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Fleirtalsforslag: Medlemsavgift

In document SAMME KIRKE – NY ORDNING (sider 102-105)

Del III - Framtidig ordning for Den norske kyrkja

Kapittel 8: Økonomi

8.5 Nye finansieringsformer

8.5.2 Fleirtalsforslag: Medlemsavgift

Não havia botões, o elevador movia-se de acordo com a minha vontade e, por isso, subia lentamente, dando-me a oportunidade de admirar a amostra de natureza que me rodeava. Enquanto isso, desenrolo para trás o filme do tempo e tento relembrar aquelas palavras sábias... Cuidar, sim, era esse o verbo associado ao primeiro piso elevado do solo. A plataforma parou.

este piso era algo celestial. Aqui nada nos separava do mundo exterior, tudo tinha continuidade lá fora, apenas existia uma película fina e cristalina — as paredes eram todas de vidro. Mas não o vidro comum e aborrecido como aquele da minha casa, era vidro colorido, vitrais com figuras diversas, e, por instantes, o meu olhar ficou preso a um pavão que me fitava de uma dessas barreiras translúcidas.

O chão e o teto eram ambos revestidos a quadradinhos madrepérola que assumiam diferentes tonalidades.

Senti, de imediato, um aroma intenso e peculiar cuja origem se tornou clara quando olhei à volta e reparei que estava envolvida por uma parede verde, um jardim vertical repleto de plantas medicinais e aromáticas, viçosas, que absorviam a luz que abundava no local. Contudo, a minha atenção não se perdeu aqui por muito tempo, já que, mais uma vez, ouvi o barulho familiar da água. Agora, o som era mais intenso, mais poderoso, e ecoava, transmitindo uma sensação de liberdade. Percebi, então, que esta melodia provinha de uma cascata que nascia do teto e sucumbia numa piscina que se elevava do chão mesmo à minha frente.

Os degraus subiam-se confortavelmente e, tal como o interior da piscina, eram forrados a azulejos verdes com o formato de escamas, à imagem das arcadas do mercado de trocas, mas com uma tonalidade mais clara. Aqui, as pessoas nadavam em direção ao infinito da natureza exterior e apenas os pavões gémeos, do alto da sua vaidade, lhes mostravam que não poderiam ir mais longe. Aqui o teto estava distante. Cheirava a mar.

De volta ao nível de chegada, rapidamente concluí que, em torno da parede verde, se organizava um corredor circular, através do qual se distribuía o acesso para os restantes espaços deste piso cuja planta assumia a forma de um hexágono e, sem hesitar, comecei a percorrê-lo.

À minha esquerda, senti um brilho intenso de pequenos cristais que refratavam a luz — estes, amontoados em várias fiadas, formavam cortinas que resguardavam uma zona de repouso, como pude constatar quando as afastei, delicadamente, com as duas mãos. Deparei, então, com um local calmo e sereno, povoado por redes suspensas onde, quem assim o desejasse, poderia descansar. Mal me aproximei, os meus pés afundaram, aconchegados e acariciados em bolas de feltro coloridas que cobriam todo o chão. As cortinas de cristais prolongavam-se para o interior, através de um percurso serpenteante que proporcionava espaços mais reservados. Saí pé ante pé para não incomodar.

Continuando a percorrer o corredor circular, encontrei, depois, um espaço com vários colchões que repousavam no já familiar chão de feltro. Cada um estava envolvido por uma cortina de veludo que abria e fechava, consoante estivessem ocupados ou não com as pessoas que faziam tratamentos.

Seguindo caminho, fui confrontada com um volume circular que presumi ser uma espécie de balneário e, portanto, contornei-o até ao outro extremo. Aqui, encontrei um reservatório longitudinal que se estendia ao longo de toda a aresta do hexágono e, tal como a piscina, também ele era forrado a escamas verde água. Porém, neste caso não era possível visualizar o fundo, já que o fluído que o enchia não era transparente mas esbranquiçado e turvo. O reservatório continha leite de burra e as pessoas banhavam-se nele como, em tempos, fizera Cleópatra. Na zona onde se localizava este tanque, o teto estava mais longe e, quem aqui mergulhava podia contemplar a paisagem repleta de borboletas esvoaçantes.

Depois de uma linha diagonal de pilares, entre os quais dançavam cortinas de cristais, encontrei um espaço cuja atmosfera, mais dinâmica, era um pouco distinta das anteriores. Era em torno de um elemento em forma de espiral, forrado

a madrepérola, que tudo acontecia. Este, inicialmente um baloiço, prolongava-se depois de forma circular e, no meio do seu trajeto convertia-se num balcão, dando continuidade ao percurso ondulante que, por fim, culminava numa mesa redonda. Nos corredores interiores da espiral, as pessoas trituravam frutas e legumes e juntavam-lhes especiarias variadas, também ferviam água, juntando-lhe, depois, as ervas que desejavam para fazer o chá — purificavam-se. Atrás deste elemento, existiam ainda confortáveis sofás em forma de margarida pousados sobre um soalho de madeira macia que, em sintonia com o local, possuía também uma tonalidade esverdeada. Uma outra característica que diferenciava este espaço dos restantes era o seu teto inclinado que, desde o momento de entrada até ao extremo da aresta do hexágono, ia subindo, gradualmente, como se se estivesse a abrir para a natureza. Acomodei-me num dos sofás em flor e apreciei, por instantes, a beleza da paisagem envolvente através das videiras que ilustravam a parede de vidro. Foi nesse exato momento que percebi, finalmente, a essência deste piso — era o contacto permanente com o exterior, numa relação direta com o mundo natural, com o mundo cósmico, filtrada pelas várias tonalidades da palete de transparências, que possuía um dom curativo. Era esta a sua verdadeira riqueza.

Já quase a completar a volta ao corredor circular, antes das escadas que guiavam à piscina, estava uma parede côncava de vidro, mas que, apesar disso, não permitia visualizar o que existia no seu interior, já que esta se encontrava embaciada com gotículas de água. Empurrei a porta, também ela de vidro, e logo fui surpreendida por um nevoeiro húmido que enchia o local. Era uma sala saturada com vapor que transportava consigo um intenso aroma a eucalipto. As folhas fuciformes do eucalipto, reparei depois, ferviam no interior de dois fornos circulares. O interior do compartimento era, mais uma vez, todo revestido a madeira esverdeada e do chão nasciam bancos no mesmo material. Inspirei e expirei várias vezes, calmamente,

sentindo a frescura do eucalipto dentro de mim. Depois disso, segui em frente por uma porta paralela àquela por onde tinha entrado e o nevoeiro ficou para trás. Encontrava-me, agora, num corredor estreito, mas muito alto, ladeado por paredes de vidro, através das quais podia vislumbrar, à esquerda, os sofás em forma de margarida e, à direita, o interior da piscina. Estava tão absorvida e tão empenhada nesta missão de reconhecimento que, de repente, sem aviso prévio, caiu sobre mim uma chuva com perfume de rosas que limpou a transpiração do meu corpo. Apesar do susto, senti-me leve e reconfortada.

Existia ainda uma outra porta que me conduziu a uma outra sala. Aqui, o ambiente era um pouco mais quente, mas seco. Os bancos de madeira ferviam e estavam orientados para o exterior que era limitado por uma fina barreira de vidro e que, ao contrário do primeiro, era translúcido e, por isso, permitia admirar a paisagem. Recortada nesta parede translúcida havia uma passagem para o exterior da torre — conduzia a uma varanda que envolvia todo o perímetro deste piso.

Voltei para trás e deixei-me, agora sem surpresas, refrescar, mais uma vez, pelas gotas de água de rosas que caíam lá do alto do corredor estreito. Passei rápido pela sala do nevoeiro húmido e regressei ao ponto de partida. Novamente abraçada pela parede verde de plantas medicinais e aromáticas, dirigi-me ao cilindro de vidro de menores dimensões que se abriu para me receber.

Saí dali rejuvenescida.

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