4.3 Underkategoriane med størst avvik
4.3.3 Feil i substantivbøying
Flávia, no momento da entrevista, tinha 41 anos. Começou a trabalhar para as instituições comunitárias há 05 anos, tendo trabalhado no CCA como auxiliar e hoje atua como auxiliar de berçário. Estava cursando o segundo semestre da faculdade de Pedagogia, através do Ensino à Distância.
Flávia ouviu a proposta da formação em 2011, interessou-se, mas não pode participar desde o início devido à problemas pessoais. Mais tarde, já na faculdade de pedagogia, recebeu novamente o convite para participação e fez o seu ingresso, pois além de ter mais tempo disponível, acreditou que o PFM enriqueceria seus estudos acadêmicos. Flávia participava do PFM desde o final de 2012 (final do 3º semestre). Afirmou sentir-se deslocada, porém que lhe era enriquecedor poder ajudar as famílias e as crianças:
Olha, que nem que eu te disse, pra mim está sendo tudo novo. Até porque quem começou bem lá na frente, tá bem mais adiantado. Eu tô aqui meio que perdida, mas pra mim está sendo enriquecedor poder ajudar de alguma forma a comunidade, os pais, e as crianças.
46 A partir do curso de formação de multiplicadores, Flávia relatou uma mudança na compreensão da realização de seu trabalho:
(...) quando eu entrei pra ser educadora, eu entrei na visão de que, eu quero fazer um trabalho com crianças. Mas eu não tinha essa visão que eu tenho hoje, de que eu vou poder ajudar as outras pessoas, eu vou poder mostrar pras pessoas qual o meu trabalho, poder ajudar elas. A minha visão era completamente diferente, era uma visão de que, eu ia dar aula, eu ia fazer a minha atividade, eu ia pra casa, pronto.
Segundo Flávia, obter informações a partir de uma formação acadêmica é essencial para seu trabalho com crianças:
Ah a informação... quando eu não tinha a informação pra mim era tudo simples, tudo... ah resolvia, pra mim era fácil. Hoje não, se eu não estudar e não saber qual é o meu papel ali na sociedade, como que eu vou poder ajudar essas crianças? Como que eu vou poder fazer parte daquelas crianças, como eu vou poder ajudar ela sem ter um conhecimento?
Graduar-se em Pedagogia e finalizar a formação de multiplicadores eram importantes realizações para Flávia e possuir estes conhecimentos a afetavam em nível pessoal:
Eu não sei se é só comigo, mas é uma sensação diferente que a gente tem quando você não tem a informação, e quando você tem a informação. É diferente.
Flávia aspirava ser reconhecida enquanto educadora, algo que influenciava seu envolvimento com estudos acadêmicos:
Eu tenho uma expectativa de poder me formar. É um sonho que eu estou realizando, é. Mas uma expectativa de que amanhã ou depois eu vou poder olhar pra trás e falar, eu passei por aquilo ali, hoje eu posso dizer que sou uma educadora de verdade. Não sou pela metade, eu sou inteira.
Flávia sensibilizava-se por trabalhar com crianças mais novas, dessa forma tentou dirigir seu trabalho para estar junto a estas:
(...) eu senti que o meu coração falou mais alto com as crianças menores. Eu gosto de crianças menores (...) não estou aqui pelo dinheiro, eu estou aqui pelo meu amor pelas crianças (...). Estou aqui pelas crianças porque eu gosto daquilo que eu faço.
Segundo ela, ser educadora é assumir uma responsabilidade para com as crianças com quem trabalha e este envolvimento acontece em nível pessoal:
47 Porque ver a realidade da criança, você querendo ou não querendo de uma forma ou de outra você acaba entrando na vida daquela criança. O problema dela é um problema teu também. Não adianta você querer excluir, ah ela tem um problema mas... não, não, acho que o problema é o todo, é de todos. Acho que desde o momento que você ta ali, você tem que acatar tudo. Flávia afirmou no momento da entrevista, não se reconhecer como multiplicadora em razão de seu recém ingresso no grupo:
(...) não adianta você chegar e eu falar assim pra você, eu sou uma multiplicadora, porque ainda sou crua, eu preciso ainda de muito pra aprender. Quem está mais adiante pode falar melhor do que eu. Mas pra mim ainda ta sendo alguma coisa pela metade, não estou por inteiro. Mas eu vou conseguir chegar.
Apesar de afirmar-se iniciante no curso, Flávia define o multiplicador como aquele que envolve-se pessoalmente na vida dos que estão à sua volta e lhes oferece ajuda. Trabalhando com crianças, afirma que já não pode sustentar a idéia de que ser educador é algo exercido apenas dentro da sala de aula, mas deve-se voltar para a comunidade como um todo:
(...) não adianta você chegar aqui e eu fazer um trabalho de educadora, pegar e ir embora e eu chegar em casa, posso ir embora, sabendo que o fulano ainda está precisando de uma ajuda.
eu posso muito bem ser multiplicadora, se eu chegar aqui ver uma senhora sentada na cadeira de rodas, não poder levar ela pro ônibus. O que adianta eu fazer um curso de multiplicador e ver tudo isso e deixar pra si próprio. Não poder ajudar as pessoas, não poder ajudar o seu bairro.
Ela desejava ter um papel na sociedade e tinha a meta de compartilhar o aprendizado da formação com sua comunidade.
E pra mim o multiplicador que eu espero é acrescentar muito mais a minha vida, muito mais o meu trabalho, e poder ajudar as pessoas e a comunidade que não só daqui, mas da minha região mesmo da onde eu moro mais em cima na Vila Antares8.
O multiplicador, segundo Flávia, tem esclarecimento, conhecimento e juntamente com o grupo: “move montanhas até onde não tem, para poder ajudar sua comunidade” (sic).
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48 O cotidiano atribulado de múltiplas tarefas, em sua compreensão, afetava o modo como participava da formação:
(...) você tem que ter um cuidado pra você não deixar e falar assim, abandonar, falar eu não quero mais, tenho muita coisa pra fazer. Que nem, a Heloísa mandou ler o texto, eu não consegui ler porque eu estava na semana de prova essas coisas da Faculdade, eu não tive tempo nem de ver o filme porque eu estou em processo de mudança de casa, então está tudo tumultuado.