Até a Revolução Francesa, a língua não legitimava uma sociedade, logo falava francês aquele que era súdito do rei. Todavia, com a Revolução Francesa, surgem os movimentos nacionalistas e, nas palavras de Claude Hagège, “... o patriotismo torna-se a nova religião”23. Esse sentimento estendeu-se ao campo lingüístico, permitindo que a língua exercesse papel crucial durante esse período. A idéia de nação moderna e de língua nacional, tal como a concebemos nos dias de hoje, aparece somente com a
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O conceito de língua nacional será esclarecido no próximo tópico. Ainda neste tópico, colocarei em evidência como tal idéia teve repercussão no Brasil.
Revolução e passa, desde então, a ser essencial para a efetiva distribuição dos direitos democráticos e republicanos.
Trata-se não mais da língua da corte, mas sim da “língua da liberdade, da igualdade e da fraternidade”. O problema era a grande diversidade de dialetos presentes na França, o que deixava a situação lingüística do país bastante heterogênea. Era preciso adotar uma língua nacional, uma vez que os diferentes “patois” não contribuíam para uniformizar a nação. Assim, verifica-se que um dos princípios da revolução era a imposição da língua francesa sobre os dialetos locais a fim de contribuir para a unificação da nação. O período em questão é marcado por uma transformação radical no âmbito lingüístico e os grandes responsáveis pela divulgação desse novo ideal foram o abade Gregoire e o deputado Barrère. Estes, responsáveis pela elaboração de relatórios que denunciavam os diferentes falares locais24, o fazem apoiados na crença de que somente a “língua pura” daria igualdade aos cidadãos.
Parece-me interessante citar aqui as palavras de Barrère para ficar esclarecido como o período em questão é extremamente significativo, pois, pela primeira vez, a associação língua e identidade é estabelecida. Ao criticar o regime anterior, o autor sustenta:
“A monarquia tinha motivos para parecer-se com a torre de Babel; na democracia, deixar os cidadãos ignorantes da língua nacional, era trair a pátria. O francês torna-se a língua universal, sendo a língua dos povos. Tendo a honra de servir à Déclaration des Droits de l’homme, ele deve ser a língua de todos os
24 Os autores citados foram os responsáveis pelos famosos relatórios apresentados na tribuna da
Convenção Nacional. Sob os títulos de “Rapport du comité de salut public sur les idiomes (8 pluviose an 2)” e “Rapport sur la nécessité et les moyens d’anéantir les patois et d’universaliser l’usage de la langue française”, os respectivos autores, Barrère e Gregoire, conseguem mudar o “Comité d’instruction publique” e, a partir de então, tem-se uma nova gramática da língua e é enviado a cada região onde se falava qualquer outro idioma que não fosse o francês um professor de língua francesa. Assim, no período conhecido por La Terreur, os relatórios contribuem para a instabilidade e caos provocados por uma série
franceses. (…) Em um povo livre, a língua deve ser uma e a mesma para todos.” 25
Nesse sentido, podemos dizer que, no final do século XVIII, com a célebre “Queda da Bastilha”, começa a imperar uma profunda transformação no que concerne a visão política dos franceses. O povo passa a se identificar diretamente com o Estado e isso explica o início de uma fase que ganha força no século seguinte. Segundo Stuart Hall, o conceito de cultura, concebido como identidade nacional, foi difundido pela tendência romântica do século XIX.
« O conceito de cultura funciona mais ou menos como um eufemismo da palavra raça. Alguns acreditam até que essa sinonímia (contestável) dos dois termos já estava inscrita na idéia de cultura desenvolvida pelos pensadores românticos do século XIX. » 26
A Revolução despertou esperanças, entretanto ela produziu decepções. No período que se convencionou chamar de “mal du siècle”, os poetas, marcados por uma profunda crise existencial, se sentem decepcionados, pois a busca pelo sentido da vida, por influência dos filósofos do século anterior, não se concretiza. Essa problemática dá origem ao romantismo francês, estilo literário que tem como objeto central o indivíduo com seus sentimentos. O princípio da subjetividade evidencia um sujeito em busca de sua identidade. Assim, tentou-se recuperar o patrimônio cultural francês e propagou-se o conceito de língua como identidade da nação.
25 APUD HAGÈGE, p. 83 e 84.
26 Hall, Stuart. A identidade cultural na pós modernidade; tradução Tomaz Tadeu da Silva – Rio de
Nesse sentido, analisando o contexto brasileiro do final do século XVIII e início do século XIX, percebemos a marcante presença da França na história do período. Os princípios revolucionários franceses chegam à colônia portuguesa e estimulam os movimentos separatistas brasileiros. Segundo o historiador Luis Villalta27, as bibliotecas de colégios eram proibidas, entretanto muitos eram os livreiros em atividade e, com isso, existiam muitas bibliotecas particulares e seus acervos eram, em grande maioria, em francês. O historiador acrescenta que os vários intelectuais envolvidos na Conspiração de 1789 possuíam acervos particulares. “José de Alvarenga, por exemplo, tinha 17 livros, Tomás Antônio Gonzaga 83 e Cláudio Manoel da Costa 383. Já o cônego Luis Vieira da Silva possuía cerca de 800 volumes”.
Nota-se, assim, a familiaridade de muitos intelectuais brasileiros com a língua francesa já no século XVIII. Os jovens pertencentes às elites locais deveriam obrigatoriamente fazer estada em Portugal ou em Paris para, dessa forma, se ter uma educação qualificada e, de retorno, serviam de intermediários culturais. Outro exemplo que revela como a língua e a inspiração francesa estavam presentes entre nós é o movimento conhecido como Conjuração Baiana de 1798. E, como nos diz João Pimenta, professor da USP, “o que já era suficiente para fazer o fantasma francês assombrar o governo local (...) adjetivos como “afrancesado” ou “jacobino” passam a ser utilizados para desqualificar pessoas acusadas de delitos de todo tipo.”28 As
autoridades do Império Português passam a averiguar e punir aqueles que possuíam bibliotecas particulares nas quais obras francesas se faziam presentes. A censura frente aos escritos de Voltaire e Rousseau era abertamente divulgada. Muitos documentos ligados a acontecimentos da Revolução foram apreendidos, pois eles representavam possibilidades de mudança política.
Com a abertura dos portos em 1808, a Inglaterra passa a dominar a economia brasileira. Esse tratado comercial com a Inglaterra faz Portugal perder sua independência econômica. Entretanto, o francófilo diplomata português, conhecido por conde da Barca, acreditou que a cultura francesa poderia servir de “consolo” diante da forte atuação do comercio inglês e, por isso, tem a iniciativa de chamar um grupo de intelectuais franceses para enriquecer a capital portuguesa. “Se à Inglaterra coube dominar por mais de cem anos a economia brasileira, à França caberá essa primeira colonização cultural”.29
Embora seja contraditório, visto que esta atuação muito contribuiu para a nossa independência, de fato, a vinda da Missão Francesa em 1816 deixou marcas significativas na vida cultural brasileira. A fundação da Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro e os seus ensinamentos neoclássicos tiveram forte influência sobre nós e a escola literária romântica francesa serviu de modelo aos escritores brasileiros. Alguns escritores, influenciados pela necessidade de glorificar a nação, tentam valorizar a língua nacional. José de Alencar, por exemplo, defensor de uma língua brasileira, acreditava que a mistura da tradição européia com a cultura indígena constituía a base étnica da nação brasileira. Em artigo intitulado “A comédia brasileira”, o escritor afirma:
“Não achando pois na nossa literatura um modelo, fui buscá-lo no país mais adiantado em civilização, e cujo espírito tanto se harmoniza com a sociedade brasileira: na França.”
Em Triste fim de Policarpo Quaresma a mesma relação é apontada. Essa construção de uma língua única como instrumento de identificação nacional era a crença do personagem criado por Lima Barreto. Quaresma, patriota fervoroso, considerava o tupi-guarani a verdadeira expressão nacional. Este chegou a ser internado em um
hospício, ao tentar fazer do tupi a “língua oficial e nacional” do povo brasileiro. Assim, verificamos como a idéia de unidade nacional alicerçada numa língua idealizada pura e única se faz presente no imaginário brasileiro.
O período que corresponde ao romantismo na literatura é, segundo Leila Perrone- Moisés, o mais idílico nas relações entre os dois países. O grande interesse em relação ao novo fez com que muitos escritores brasileiros se avolumassem com imitações servis. O que não acontece com autores como Machado de Assis, Lima Barreto e José de Alencar, visto que estes, ainda que muito influenciados pela tradição literária proveniente da França, souberam retirar de grandes autores franceses aquilo que permitia desenvolver as potencialidades brasileiras.
Ao fazer um estudo panorâmico da imagem da França na cultura brasileira, Leila Perrone-Moisés chama a atenção para as muitas rejeições em busca de uma identidade nacional. Assim, ela comenta que « cada momento de forte influência francesa é igualmente recusa dessa influência, por parte da intellegentzia brasileira. »30 A pesquisadora nos mostra que as relações culturais não são tão passíveis de aceitação como é afirmado habitualmente e, como é sabido, os ilustres poetas brasileiros souberam adaptar os modelos franceses aos nossos padrões socioculturais.
Um outro exemplo muito interessante, para nosso tema, é o personagem Rubião do romance Quincas Borba. Este, ao enlouquecer, acredita ser o imperador francês Napoleão III. Eis aqui mais um exemplo de nossa admiração desmedida pela cultura francesa.
Apoiando-me na idéia de que a associação língua e cultura é proveniente da França pós-revolucionária, período em que, dentre os diversos fatos que transformaram a visão política do mundo ocidental, o conceito de língua como expressão individual é
substituído pelo de língua expressão de uma coletividade que constitui uma identidade nacional, busquei como essa idéia foi transferida para o imaginário dos brasileiros. Assim, tomando por fonte os textos já citados acima, reconheço que o nosso profundo interesse pelas ideais franceses nos permite acolher tal sustentação simbólica, razão pela qual se acredite, até hoje, nos estudos da civilização francesa como imprescindível para a aprendizagem do francês.
A teoria na qual a pesquisa se apóia tem como fio condutor a crença de que a linguagem só funciona na sua relação com a história. Nessa perspectiva, toda atualização discursiva está vinculada às práticas sociais e somente a crítica dá ao sujeito a capacidade de alterar discursos preexistentes e criar novos sentidos. Cairíamos em contradição se só acreditássemos em reformulações parafrásticas, pois não haveria lugar para o novo. Pêcheux nos diz que se a alteração de sentidos não fosse passível de ruptura, não haveria transformação. Logo, a interpretação e a capacidade de reflexão podem fazer intervir o diferente.
Nas metodologias de FLE, a questão cultural já se apresentou de forma diferente da abordagem comunicativa propagada atualmente. Hoje, acredita-se na necessidade de se estudar as particularidades culturais de um determinado povo pra melhor dominar a sua língua. Como já vimos, tal tradição tem suas origens numa época em que língua e cultura eram indissociáveis. Porém, se pensarmos no índice de insucesso que acerca a aprendizagem da língua estrangeira, é notório que não são significativos os resultados provenientes desses estudos, pois embora a competência cultural seja reconhecida pelos manuais didáticos como parte de um conjunto de competências que possibilitam um aperfeiçoamento lingüístico, esta competência não está numa relação tão direta com a competência lingüística e as especificidades culturais nos manuais são em geral apresentadas muito superficialmente.
Ainda hoje, com a elaboração de diversos métodos e abordagens, a dificuldade que enfrenta alguns alunos frente a este nosso mundo de significações é inegável. Nos textos abaixo, verificamos como é árduo o exercício de se expressar em língua francesa.
“... é uma língua cheia de enigmas a serem desvendados. É simplesmente uma língua difícil de aprender, com muitos pormenores que precisam ser estudados com bastante cuidado pois fazem uma diferença enorme no total.” (Francês IV-2004/2)
“As dificuldades têm sido, por vezes, maiores que o prazer. Não vejo possibilidade de desistência, a solução é estudar com o recurso reduzido que tenho, a sala de aula”. (Francês IV-2004/1)
“Não posso caracterizar o francês como uma língua fácil, muito pelo contrário, não sei nem mesmo se um dia terei grande afinidade com ela”. (Francês IV- 2005/1)
“Não é uma língua fácil de ser aprendida, mas bastante complexa”. (Francês IV-2005/1)
Segundo Christine Revuz, a aprendizagem de línguas estrangeiras se caracteriza por sua taxa de insucesso, porém o sucesso do inglês é explicado pelo fato de não se estudarem as particularidades do inglês, mas sim pela criação de um código construído a partir do menor denominador comum, código que não representa a língua natural de uma comunidade social. Trata-se, antes, de uma adaptação ancorada no princípio da uniformização. A teórica Christine Revuz questiona:
“Aprender inglês é aceder à diferença britânica, americana, neozelandesa etc, ou é dar-se os meios de partilhar com um grande número de pessoas os lugares comuns científicos, econômicos, ideológicos que criam, além das diferenças nacionais, uma semelhança ancorada na hegemonia de um sistema econômico?”31
Na medida em que essa língua artificial toma conta do modelo de globalização predominante na cena mundial, criou-se um discurso político francófono que tem por objetivo recuperar o estatuto do francês através do estudo da diferença entre as culturas e indivíduos falantes da língua francesa. A heterogeneidade discursiva sustenta a posição política adotada pela Francofonia. Ao contrário do que se vê em muitos métodos de Francês Língua Estrangeira, a Francofonia privilegia o intercultural. Mas, como sustenta Coracini, isto ainda é um engano, pois embora o discurso francófono preze pela diversidade, a França está sempre em ascendência.
Segundo Charaudeau, o intercultural é “o domínio no qual ocorre a conquista da identidade”. O autor acredita que o reconhecimento do Outro facilita a aceitação do Outro pela sua diferença. A revista Label France traz, em seu numero 63, uma imagem importante veiculada sobre a francofonia.
“Eles formam não um bastião de defesa da língua e do pensamento franceses, mas constroem, pelo contrário, um universo plural e mestiço. (...) E é dessa mistura, dessa polifonia, que se alimenta a francofonia. Oposto de um ato de fechamento em si mesmo, de uma postura defensiva, ou de uma ação impregnada de conservadorismo..”32
31 REVUZ, Christine. A língua estrangeira entre o desejo de um outro lugar e o risco do exílio.In:
SIGNORINI, Inês (Org). Língua(gem) e identidade. Campinas São Paulo: Mercado de Letras; São Paulo: Fapesp, 2001. p. 228.
32 Fragmento retirado da revista internacional da atualidade francesa, Label France, número 63 do ano de
Martine Abdallah-Pretceille, por exemplo, sustenta a hipótese de que “é improvável que conhecimentos factuais sobre a cultura (...) favoreçam a comunicação, ou seja, o encontro com o Outro”.33 A antropóloga acredita que “a cultura é objeto de manipulações múltiplas que não autorizam uma análise a partir de um simples conhecimento descritivo das culturas.” A abordagem cultural, presente nos métodos de ensino de FLE, não facilitaria o aprendizado. Não é o simples fato de a cada unidade o método apresentar pontos característicos da sociedade francesa que permitiria um melhor aperfeiçoamento lingüístico. No que se refere ao corpus desta pesquisa, os alunos falam da necessidade e, ao mesmo tempo, da dificuldade de se alcançar um aperfeiçoamento lingüístico.
“... o francês é um constante desafio e sempre tenho a impressão de nunca ser capaz de dominá-lo com perfeição”. (Francês V-2004/1)
Isto posto, acredito que por detrás do aperfeiçoamento lingüístico explicitado pelo aluno, existe uma outra questão de maior relevância. Por tudo o que já foi dito por eles anteriormente, vejo que o objetivo aqui é o domínio da língua como instrumento capaz de garantir um enriquecimento cultural.
Tem-se, a partir da reflexão proposta por Pretceille, que a abordagem cultural em sua dimensão etnográfica deve ser substituída pela abordagem intercultural para que,
dessa forma, a aprendizagem se torne mais eficaz. Embora seja sobre o interdiscurso que nossos sentidos sejam construídos, é possível destacar uma ruptura no momento em que novos discursos surgem, uma vez que eles são sempre possíveis de se tornarem um outro. Percebo aqui que a polissemia, entendida como processo discursivo que garante a criatividade na língua pela intervenção do diferente, permite o deslocamento das regras, ou seja, identifico aqui um movimento de mudança, pois se trata, a partir de então, da aceitação de que não são os saberes culturais que permitem uma melhor prática comunicativa, mas sim o reconhecimento do modo como o indivíduo utiliza a cultura em situação de comunicação, sendo necessário, no entanto, desenvolver uma competência de análise, pois os fatos culturais servem para compreender o que está em jogo na comunicação.
Além disso, tal posicionamento faz com que o indivíduo reconheça o espaço do Outro numa perspectiva plural, aceitando as variações culturais e lingüísticas que configuram o espaço de um idioma. Pretceille acredita que o reconhecimento do Outro deve acontecer a partir de uma relação de intersubjetivdade, ou seja, aprender uma língua estrangeira é conhecer o Outro com a condição de não se ter uma valorização do estrangeiro que deprecie o nacional. Nessa perspectiva, conhecer uma língua estrangeira nos permite ter acesso a um novo mundo cultural que se exprime naquela língua para, dessa forma, compreendermos e respeitarmos práticas culturais diferentes das nossas e não para nos transformarmos no Outro.
Continuando minha análise, deparei-me com o seguinte trecho:
“a língua francesa representa o meio de comunicação da deslumbrante cultura que é a francesa.” (Francês IV-2004/2)
Nota-se, mais uma vez, a insistência num encantamento que a língua francesa poderia oferecer. Essa representação que valoriza o estrangeiro é notável também nos relatos dos viajantes brasileiros à França, o que, aliás, não se dá de forma neutra, visto que, como já foi exposto, o desejo inato de aproximação com a cultura francesa se caracteriza por desdobramentos simbólicos constituintes da identidade brasileira. Na primeira metade do século XX, a literatura ganha um novo gênero no Brasil, aquele conhecido por literatura de viagem, na qual escritores relatam suas experiências no exterior.
A idéia apresentada pelo aluno é também recorrente no olhar do escritor-viajante. Em muitos dos livros do gênero, a França é idealizada. O olhar daquele que possui uma cultura considerada inferior e o seu desejo eufórico de estar em contato com a “deslumbrante” cultura francesa é tão presente nos relatos de viagens que escritores como Nestor Vitor e Tomás Lopes34 criticam essas imagens desprovidas de reflexões. Estes acreditam que o idealismo democrático a que tanto aludem tais escritores deve ser repensado e retrabalhado.
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Nestor Vitor e Tomás Lopes são reconhecidos por Sandra Natrini, professora integrante do Núcleo de Pesquisas Brasil-França da USP, como pertencentes ao que se convencionou chamar de “literaturas de viagem”. Seus respectivos livros citados pela professora na Revista História Viva, p. 65, são Paris, 1911 e Corpo e alma de Paris, 1909. Buscando reforçar tal idéia, Sandra Natrini diz: “Permeado pelas idéias positivistas, e sem ocultar o complexo de inferioridade do intelectual bárbaro, Nestor Vitor debate-se entre a convicção de que o escritor de uma civilização menor jamais poderia escrever um livro original e com