Chapter 2. State of the Art: Islam and individualization in the modern West/Europe
3.4 Field and individuals
Para que o processo de implantação local da LVSC seja altamente efetivo são necessários determinados componentes, a saber: liderança ativa; ampla discussão da temática; boa comunicação multidisciplinar; capacitação da equipe; retorno dos resultados e realização de auditorias regulares(39, 247, 250).
Conley et al.(250) relataram, em um trabalho qualitativo, que o estabelecimento de um líder persuasivo, engajado, e flexível é necessário para a implementação exitosa da LVSC. Por sua vez, a implementação apropriada da LVSC pode promover a melhoria da comunicação interdisciplinar, ajudando a prevenir conflitos na sala operatória. Ainda, instruções escritas devem estar disponíveis à equipe cirúrgica(252), a exemplo do protocolo para cirurgia segura.
A disponibilização de uma LVSC informatizada bem como a definição prévia de condutores ou coordenadores do instrumento podem facilitar o cumprimento da lista, devido à provável escassez de tempo e ao excessivo número de folhas e formulários que já são preenchidos nas salas operatórias(39, 260).
Com o propósito de apoiar localmente o processo de implementação da LVSC, cada serviço cirúrgico pode avaliar o efeito da lista pelo monitoramento das taxas de complicações e óbitos antes e após a sua adoção(9). A avaliação pode ser feita por meio de(234): 1) auditoria prospectiva de casos cirúrgicos para identificar as oportunidades nas quais o uso da LVSC poderia prevenir erros e danos; 2) revisão retrospectiva de casos cirúrgicos nos quais as consequências poderiam ter sido alteradas pelo uso da LVSC e 3) coleta prospectiva de “bons casos” durante a etapa inicial da implementação da LVSC, comprovando a utilidade do instrumento.
O ideal é que a LVSC se torne parte de um plano de segurança perioperatório abrangente, podendo incorporar outras listas de verificação já em uso no serviço de saúde(252).
Desta forma, o sucesso na implementação da LVSC requer, pois, a sua adaptação às rotinas e expectativas de cada local, o que só será possível com o empenho dos dirigentes, assumindo que a segurança do paciente é uma prioridade e que a utilização da lista contribui para torná-la realidade(239).
Um requisito essencial para a implementação exitosa da LVSC é a harmonização do conhecimento e da aceitação da LVSC entre os membros da equipe cirúrgica. Tomados em conjunto, os efeitos da utilização da LVSC sobre os resultados dos pacientes têm sido amplamente reconhecidos e considerados determinantes relevantes para a implementação bem-sucedida(260).
2.2.6.5.1. Participação dos pacientes e familiares nos cuidados cirúrgicos
As ações que têm por objetivo envolver os pacientes no seu próprio cuidado são de importância fundamental, sendo que iniciativas de sensibilização do paciente para participação em sua assistência têm sido adotadas por diversas agências e demais instituições internacionais responsáveis pelo desenvolvimento da segurança dos pacientes(9, 261).Quando os pacientes e familiares são envolvidos em sua própria segurança, são capazes de participar de estratégias direcionadas para a prevenção de falhas e danos, potencializando sua segurança nos serviços de saúde.
Assim, o envolvimento do paciente como indutor dos cuidados em saúde está sendo cada vez mais reconhecido e abordado na prática clínica e em investigação, e sua participação constitui um peso importante na introdução de novas medidas de segurança nestes serviços(262).
Em um estudo realizado por Russ et al.(262) em 2 hospitais no Reino Unido, foi aplicado um questionário a 141 pacientes com o objetivo de avaliar suas percepções em relação à LVSC. A maioria dos pacientes (78%) concordou que gostariam que a LVSC fosse utilizada no caso de realização de cirurgia, em comparação com um número muito pequeno de pacientes (4,3%) que não estavam a favor de seu uso. Em linha com esta percepção positiva da LVSC, os pacientes concordaram em grande parte (74%) que se sentiriam mais seguros se a LVSC fosse utilizada, 69%
dos entrevistados afirmaram que a LVSC melhora a comunicação entre a equipe cirúrgica na sala operatória, e 67% concordaram que o instrumento seria capaz de reduzir o número de erros durante a cirurgia. Os autores destacaram a necessidade de melhoria na educação pública e dos pacientes para se tornarem mais ativamente envolvidos em prol da melhoria da segurança e atenção à saúde.
As medidas de mitigação de EA só serão efetivas se a sociedade estiver consciente da dimensão dos eventos aos quais está exposta. Para estimular a participação do paciente e de seus familiares no processo do cuidado é muito importante a disponibilização de documentos apropriados que sejam capazes de instrumentalizá-los(1).
A JCAHO também vem reforçando que os pacientes ou seus familiares devem participar ativamente na verificação da segurança cirúrgica, e publicou folhetos informativos direcionados aos pacientes que reforçam o papel importante destes na prevenção de cirurgias em local errado(263).
No Brasil, a ANVISA disponibilizou, em 2012, os materiais educativos previstos no Projeto intitulado “Pacientes pela Segurança dos Pacientes”, tais como folder, cartazes, hotsite e vídeos, visando à melhoria da comunicação com os usuários dos serviços de saúde (261). Os materiais foram lançados em 18 de dezembro de 2012, durante reunião do GT Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde(1).
O folheto informativo da ANVISA sobre o tema orienta o paciente a fazer determinadas perguntas consideradas como estratégicas durante o processo de assistência à saúde, promovendo a boa comunicação com o profissional de saúde. O paciente deve ser informado, por exemplo, sobre os riscos envolvidos em um processo cirúrgico e os cuidados a se tomar antes da cirurgia (como é a cirurgia e o preparo pré-operatório, qual o tempo de duração, quais os resultados esperados, como irá se sentir após a cirurgia e quais são as possíveis complicações cirúrgicas). Ainda, o paciente deve ter certeza que ele e o cirurgião estão de acordo com a cirurgia que será realizada e deve informar ao cirurgião, ao anestesiologista, ao farmacêutico e ao enfermeiro, casos de alergia a medicamentos e reação adversa à anestesiologias(264).
Todo paciente cirúrgico espera que a equipe cirúrgica aplique todo o seu saber e conhecimento para evitar erros que podem ter graves consequências à sua saúde. Isto pode resultar não só na satisfação de cirurgiões e de pacientes, mas também de toda a sociedade, que aprecia diminuição de gastos desnecessários em função da redução das complicações associadas aos procedimentos cirúrgicos(265).
3.1 GERAL
Analisar o processo de aplicação da LVSC nas salas operatórias de hospitais no DF, no período 2012 a 2014, utilizando-se o intrumento da OMS para a segurança cirúrgica em serviços de saúde.