4.2 Refleksjoner rundt norskinnlæringen
4.2.1 Ferdighets- og kunnskapsorienterte faktorer for investering
Segundo as pesquisas realizadas por Duque (1964), a Região Natural do Seridó do Nordeste cobre uma superfície de 33.669,250 km2, distribuídos entre os Estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O Seridó Norte-rio-grandense compreende uma área correspondente a 23,55% do total dessa região natural, equivalente a 7.928,70 km2. Nessa área estavam incluídos até os anos 50, 12 municípios (SEPLAN; IICA, 2000).
“A superfície da Região do Seridó, como muitas outras regiões, teve seu território ampliado por critérios políticos, administrativos e culturais, variando seus contornos ao longo de sua história” (MEDEIROS, 1954 apud SEPLAN; IICA, 2000, v. 1, p. 30).
“Entretanto, o Seridó norte-riograndense, política e administrativamente delimitado pelo IBGE, tem uma configuração distinta da que foi sendo construída de acordo com as especificidades históricas e culturais da região” (SEPLAN; IICA, 2000, v. 1, p. 30).
De acordo com o mapa apresentado por Bezerra (2002), para o IBGE, o Seridó é integrado pelos seguintes 23 municípios: Acari, Caicó, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Cruzeta, Currais Novos, Equador, Florânia, Ipueira, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Lagoa Nova, Ouro Branco, Parelhas, Santana do Seridó, São Fernando, São João do Sabugi, São José do Seridó, São Vicente, Serra Negra do Norte, Tenente Laurentino Cruz e Timbaúba dos Batistas.
Figura 11: Rio Grande do Norte – Região do Seridó
FONTE: Adaptado de Carvalho (2001, p. 21, figura 4) e Bezerra (2002, p. 62, figura 2)
No que diz respeito à economia regional, Varella (1992) relata que a agricultura seridoense destacava-se até a década de 80, pela produção de algodão industrializado, tanto a exportação como a importação do produto, hoje comprometida pela praga do bicudo. Em menores proporções, a produção do milho, feijão e batata, absorvida no próprio Estado.
No que tange aos recursos minerais, a Região do Seridó possui a mais expressiva concentração dessas riquezas no Estado, com destaque para a scheelita, feldspato, berilo, tantalita, columbita, mica, ouro, gemas, quartzo e rochas ornamentais. Até a década de 70, o Rio Grande do Norte era o maior produtor nacional de scheelita. Atualmente, as minas e garimpos de scheelita estão paralisados, não por esgotamento de reservas, mas devido à perda de competitividade em relação ao equivalente chinês.
Para Seplan e Iica (2000), as atividades humanas que se desenvolveram, e continuam até hoje na Região do Seridó, estão ligadas à pecuária extensiva, à agricultura de sequeiro com culturas e técnicas inadequadas, à indústria extrativista da cerâmica e à mineração, entre as mais significativas. A indústria da cerâmica tem papel destacado, sustentando-se em dois vetores com efetivos e potenciais poderes de degradação do meio ambiente: a retirada da argila dos vales e o uso da mata nativa para a produção de lenha, consumida nos fornos de queima da cerâmica.
Quanto à geologia, “a região em questão situa-se sobre uma formação constituída de rochas sedimentares, magmáticas e metamórficas, com ocorrência de biotita-xisto, quartzitos, muscovita, além de pegmatitos e granitóides” (VARELLA, 1992, p. 10).
Tabela 3: Área e população dos municípios do Seridó
POPULAÇÃO (hab) MUNICÍPIOS
DO SERIDÓ
ÁREA
(km2) URBANA RURAL TOTAL
% SOBRE A POPULAÇÃO TOTAL DENSIDADE DEMOGRÁFICA (hab/km2) Acari 612,9 8.358 2.590 10.948 4,38 17,86 Caicó 1.220,4 45.829 6.190 52.019 20,80 42,62 Carnaúba dos Dantas 246,2 4.635 1.523 6.158 2,46 25,01 Cerro Corá 402,6 4.245 6.067 10.312 4,12 25,61 Cruzeta 289,7 5.575 2.379 7.954 3,18 27,46 Currais Novos 887,1 34.749 5.857 40.606 16,24 45,77 Equador 313,1 3.903 1.715 5.618 2,25 17,94 Florânia 509,5 4.432 4.487 8.919 3,57 17,51 Ipueira 172,1 1.321 466 1.787 0,71 10,38 Jardim de Piranhas 374,2 7.501 3.009 10.510 4,20 28,09 Jardim do Seridó 380,5 8.894 2.992 11.886 4,75 31,24 Jucurutu 966,4 9.459 7.585 17.044 6,82 17,64 Lagoa Nova 137,3 5.156 5.735 10.891 4,36 79,32 Ouro Branco 221,2 2.676 1.904 4.580 1,83 20,71 Parelhas 525,7 14.654 3.533 18.187 7,27 34,60 Santana do Seridó 170,5 1.224 1.098 2.322 0,93 13,62 São Fernando 405,5 1.522 1.980 3.502 1,40 8,64 São João do Sabugi 287,2 3.981 1.468 5.449 2,18 18,97 São José do Seridó 194,9 2.304 1.158 3.462 1,38 17,76 São Vicente 209,7 2.615 2.354 4.969 1,99 23,70 Serra Negra do Norte 525,2 3.060 4.363 7.423 2,97 14,13 Tenente Laurentino Cruz 65,5 1.457 1.877 3.334 1,33 50,90 Timbaúba dos Batistas 143,2 1.736 426 2.162 0,86 15,10 Região do Seridó (23 municípios) 9.260.6 179.286 70.756 250.042 100,00 27,00
FONTE: Adaptado de Seplan e Iica (2000, v. 1, p. 42, tabela 3.1.4.1)
Seplan e Iica (2000) destaca que a geologia da região é constituída, predominantemente, pelo substrato geológico do tipo cristalino, circunstância que aliada ao poder erosivo das chuvas torrenciais dá origem a solos rasos que impedem o acúmulo de água no seu perfil e a conseqüente descarga de base. As condições climáticas da região aliadas a essa predominância do cristalino (escassez de água subterrânea, impondo a necessidade de captação e armazenamento de águas de superfície, por meio da açudagem e da perenização de rios), exercem influência decisiva sobre a disponibilidade dos recursos hídricos, condicionando a existência de rios dominantemente intermitentes. Outro aspecto importante
daí derivado refere-se à salinização das águas, processo que ocorre nos terrenos cristalinos por conta da intensa ação do sol e dos altos índices de evaporação associados aos ventos. A água das chuvas solubiliza os sais minerais das rochas, os quais, por sua vez, são carreados para os reservatórios. Devido a esses fatores, a concentração salina das águas dos mananciais existentes no Seridó sofre substancial elevação, comprometendo sua qualidade físico-química e inviabilizando seu uso tanto para o consumo humano como animal e agrícola. No auge do período das secas, chega-se a observar em pequenos corpos d’água (açudes) o fenômeno da eflorescência, isto é, a cristalização de sais na superfície do solo sob a forma de crostas brancas.
A hidrogeologia, por sua vez, abrange os aqüíferos cristalino e aluvião. O primeiro engloba todas as rochas cristalinas que existem na região, onde o armazenamento de águas subterrâneas somente se torna possível quando a geologia local apresenta fraturas associadas a uma cobertura de solos residuais significativa. O segundo apresenta-se disperso, sendo constituído pelos sedimentos depositados nos leitos e terraços dos rios e riachos de maior porte.
“O relevo caracteriza-se por uma topografia predominantemente suave ondulada, sendo constituído por colinas de topos achatados e arredondados, com declividade variando de 3% a 10% e altitude de 50 a 300 metros” (CARVALHO; GARIGLIO; BARCELLOS, 2000, p. 9).
Os solos, de um modo geral, são compostos de rochas cristalinas: gnaisses, micaxisto, e granitos, predominando os tipos Bruno-não-cálcico, Litólico, Solonetz Solodizado e Aluvião. A principal limitação desses solos diz respeito à baixa capacidade de retenção d’água e a susceptibilidade à erosão.
De acordo com Consórcio Tecnosolo e Cep (1999), os solos Bruno Não-Calcicos (predominantes) caracterizam-se por apresentar pouca profundidade e alta susceptibilidade à erosão. Trata-se de um tipo particular de erosão – a laminar –, bastante comum no Seridó. Ao contrário da erosão em sulcos, a erosão laminar apresenta-se pouco perceptível, sendo por isso mais problemática. O problema da erosão laminar é que ela remove principalmente o horizonte superficial do solo – o horizonte “A”, que apresenta, em muitas áreas, profundidade inferior a 15 centímetros. O horizonte “A” é o mais rico em matéria orgânica. A erosão laminar determina, por isso, uma intensa perda dos nutrientes associados ao solo em que ocorrem.
Seplan e Iica (2000) destaca, além dos solos Bruno Não-Cálcicos, também a presença de solos Litólicos nas terras do Seridó. Os solos Bruno Não-Cálcicos apresentam fertilidade média e alta. Predominam na Zona Homogênea de Caicó. Enquanto isso, os solos Litólicos, fisicamente inadequados à agricultura, ocorrem com maior expressão na Zona Homogênea de Currais Novos. Também há ocorrência de solos aluviais, de regossolos eutróficos, de latossolos vermelho-amarelos distróficos (com nutrição irregular), de solos podzólicos vermelho-amarelos eutróficos e planossolos.
Quanto ao uso do solo, verifica-se que 45% das áreas são destinadas a pastagens, principalmente pastos naturais sob cobertura arbórea, 29% com áreas florestais, 17% para agricultura, representada por culturas permanentes, temporárias e ainda por terras em descanso (pousio), e 9% representam
superfícies consideradas não utilizáveis diretamente (afloramento rochoso, estradas, caminhos, áreas urbanas, construções, açudes, etc.) (CARVALHO; GARIGLIO; BARCELLOS, 2000).
Boa parte dos solos seridoenses – especialmente os mais rasos, pedregosos e de relevo acidentado – constituiu outrora o domínio quase absoluto do algodoeiro mocó e da pecuária bovina de corte. Também foram utilizados, secundariamente, pela criação de caprinos. Mas sua utilização alternativa com outras atividades agrícolas é cada vez mais reduzida. Com a contração da produção algodoeira observada nos anos 80 do século XX, os solos pouco férteis, pedregosos e ondulados do Seridó foram tendo seu uso restrito ao desenvolvimento extensivo da caatinga, cujas espécies se destinavam à extração de madeira, para a produção de lenha e carvão, utilizados com diversas finalidades.
Certo é que a maior parte das atividades agrícolas e pecuárias realizadas no Seridó foram historicamente conduzidas em solos de características inferiores devido à escassez de terras férteis, quase sempre encontradas apenas nas faixas aluviais de alguns rios e riachos. Os solos de melhor fertilidade, textura e relevo, têm sido usados somente no cultivo de lavouras alimentares, de frutas e de forrageiras. Atualmente, o uso com forrageiras tem sido crescente em virtude da prioridade que está sendo concedida à alimentação do gado destinado à produção leiteira (SEPLAN; IICA, 2000).
Consórcio Tecnosolo e Cep (1999) também destaca esse problema da escassez de terras férteis ao afirmar que a disponibilidade de terras agricultáveis em grandes áreas contínuas, no Seridó, “é reduzida, pois a pequena produtividade dos solos, a pedregosidade na superfície ou a ocorrência de pequenas áreas de aluviões ao longo dos rios, restringem a ocupação agrícola a poucas manchas de terras na paisagem, o que pode ser comprovado no campo, pela atual forma de ocupação das terras, onde agricultores utilizam apenas as manchas de solos ligeiramente mais profundos, nas meias encostas ou as situadas nas proximidades dos cursos d’água”.
O clima na região, segundo classificação de Koppen², é do tipo BSs’h’, ou seja, clima muito quente e semi-árido, tipo estepe. De acordo com a classificação bioclimática de Gaussen³, a região em estudo se caracteriza por apresentar índice xerotérmico maior que 150 e menor que 200, com 7 a 8 meses secos (CARVALHO; GARIGLIO; BARCELLOS, 2000).
2 A classificação climática de Koeppen apóia-se nas variações da temperatura e das precipitações no decorrer do ano. Usa letras maiúsculas e minúsculas para representar os tipos de clima.
3 A classificação bioclimática de Gaussen classifica os bioclimas do mundo atribuindo a maior importância ao ritmo das temperaturas e das precipitações ao longo do ano pela sua influência sobre a vegetação.
Dentre os fatores naturais característicos da região, destacam-se os referidos ao clima semi- árido, caracterizado por temperatura média anual situada entre 26 e 28qC (com declínio acentuado à noite), insolação de 3.240 horas/ano, umidade relativa do ar na faixa de 64%, precipitação pluviométrica média anual entre 645 e 760 mm e alta evapotranspiração (SEPLAN; IICA, 2000).
Seplan e Iica (2000) também classifica o clima da região como muito quente e semi-árido, com a estação chuvosa se atrasando para o outono. As temperaturas são elevadas, “a umidade relativa do ar é baixa e as precipitações pluviométricas são – via de regra – inferiores à evapotranspiração potencial, caracterizando, desta forma, um acentuado déficit hídrico. O tipo de clima é essencialmente tropical quente, semi-árido, com 6 a 11 meses secos, passando a mediterrâneo subúmido com 4 a 5 meses secos na faixa oriental desta unidade” (BRASIL, 1996, p. 19).
No Seridó as fragilidades ambientais são realmente marcantes. A temperatura do solo na região chega a atingir 60qC, com uma incidência de insolação superior a 3.000 horas anuais. Do total das chuvas que caem no Seridó, apenas 0,2% se infiltram no solo, 3,8% se acumulam nos açudes, 5% retornam para o mar, através dos rios, e 91% são evaporados (SEPLAN; IICA, 2000).
“Com relação à cobertura vegetal, a região é caracterizada pela caatinga [...]. Essa floresta seca e espinhosa tem uma vegetação arbustiva e arbórea, com predominância de cactáceas e gramíneas distribuídas de uma maneira espaçada [...]” (VARELLA, 1992, p. 10).
Para Paula (2000) a palavra “Caatinga”, de origem indígena, significa mato branco ou esbranquiçado, ou mesmo ralo. Segundo o Dicionário Aurélio, Caatinga (de Caá-tinga) S. f. Bras. – tipo de vegetação característico do Nordeste brasileiro, mas que alcança o N. de MG e o MA, formada por pequenas árvores, comumente espinhosas, que perdem as folhas no curso da longa estação seca (entre elas ocorrem numerosas plantas suculentas, sobretudo cactáceas).
Para Duque (1964, p. 34), “a caatinga é um conjunto de árvores e arbustos espontâneos, densos, baixos, retorcidos, leitosos, de aspecto seco, de folhas pequenas e caducas, no verão seco, para proteger a planta contra a desidratação pelo calor e pelo vento. As raízes são muito desenvolvidas, grossas e penetrantes” O solo onde ocorre esse tipo de associação vegetal no Nordeste “é silicoso ou silico-argiloso, muito seco, raso, quase sem humos, pedregoso, pobre em azoto, porém contendo regular teor de cálcio e potássio, como atesta a vegetação do algodoeiro e do caroá. [...] Na caatinga a associação florística com o solo e a atmosfera é quase uma simbiose, tal é o regime de economia rígida da água para entreter as funções em equilíbrio; a união densa, fechada, de catingueiras, acácias, umbuzeiros, maniçobas, macambiras, cactáceas, pereiro, etc., protege o solo no inverno com a sua folhagem verde, e no verão cobre-o com uma camada de folhas fenadas que são em parte comidas pelo gado e o restante aduba o chão; as espécies, para sobreviverem em relativa harmonia fisiológica, absorvem umidade do ar, com o abaixamento da temperatura à noite, quando a terra seca lhe nega água e força-as ao repouso. Este é o clímax de estabilização vegetativa.”. Dentre as plantas características da caatinga destacam-se as seguintes: umbuzeiro, barriguda, icó, baraúna, faveleiro, pau
fero, licuri, camaratuba, carnaubeira e várias espécies de cactáceas (palmas, mandacaru e xique-xique) e bromeliáceas (macambira e caroá) (DUQUE, 1964).
Carvalho, Gariglio e Barcellos (2000) acrescentam que a vegetação característica do Seridó é um tipo peculiar de caatinga, constituindo uma formação herbáceo-lenhosa, cuja feição mais típica é representada por um estrato rasteiro composto principalmente de capim panasco (Aristida setifolia HBK), acima do qual destacam-se arbustos e árvores de porte baixo ou médio (4 a 7 m). Trata-se de uma vegetação tipicamente caducifólia, de caráter xerófilo, com grande quantidade de plantas espinhosas, de esgalhamento baixo, com cactáceas e bromeliáceas em algumas áreas.
Apesar da grande área com cobertura florestal ainda existente no Seridó, grande parte está situada em áreas de preservação permanente devido, principalmente, ao seu relevo característico. Do total de 670.023 ha com cobertura florestal, 150.501 ha estão localizados em áreas de preservação permanente e não podem ser legalmente explorados (CARVALHO; GARIGLIO; BARCELLOS, 2000).
Do ponto de vista hidrográfico, o Seridó dispõe de uma rede fluvial constituída por rios não- perenes. Excetuados os anos de seca, eles apresentam dois ciclos perfeitamente caracterizados: um, com escoamento, durante o período chuvoso, e outro, sem escoamento ou seco, na época de estiagem, tão logo cessam as chuvas (SEPLAN; IICA, 2000).
Os cursos d’água são intermitentes, pois suas áreas de drenagem quase sempre ocorrem sobre embasamentos cristalinos, cujos solos são rasos e pedregosos. Possuem, porém, um papel muito importante no sistema agropecuário da região e formam a origem de vários açudes e barreiros construídos para enfrentar o período de seca (CARVALHO; GARIGLIO; BARCELLOS, 2000).