4.1 Fordeling av kartlagte enger langs ulike gradienter
4.1.2 Fordeling av lokaliteter etter hevd og andre miljøvariabler
Optou-se pela estratégia de pesquisa da história de vida, considerando esta estratégia metodológica favorecedora de estudos em que se busca compreender os significados que os próprios sujeitos de pesquisa constroem acerca de suas próprias experiências. A utilização da história de vida teve berço nas ciências sociais a partir de estudos realizados pela Escola de Chicago nos anos 1920 e conquistou ampla popularidade naquela ocasião. Segundo Denzin (1989), a história de vida seria uma espécie de método biográfico que tem como objetivo apontar o escrito da vida de uma pessoa, com base em entrevistas.
Para Becker (1999), esta estratégia enfatiza a importância às interpretações que as pessoas fazem de sua própria experiência, representando assim, uma explicação para o comportamento. Ou seja, a versão dos fenômenos construída pelos próprios atores sociais tem seu valor. Sendo assim, a história de vida representa uma estratégia metodológica na qual os discursos, as narrativas dos sujeitos, ganham um valor central para a compreensão dos fenômenos sociais (CZARNIAWSKA, 2002; RIESSMAN, 2002). Para Queiroz (1991, p. 6), a história de vida representa “o relato de um narrador sobre sua existência através do tempo, tentando reconstituir os acontecimentos que vivenciou e transmitir a experiência que adquiriu”.
A história de vida se diferencia de outros métodos qualitativos não somente por ter foco no indivíduo, mas sobretudo por exigir um caráter pessoal ao processo de pesquisa, por ter orientação prática e enfatizar a subjetividade, é o que alegam Hatch e Wisniewski (1995).
Esta estratégia metodológica foi alvo de críticas, sendo atacada por pesquisadores adeptos das suposições filosóficas mais hegemônicas, por sua semelhança com textos jornalísticos, e por apresentar resultados vagos, baixa capacidade de generalização e um diálogo insuficiente com a teoria. Becker (1999) observa que a história de vida era considerada pouco confiável, aproximando-se mais da literatura e do jornalismo do que do método científico, como determinavam os ditames positivistas (BECKER, 1999).
Sobretudo a partir dos anos 1980, a história de vida passou a ocupar um lugar de destaque no rol das metodologias qualitativas (FARADAY; PLUMMER, 1979; BERTAUX, 1993; DAVIS, 2003 apud JAIME; GODOY; ANTONELLO, 2007). A construção da sua legitimidade passou, inicialmente, pela apresentação de respostas às críticas a ela endereçadas, mas ainda dentro de um mesmo campo de referências (JAIME; GODOY; ANTONELLO, 2007).
A despeito deste contexto, a história de vida permite captar o que acontece na interseção do individual com o social. Nesse sentido, diversos autores enfatizam que, ao trabalhar com essa abordagem metodológica, é importante que o pesquisador evite aprisionar-se em oposições como microssocial / macrossocial, realidade subjetiva / realidade objetiva, indivíduo / sociedade, agência / estrutura, biografia / história (CRAPANZANO, 1984; KOFES, 1994, 2001; DAVIS, 2003; BOURDIEU, 2004).
Com isso, os autores apontam para uma perspectiva de complementaridade, pois enquanto se conta a história de vida de um sujeito, tratando dos aspectos subjetivos presentes
em suas interpretações, o pesquisador se situa no microssocial e na realidade subjetiva. Porém, quando se aborda os constrangimentos estruturais que se colocam na trajetória desse sujeito, em especial o contexto histórico social (tempo e lugar) no qual se constrói essa trajetória, o pesquisador se situa na dimensão macrossocial e na realidade objetiva (CRAPANZANO, 1984; KOFES, 1994, 2001; DAVIS, 2003; BOURDIEU, 2004). Utilizando estes princípios, o presente estudo pretende complementar a realidade subjetiva da objetiva, manifestando interesse não somente nas interpretações de significados presentes nas narrativas dos sujeitos, bem como estimulando o olhar dos sujeitos para o meio onde ele desenvolveu sua trajetória de carreira.
Sobre as diferentes funções da história de vida, Bertaux (1997) destaca a função exploratória, que tem o propósito de oferecer ao pesquisador uma primeira noção da realidade que, neste momento, ainda não lhe é familiar. A segunda função, segundo o autor, tem caráter analítico e não excludente da primeira função, pois permite ao pesquisador fazer algumas constatações acerca dos dados coletados. Além dessas, a terceira e última função, a qual este autor a considera menos apropriada, é chamada de função expressiva, e renega uma análise mais profunda das histórias de vida, em virtude de se preocupar em transcrever integralmente os relatos.
Denzin (1989) adverte que a vida ou conjunto de experiências de vida é exclusivamente pertencente a cada pessoa, sendo vivida num nível superficial em que reflete as rotinas ou cotidiano da pessoa ou sendo vivida em profundidade, refletindo os valores e sentimentos, que não são visíveis. O autor explica que a história de vida pode pertencer à vida coletiva de um grupo, organização ou comunidade. Com isso, “ao contar sua história de vida, o indivíduo poderá revelar, paralelamente, a história de uma determinada comunidade em que se insere, ou de uma organização para a qual atua” (CRAIDE, 2011, p. 6). Diante disso, pensa-se que a adoção da abordagem de história de vida torna-se pertinente nos estudos sobre trajetória de carreira de negros, uma vez que há forte interação entre a vida do indivíduo investigado e a sua comunidade e ou organização para a qual trabalha.
Jones (1983) defende que a história de vida traz uma contribuição no campo da administração porque ela constitui-se numa das mais adequadas metodologias de pesquisa quando se deseja verificar como as pessoas criam e relatam o mundo social ao seu redor por meio do desenvolvimento de uma estrutura interpretativa da experiência cujos significados são revelados. Para o autor, ela toma como dados de pesquisa os relatos dos indivíduos sobre sua própria vida ou de segmentos específicos de seu mundo social, os quais devem
documentar o relacionamento entre o indivíduo e a realidade social, descrever as formas para esse sujeito interpretar os contextos nos quais sua vida tem sido conduzida e os significados atribuídos à sua participação nesse processo.
De modo análogo, Musson (2004) reafirma que seria um erro entender a história de vida enquanto uma metodologia exclusivamente individualista, pois embora ela tenha como foco as experiências dos indivíduos num período de tempo, também assume que tais vidas movem-se ao longo da história e da estrutura social, podendo, assim, prover um entendimento que se estende além daquela vida para abarcar o contexto mais amplo das organizações, instituições, culturas e sociedades. Tal advertência sugere que o pesquisador, no campo de estudo de Administração, esteja atento às constantes mudanças que ocorrem nas organizações, pois a história de vida pode examinar os significados que as pessoas atribuíram às suas vidas durante períodos caracterizados como de mudanças e transformações no interior das organizações.
Para Musson (2004) e Jones (1983) vários processos e eventos que envolvem os indivíduos e as organizações podem ser estudados usando-se a história de vida, como por exemplo, as questões de pesquisa que tratam de temas como: desenvolvimento de carreira4, comportamentos e ações empreendedoras, processos de socialização e interação social por meio dos quais se constrói determinadas práticas de trabalho e estilos gerenciais.
Ainda de acordo com Musson (2004), embora muito da pesquisa organizacional tenha uma abordagem meramente gerencial, as organizações são compostas por diferentes grupos com vozes que raramente são ouvidas. Assim, é possível pensar que a história de vida pode trazer importantes contribuições quando a preocupação do pesquisador é “ouvir outras vozes”, ou seja, aquelas que representam grupos minoritários e/ou historicamente excluídos das posições de poder e prestígio nas organizações. Este trabalho não traz novidade com relação a abordar grupos gerenciais, mas apresenta um diferencial, quando busca ouvir as vozes de executivos negros, membros de grupos de minoria na sociedade brasileira.
4Interessantes exemplos de pesquisas que estudaram questões relativas ao desenvolvimento de carreira, utilizando como abordagem metodológica a história de vida podem ser encontrados em Rippon (2005), que examinou a carreira de professores, ou Woodall et al. (1995) e O’ Neil e Bilimoria (2005), que focaram a carreira gerencial de um grupo de mulheres (JAIME; GODOY; ANTONELLO, 2007).