1984; KOFES, 1994, 2001; CHAMBON, 1995; DAVIS, 2003).
Para Queiroz (1988), a entrevista é a forma mais antiga e mais difundida em termos de coleta de dados orais nas ciências sociais. Em concordância com a autora, Roesch (1999) afirma que o pesquisador recorre ao uso de entrevistas em profundidade, ou relatos dos próprios participantes da pesquisa.
No que concerne à operacionalização da entrevista de história de vida, existem três estágios: (i) o primeiro refere-se ao planejamento da entrevista e tem o objetivo de preparar o pesquisador e permitir a ele que compreenda como e porque a técnica poderá ser benéfica para a pesquisa; (ii) o segundo envolve o processo em si de realização das entrevistas; e (iii) o terceiro representa a transcrição e interpretação propriamente dita dos dados coletados (ATKINSON, 2001). O presente estudo adotou os três estágios sugeridos por Atkinson (2001) e, neste sentido, apresenta, no Quadro 2, a matriz de amarração, onde se pode claramente notar como e porque esta técnica de coleta de dados foi benéfica para a pesquisa, uma vez que tal matriz expressa detalhadamente as questões envolvendo o roteiro de pesquisa e suas conexões com os objetivos específicos deste estudo. Além disso, também se pôde ver o planejamento da pesquisa, apontando quais questões foram feitas a cada entrevista realizada pelo pesquisador.
Analogamente a Atkinson (2001), Bertaux (1997) recomenda que o pesquisador esteja preparado antes de entrar em campo para realizar as entrevistas. O autor sugere que o pesquisador leve com ele um caderno de campo para tomar nota das impressões, encontros e reflexões. Essa sugestão foi corroborada por Closs (2009), que justifica que tal cuidado contribui para não se perder nenhuma informação referente ao contexto da entrevista. Desta forma, neste estudo, foi constituído um caderno de campo logo após cada encontro, de modo que itens como os comentários dos entrevistados, a percepção de sentimentos e demais questões pudessem ser aprofundados em novas entrevistas.
De acordo com Atkinson (2001), a coleta de dados para história de vida envolve a realização de duas a três entrevistas com cada um dos sujeitos investigados. Craid (2011, p. 9), em seu ensaio teórico sobre o uso de história de vida no campo da Administração, explica que isto ocorre porque, “como no primeiro encontro a pergunta a ser adotada é bastante ampla, permitindo que o entrevistado fale livremente sobre sua trajetória de vida, alguns aspectos poderão não ser evidenciados”. Este estudo adotou tais recomendações e estabeleceu dois encontros com cada um dos quatro sujeitos de pesquisa. O primeiro encontro (E1) teve as
seguintes questões amplas: Fale-me, por favor, sobre sua história de vida; Fale-me, por favor, sobre toda a sua trajetória de carreira.
Atkinson (2011) sublinha que, deste modo, nas etapas posteriores, os questionamentos podem variar e durante o processo de entrevista talvez seja necessário adicionar novas questões. Assim sendo, o presente trabalho contemplou um conjunto de outras questões em maior profundidade, elaboradas cuidadosamente para conferir respostas aos objetivos específicos e ao problema de pesquisa, que foram aplicadas no segundo encontro (E2). Os
demais encontros que fossem eventualmente necessários seriam planejados e realizados tendo em vista a investigação de algum ponto relevante ao escopo da pesquisa que porventura não tivesse sido esclarecido ao longo dos dois primeiros encontros ou até mesmo para sanar alguma dúvida que tivesse sido gerada durante o processo de entrevistas.
Com relação à primeira entrevista da história de vida, Mageste e Lopes (2007) recomendam que o sujeito a ser entrevistado seja abordado de forma ampla e aberta e que o pesquisador interfira o mínimo possível, apenas para estimular a fala ou para esclarecer algum ponto relevante. A partir disso, neste estudo adotou-se o cuidado de interferir somente caso fosse necessário, evitando a troca entre o pesquisado e pesquisador já no primeiro encontro; porém isso foi feito de modo a permitir uma escuta atenta, embora não passiva, pois um dos princípios da história de vida é justamente a experiência vivida pelo entrevistado. Queiroz (1988) corrobora tal postura ao afirmar que o pesquisador deve manter-se o mais silencioso possível, sem bruscas intervenções, contudo, não ausente ao processo.
A respeito do roteiro de pesquisa, Queiroz (1983) recomenda atenção para que seja elaborado com cuidado, evitando forçar o entrevistado a falar o que o pesquisador quer ouvir. Por essa razão, no presente trabalho houve preocupação em elaborar questões amplas, de modo que o pesquisado não se sentiu influenciado a responder aquilo que o pesquisador queria ouvir.
Frente à complexidade inerente à realização de história de vida e, embora haja maneiras diferentes de se interpretar e representar as histórias dos pesquisados, Closs (2009) afirma que um aspecto presente em várias pesquisas com esta estratégia é o fato de abrangerem menor número de sujeitos participantes. Craide (2011, p. 9) sublinha que, “ademais, não há um número predeterminado de sujeitos a serem investigados”. Para Spíndola e Santos (2003), a quantidade de relatos deve depender da qualidade das informações obtidas, e a coleta dos depoimentos deve chegar ao fim quando estes começarem a se tornar repetitivos ou não acrescentarem fatos novos aos relatos anteriores. Queiroz (1988) defende que o número de entrevistas deve ser tal que acumule material suficiente para comparações por meio de convergências e divergências.
No presente trabalho buscou-se transcrever cada entrevista à medida que elas foram sendo concluídas, como sugere Closs (2009). Esta atitude demanda a revisão de cada entrevista imediatamente após sua conclusão e, assim como suporta Demartini (1988), favorece verificar se uma nova entrevista com o mesmo sujeito é necessária. Essa tarefa deve ser conciliada, se possível, com a análise das anotações registradas no caderno de campo, aponta o autor. Adicionalmente a isso, pensa-se que o roteiro de pesquisa pode ser sensivelmente ajustado, de modo a contribuir para as entrevistas seguintes, se houver necessidade.
Qualquer discussão sobre participante e local deve incluir os quatro aspectos identificados por Miles e Huberman (1994): (i) o cenário onde a pesquisa ocorrerá – neste trabalho prevaleceu a flexibilidade, visando proporcionar aos entrevistados mais tranquilidade e maior interação com o pesquisador; (ii) os atores que serão entrevistados – neste caso foram quatro executivos negros; (iii) os eventos que o trabalho se propõe investigar – deu-se relevância à história de vida (etapas da formação acadêmica, mudança de cidade, instituições de ensino, fatos relevantes da vida, etc.) e trajetória de carreira (promoções, trocas de emprego, reconhecimentos, etc.) de cada sujeito; e, finalmente, (iv) o processo que representa a natureza evolutiva dos eventos vividos pelos atores dentro do cenário – para tanto foi utilizada a estratégia de história de vida, como já mencionado.
Com isso, o presente estudo se propôs a responder ao seguinte problema de pesquisa: Quais aspectos são percebidos como favoráveis e desfavoráveis por executivos negros ao desenvolvimento de suas próprias trajetórias de carreira? E, como objetivos, temos os seguintes: (i) objetivo geral: investigar os aspectos favoráveis e desfavoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira; (ii) objetivos específicos:
(a) mapear a história de vida dos executivos negros respondentes; (b) mapear práticas e comportamentos inclusivos percebidos por executivos negros nas organizações onde desenvolveram suas trajetórias de carreira; (c) investigar como executivos negros desenvolveram suas próprias trajetórias de carreira; (d) entender como executivos negros percebem a existência de racismo nas organizações onde desenvolveram suas trajetórias de carreira; (e) identificar os aspectos favoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira; (f) identificar os aspectos desfavoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira. O quadro a seguir (Quadro 2), desenvolvido por Hanashiro (2009), permite uma clara visualização do roteiro de entrevistas.
Quadro 2 ‒ Matriz de amarração
Problema de pesquisa: Quais aspectos são percebidos como favoráveis e desfavoráveis por executivos negros ao desenvolvimento de suas próprias trajetórias de carreira? Objetivo geral: Investigar os aspectos favoráveis e desfavoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira
Objetivos específicos (*) Questionário de qualificação das empresasTécnica de coleta de dados Itens do roteiro Técnica de análise de
dados
Questionário* Observação Documentos Entrevistas
(a) mapear a história de vida dos executivos negros respondentes
E1
I- Fale-me, por favor, sobre sua história de vida;
Algumas provocações: antecedentes pessoais, formação, carreira, aspectos relativos à visão de mundo.
Análise de categorização
(b) mapear práticas e comportamentos
inclusivos percebidos por executivos negros nas organizações onde desenvolveram suas trajetórias de carreira
E2
I- Como você se sentia para criar condições que lhe permitissem a inclusão no processo de tomada de decisão da empresa (reuniões, atividades sociais, etc.) ao longo de sua trajetória de carreira? Por quê?
II- A empresa criava um ambiente que contribuía para que você se sentisse incluído, como participação na tomada de decisão, na construção da estratégia, reuniões, eventos sociais, etc.? Por quê? III- Como você avalia o comportamento de seus colegas de trabalho com relação a você?
IV- Que práticas, procedimentos ou comportamentos evidenciados nas organizações onde você atuou, pro-porcionaram-lhe um sentimento de inclusão? Por quê?
V- Que práticas, procedimentos ou comportamentos evidenciados nas organizações onde você atuou, proporcionaram-lhe um sentimento de exclusão? Por quê?
Análise de categorização (c) investigar como executivos negros desenvolveram suas próprias trajetórias de carreira E1
I- Fale-me, por favor, sobre toda a sua trajetória profissional; Algumas provocações: promoções, reconhecimento, formação, carreira, troca de empresa, mercado de trabalho.
Análise de categorização
...continuação Problema de pesquisa: Quais aspectos são percebidos como favoráveis e desfavoráveis por executivos negros ao desenvolvimento de suas próprias trajetórias de carreira? Objetivo geral: Investigar os aspectos favoráveis e desfavoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira.
Objetivos específicos (*) Questionário de qualificação das empresas Técnica de coleta de dados Itens do roteiro Técnica de análise de
dados
Questionário* Observação Documentos Entrevistas
(d) entender como executivos negros percebem a existência de racismo nas organizações onde desenvolveram suas trajetórias de carreira
E2
I- Durante toda a sua trajetória de carreira, você se lembra de ter presenciado alguma atitude racista em alguma das empresas onde você trabalhou? Conte-me, por favor, como se deu tal(is) atitude(s). II- Em sua trajetória de carreira, alguma vez você se lembra de ter sido vítima de alguma atitude racista? Conte-me, por favor, qual foi a situação.
III- Como você avalia o comportamento de seus colegas de trabalho com relação ao racismo? E com relação aos seus líderes?
IV- Até que ponto as práticas, procedimentos ou políticas das organizações onde você trabalhou contribuem para que haja racismo nestas organizações? Por que você pensa assim?
V- Como você avalia a política de consequências com relação a eventuais atitudes racistas presenciadas nas empresas em que você atuou ao longo de sua trajetória de carreira? Poderia me dar algum exemplo? Acredita que tais políticas são aplicáveis a todos os públicos internos?
VI- Nas organizações onde você desenvolveu sua trajetória de carreira era possível identificar vários negros em posição executiva? A que você atribui este fato?
Análise de categorização
...continuação Problema de pesquisa: Quais aspectos são percebidos como favoráveis e desfavoráveis por executivos negros ao desenvolvimento de suas próprias trajetórias de carreira? Objetivo geral: Investigar os aspectos favoráveis e desfavoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira.
Objetivos específicos (*) Questionário de qualificação das empresas Técnica de coleta de dados Itens do roteiro Técnica de análise de
dados
Questionário* Observação Documentos Entrevistas
(e) identificar os aspectos favoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira
E2
I- Durante toda a sua história, que aspectos de sua vida você julga terem sido favoráveis para o desenvolvimento de sua própria trajetória de carreira? Por quê?
II- Que aspectos de sua trajetória de carreira você julga terem sido favoráveis para seu desenvolvimento? Por quê?
III- Até que ponto as organizações onde você trabalhou favoreceram o desenvolvimento de sua trajetória de carreira? IV- Conte-me, por favor, qual evento você considera como sendo o turning point em sua trajetória de carreira?
V- Se você tivesse a chance de voltar ao início de sua trajetória de carreira, o que você não mudaria? Por quê?
VI- Se você fosse convidado a aconselhar um jovem negro que acaba de entrar no mercado de trabalho, o que você diria para que ele pudesse desenvolver uma trajetória de carreira de sucesso?
Análise de categorização
...continuação e conclusão
Problema de pesquisa: Quais aspectos são percebidos como favoráveis e desfavoráveis por executivos negros ao desenvolvimento de suas próprias trajetórias de carreira? Objetivo geral: Investigar os aspectos favoráveis e desfavoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira.
Objetivos específicos (*) Questionário de qualificação das empresas Técnica de coleta de dados Itens do roteiro Técnica de análise de
dados
Questionário* Observação Documentos Entrevistas
(f) identificar os aspectos desfavoráveis percebidos por executivos negros no desenvolvimento de suas trajetórias de carreira E2
I- Durante toda a sua história, que aspectos de sua vida você julga terem sido desfavoráveis para o desenvolvimento de sua própria trajetória de carreira? Por quê?
II- Que aspectos de sua trajetória de carreira você julga terem sido desfavoráveis para seu desenvolvimento? Por quê?
III- Até que ponto as organizações onde você trabalhou desfavoreceram o desenvolvimento de sua trajetória de carreira? IV- Conte-me, por favor, qual evento você considera como sendo a principal barreira ou dificuldade em sua trajetória de carreira? V- Se você tivesse a chance de voltar ao início de sua trajetória de carreira, o que você faria diferente? Por quê?
VI- Se você fosse convidado a aconselhar um jovem negro que acaba de entrar no mercado de trabalho, o que você diria como cuidados a serem tomados no desenvolvimento de uma trajetória de carreira?
Análise de categorização