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2.13 Protein expression

2.13.5 Fermentation of P. pastoris

O Paradigma da Complexidade pensado/elaborado/desenvolvido/construído por Morin (2002b) alicerça-se na perspectiva transdisciplinar, isto é, defende a ideia da união/junção e interlocução entre as áreas do conhecimento: as ciências sociais, humanas e exatas. Para tanto, instiga e sugere a inter-relação entre os conteúdos científicos, perpassando, ainda, pelas artes, literatura, poesia e considerando também as crenças humanas (a experiência espiritual). Nessa concepção, permitem-se articulações, organizações e estruturações entre disciplinas que outrora estiveram isoladas, buscando a unidade do que estava desunido, fragmentado.

De acordo com Morin:

As relações fundamentais de exclusão e/ou associação entre conceitos primários, ou seja, as alternativas e associações preliminares, constituem precisamente os paradigmas que controlam e orientam todo saber, todo pensamento e, dessa forma, toda a ação (já que o saber é transformador e transformável). É no nível do paradigma que mudam a visão da realidade, a realidade da visão, o aspecto da ação, que, em suma, a realidade muda. Descobrimos então que a complexidade se situa não somente no nível da observação dos fenômenos e da elaboração da teoria, mas no do princípio ou paradigma. (MORIN, 2005a, p. 462).

Partindo dessa visão, o paradigma constitui-se como o orientador que define as condições para que o conhecimento possa se desenvolver. Nesse sentido, a definição de paradigma abrange, “para todos os discursos que se realizam sob o seu domínio, conceitos fundamentais”, ou “as categorias mestras de inteligibilidade, ao mesmo tempo que, o tipo de relações lógicas de atração/repulsão (conjunção, disjunção, implicação ou outras) entre esses conceitos e categorias.” (MORIN, 2002c, p. 261).

O paradigma, nessa perspectiva, assume a característica de um tecido de constituição heterogênea, mas que é inseparavelmente associado. (MORIN, 2003a). A complexidade pode ser entendida, dessa forma, como um tecido (acontecimentos, interações, ações, retroações, determinações e acasos) de fenômenos que se inter- relacionam.

Cabe destacar a preocupação do autor em esclarecer o seu entendimento sobre o significado de indivíduo, enfatizando que os seres de uma mesma espécie são diferentes. Morin (2003a) concebe o indivíduo como produto e produtor na espiral da vida. Nesse cenário, a sociedade é o produto de “interações entre indivíduos”; por sua vez, as interações “criam uma organização que tem qualidades próprias, em particular a linguagem e a cultura.” (MORIN, 1996a, p. 48). Dessa afirmação se extrai que os indivíduos produzem a sociedade, que, por sua vez, produz os indivíduos, evidenciando a noção de dependência, a qual leva a questionar a noção de autonomia do indivíduo do ponto de vista da complexidade.

A autonomia, segundo a perspectiva complexa, está intimamente ligada “à de dependência, e a de dependência é inseparável da noção de auto-organização.” (MORIN, 1996a, p. 46). O autor recorre às reflexões de Heinz Von Foerst, que compreende a auto-organização do sistema como autônoma, no entanto esclarece que o sistema auto-organizador, ao trabalhar para construir e reconstruir

sistematicamente a sua autonomia, necessita de energia, levando-a ao esgotamento.

Recorrendo ao segundo princípio da termodinâmica, Morin (1996a, p. 46) destaca que o sistema auto-organizador extrai energia do exterior, o que significa dizer que, “para ser autônomo, é necessário depender do mundo externo”, evidenciando que a dependência não é somente energética, “mas também informativa, pois o ser vivo extrai informação do mundo exterior a fim de organizar seu comportamento.”

Morin preocupa-se, ainda, em chegar à noção de indivíduo-sujeito, que implica autonomia e dependência. Ser sujeito “não quer dizer ser consciente”, nem “quer dizer ter afetividade, sentimentos”, embora a subjetividade humana esteja alicerçada nessas características. Ser sujeito “é colocar-se no centro do seu próprio mundo, é ocupar o lugar do eu.” (MORIN, 2003a, p. 95). A ideia do eu é particular, própria, inerente a cada um e intransferível. Este eu, de ser sujeito, confere o sentido egocêntrico do sujeito, chegando-se, assim, à complexidade do indivíduo, que é “autônomo”, mas “dependente ao mesmo tempo”; é “provisório, vacilante, inseguro, é ser quase tudo de si e quase nada pelo universo.” (MORIN, 2003a, p. 96). Assim, tem-se a “tragédia da existência do sujeito, que está ligada ao princípio da incerteza.” (MORIN, 1996a, p. 54).

O espaço da universidade, instituição social/organização, constitui-se de indivíduos que são produtores e produtos da sociedade, bem como produtos e produtores das normas e regras que conduzem as ações nesse ambiente policultural, num processo auto-organizativo do sistema. São, acima de tudo, indivíduos-sujeitos com suas crenças e atitudes, permeadas por concepções e ambições individuais, convivendo nesse espaço de construção do conhecimento. Tendo como referência esses pressupostos é que se ratifica a opção pelo Paradigma da Complexidade, no intuito de poder perceber, aprender e compreender as complexas inter-relações que permeiam as decisões tomadas nas universidades com relação à comunicação e à comunicação interna planejada, ou não, nesses ambientes complexos.

O Paradigma da Complexidade permite conceber que o conhecimento é contínuo, como na espiral, num processo ininterrupto de construção/desconstrução/reconstrução, infinita e sistemática. Nessa perspectiva, têm-se os conceitos abertos, pois articulam-se do todo e no todo, buscando a

compreensão da multidimensionalidade, das totalidades integradoras. No entanto, cabe lembrar que podem estar em situações antagônicas, concorrentes e complementares ao mesmo tempo.

Em face desse entendimento, Morin (2005a) pensa a complexidade tendo como referência três princípios norteadores do método, - o dialógico, o recursivo e o hologramático -, enfatizando que suas partes estão integradas e que os princípios precisam ser, necessariamente, de distinção, de conjunção e de implicação. (MORIN, 2003a). A concepção dos princípios parte da visão de que os sistemas interagem de maneira autônoma e organizada, ou seja, se auto-eco-organizam, estando em estreita relação com o meio ambiente. Assim, pensar a complexidade significa compreendê-la na perspectiva de tensões que ocorrem e são atualizadas no sistema, que experimenta relações e inter-relações.