Chapter 2. State of the Art: Islam and individualization in the modern West/Europe
3.5 Established social orders and individuals
O estudo foi realizado nos Centros Cirúrgicos de três hospitais públicos da Secretaria de Estado de Saúde do DF (Hospital 1, Hospital 2 e Hospital 3), que integram o SUS, no período de dezembro de 2012 a agosto de 2014.
A escolha dos hospitais para o estudo obedeceu aos seguintes critérios: ser público (SUS); pertencer à Rede Sentinela da ANVISA; e possuir ≥ uma sala operatória.
O Hospital 1 é de ensino, atende casos de alta complexidade e dispõe de 748 leitos. A unidade conta com 16 salas operatórias e realizam 7.267 cirurgias/ano, incluindo: Proctologia, Urologia, Ortopedia, Cirurgia Cardiovascular, Cirurgia Plástica, Ginecologia, além das neurológicas, de câncer, traumas e transplantes de órgãos. O Hospital 2 é considerado um hospital geral de média e alta complexidade, com 299 leitos, e é de ensino. Conta com dez salas operatórias com registro de 2905 cirurgias/ano, dentre elas, Cirurgia Geral, Cabeça e Pescoço, Proctologia, Urologia, Ortopedia, Cirurgia Vascular, Cirurgia Plástica e Ginecologia. O Hospital 3 dispõe de 226 leitos, é de ensino, apresenta cinco salas operatórias, nas quais são
realizadas anualmente, 3695 cirurgias nas especialidades de Cirurgia Geral, Proctologia, Urologia, Ortopedia, entre outras.
4.3. AMOSTRA
4.3.1. ETAPA 1
O estudo concernente à Etapa 1, com a implementação da LVSC da OMS nas salas operatórias, envolveu 1.141 pacientes no Período Pré-intervenção e 1.052 no Pós-intervenção, totalizando 2.193 pacientes.
4.3.1.1. Critérios de inclusão
Foram incluídos todos os serviços de saúde do DF participantes do Projeto Cirurgias Seguras Salvam Vidas, no período da pesquisa.
A análise do processo de aplicação da LVSC envolveu os dados relacionados aos casos de procedimentos cirúrgicos eletivos realizados em pacientes com 18 anos de idade ou mais, em um dos hospitais, durante o período do estudo.
4.3.1.2. Critérios de exclusão
Foram excluídos da amostra, os procedimentos cirúrgicos eletivos realizados em pacientes com menos de 18 anos de idade submetidos a cirurgias ambulatoriais, pediátricas, cardíacas com circulação extracorpórea e com implantes e próteses, nas unidades de estudo, no período da pesquisa.
4.3.1.3. Coleta de dados e intervenção
O período pré-intervenção ou Período I, por meio de observação direta, deu- se de dezembro/2012 a março/2013, no qual as seguintes variáveis foram coletadas, utilizando-se o Apêndice A (Acompanhamento da LVSC): dados demográficos, permanência hospitalar, classificação e duração da cirurgia, tipo de anestesiologia,
tricotomia - momento e equipamento, antissepsia cirúrgica das mãos, paramentação cirúrgica, drenagem cirúrgica e complicações pós-operatórias.
Foram consideradas complicações pós-operatórias: parada cardíaca necessitando de reanimação cardiopulmonar; intubação não planejada; uso do respirador por 48 horas ou mais; pneumonia; deiscência da ferida operatória; sepse; retorno não planejado à sala operatória; ISC; retenção urinária e óbito(9, 28). A revisão dos casos com complicações e óbitos foi realizada por médico cirurgião e profissionais experientes em controle de infecção.
A intervenção consistiu de duas fases: 1) capacitação das equipes cirúrgicas dos três hospitais para uso da LVSC, por especialistas em cirurgia e vigilância sanitária, com carga horária de 18 horas e materiais técnicos da OMS(9), ANVISA(134, 135) e MS do Brasil(63, 134); 2) implementação da LVSC(9).
A seguir, prosseguiu-se no levantamento do Período II (pós-intervenção) onde se aplicou a LVSC entre abril/2013 a agosto/2014.
O instrumento de coleta de dados nas duas etapas foi aplicado por pesquisadores, capacitados pelo pesquisador principal nos instrumentos de coleta, incluindo a LVSC, e sem vínculo empregatício com os hospitais participantes. Os critérios para avaliação de currículos, entrevistas e seleção dos pesquisadores envolveram: possuir curso superior de Enfermagem, comprovar experiência em Centro Cirúrgico e dispor de 8 horas diárias durante os dias úteis da semana para as atividades de coleta.
No período pós-intervenção (Período II) foram coletados os mesmos dados do período I, acrescido dos dados da LVSC (Anexo A).
A coleta de dados relativos a complicações e reinternações por motivos relacionados às cirurgias foi realizada até 30 dias após a cirurgia. Na vigilância da ISC utilizaram-se informações das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH); revisão de prontuários, de egressos e exames microbiológicos; avaliação da ferida operatória e informações do paciente via telefone. Para identificação de ISC, foram utilizados os critérios diagnósticos definidos pela ANVISA(135).
O tamanho da amostra foi calculado para detectar uma redução de 20% na probabilidade de ocorrer uma complicação no grupo tratamento (pós-intervenção), comparado com o grupo controle (pré-intervenção) - assumindo um nível de significância estatística de 0,05 (valor de alfa) e 80% de probabilidade de estar
corretamente rejeitando a hipótese de que não há diferença entre as proporções de complicações pós-cirúrgicas entre os grupos.
4.3.2. ETAPA 2
No estudo da Etapa 2, envolvendo a avaliação das atitudes e opiniões sobre segurança cirúrgica, a população foi constituída por 504 profissionais de saúde com atuação nos três Centros Cirúrgicos (cirurgião, anestesiologista, instrumentador, enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, residentes e estudantes de Medicina e Enfermagem, além de chefes dos serviços médicos e enfermagem) dos hospitais investigados.
4.3.2.1. Critérios de inclusão
Foram incluídos os profissionais das equipes dos Centros Cirúrgicos, inclusive chefe de serviço médico ou de enfermagem, estudante da Graduação ou Pós- Graduação que estivessem por, no mínimo, duas semanas no Centro Cirúrgico ou escalado para o trabalho no período da coleta de dados.
4.3.2.2. Critérios de exclusão
Os critérios de exclusão envolveram os profissionais que não estivessem atuando, no mínimo, por duas semanas no Centro Cirúrgico e que estavam ausentes por férias, licenças ou outros afastamentos durante a coleta de dados.
4.3.2.3. Coleta de dados
Os profissionais foram abordados nos locais de trabalho e quando disponíveis para participação no estudo.
Os dados foram coletados por meio do instrumento “Avaliação de Atitudes e Opiniões sobre Segurança Cirúrgica em Serviços de Saúde” I (Apêndice B), com base no SAQ-OR modificado(36), incluindo as dimensões percepção de segurança do
paciente, comunicação e trabalho em equipe, bem como acrescidas questões sobre a LVSC(33).
Após realização do pré-teste, o instrumento intitulado “Avaliação de Atitudes e Opiniões sobre Segurança Cirúrgica em Serviços de Saúde I” (Apêndice B) foi aplicado duas semanas após a finalização do instrumento “Acompanhamento da LVSC” (Apêndice A), no Período I, e antes do início do Período II. O questionário “Avaliação de Atitudes e Opiniões sobre Segurança Cirúrgica em Serviços de Saúde II” (Apêndice C), com questões acrescidas sobre a LVSC, foi aplicado duas semanas após a finalização do Apêndice A e antes do término do Período II.
4.3.3. ETAPA 3
No período do estudo, a população foi constituída por 149 profissionais dos Centros Cirúrgicos dos três Centros Cirúrgicos, entre cirurgiões, anestesiologistas, instrumentadores, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, residentes de cirurgia e anestesiologia, além de chefes dos serviços médicos e de enfermagem. Os profissionais foram abordados nos locais de trabalho em momentos que estavam disponíveis para participação no estudo, respondendo ao instrumento de autoavaliação.
4.3.3.1. Critérios de inclusão
Foram incluídos os profissionais das equipes dos Centros Cirúrgicos, inclusive chefe de serviço médico ou de enfermagem, estudante da Graduação ou Pós- Graduação.
4.3.3.2. Critérios de exclusão
Os critérios de exclusão envolveram os profissionais que estavam ausentes por férias, licenças ou outros afastamentos durante a coleta de dados.
4.3.3.3. Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada durante a implantação da LVSC da OMS, prevista no Projeto Cirurgias Seguras Salvam Vidas da ANVISA (2012-2014).
A participação deu-se por meio do preenchimento de instrumento estruturado e autoaplicável intitulado Autoavaliação da atenção cirúrgica e anestésica em serviços de saúde (Apêndice D), no período de maio e junho de 2013. O instrumento foi desenvolvido utilizando-se os critérios de referência da literatura e da legislação sanitária federal brasileira(116), que orienta para a existência de infraestrutura e padrões mínimos necessários ao funcionamento dos Centros Cirúrgicos, além de elementos envolvendo as equipes tradicionalmente envolvidas nos procedimentos cirúrgicos e segurança do paciente(76). Também foi utilizado para elaboração do instrumento de coleta, o Roteiro de Autoinspeção e Inspeção da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro(37).
O instrumento de autoavaliação foi constituído por 27 questões objetivas, agrupadas de acordo com os critérios de estrutura física e operacional, além de questões específicas sobre a realização de ações voltadas para a segurança do paciente. Para cada questão, o respondente deveria marcar uma única alternativa.
Os participantes não receberam o questionário com antecedência e não foi dado tempo para preparar suas respostas. O objetivo era obter respostas espontâneas dos participantes, garantindo simultaneamente o anonimato e a confidencialidade.