Parece ainda interessante apresentar um dado quanto ao interesse dos juízes em conhecer os resultados da pesquisa nos JEF. Dos 95 respondentes ao questionário, 71 mostraram-se interessados, conforme o quadro abaixo.
Tabela 1 – Número de juízes interessados em conhecer os resultados da pesquisa*
INTERESSE TOTAL
Sim 71
Não 24
Fonte: Do autor.
Nota: * A pergunta do questionário: Q1 Caso tenha interesse em conhecer os resultados desta pesquisa, por favor, assinale a opção abaixo:
Esse quadro vai ao encontro da proposição de Gomes (2005, p. 12) quando analisa o compartilhamento dentro do processo de GC do Tribunal de Justiça no Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), o “compartilhamento é a palavra de ordem. Devemos então estimular a cultura do compartilhamento”.
O interesse demonstrado pelos juízes parece ter sido confirmado por suas declarações21, ratificando o caráter de relevância da pesquisa.
As trocas de informações e experiências são quase exclusivamente referentes a mecanismos de auxiliem na gestão da Vara de Juizado, tornando a tramitação dos processos mais célere, sem comprometer as garantias fundamentais do processo.
41 Apesar de o contato com os colegas não ser tão diversificado, reputo que o meu conhecimento é público em virtude dos fundamentos que sempre são explicitados nas decisões/sentenças prolatadas. A troca de experiências não é maior muitas vezes pelo excesso de trabalho que impede de participar de mais eventos como Fóruns Nacionais ou Regionais (Juiz 3).
A troca de experiências é vital em todos os níveis de conhecimento (juiz 14). A mobilidade do conhecimento tácito é necessária para a eficácia e excelência da prestação jurisdicional. Contudo, com a carga de trabalho no JEF, fica difícil para o juiz federal conciliar a necessidade da extensão da mobilidade do aludido conhecimento com a necessidade da efetiva e rápida jurisdição. De fato, precisamos compartilhar mais conhecimento. No entanto, isso demanda tempo, o qual é escasso (juiz 17).
Penso que são muito escassas as oportunidades propiciadas institucionalmente pela Justiça Federal da 4ª região para a efetiva troca de experiências entre os magistrados. No mais das vezes são oferecidos eventos por intermédio da escola da magistratura nos quais a participação dos juízes é passiva (como ouvintes). Lembro que quando ingressei na carreira em 1994 havia uma prática muito interessante e proveitosa instituída pelo tribunal, que consistia na realização sistemática de workshops, sempre com a participação de um juiz do tribunal, e onde o foco era a discussão sobre as questões emergentes ligadas diretamente ao trabalho dos juízes. Assim os juízes tinham contato direto com o pensamento do tribunal sobre determinado tema e podiam debatê-lo diretamente. Infelizmente essa prática foi abandonada e, a partir da institucionalização da escola da magistratura, passaram os juízes a meros ouvintes em cursos de aperfeiçoamento, cujo principal atrativo reside no fato de que esses cursos pesam na hora das promoções por merecimento. No plano pessoal, as eventuais iniciativas para a troca de conhecimentos resumem-se aos interlocutores mais próximos - quer fisicamente quer por algum interesse comum (como no caso da docência). Acredito que a organização perde muito com a ausência de um modelo sistematizado que fomente a troca de conhecimento de forma ampla e eficiente (juiz 19).
A iniciativa da pesquisa é salutar. A interação de conhecimentos, na quadra atual, se afigura cada vez mais inevitável, com perspectivas alvissareiras (Juiz 21).
Para atingir os objetivos traçados, o trabalho foi estruturado, além deste de cunho introdutório, em quatro capítulos. O segundo, apresentou a revisão de literatura com abordagem de diversos autores que emprestaram as suas observações para apoiar a discussão acerca do tema, o conhecimento, e do objeto, o fenômeno do compartilhamento do conhecimento tácito.
Os procedimentos metodológicos, incluindo o ambiente da pesquisa, a população e a amostra, a classificação da pesquisa e o método específico para identificar as variáveis explicativas do fenômeno, compuseram o terceiro capítulo.
O quarto capítulo trouxe os resultados, evidenciando as características dos sujeitos amostrais e as respostas da aplicação do método sobre os juízes federais dos JEF, apontando as oito variáveis explicativas do fenômeno.
Finalizando o estudo, o quinto capítulo apontou, além das conclusões, as limitações da pesquisa e algumas propostas de trabalhos futuros.
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2 REVISÃO DA LITERATURA
O fenômeno do conhecimento humano é, sem dúvida, o maior milagre de nosso universo. (POPPER, 1999, p. 7).
O termo conhecimento pode servir para nominar o ato de conhecer, “enquanto relação que se estabelece entre a consciência que conhece e o mundo conhecido” (ARANHA, 1993).
Para Davenport e Prusak (1999), o conhecimento integra valores, contexto e insight, no qual se estruturam novas experiências. É intangível, dinâmico e não obedece fronteiras (NONAKA; KONNO, 1998).
O conhecimento para Wilson (2002) compreende o processo mental de compreensão, entendimento e aprendizagem que se desenvolve na mente humana e envolve interação com o mundo externo (à mente) e com outros.
O conhecimento também é um ativo que possibilita a geração de riqueza, e aumenta quando compartilhado (AFONSO; CALADO, 2011). É resultado de interações que caracterizam o ambiente organizacional como experiências sociais (CHOO, 2003), reforça a prática de aprendizagem (FLEURY; OLIVEIRA JR., 2001) e é “considerado essencial tanto do ponto de vista acadêmico quanto profissional” (TOMAÉL; ALCARÁ; DI CHIARA, 2005, p. 93).
Na tarefa de resolver um problema, inicialmente, lança-se mão de um conhecimento ‘escondido’, ou que ainda não foi transformado em algo tangível, como relatórios, manuais, conteúdos de sistemas de comunicação. Polanyi (2009) trata esse conhecimento dentro de uma dimensão tácita, ou seja, um conhecimento que ainda está implícito, não expressado, que inclui as ideias, as experiências, as habilidades. Nonaka e Takeuchi (1997), igualmente, traduzem-no como conhecimento tácito e como origem na criação de todo conhecimento organizacional. Sveiby (1997) descreve-o como uma parcela significativa daquilo que é ou encontra-se ainda na forma tácita, dinâmica, e que se torna estático quando explicitado. Esse conhecimento tácito, embora incorporado em repositório mental individual, pode ser socialmente compartilhado (LOENHOFF, 2015) e como conhecimento ‘coletivo’ é codeterminado por estruturas sociais (KALDEWEY, 2015).
O termo informação, quando utilizado, refere-se ao conhecimento que já foi explicitado, retirado da mente do indivíduo, e encontra-se materializado em qualquer meio (pedra, papel, plástico, eletrônico), estabelecido em qualquer mídia (rádio, televisão,
43 imprensa, publicação, adesivo, foto, filme, Internet e seus conteúdos, whatsapp, twiter,
homepage, blog).
O objetivo das seções seguintes é o de apresentar algumas teorias que antecederam a discussão que se faz hoje sobre a importância do conhecimento tácito e de seu compartilhamento nas organizações.
2.1 A TEORIA DO CRESCIMENTO, A VISÃO BASEADA EM RECURSOS (VBR) E O