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Os objetivos previamente propostos para a realização desta pesquisa foram cumpridos. Foram validadas psicometricamente duas escalas, uma de Comportamentos e Atitudes do Aluno em Relação a Cursos a Distância e outra de Valor Instrumental do Treinamento. Ambas as escalas mostraram-se psicometricamente confiáveis e válidas. Sugere-se, em estudos futuros, que os instrumentos validados, principalmente o de Comportamentos e Atitudes do Aluno em Relação a Cursos a Distância, que se mostrou como preditor de evasão, sejam aplicados em diferentes contextos e amostras, com o objetivo de aumentar a generalidade dos resultados desta pesquisa e possibilitar a análise da estabilidade das estruturas empíricas encontradas.

O modelo de regressão apresentado no estudo explica 28,2% a variância de evasão. Assim, é evidente a existência de outras variáveis, não especificadas neste estudo, que explicam grande parcela da evasão em cursos a distância. Desta forma, em estudos futuros, será necessária a inclusão de novas variáveis explicativas no modelo, tais como locus de controle e outras mencionadas anteriormente.

Com relação às variáveis demográficas analisadas nesse estudo, os resultados parecem sugerir que as diferenças pessoais e demográficas são menos importantes na determinação da evasão, se comparadas com questões contextuais. É preciso que sejam testados diferentes modelos de regressão, com variáveis tanto demográficas, quanto de suporte e contexto, para que seja verificado se os resultados encontrados realmente se aplicam em contextos de cursos a distância.

A revisão de literatura sugeriu que a variável Valor Instrumental do Treinamento fosse contribuir significativamente para a explicação de evasão, o que não ocorreu. No entanto, seria interessante se essa variável fosse analisada em outros contextos e com outros tipos de cursos e clientelas, para se verificar se exerce ou não poder preditivo sobre evasão. Além disso, sugere-se a construção de itens relacionados a expectância, para que seja possível a análise do modelo multiplicativo denominado força motivacional, conforme proposto por Vroom (1964).

Com relação à Escala de Comportamentos e Atitudes do Aluno em Relação a Cursos a Distância, apesar da estrutura fatorial ter sido adequada, sugere-se a construção de mais itens. Dessa forma, além da possibilidade de verificação da manutenção ou não

da estrutura bifatorial, será possível verificar se ocorrem aumentos da consistência interna de cada fator, bem como da porcentagem de variância explicada pelos fatores.

Ambas as escalas devem ser aplicadas em outros contextos, outras organizações, em cursos mediados por diferentes mídias, em amostras maiores e em cursos semipresenciais e totalmente a distância. Assim, mais pesquisas devem ser realizadas com o objetivo de se verificar se este instrumento mantém-se adequado em outros contextos de educação a distância.

As contribuições mais valiosas do presente estudo consistem na construção de uma nova escala que se mostrou boa preditora de evasão em cursos a distância. A revisão de literatura na área de evasão também é contribuição importante. Além disso, a descoberta de novas características que podem ser relacionadas com evasão, tais como informações sobre o curso antes da matrícula e dificuldade de obtenção de boas notas nas avaliações de aprendizagem, podem contribuir para o aprimoramento de medidas e novas descobertas na área de EaD e, mais especificamente, nos estudos relacionados a evasão.

A utilização de metodologia qualitativa, com as técnicas de grupo focal e entrevistas para a construção do questionário, além da análise de literatura, também pode ser considerada com um ponto positivo dessa pesquisa. Além disso, os dados foram coletados diretamente no campo, o que enriquece a possível generalização para ambientes corporativos. A análise qualitativa dos materiais didáticos também pode ser vista como ponto positivo pois forneceu importantes subsídios para a contextualização da pesquisa e para a interpretação dos resultados das análises estatísticas multivariadas.

Entre as limitações da pesquisa estão: 1) grande quantidade de dados omissos, ocasionadas, possivelmente, pela consideração inadequada de estudantes que abandonam o curso como evadidos; 2) número reduzido da amostra para validação da escala de Comportamentos e Atitudes do Aluno em Relação a Cursos a distância; 3) ausência de comparação mais detalhadas dos dados do curso de Mediação e Arbitragem e Formação de Consultores, para verificação de diferenças, em função do quantitativo insuficiente de respondentes; 4) a não inclusão de variáveis individuais e de suporte que poderiam aumentar a explicação dos modelos de predição de evasão, tais como, hábitos de estudo e locus de controle; 5) a pouca ênfase atribuída aos dados qualitativos extraídos da análise dos materiais do curso nesta pesquisa e 6) aplicação do questionário apenas em uma empresa, o que implica em restrições à generalidade dos achados.

Diante do exposto, sugere-se a realização de pesquisas futuras para: ♦ Aplicar os instrumentos desta pesquisa em outros contextos, cursos e clientelas; ♦ Aprimorar a medida de Comportamentos e Atitudes do Aluno em Relação a Cursos

a Distância;

♦ Aprimorar o instrumento de Valor Instrumental do Treinamento, criando-se itens para a medição da expectância e posterior cálculo da força motivacional do treinamento (Valência X Instrumentalidade X Expectância);

♦ Verificar se cursos semipresenciais e totalmente a distância estão relacionados a predição de evasão;

♦ Relacionar outras variáveis demográficas tais como locus de controle e hábitos de estudo, para verificar a influência dessas na evasão em cursos a distância;

♦ Combinar pesquisa quantitativa e qualitativa na análise dos resultados;

♦ Analisar se variáveis relativas ao curso (procedimentos instrucionais, desempenho do tutor, ambiente eletrônico) e ao indivíduo (estratégias de aprendizagem, motivação, hábitos de estudo) influenciam a evasão em cursos a distância.

O presente estudo segue recomendações de pesquisas feitas por diversos autores (Salas e Cannon-Bowers, 2001; Zerbini, 2003; Abbad et al, 2006; Borges- Ferreira, 2005; Parker, 1999; Brauer, 1995; Vargas, 2004; Carvalho, 2006) sobre a realização de estudos sobre curso oferecidos a distância e evasão.

Acredita-se que os objetivos da pesquisa foram atingidos, na medida em que todos os instrumentos foram validados e os modelos de regressão logística testado. Espera-se que os resultados desta pesquisa sejam úteis para a área de avaliação de cursos a distância no que se refere à evasão.