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3. Sosiale behov

6.4 FUNN FRA KVANTITATIV UNDERSØKELSE

Como já exposto, nas considerações sobre o 1º momento desta pesquisa trazíamos – pesquisadora e diretora de escola – sentidos diferentes sobre o papel do diretor (planejar versus fazer). Também como já apontei, o segundo momento já representa o compartilhamento de significados. Retomando o processo de negociação e construção de sentidos/significados exposto nas seções anteriores, observa-se que a interação que se desenvolveu bem como a utilização dos artefatos (“Tabela de Ações” e “Jogo de Papéis”) possibilitaram a oportunidade de mais uma vez negociar nossos sentidos e compartilhar o significado de “planejar” como uma ação essencial para o desenvolvimento do papel do diretor.

Essa constatação é confirmada pela diretora em uma de nossas últimas reuniões, em que estamos avaliando o desenvolvimento da pesquisa e peço que ela descreva as ações que desenvolveu na escola, durante o exercício de 2007.

Recorte 30 (16 de junho de 2008)

ELV1: Bom Valéria, você escreveu aqui que em 2007 você estava conhecendo essa unidade (...). Eu queria que você falasse um pouco de cada uma dessas ações. VAL1: Cada uma dessas?

ELV2: É.

VAL2: Então, o ano passado quando eu cheguei aqui era complicado eu me planejar porque eu ainda não conhecia a escola direito, né.(...) Então, inicialmente o que eu

tinha como objetivo era a questão da reorganização da escola (...) Então, eu tinha que primeiro conhecer a realidade, foi mais ou menos isso que a gente foi fazendo o ano passado. Planejamento mesmo eu não fiz. E isso, é claro, deixa a gente muito solto, e acaba a gente vivendo só de improvisação. Algumas coisas esse

ano, são inclusive, estão ainda no que eu pretendia o ano passado. A maior

participação da comunidade, (...) O fortalecimento da equipe técnica, (...) A

participação efetiva das crianças, dos representantes de sala,(...). A participação da comunidade. Um maior comprometimento por parte dos funcionários da

equipe de apoio (...) inclusive a formação deles. Então, tudo isso são coisas que eu tinha intenção de fazer, mas ainda não estava claro pra mim o que era

necessário. Algumas coisas que a gente tem como prioridade, até mesmo pessoal

que é a questão de estabelecer relações democráticas dentro da escola. Mas, isso é uma coisa assim... Agora, esse ano mudou, por quê? Porque eu consegui saber

qual era a realidade onde eu estava e planejar. Então, eu acho que, por exemplo, nesse sentido a pesquisa me ajudou bastante.

Observa-se no excerto acima (turno Val 2) que Valéria retoma cada um dos temas que foram discutidos em nossas reuniões: “A maior participação da

comunidade, (...) O fortalecimento da equipe técnica, (...) A participação efetiva das crianças, dos representantes de sala,(...). A participação da comunidade. Um maior comprometimento por parte dos funcionários da equipe de apoio (...) inclusive a formação deles”. Isto confirma a interpretação de que estes eram realmente os temas

importantes para ela no papel que estava desenvolvendo. Observa-se também, no mesmo turno, a declaração “Agora, esse ano mudou, por quê? Porque eu consegui

saber qual era a realidade onde eu estava e planejar”(...), que sugere que tanto a

mudança como as conquistas nesse período são situações constatadas, como sugere o uso do tempo verbal (pretérito) usado em relação ao planejamento. No excerto abaixo focalizo, nas declarações da diretora, as referências a esse processo.

Recorte 31 (16 de junho de 2008) ELV3: Por quê? Como te ajudou?

VAL3: Então, é assim, a gente sabe o que tem que fazer, sempre.(..)

ELV4: E nesse sentido, nessa diferença que você está apontando, como que a pesquisa te ajudou?

VAL4: Então, por exemplo, no começo desse ano você chegou e me deu lá umas questões, e a gente... Foi um momento que mesmo dentro da correria, foi um momento de eu pensar no que eu já tinha feito e o que eu achava que era necessário eu fazer ainda. Você me ajudou com algumas perguntas e até mesmo aquela tabelinha que você me deu pra fazer. Me ajudou bastante.

ELV5: Ajudou no quê? (05’06)

VAL5: Pra eu organizar minha reflexão sobre o planejamento. Veja bem, é diferente você pegar segmentos, vários segmentos da escola e pensar em quais ações eu teria que ter em cima desses segmentos pra dar uma cara diferenciada pra escola. Então, a própria formatação das sugestões que você me deu e daquelas atividades que você me deu me ajudou bastante, eu acho, na elaboração do planejamento. Não é assim também, que eu não pensava em nada, eu pensava. Mas, às vezes, a gente tem uma certa dificuldade pra colocar no papel. Eu nem tentei, antes que você me passasse a tabela. Mas, me ajudou bastante. E aquelas reflexões que a gente fez também. Eu

lembro dos papeizinhos, as ações, tal, pra gente pensar no que foi feito no ano anterior e o que estava faltando. E nós observamos que o ano de 2007 foi um ano basicamente voltado para essa questão mais administrativa. E eu estava falhando muito no acompanhamento pedagógico. Então, esse ano eu tenho esse foco maior no pedagógico(...).

Observa-se, no turno Val 5, o uso de verbos, classificados nessa pesquisa como verbos de ação mental reflexiva, acompanhados de seus respectivos complementos: organizar (reflexão sobre o planejamento); pensar (em ações); lembro (dos papeizinhos, ações); pensar (no que foi feito e o que estava faltando); observamos

(ano de 2007) ...

Por último, podemos apontar também que Valéria faz referência explícitas às “perguntas” e à “tabela”

“Veja bem, é diferente você pegar segmentos, vários

segmentos da escola e pensar em quais ações eu teria que ter em cima desses segmentos pra dar uma cara diferenciada pra escola. Então, a própria formatação das sugestões que você me deu e daquelas atividades que você me deu me ajudou bastante,

eu acho, na elaboração do planejamento”.

Resumindo a resposta à pergunta 1, sobre os sentidos declarados e significados compartilhados sobre gestão escolar que os resultados revelaram como durante a atividade de formação houve a oportunidade para que ambas – Valéria e eu – aprendêssemos um pouco sobre o papel do diretor escolar e, especialmente, sobre como desenvolver este papel, numa realidade específica, num determinado momento histórico. Sugerem, também, que as trocas discursivas possibilitaram a criação de uma ZPD mútua, em que novos significados foram construídos e compartilhados. Os significados compartilhados no primeiro momento possibilitaram a reorganização das ações da pesquisa. Assim, no segundo momento da pesquisa, introduzi instrumentos/ artefatos, que já eram resultado de um compartilhamento de significados e tais artefatos colaboraram para focalizar as diversas necessidades levantadas pela diretora e por mim. Nessa direção, esses artefatos, como já dito, se constituíram como instrumento-e- resultado, pois já revelavam transformações na maneira como eu via o meu papel na atividade e como eu também fui me apropriando dos desafios revelados nas várias tarefas do diretor escolar. Também, a partir de sua utilização, Valéria reconheceu que “planejar” era preciso: estabeleceu algumas prioridades e iniciou um planejamento de suas ações para que os compromissos de ação se efetivassem.

As transformações dos sentidos sobre necessidades e papéis são refletidas na linguagem de diferentes maneiras: podem se expressar na inclusão de complementos verbais ou nominais, ligados à função social da escola para complementar verbos e nomes empregados, o que sugere que na linguagem ela expressa ações mais complexas

no planejamento de suas ações. Observa-se também um aumento de verbos ligados à reflexão (refletir, planejar, entre outros) e uma diminuição de verbos que remetem a uma ação física representados pelo fazer, frequentes no início da pesquisa. Transformações no modo como a diretora se relaciona com suas atribuições institucionais também podem se revelar quando, no discurso, ela deixa de usar modalizações deônticas referentes a prescrições oficiais ou socialmente compartilhadas e passa a chamar para si a responsabilidade das ações desenvolvidas na escola.

Com relação à minha constituição como pesquisadora, notou-se que o compartilhamento de significados me possibilitou conhecer mais a realidade e formular questões que favorecessem a reflexão. Apresento a seguir o quadro geral que mostra exemplos dos mesmos temas que perpassaram as nossas discussões desde o primeiro momento e exemplifica, no discurso da diretora, as transformações acima discutidas.

Quadro 3.3 - Visão geral das preocupações da diretora no final deste segundo momento da pesquisa

Pais e alunos

Comunidade Funcionários Professores

Organização administrativa Planejamento e Organização da equipe (1)Val 17: É assim,

eu acho que a gente

participa quando a gente assume aquilo pra gente. Quando a gente se sente responsável por aquilo que se faz. (...) Nós observamos em um questionário que nós fizemos, assim, não são todos os pais que conhecem nossa proposta de trabalho. Isso por quê? Talvez porque eles não participaram da elaboração do projeto pedagógico. (16 de junho de 2008) (2)Val 29 que eu quero estar introduzindo esses agentes, eu chamo de agentes escolares (..) O meu objetivo maior é inseri-los na questão dos projetos da escola, o que são os valores. (...) mas tentar focar mais isso, fazer com que isso na prática se torne efetivo. E pra isso a gente precisa da participação deles também. E pra eles participarem eles precisam saber o que é. (11 de abril de 2008) (3)Val 9: (..) Aí eu falei: “Professora a gente vê as suas crianças chorando e não vê o que você está fazendo pra tirar essa ansiedade das crianças. Elas nunca foram para a escola.(..) E aí nós falamos: “ Olha a gente vai sentar pra conversar junto com a Áurea, eu, você e a Áurea, mas eu vou te dizer o seguinte, a

Áurea é nossa

coordenadora, ela é muito competente, a gente confia muito no trabalho dela e

eu tenho certeza que

se você estiver precisando de ajuda pedagógica ela pode sentar, ela pode te ajudar. Talvez seja o momento”... (13 de maio de 2008) (4)Elvira 26: E Valéria, volta um pouquinho na questão pedagógica, então você tem acompanhado mais o trabalho? (...) Valéria 26: É. Eu conheço mais a proposta, eu tenho abandonado um pouquinho a parte administrativa (...). Porque dia-a-dia tem que entregar isso, tem que entregar aquilo, etc. E você não tem ninguém aqui na secretaria a gente tem que fazer, não tem jeito. Então,

eu tenho ficado um

pouco mais lá em cima, tenho entrado nas salas conversado com as professoras, conversado com as crianças(..) (13 de maio de 2008) (5)VAL 96: Olha, você está me dando uma idéia. (...) Então, aí deixa eu te falar como eu e a Áurea... Eu estava pensando assim, ó, de fazer uma reflexão com os professores sobre a questão dos valores entre nós. Porque daí, olha só o que eu pensei agora. A gente no primeiro encontro, eu te falei que a gente fez uma discussão sobre isso daqui, da qualidade da educação, da qualidade essencial do ensino(..) (11 de abril de 2008)...

Como já discutido anteriormente, a aprendizagem e o desenvolvimento ocorrem na relação do ser humano com o ambiente e na interação com os outros. Neste trabalho, para completar o entendimento das transformações ocorridas durante a pesquisa, passarei a discutir brevemente como se deu a interação entre as participantes.

3.4. Foco na relação diretora e pesquisadora na construção de novos