6. Sammenstillende bidrag
6.4 Fellesskapende motiv
Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,/ Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção./Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre
172 THOMPSON, James W. Op. Cit. 112.
173 YOUNG, F. M. The Idea of Sacrifice in Neoplatonic and Patristic Texts, in.: Studia Patristica 11, New
os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne,/Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?/ E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. (Hebreus 9.11.15)
O autor de Hebreus, como propõe Nichols174, não estaria criando nenhuma nova doutrina, e nenhuma das releituras encontradas no livro seria tão estranho à comunidade de judeus convertidos ao Cristianismo. Dessa forma entende-se que o maior trabalho em Hebreus foi o de organizar sistematicamente, tudo aquilo que já era prática corrente da comunidade.
Por ocasião do nascimento do cristianismo o ambiente sócio-econômico não endossava o culto sacrificial, e ainda o pensamento popular estava descontente com os métodos legalistas adotados no sacrifício, o qual, acima de tudo, era tido como insuficiente em seus efeitos; por isso, nada poderia ser mais bem vindo do que uma nova interpretação que eliminasse o sistema sacrificial antigo, e propusesse um novo, no caso, um cordeiro sacrificado de uma ve z por todas.
Strathamann faz uma exposição sobre isto ao desdobrar o trecho de Hebreus 9,11-15, quando diz que ali o autor está fazendo uma recordação do
aparato memorial cultual da antiga aliança e seu serviço sacrificial. Dessa forma, quando o autor de Hebreus coloca que aquele sacrifício desenvolvido era transitório, é provável que já houvesse a aceitação desta interpretação por parte da comunidade175.
Para que se entenda a idéia do cordeiro sacrificial na cultura judaica e no início da Igreja Cristã, é necessário considerar o significado de um símbolo dentro do sistema religioso, resumido na exposição de Lutz, que diz o seguinte:
Símbolo é uma espécie de gênero dos sinais, aliás um fato muito comum, devemos lembrar que é característico do símbolo que el e, por sua natureza, corresponda à realidade significada. Por isso os símbolos não são arbitrários, eles não podem ser criados à vontade daquele que deseja se comunicar176.
A partir deste enfoque, o autor de Hebreus poderia ser questionado no sentido de que estaria sendo arbitrário ao estabelecer Jesus como um símbolo, no caso, no lugar do cordeiro. Mas não é o que acontece, pois o símbolo contínua sendo um cordeiro que morreu pelos pecados, entretanto, a forma alegórica de leitura propensa à época, já atestada anteriormente, proporcionou à comunidade da nova religião aceitar o mesmo símbolo, contudo, com uma personagem diferente.
175 STRATHMANN, Herman. La Epistola a los Hebreos. Actualidad Biblica 25. Madrid: Faz Ediciones,
1971, 23-34.
Além de toda a ligação memorial, não pode ser esquecido o fato de que os cristãos foram pouco depois da expansão da religião, expulsos das sinagogas177, o que os deixaria com a atitude mais sólida para o cisma com o judaísmo. Entretanto, o memorial do sacrifício, não é simplesmente descartado, mas sim continuado em Jesus.
Uma forma clara, narrada pelo autor no capítulo 9, designando como que o judeu não mais precisaria de sacrifício, mas não descartando a necessidade dele. Assim, por intermédio de Jesus, segundo o relato do escritor de Hebreus, o judeu não precisaria desconsiderar um memorial tão importante. Mas transcender o mesmo, na pessoa de Cristo. Esse apelo para o transcendente, quando o imanente não pode mais corresponder à realidade do símbolo, foi estudado pela antropóloga Helené Clastres178, e será abordado no próximo capítulo desta
pesquisa.
Dessa forma, a descrição de tudo quanto foi exposto em Hebreus (sacrifício, herói nacional, santuário, sacerdote), para ser validado, seria preciso oferecer um contato maior com Deus do que oferecia a religião judaica. Como mostra Adriano Filho179, toda a simbologia e o culto judaico serão descritos como inadequados porque endossavam um sistema que permitia ao povo se aproximar de Deus apenas e somente através de seus representantes, os sacerdotes. No ritual do dia da expiação, por exemplo, somente o Sumo Sacerdote podia aproximar-se do santuário interior, símbolo da presença real de Deus.
177 FÖRSTER, W. From the exile to Christ. Philadelphia: Fortress Press, 1964, p. 142.
178 CLASTRES, Hélène. The Land Without Evil, tupi-Guaraní Prophetism. Chicago, University of Illinois
Press, 1995.
Para o Cristianismo, portanto, era uma questão de sobrevivência, apresentar saídas para substituir todos os ritos nos quais a comunidade convertida se via cada vez mais distante e excluída, contudo, com o símbolo religioso já incrustado em suas memórias. Como no caso deste em voga – o cordeiro do sacrifício.
Por isso, seria impossível ao Cristianismo, que nasce do Judaísmo, dizer simplesmente que aqueles símbolos deveriam ser esquecidos, e que para nada serviam. Como atesta Daniel-Rops, o culto cristão iria manter os elementos básicos do culto judaico, “mas transformaria o aspecto ainda material do sacrifício santo de Israel em espiritual e sobrenatural180l”.
2.3. O Templo de Jerusalém e Sua Importância Litúrgica para a Comunidade