7 BEDRIFTERS FORANKRING OG STEDSUTVIKLING
7.3 B EDRIFTERS FORANKRING OG STEDSUTVIKLING
7.3.3 Forankring og stedsutvikling
As ações operacionais da economia brasileira manifestas na Amazônia na década de 1980, estiveram voltadas fundamentalmente para dar respostas a necessidade de legitimação do governo federal, perante alguns grupos economicamente dominantes, assim como diante da população em geral (TOURINHO, 1991).
Estas modificações na economia nacional na década de 1980, adentram a realidade marabaense tendo como elementos transformadores a intensificação da penetração de frentes econômicas de diferentes naturezas e graus de desenvolvimento, alterações na estrutura produtiva e no processo de organização urbana. Podem ser destacados três fatores que tiveram importância para o ingresso dessas frentes e para as transformações operadas na estrutura produtiva e urbana: o Projeto Ferro Carajás e o Programa Grande Carajás, a tentativa de implantação de um pólo siderúrgico e, a descoberta de ouro em Serra Pelada (COELHO, 2005).
No período compreendido entre 1980 e 1990 a cidade de Marabá foi palco de atuação do grande capital, cuja representante maior foi a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que empreendeu à região uma racionalidade empresarial pautada em práticas de controle territorial (COELHO et al., 2002). O Estado dentro do seu papel de gestor do território foi o responsável pela implantação e consolidação da corporação na região, a partir do desenvolvimento de políticas econômicas e demográficas (HÉBETTE, 2004).
Segundo Tourinho (1991) até 1987, seis projetos sídero metalúrgicos já haviam sido aprovados pelo Programa Grande Carajás (PGC) para a região de Marabá; três de ferro-gusa Companhia Siderúrgica do Pará (COSIPAR), Simara Siderúrgica do Pará) (SIMARA) e Better Siderúrgica (BETTER) e três de ferro liga Ferro Ligas do Norte S\A (PROMETAL e COJAN).
Estes projetos segundo Hébette (2004) visavam beneficiar a burocracia governamental, criando novos empregos, novos escritórios, novas repartições públicas entre outros. A implantação desses empreendimentos na sub-região do sudeste do Pará trouxe uma série de mudanças socioespaciais em nível local, devido à implantação de uma racionalidade produtiva baseada na incorporação de novas verticalidades e horizontalidades.
As verticalidades compreendiam as ações diretas do capital internacional e nacional que passaram a alterar o espaço da região, embasando-se nas trocas mediadas pelo capital sob a égide do capital industrial e financeiro. Significava transformar os recursos naturais da região em valores que pudessem ser incorporados ao circuito das trocas monetárias, tornando-se parte integrante da circulação do capital (HÉBETTE, 2004). A materialização destas verticalidades no espaço amazônico ocorreu na forma de construção de infraestrutura de transportes, projetos siderúrgicos e construção de usinas hidrelétricas.
O espaço da cidade de Marabá sofreu um intenso processo de estruturação produtiva, em virtude do estabelecimento de novas verticalidades advindas da implantação do Projeto Ferro Carajás (PFC), que provocou profundas alterações nas relações horizontais existentes no espaço marabaense, fruto da imposição de arranjos organizacionais exógenos ao respectivo território (RODRIGUES, 2010).
As horizontalidades associam-se a manifestação destes processos na forma como a cidade passa a estruturar seus espaços físicos, a forma como a sociedade passa a se organizar e em como as atividades econômicas se inserem como elemento de transformação e reflexo destes processos. As manifestações das horizontalidades na cidade de Marabá, se manifestaram sobretudo, pelo conjunto de financiamentos de crédito: o crédito para à construção habitacional e o credito rural para o campo (HÉBETTE, 2004).
Marabá recebeu neste momento conjuntos residenciais financiados pelo Banco Nacional de Habitação (BNH), que estiveram associados, principalmente a transferência da cidade e a multiplicação em torno do centro das lojas de materiais de construção, enquanto os créditos rurais, implantados através do Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (POLAMAZÔNIA), contemplaram mais os interesses capitalistas do que dos camponeses, pois comtemplavam a compra de insumos modernos, motosserras, tratores e implementos (HÉBETTE, 2004, p. 65)
A descoberta de uma grande reserva de ouro em Serra Pelada no ano de 1979, teve influência direta na cidade de Marabá, pela proximidade da região, que servia de núcleo de apoio para provimento de produtos e serviços, além de ser o local por onde se escoavam parte dos lucros. Outro fator importante era a proibição de mulheres no garimpo, que perdurou até o ano 1986, o que fez com que muitas das famílias dos garimpeiros se instalassem no núcleo urbano de Marabá, fato que
ampliou em muito a demanda por lotes, serviços e equipamentos urbanos na região (TOURINHO, 1991).
Segundo Hébette (2004, p, 69), os garimpos têm proporcionado uma fonte importante de emprego na Amazônia, as jazidas minerais têm se tornado campos de luta entre o capital e o trabalho, porém a resistência em Serra Pelada é grande estando associada, a interesses de capitais médios, na figura de médicos, advogados, comerciantes e professores, empresários ou profissionais liberais da região. O que leva grande parte dos lucros serem reinvestidos na cidade onde estes grupos sociais estão inseridos.
Todos esses processos estão diretamente associados ao crescimento populacional pelo qual a cidade de Marabá vai passar na década de 1980. Da década de 1970 para 1980 a população do município Marabá cresce 144,81% passando de 24.474 habitantes para 59.915 (IBGE, 1980). A proporção da população rural e urbana sofreu poucas alterações. Em 1970 a população rural perfazia 40% do total de habitantes (9.889) enquanto a urbana totalizava 60% (14.585). Na década de 1980 apesar do crescimento da população urbana, esta perfazia 70% do total de habitantes (41.657) enquanto a rural contabilizava 30% (18.258) (IBGE, 1980).
Além disso, o processo de modernização do território empreendido pelos grandes projetos contribuiu para o desenvolvimento de uma lógica de regulação do território imposto pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), uma vez que os ritmos das atividades produtivas de comércio e serviço estavam diretamente e indiretamente relacionadas aos interesses empresariais. Fato esse, que pode ser verificado quando analisamos os dados dos setores de dependência do município de Marabá. O emprego nas atividades agropecuárias e extrativistas no ano de 1980 cai 27,8% em relação a 1970, porém, as atividades industriais cresceram passando de 14,7% na década de 1970, para 25,6% em 1980 (IBGE, 1980). O comércio de mercadorias também apresentou crescimento, totalizando 10,5%; o emprego na prestação de serviço passou de 10,6% em 1970 para 14,4% em 1980. As demais atividades também cresceram, o emprego nas atividades de transporte, comunicação e armazenagem totalizou 6,1%, enquanto o emprego nas atividades sociais 4,5% e na administração pública totalizou 4,9%, com um crescimento de 4% em relação a 1970 (Gráfico 18) (IBGE, 1980).
Gráfico 18- Setores de atividade de dependência no município Marabá – 1980
Fonte: Elaborado pela autora segundo os dados do IBGE.
Não obstante, as paisagens urbanas da cidade de Marabá em 1980, revelam intensas contradições entre os centros dos núcleos urbanos dotados de serviços urbanos, como saneamento básico, redes de energia elétrica, distribuição de água e, as áreas periféricas da cidade dotadas de quase nenhuma infraestrutura urbana (YOSHIOKA, 1986). O abastecimento de água nos domicílios atendidos na década de 1980, não ocorre de forma a abranger a totalidade: somente 31,1% (3,433) das residências são abastecidas por rede geral, 54,1% (5.980) por poço ou nascente e 14,6% (1.613) por outra forma de abastecimento (IBGE, 1980).
Com relação aos domicílios atendidos por esgotamento sanitário os dados são ainda piores. Dos domicílios atendidos 63,6% apresentam algum tipo de esgotamento sanitário. Desses nenhum domicilio apresenta rede geral de esgoto, 14,1% (1.561) possuem fossa séptica, 46% (5.080) possuem fossa rudimentar e 3,6% (394) apresentam outra forma de esgotamento. No ano de 1980 somente 41,4% dos domicílios eram atendidos por iluminação pública, número muito baixo em se tratando da importância que o município de Marabá já apresentava frente à rede urbana do sudeste do estado do Pará (IBGE, 1980).
O crescimento das áreas dos núcleos da cidade de Marabá para o ano de 1980 totalizou 23,64 quilômetros quadrados, um total de 17% do crescimento acumulado até o ano de 2015 (Gráfico 19).
Gráfico 19- Crescimento da Mancha urbana de Marabá por décadas
Fonte: Elaborada pela autora, segundo dados da evolução da mancha urbana
O ápice do crescimento da mancha urbana da cidade de Marabá ocorreu no ano de 1987, com 3,16 quilômetros quadrados, estando os anos de 1986 e 1989 com os menores crescimentos, respectivamente 1,20 quilômetros quadrados e 0,94 quilômetros quadrados (Gráfico 20).
Gráfico 20- Crescimento da mancha urbana da cidade de Marabá na década de 1980
Fonte: Elaborada pela autora segundo os dados da expansão da mancha urbana.
Fonte: Elaborada pela autora segundo resultado dos dados da evolução da mancha urbana
Nova Marabá foi o núcleo urbano que obteve o maior crescimento na década de 1980, com 53% do total, seguido do núcleo Cidade Nova com 22%, São Félix com 13%, industrial com 9% e Morada Nova com o menor índice de crescimento 3% (Gráfico 21).
As altas taxas de crescimento do núcleo urbano Nova Marabá, estão associadas a sua implantação que teve seu início no final da década de 1970, prosseguindo ao longo da década de 1980. Seu processo de implantação esteve associado, ao impacto da última enchente pelo qual a cidade havia passado, assim como, pelo grande fluxo de migrantes que se deslocavam para a cidade de Marabá (TOURINHO, 1991), expropriados dos projetos de colonização ou das áreas de construção dos grandes projetos minerais e hidrelétricos (HÉBETTE, 2004)
Gráfico 21- Percentual das áreas ocupadas na cidade de Marabá de 1985 – 1989
Fonte: Elaborado pela autora segundo resultado dos dados da evolução da mancha urbana.
Os dados de expansão da mancha urbana da cidade de Marabá para a década de 1980 refletem o processo de consolidação do núcleo urbano Nova Marabá (Mapa 05), quando apresenta suas maiores áreas de expansão com 12,51 km2, com sua maior área acrescida no ano de 1984, com 9,33 km2 (Tabela 18).
Tabela 18- Evolução da mancha urbana – Núcleo Nova Marabá (1984-1989)
Ano Zona Área (Km²)
1973 Nova Marabá 2,4484 1984 Nova Marabá 9,3349 1985 Nova Marabá 1,2259 1986 Nova Marabá 1,1098 1987 Nova Marabá 0,4773 1988 Nova Marabá 0,1763 1989 Nova Marabá 0,1951 Total 14,9678
O crescimento dos demais núcleos urbanos não foram muito significativos, o
núcleo Morada Nova cresceu 0,80 Km2 (Tabela 19), seguido do Núcleo Zona Industrial com 2,02 Km2 (Tabela 20) e do Núcleo São Felix com 3,12 km2 (Tabela 21).
Tabela 19- Evolução da mancha urbana – Núcleo Morada Nova (1984-1988)
Ano Zona Área (Km²)
1984
Morada
Nova 0,5419
1988 Morada Nova 0,2603
Total 0,8021
Fonte: Elaborada pela autora, segundo mosaico de imagens Landsat
Tabela 20- Evolução da mancha urbana – Núcleo Zona Industrial (1987-1989)
Ano Zona Área (Km²)
1987 Industrial 1,2569
1988 Industrial 0,2547
1989 Industrial 0,5175
Total 2,0291
Fonte: Elaborada pela autora, segundo mosaico de imagens Landsat
Tabela 21- Evolução da mancha urbana – Núcleo São Félix (1984-1988)
Ano Zona Área (Km²)
1984 São Felix 0,9681
1987 São Felix 1,2976
1988 São Felix 0,8552
Total 3,1208
Fonte: Elaborada pela autora, segundo mosaico de imagens Landsat
Todo o processo de atuação do grande capital na cidade de Marabá promoveu mudanças relacionadas à centralidade da cidade, que se constituiu como “pólo Industrial” da sub-região do sudeste paraense, fortalecendo a sua condição de centro regional (YOSHIOKA, 1986; TOURINHO, 1991). Este processo encontrava-se ainda em vias de implantação, seus reflexos no crescimento da cidade ainda não eram visíveis, tanto é que as áreas destinadas para a implantação dos Núcleos industriais apresentaram um crescimento muito pouco expressivo (Tabela 20 e Gráfico 21).