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A closer view at GH18 chitinases and the chitinolytic machinery of S. marcescens 9

1.3 Enzymes and binding modules involved in the degradation of polysaccharides

1.3.3 A closer view at GH18 chitinases and the chitinolytic machinery of S. marcescens 9

Santos (2005) traz como alternativa para a universidade o chamado conhecimento pluriversitário. Trata-se de um conhecimento que considera o contexto e cujo princípio organizador para sua produção é, justamente, a aplicação extramuros que lhe é possível dar. Nesse contexto, os problemas que se propõe resolver, bem como os seus critérios de relevância, têm como ponto de partida a avaliação dos pesquisadores universitários. É, portanto, um conhecimento com características transdisciplinares, que, em virtude da contextualização, leva-a ao diálogo e/ou ao confronto com outros tipos de conhecimento. Precisa, para tanto, ser produzido em sistemas abertos, com estruturas menos perenes e em organizações menos rígidas e hierárquicas. Com esse tipo de conhecimento, a sociedade torna-se ela própria sujeito de interpelações à ciência, não mais um objeto de interpelações da ciência.

Seguindo um mesmo raciocínio, Schwartzman (2005) destaca que para enfrentar a complexidade crescente presente na sociedade é preciso que a universidade tenha condições adequadas para desenvolver e produzir pesquisa em educação, ampliando o escopo de disseminação dos seus resultados, os quais devem fazer parte e ser incorporados às políticas governamentais. Isso porque, segundo Buarque (1994, p.15), a “complexidade da sociedade evolui mais

rapidamente que a ciência que tenta entendê-la, criando uma espécie de crescente brecha epistemológica.”

Santos (2005) propõe uma globalização contra-hegemônica para enfrentar os desafios da globalização, o que significa a retomada da universidade como bem público. Desse modo, as reformas nacionais precisariam espelhar um projeto de país que objetive a sua inserção em contextos de produção e de distribuição de conhecimentos de maneira qualificada no processo de transnacionalização. O autor enfatiza que a exclusão de grupos sociais é um dos temas principais que precisam ser abordados no sentido de serem eliminados, respondendo positivamente às demandas sociais pela democratização da universidade.

Embora o crescimento da universidade brasileira tenha atingido níveis significativos de expansão, muitos entraves ainda precisam ser vencidos para que possa, efetivamente, atender aos anseios da população e do desenvolvimento da nação. Um aspecto muito discutido refere-se a um modelo efetivo de universidade, seja para a América Latina34, seja para o Brasil. Contribuições significativas são encontradas nos estudos de Buarque (1993), que discute e encaminha os pressupostos para um modelo de universidade para os países emergentes.

Em suas reflexões, ainda na década de 1990, Buarque (1994) já enfatizava que a educação precisaria assumir uma perspectiva de futuro, isto é, transpor as fronteiras do futuro. De acordo com o autor, o objetivo seria participar ativamente da construção de uma sociedade livre, que pudesse praticar a liberdade, e nesse cenário a universidade assumiria um papel privilegiado na construção e no desenvolvimento do país.

Para tanto, Buarque (1994) destacou que as funções da universidade precisariam estar alicerçadas em cinco parâmetros: ampliar o patrimônio cultural da humanidade, bem como da sociedade local, avançando o pensamento em todas as áreas, de maneira que as bases da sociedade fossem intelectualmente criativas e sofisticadas; ser crítica ao que ameaça a soberania nacional, condenando as desigualdades e propondo alternativas que visem à distribuição do bem-estar, da cultura e da liberdade; compreender o país, suas especificidades, suas necessidades, seu potencial, num contexto universal, considerando o espaço e o

34 De acordo com Rossato (2005), a América Latina esboçou um modelo próprio de universidade, sem, no entanto, ter conseguido uma identidade própria. Embora tenham sido criadas no século XVI, essas universidades não conseguem se renovar e acompanhar as mudanças produzidas, principalmente, na Europa.

tempo, a geografia e a história; delinear o que se deseja da sociedade no futuro, formulando alternativas que levem a este futuro, sem, no entanto, deixar de considerar a realidade herdada e os limites do que é possível; por fim, desenvolver bases científicas e tecnológicas que busquem a transformação dos recursos disponíveis no conjunto de bens e serviços necessários ao bem-estar social, formando mão de obra para a produção dessas funções.

A proposta é desafiadora, instigante e complexa se consideradas as relações sociais, econômicas e políticas que constituem a sociedade contemporânea mundial e, sobretudo, a realidade brasileira. Trata-se de um modelo de universidade que tem por missão pensar, entender, formular e criar o pensamento, as ideias que expliquem e possam servir de base para a construção da nação. (BUARQUE, 1994).

Tendo por referência as considerações apresentadas pelos autores, acredita- se que o desafio ainda está por vir, considerando a perspectiva de a universidade construir seu próprio projeto e caminho, portanto o seu próprio futuro. A reflexão leva à constatação de que o compromisso da universidade é com o desenvolvimento social, mas, para tanto, existe a necessidade de uma instituição democratizada e acessível. As crises levam/geram a transformação, constituindo-se num processo de ordem/desordem/organização necessário para que as mudanças no interior do sistema possam emergir, considerando, ainda, a diversidade e a dualidade da organização.

Para Morin (2002b, p.81), a universidade é, ao mesmo tempo, conservadora, regeneradora e generadora, pois “conserva, memoriza, integra, ritualiza uma herança cultural de saberes, ideias, valores; regenera essa herança ao reexaminá- la, atualizá-la e transmiti-la; gera saberes, ideias e valores que passam, então, a fazer parte da herança.” O paradoxo que permeia a universidade no mundo contemporâneo é a dupla função de adaptação à modernidade científica e integração a ela, bem como de resposta para as necessidades de formação, mas, ao mesmo tempo, ter de fornecer um ensino com característica metaprofissional, metatécnico, ou seja, uma cultura. (MORIN, 2002b).

O autor pontua como problemáticas da universidade a disjunção dos saberes entre disciplinas e a dificuldade de estabelecer um elo comum entre essas disciplinas e a disjunção entre cultura humanista e cultura científica, que absorve a compartimentação entre as ciências e as disciplinas, ocasionando a inexistência de comunicação entre elas. Seguindo esse pensamento, Morin (2002b) enfatiza a

necessidade de uma reforma que contemple a reorganização do conhecimento, ou seja, uma reforma do pensamento, que exigirá, por sua vez, a reforma da universidade.

Compreende-se que os elementos da crise, como, por exemplo, as mudanças na política para a educação superior, estão hoje fortemente presentes no mundo e são comuns a quase todos os países. A discussão sobre os aspectos que norteiam as concepções, os objetivos, as funções da universidade no mundo contemporâneo é premente e enfatiza um momento de transformação. Contemplando esse cenário, entende-se que a universidade necessita desvelar suas fragilidades, exigindo sua adaptabilidade a um modelo neoliberal global, permeado pela tecnologia da informação e da comunicação. É nesse cenário que se discutem a avaliação institucional, seus propósitos e objetivos, bem como o desafio do Sinaes como proposta para a melhoria da qualidade da educação superior no Brasil.