3. Sosiale behov
7.2 FAKTORANALYSE I SPSS
A década de 1980 foi marcada pelo retorno gradual à democracia e o fim do regime militar e o ajustamento econômico recessivo. A abertura política foi conquistada e a escolha dos nossos representantes na política agora era através do voto direto dos brasileiros. Novas forças sociais compunham o novo jogo democrático.
Em maio de 1982, o governo do presidente Figueiredo cria o Fundo de Investimento Social (Finsocial). O objetivo era apoiar programas de alimentação, habitação, saúde, educação e amparo ao pequeno agricultor. Foram construídas escolas para a população de baixa renda, hemocentros, reformas dos presídios, usinas de reciclagem de lixo.
Neste cenário o BNDES insere a prática do planejamento estratégico, com elaboração de cenários prospectivos, ou seja, cenários com alta probabilidade de ocorrência que serviriam de ações direcionadas do Banco. Por sua vez, com maior autonomia e em linha com o novo governo, passa a buscar recursos e elaborar projetos na área social. Dentre eles, estava o assentamento de trabalhadores rurais, mediante a aplicação de recursos para a reforma agrária, e o Pró-Creche, programa destinado a apoiar as empresas e os trabalhadores.
Em 1983, o PIB decresceu 2,9 %, só perdendo para o PIB negativo de 1981 de 4,3%, o pior desempenho da década de 1980. Com a queda no nível de atividade da economia, o setor mais atingido foi o industrial. E, um dos mais afetados seria o segmento de bens de capital, área tradicionalmente apoiada pelo BNDES. Essa tendência recessiva se prolongaria por mais alguns anos, prejudicando a arrecadação do PIS-Pasep (cuja fonte era o faturamento das empresas) e restringindo o potencial do Banco para financiar projetos.
A política de substituição de importações e os investimentos na economia, ainda permaneceram no foco do Banco, que incentivava às indústrias a serem competitivas no mercado exportador, e oferecia suporte de financiamento às empresas nacionais, e ao produto nacional diante da concorrência dos produtos importados.
Em janeiro de 1985 com o ambiente democrático fortalecido e a campanha pelas eleições diretas já, conseguiu-se eleger (ainda de maneira indireta) o presidente da República Tancredo Neves. Tancredo Neves surgiu como nome capaz de unir as forças de oposição, representadas pela sociedade civil, e as forças da situação enfraquecida que eram os militares. Porém, em abril de 1985, apresentando problemas de saúde e sem ter assumido como presidente do Brasil - faleceu Tancredo Neves. Assumia então, seu vice-presidente, José Sarney, que ficaria na presidência até 1990.
Nesse contexto, o BNDES atualizou os cenários prospectivos e sua metodologia de planejamento de longo prazo. Previu que o Brasil obteria resultados positivos num futuro próximo, saindo da crise, e que os investimentos já feitos representavam uma base econômica sólida, que resultaria num novo ciclo de crescimento. A economia brasileira voltou a crescer no quadriênio de 1984 a 1987 exibindo uma taxa média de 6,1% do PIB.
Em 1988, a nova Constituição foi aprovada ratificando-se em definitivo, o estado de direito no país. E, em 1989, realizou-se a primeira eleição direta para presidente da República em quase trinta anos, vencida por Fernando Collor de Mello. Na Constituição de 1988, os recursos do PIS-Pasep foram direcionados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), mas sua fonte continuava a ser uma parte da receita de todas as empresas do país. Como determinou a Constituição, pelo menos 40% dos recursos carreados ao FAT passaram a ser (como ocorre até hoje) direcionados para as aplicações do BNDES, em projetos que geram emprego e renda.
Ainda em 1988, o BNDES concluindo seu planejamento dentro dos seus cenários prospectivos, coloca em prática, a “integração competitiva”, com o objetivo de expandir o mercado interno e habilitar a economia brasileira para inserção dos seus produtos no mercado internacional. Não só o Banco incentivava as empresas brasileiras a concorrência dos produtos importados, como também passou a estimular as
exportações. Foi iniciado o período de modernização da economia, com a participação do BNDES, financiando o setor de transportes ferroviário, marítimo e metroviário, direcionado para o bem estar social e melhor qualidade de vida.
Em 1989, o novo presidente Fernando Collor eleito pelo voto direto, apresentaria ao Brasil um plano de combate à inflação ainda mais radical e heterodoxo que todos os planos que o antecederam. Se antes a ideia era congelar os preços para conter os aumentos, agora era simplesmente cortar a oferta da moeda, enxugar a liquidez dos recursos na economia, pelo confisco monetário das aplicações financeiras, inclusive poupanças e conta correntes.
Com relação à atuação do BNDES, foi redefinida em razão da cartilha neoliberal, que se propagava no Brasil e no exterior, baseada no Consenso de Washington. A presença do Estado no desenvolvimento deveria ser substituída pela iniciativa privada, e diante de um quadro fiscal e inflacionário desafiador ocorreu o fortalecimento do projeto de privatização das empresas estatais. A figura 1 apresenta um modelo analítico do contexto em que o Estado brasileiro estava inserido e as novas sugestões de políticas a serem adotadas na economia dentre elas as privatizações.
Figura 1 – Modelo analítico proposto
Fonte: TEIXEIRA, 2006, p. 33.
Ao Estado caberia o papel de regulador, com o objetivo de estimular a competição e a eficiência dos mercados. Portanto, o BNDES passou a adotar uma nova estratégia de desenvolvimento, sendo responsável pela gestão do Plano Nacional de Desestatização (PND), tornando-se o agente financeiro dos programas de privatização do país, atuando na aquisição e saneamento financeiro das empresas que seriam vendidas à iniciativa privada. Em paralelo estimulou as exportações e o desenvolvimento social e urbano. No fundo, o banco reduziu significativamente seu volume de financiamentos – de R$ 14 bilhões em média desde 1975 para R$ 6,28 bilhões em 1990 ou U$S 3,21 bilhões, só retornando de maneira mais ativa a partir de 1997 – com R$ 27,03 bilhões ou U$S 16,46 bilhões – no governo Fernando Henrique Cardoso. No entanto, os recursos estavam sendo destinados, principalmente, ao processo de privatização do setor elétrico, e não para investimentos em novas empresas.
Fatores externos Dolarização da
economia mundial Política do dólar forte Choques do petróleo CRISE DO ESTADO Fatores internos Déficit público Estatização Dividas externa e interna Inflação Propostas do Consenso de Washington Disciplina fiscal Reordenamento do gasto público Reforma tributária
Liberalização das taxas de juros Taxa de câmbio competitiva Privatizações
Abertura da economia Liberalização do IED
O plano de Collor não obteve sucesso em 1992, sendo obrigado a renunciar, assumindo seu vice, Itamar Franco, que governou o país de 2 de outubro de 1992 a janeiro de 1995. O gráfico 9 abaixo, mostra os setores em que os financiamentos do BNDES nesse período, pesavam mais: o setor da indústria de transformação e o de serviços eram os mais beneficiados.