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Chapter 2. State of the Art: Islam and individualization in the modern West/Europe

2.2 Conceptualizing Islam in the West

A falta de acesso à assistência cirúrgica de qualidade continua sendo um problema significativo em grande parte do mundo, apesar de as intervenções cirúrgicas serem benéficas no que diz respeito a salvar vidas e evitar incapacidades. Em locais com escassez de recursos, os seguintes fatores contribuem para a falta de segurança cirúrgica em serviços de saúde: 1) infraestrutura e equipamentos inadequados; 2) os suprimentos e a qualidade de medicamentos não confiáveis; 3) as falhas na gestão das organizações e no controle das IRAS; 4) as capacitações e treinamentos de pessoal inapropriados; e 5) o subfinanciamento severo(63).

Apesar da reconhecida ocorrência de progressos na assistência cirúrgica nos últimos séculos, as falhas de segurança durante o ato cirúrgico podem causar danos e injúrias consideráveis ao paciente, comprometendo sua saúde, prolongando a estadia hospitalar e podendo levar à morte nos serviços de saúde(7, 183). Assim sendo, os erros ocorridos durante a prestação de cuidados cirúrgicos assumem uma particular relevância nos serviços de saúde.

A comunicação entre os membros da equipe cirúrgica é extremamente importante para melhorar a segurança do paciente(184). A maioria dos erros que ocorrem em unidades dos serviços de saúde, especialmente nas salas operatórias, pode ser atribuível à comunicação deficiente e à falta de trabalho em equipe(33). Em um estudo realizado por Gawande et al.(22), a comunicação foi considerada como fator contribuinte em 43% dos erros cometidos em procedimentos cirúrgicos .

A determinação do resultado cirúrgico ainda depende da complexidade da tarefa a ser realizada no paciente (dificuldade técnica, idade, co-morbidade, tipo de doença, estádio de avanço, fatores técnicos, anatômicos ou outros fatores de dificuldade) e do desempenho individual, da equipe e da instituição. Esta última envolve fatores técnicos humanos, fatores de equipe e fatores da organização ou sistema (equipamentos, protocolos, cultura local de segurança, volume de casos, experiência, entre outros). Depende ainda das condições locais de trabalho (recursos, staff, urgência) e finalmente, depende ainda de um fator de pura variação

aleatória – o acaso. O efeito acaso é gerado a partir das relações interdependentes do fenômeno biológico, da interação com as pessoas e os sistemas. Todas estas determinantes atuam no bloco operatório e produzem um maior ou menor grau de ocorrência de eventos, conforme o nível ou ambiente local da cultura de segurança(96).

A realização de um procedimento cirúrgico constitui, de forma inevitável, em uma atividade relevantemente estressante. Os níveis excessivos de estresse intra- operatório pode comprometer tanto as habilidades técnicas(185, 186) quanto as não técnicas(187).

Estudos relatam que o papel do cirurgião (cirurgião principal ou assistente) consiste em um potencial agente estressante, sendo que os fatores técnicos estressantes incluem a complexidade do procedimento, a presença de sangramento, e os problemas relacionados com os equipamentos(188). Por sua vez, os fatores não técnicos estressantes incluem, distrações, pressão de tempo, estar de plantão, presença de visitantes na sala operatória, e transmissão ao vivo da cirurgia(185- 188).

Segundo Gawande et al.(22), diversos fatores organizacionais e humanos contribuem para resultados cirúrgicos desfavoráveis, a saber: inexperiência do cirurgião; pequeno volume de cirurgias; excessiva carga de trabalho; fadiga; tecnologia desfavorável; insuficiente supervisão de estagiários/residentes; sistemas hospitalares inadequados; comunicação deficiente entre profissionais da equipe; turno e falhas administrativas.

Outros fatores associados com o aumento do risco de erros cirúrgicos envolvem a prestação de cuidados durante a cirurgia de emergência, mudança não planejada durante o ato operatório e índice de massa corporal(189).

Diversos problemas que aumentam a probabilidade de ocorrência de EA nos serviços de saúde e que extrapolam o procedimento cirúrgico em si são os cuidados prestados de forma inadequada nas fases pré, peri e pós operatória nos serviços de saúde(9). Neste contexto, a LVSC é aplicável não apenas para evitar a omissão acidental de etapas críticas do procedimento cirúrgico, mas também para melhorar a comunicação na sala operatória(28, 190).

Um fator importante relacionado à cirurgia insegura consiste no uso inapropriado de antibioticoprofilaxia. Os antimicrobianos frequentemente não são administrados no tempo correto para permitir um nível tecidual adequado no período operatório(191), ou seja, até 60 minutos antes da incisão cirúrgica(9), exceto para vancomicina e fluoroquinolonas, cujos tempos apropriados para administração é até 120 minutos antes da incisão cirúrgica(192).

As complicações cirúrgicas importantes variam entre 3% e 17%(9) e incluem paciente, local e procedimento errados, problemas com o equipamento de anestesiologia, a falta de disponibilidade de equipamentos necessários, perda de sangue inesperada e produtos para a saúde (por exemplo, compressas) deixados no interior dos pacientes(67).

Os três principais incidentes de segurança evitáveis em pacientes cirúrgicos e que ocorrem dentro da sala operatória são: 1) cirurgias no local errado; 2) retenção de artigos cirúrgicos; e 3) incêndios cirúrgicos. Nos EUA, a incidência de todos três eventos afeta quase 5.000 pacientes por ano (aproximadamente 2.000 eventos de cirurgia errada, 2.000 de retenção de objetos estranhos e 500 incêndios cirúrgicos)(181).

Um relatório disponibilizado pelo Departamento de Saúde do Estado de Minnesota dos EUA, envolvendo as notificações de instituições de saúde do período de 2007 a 2008, mostrou a ocorrência de 77 EAs cirúrgicos, dos quais: 21 (realizados no local errado do corpo); 2 (feitos no paciente errado); 16 (procedimentos errados realizados); 37 (retenção de objetos estranhos) e 01 (óbito do paciente)(193).

Estes resultados apontam que as habilidades técnicas são necessárias, mas insuficientes para manter o alto nível de desempenho ao longo do tempo. Para o alcance e a manutenção de elevado desempenho cirúrgico, a atenção precisa também estar revestida de habilidades não técnicas, tais como, o trabalho em equipe, a liderança, a percepção da situação, a tomada de decisão, a gestão (gerenciamento) da atividade e a comunicação(194).

Diversas intervenções para a segurança do paciente cirúrgico foram estabelecidas pelo NQF(195), tais como: 1) criar uma cultura de segurança no cuidado à saúde; pedir a cada paciente ou seu representante legal para recontar o que foi informado durante a aplicação do consentimento informado; 2) implementar um

protocolo padronizado para prevenir a ocorrência de procedimento no local errado ou no paciente errado; 3) avaliar cada paciente para o risco de ISC tendo em vista o planejamento do procedimento cirúrgico; e 4) implementar profilaxia cirúrgica apropriada com antimicrobiano.