3 METODISK TEORI OG GJENNOMFØRING
3.4 D EN KVALITATIVT ORIENTERTE DELEN AV UNDERSØKELSEN
A forma foi tratada como forma-conteúdo7, para que se consiga ir além da mudança no desenho da cidade, buscou-se entender como os diferentes processos pelos quais as cidades passaram, influenciaram na forma que as mesmas assumiram em virtude dos conteúdos sociais a que foram submetidas, dentro de uma análise dialética. A análise da forma a partir dos conteúdos consiste em um esforço no sentido de não a considerar por si só, e não corrermos o risco de uma análise da forma pela forma.
7 Como as formas geográficas contem frações do social, elas são apenas formas, mas formas-
conteúdo. Por isso, estão sempre mudando de significação, na medida em que o movimento social lhes atribui, a cada momento frações diferentes do todo social (SANTOS, 2008b, p. 12).
A análise da forma como desenho urbano, ocorreu a partir da expansão da mancha urbana interpretada a partir das imagens do satélite Landsat, construindo um conjunto de dados espaciais registrados e quantificados segundo as unidades de área expandidas a cada nova imagem mais recente.
A escolha dessa fonte de informação fez-se por apresentar o maior espaço temporal disponível, apesar da média resolução espacial permitida por estas imagens. Assim, a escala temporal disponibilizada foi de pelo menos 30 anos. Outras fontes como imagens de alta resolução espacial que recobriam parcialmente as cidades foram obtidas, porém, abarcavam apenas dois momentos distintos destas cidades.
Estas imagens foram obtidas no sítio eletrônico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de forma gratuita, na cidade de Porto Velho o recorte foi a partir da década de 1976, no caso da cidade de Marabá existe um vazio de imagens Landsat entre os anos de 1973 e 1984, sendo assim foi utilizado como ponto inicial para análise o ano de 1984, a partir do qual passa-se a ter uma disponibilidade anual de imagens.
As imagens que foram utilizadas para analisar a evolução e o comportamento da mancha urbana das cidades em questão em um período de no mínimo 30 anos estão dispostas no quadro abaixo:
Quadro 1- Imagens utilizadas na evolução da mancha urbana Satélite Ano Resolução Porto Velho Marabá
Landsat1 MSS 1973 80 m 04/08/1973 Landsat1 MSS 1976 80 m 17/06/1976 Landsat3 MSS 1978 80 m 30/06/1978 Landsat2 MSS 1980 80 m 08/09/1980 Landsat2 MSS 1981 80 m 12/04/1981 Landsat5 TM 1984 30 m 24/06/1984 27/07/1984 Landsat5 TM 1985 30 m 13/07/1985 30/07/1985 Landsat5 TM 1986 30 m 02/08/1986 Landsat5 TM 1987 30 m 03/07/1987 04/07/1987 Landsat5 TM 1988 30 m 05/07/1988 06/07/1988 Landsat5 TM 1989 30 m 23/06/1989 Landsat5 TM 1990 30 m 12/08/1990 10/06/1990 Landsat5 TM 1991 30 m 16/08/1991 Landsat5 TM 1992 30 m 01/08/1992 02/08/1992 Landsat5 TM 1993 30 m 20/07/1993 Landsat5 TM 1994 30 m 04/06/1994 23/07/1994 Landsat5 TM 1995 30 m 26/07/1995 Landsat5 TM 1996 30 m 25/06/1996 28/07/1996
Landsat5 TM 1997 30 m 28/05/1997 Landsat5 TM 1998 30 m 17/07/1998 02/07/1998 Landsat5 TM 1999 30 m 05/07/1999 Landsat5 TM 2000 30 m 06/07/2000 07/07/2000 Landsat5 TM 2001 30 m 26/07/2001 Landsat5 TM 2003 30 m 16/07/2003 Landsat5 TM 2004 30 m 06/11/2004 16/06/2004 Landsat5 TM 2005 30 m 04/07/2005 03/06/2005 Landsat5 TM 2006 30 m 08/08/2006 22/06/2006 Landsat5 TM 2007 30 m 25/06/2007 Landsat5 TM 2008 30 m 28/07/2008 14/08/2008 Landsat5 TM 2009 30m 02/09/2009 Landsat5 TM 2010 30m 05/09/2010 Landsat5 TM 2011 30m 05/07/2011 07/08/2011 Landsat8 OLI 2013 30m 26/07/2013 11/07/2013 Landsat8 OLI 2014 30m 11/06/2014 12/06/2014 Landsat8 OLI 2015 30m 16/07/2015 18/08/2015
Fonte: Elaborada pela autora segundo mosaico georeferenciado de imagens Landsat.
As imagens foram reunidas em um Sistema de Informações Geográficas8 (SIG) e dentro dele devidamente registradas, permitindo assim a comparação direta entre os diferentes anos. Dessa forma, cada imagem constituiu uma camada temporal a ser interpretada.
A interpretação considerou o método de interpretação da cobertura da terra onde se inclui os materiais biofísicos encontrados sobre a superfície terrestre (JENSEN, 2009). Para interpretação da cobertura da terra foi utilizado o Nível I do sistema de classificação de uso/cobertura da terra da United States Geological Survey (USGS) que, segundo JENSEN (2009), podem ser efetivamente inventariadas usando-se sensores com resolução espacial nominal entre 20 e 100 metros como o Landsat Multiespectral Scanner (MSS) e o Thematic Mapper (TM).
O Nível I do sistema de classificação da USGS considera a classe “Solo urbano ou construído” os seguintes elementos: residencial, comercial e serviços, industrial, transporte, comunicação e infraestrutura, complexos industriais e
8Os SIG correspondem às ferramentas computacionais de Geoprocessamento, que permitem a
realização de “análises complexas, ao integrar dados de diversas fontes e ao criar bancos de
dados georreferenciados” (Câmara et al., 2005). Para Aronoff (1989), os SIG, projetados para a
entrada, o gerenciamento (armazenamento e recuperação), a análise e a saída de dados, devem ser utilizados em estudos nos quais a localização geográfica seja uma questão fundamental na análise, apresentando, assim, potencial para serem utilizados nas mais diversas aplicações. Burrough (1986) considera que estes sistemas não apresentam apenas a função de manipulação de dados geográficos, mas, dentro de um SIG, os dados estruturados representam um modelo do mundo real.
comerciais, uso urbano ou construído misto, outros usos do solo urbano ou construído.
Considerando a classe de solo urbano realizou-se a interpretação da mancha de expansão urbana, ou simplesmente mancha urbana. No caso da Amazônia pode-se considerar na expansão da mancha urbana os seguintes elementos de alteração da cobertura da terra: abertura de ruas, loteamentos habitacionais, criação de praças e parques públicos, construção de prédios, aberturas de áreas industriais, instalação de instituições públicas (universidades) e expansão de serviços públicos.
Esta única classe foi interpretada diretamente sobre as imagens de satélite. A camada de interpretação vetorial foi extraída a partir da comparação de uma imagem com a imagem do ano subsequente e assim estabelecido o polígono de expansão da mancha urbana como mostra a figura 3.
Figura 3- Comparação da mesma área em duas imagens e vetores resultantes da
interpretação da expansão da mancha urbana
Fonte: Elaborada pela autora, segundo recorte de imagem Landsat.
Após a leitura de todos os anos disponíveis para as duas cidades, obteve-se uma camada vetorial com os polígonos de expansão da mancha urbana de toda a
cidade e seus respectivos anos. Desta camada realizou-se a soma das áreas segundo os recortes espaciais utilizados nos planos diretores.
A divisão da expansão da mancha urbana das cidades se dará a partir de um agrupamento dos bairros em zonas no caso de Porto Velho, em Marabá a divisão ocorrerá a partir do agrupamento dos bairros segundo seus perímetros urbanos, seguindo as especificações apresentadas pelos planos diretores.
O perímetro urbano consiste na fronteira que separa a área urbana da área rural no território de um município, estabelecido pela lei n. 10.257 de 10 de julho de 2001, que em seu artigo 39 estabelece que todo município deve possuir a própria lei do perímetro urbano.
Está divisão é realizada pelos municípios, onde somente em terrenos localizados dentro deste perímetro podem receber o parcelamento do solo pelo poder público, afim de atender os interesses de seus moradores.
A propriedade urbana, neste caso deve cumprir sua função quando atende as exigências fundamentais de ordenação da cidade expressa no plano diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas.
Dentro deste perímetro a administração municipal é responsável pelos serviços urbanos (coleta de resíduos, tratamento de esgoto, distribuição de água...), sendo lícito cobrar as taxas correspondentes e arrecadar os impostos sobre propriedades, por exemplo o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Em Porto Velho (RO) a mancha urbana foi quantificada levando em consideração a divisão do perímetro urbano em: Zona Central, Zona Sul, Zona Norte e Zona Leste (Mapa 1).