4.9 Kvalitativ studie
4.9.2 Å jobbe med rettskriving
O modo de ser multiplicador foi apresentado pelos educadores por meio da dedicação ao outro. Esta dedicação é expressa pela maioria dos educadores como a geração de melhorias para a qualidade de vida dos moradores da comunidade. O fazer do multiplicador, segundo os entrevistados, não resume sua atuação apenas às instituições de ensino, mas visa colaborar com a comunidade como um todo, dando sua atenção e apoio tanto às questões estruturais, como saneamento básico, moradia, iluminação e asfalto, como também para demandas pessoais das famílias. Estas demandas foram compreendidas de maneiras diferentes, ora pela solução efetiva de necessidades materiais, ora através da escuta:
Se um asfalto tem um buraco no chão, a SABESP fez um trabalho mal feito, você liga na ouvidoria tenta arrumar, dá uma recapeada ali é uma melhoria de qualidade de vida. (...) Uma UBS está melhorando a qualidade de vida, uma creche de qualidade como esse movimento que está tendo aí vai melhorar a qualidade de vida pras crianças, pros pais, pra comunidade. São muitas coisas muitas coisas que levam uma melhora na qualidade de vida. (Laura)
(...) você junto com ele pensar numa maneira de resolver aquela situação. Ou às vezes você não resolveu a situação, mas o fato de você conversar, de você ouvir, aquilo já ajudou aquela mãe. O fato dela desabafar, chorar eu acho que aquilo foi uma maneira de ajudar ela. Então eu acho que isso é uma forma de multiplicar. (Anita)
81 Na entrevista devolutiva pode-se observar que a construção da autonomia das famílias passou a fazer parte de sua definição de qualidade de vida, tornando-se uma nova forma de atuação dos multiplicadores:
Então todas as ações nossas aí pra mim o diferencial vai ser se nós conseguirmos ter como base dessa ação multiplicadora o diálogo. Se tiver como base o diálogo ela é... ela gera qualidade de vida. Todo esforço dialógico pra mim é contribuir pra mim na qualidade de vida. (Pedro)
Eu acredito que essa mudança na qualidade de vida ela ta também nesse período estão atreladas nas entrevistas. A partir do momento que o educador se colocou frente as famílias (...) pra ouvir, estar aberto a entender como é o funcionamento desta família e mudar o seu ambiente de trabalho e a gente ser (...) qualidade de vida tanto pra essa criança quanto pra família e o seu olhar muda também no seu ambiente de trabalho. Então eu acho que tudo passa por aí. (Daniele)
De acordo com os educadores, o multiplicador procura compreender e oferecer possibilidades ao outro. Respeito, doação e voluntariado foram termos empregados para definir a postura do multiplicador e os educadores realizam ações neste sentido, como por exemplo, o plantão comunitário.
E os multiplicadores atuam nesse sentido mesmo, do ajudar sem querer nada em troca de maneira voluntária que é o trabalho de (...), do ir, do fazer, é o ajudar a fazer, mas junto com (...). Eu multiplicador, eu posso ser multiplicadora como moradora, eu posso ser multiplicadora como associação. (Valéria)
Além disso, também afirmaram que o multiplicador deve apoiar as escolhas das famílias, levando em conta que cada família tem seu modo de vida próprio.
Se fosse eu na situação delas de repente eu faria de uma maneira diferente mas não é o melhor jeito pra elas. Então elas que tem que saber lidar com isso, do jeitinho delas e o que que eu posso fazer é dando suporte até um certo ponto.(Mariana)
(...) dar a oportunidade pra outras pessoas conhecerem ou fazerem algo que não teve oportunidade de fazer, desistir também do que não quer fazer, deixar as pessoas... no sentido assim, o livre arbítrio. Eu preciso de ajuda, então eu venho... mas é isso mesmo que você quer? Se não for também que essa pessoa seja respeitada. (Valéria)
Fez-se presente nas entrevistas duas concepções sobre como o multiplicador realiza seu trabalho. A primeira é especifica, enfatiza o diálogo como
82 forma de facilitar ao outro que promova seu próprio modo de cuidar de si, através da ampliação de suas possibilidades de compreensão, na maneira que lhe é possível e desejado. Nesta postura, o multiplicador é autocrítico, tenta compreender seus preconceitos e deixá-los de lado na realização de seu trabalho, colocando-se em abertura para o outro. O multiplicador deve refletir sobre quando está se colocando dialogicamente e quando está se impondo sobre o outro.
Vejo-me como multiplicador em muitas, muitas oportunidades. A autocrítica tem sido intensa, me cobro mais. Por vezes eu “catequizava”, “ensinava receitas”, reproduzia “dogmas”, “verdades” não percebendo que larguei o sacerdócio por não acreditar nos dogmas que me ensinaram (...) durante 20 anos. (Pedro)
Um olhar atento, você está ouvindo, entendendo a necessidade de cada um e o que essa pessoa poderia fazer por ela mesma. E ali toma pra frente fazer por ela. Então era um processo rápido que você... um exemplo, a pessoa ela precisava de algum atendimento na saúde a gente por ter conhecimento e ter relação excepcional mais próxima, a gente ligava, marcava já dava exame pronto. Ao invés de indicar um caminho você vai até (...) procurar os meios que ela possa buscar solução pra ela. Então a partir do momento que se está ouvindo, você vê que você as informando, ou encaminhando a pessoa, ela ta fazendo com que ela se mexa, com que ela se mobilize também pra sua própria causa. (Paulo) A segunda, mais generalizante, é expressa pela oferta de apoio/ajuda, para qualquer necessidade que se apresente, para a qual o multiplicador se envolverá pessoalmente na resolução do problema. Nesta concepção do ser multiplicador, são relatados obstáculos para o exercício de sua função, ora o montante de trabalho, ora as instituições públicas, ora o próprio grupo dificulta seu exercício e o multiplicador pode agir sozinho na resolução das demandas:
É, explicar, não adianta você chegar aqui e eu fazer um trabalho de educadora, pegar e ir embora e eu chegar em casa, posso ir embora, sabendo que o fulano ainda está precisando de uma ajuda. Como que eu vou fazer isso, como que eu vou ser... eu não posso ser multiplicadora se eu chegar aqui ver uma senhora sentada na cadeira de rodas, não poder levar ela pro ônibus. O que adianta eu fazer um curso de multiplicador e ver tudo isso e deixar pra si próprio. Não poder ajudar as pessoas, não poder ajudar o seu bairro. (Flávia)
(...) porque eu tô sozinha em casa, eu acho que desde aí eu já comecei a ser multiplicadora, porque aí eu já comecei a participar
83 das reuniões, de estar ajudando na, não diria na questão da creche, do CEI ou do CCA, diria na questão do bairro mesmo, de participar de reuniões (...) de trazer melhorias pro bairro. Iluminação, água, luz, esgoto, asfalto que tá quebrado, tudo isso (...). (Laura)
Na entrevista devolutiva observou-se também mais uma transformação quanto a atuação do multiplicador. O grupo expressou compreender que possuia uma atuação assistencialista junto às famílias, susbstituindo-as em seu auto- cuidado e dessa forma, passou-se a pensar na construção da autonomia com as famílias e até mesmo, destas multiplicando entre si o fazer dialógico:
Não fortalecer a dependência. Nós queríamos fugir da dependência. Não ser assistencialista só em casos extremos, mas não havia essa clareza. O projeto foi decisivo nisso ter essa clareza do que é ser assistencialista ou o que é promover a autonomia dentro de uma relação de diálogo. (Pedro)
Hoje talvez a preocupação maior seja fazer com que a pessoa entenda que é uma causa comum que ela também deve correr atrás. Então o ouvir pra mim ficou mais ligado a isso de fazer junto e não fazer pela pessoa né? (Paulo)
(...) a família também ela pode ser uma multiplicadora a partir do momento que ela vê e entende que ela tem a obrigação. De repente um vizinho, um colega, um parente, um conhecido ela vai transmitir, olha talvez você siga esse caminho que eu aprendi, ou até mesmo procurar, pesquisar, conhecer. Acho que o curso proporciona essa abertura ne, da gente poder entender. (Paulo)