7 Informasjon og kunnskap om pensjon
7.3 Faktisk kunnskapsnivå
6.3.1 Aspectos gerais da combinação de verbos e pronomes pessoais
Tradicionalmente, os pronomes pessoais dividem-se em pronomes fortes e pronomes fracos. Os primeiros têm acento próprio, sendo por isso também chamados pronomes tónicos. Os segundos, por sua vez, são os que não têm acento próprio, pelo que recebem também a designação de pronomes átonos (ou pronomes clíticos, por poderem agregar-se ao verbo).
Os termos “tónico”, “átono” e “clítico” são de origem grega. Em sentido literal, sig- nificam, respectivamente, “com tom”, “sem tom” e “inclinado”.
As formas tónicas estão associadas às funções de sujeito e de complementos outros que não os acusativos ou dativos e as átonas às funções dos complementos acusativos (ou directos) e dativos (ou indirectos). O quadro que se segue apresenta as duas classes de pro- nomes pessoais e a sua correspondência com funções sintácticas.
pronomes tónicos ou fortes pronomes átonos ou fracos complemento sujeito complementos não acusativos e não dativos complemento acusativo (directo) complemento dativo (indirecto)
1.ª pessoa do singular eu mim, [co]migo me me
2.ª pessoa do singular tu ti, [con]tigo te te
3.ª pessoa do singular ele, ela ele, ela, si, [con]sigo o, a, se lhe, se
1.ª pessoa do plural nós nós, [con]nosco nos nos
2.ª pessoa do plural vós vós, [con]vosco vos vos
3.ª pessoa do plural eles, elas eles, elas, si, [con]sigo os, as, se lhes, se
Quadro 1 – Pronomes pessoais e funções sintácticas em português
No que respeita a valores semânticos, os pronomes fracos podem receber vários valores, que aqui apenas exemplificaremos com as seguintes frases:
(147) a. O director chamou o novo funcionário e apresentou-o aos colegas. b. O novo funcionário apresentou-se aos colegas.
c. Os funcionários não se culpam pelas deficiências do serviço.
Na primeira destas frases, (147a), o pronome o é interpretado com um substituto do sin- tagma nominal o novo funcionário, tendo exactamente o mesmo valor desta expressão (diz-se que é correferente com ela). O mesmo se passa em (147b), no respeitante ao pro- nome se e ao mesmo sintagma nominal, com a diferença relevante de a correferência se
verificar agora entre um sujeito e um complemento directo. Quando o pronome de um complemento é correferente com o sujeito, diz-se que esse pronome tem valor reflexo. Em (147c), temos também um exemplo de valor reflexo, mas um pouco mais complexo, uma vez que a frase é ambígua. De facto, ela pode significar (talvez entre outras possibilidades) ou (i) que os funcionários (individualmente ou em posição colectiva) não culpam o grupo que formam ou (ii) que cada funcionário não se culpa a si próprio. No primeiro caso, há correferência, recebendo o pronome se o mesmo valor de os funcionários e sendo, portanto a frase equivalente a os funcionários não culpam os funcionários pelas deficiências do ser-
viço. No segundo caso, não há correferência, verificando-se a situação dita ‘de variável ligada’. As frases de (147) ilustram parte um conjunto de valores dos pronomes reflexos a que poderíamos chamar valores comuns (entre os quais se inclui o valor reflexo). Vejam- se outros exemplos de pronomes com valor comum, não reflexo em (148) e reflexo em (149):
(148) a. A Sara, encontro-a todos os dias na Faculdade. b. Ao Luís, ofereço-lhe sempre livros.
c. O Luís voltou. A Sara encontrou-o na Faculdade. d. O Luís fez anos. A Sara ofereceu-lhe um livro. e. O Luís telefona-nos amanhã.
f. A Sara inscreveu-te na lista de participantes.
(149) a. Cada interessado deverá inscrever-se na lista de candidatos. b. Eu não costumo elogiar-me, mas vou abrir uma excepção. c. A criança ficou radiante ao ver-se na televisão.
[N.B. pode haver valor reflexo com pronomes fortes: Eu cuido de mim próprio.]
Deste grupo de valores distingue-se, pelas suas particularidades semânticas, o valor recí- proco. Vejam-se exemplos:
(150) a. Eu e a minha colega ajudamo-nos muito (uma à outra).
b. Os funcionários culpam-se (uns aos outros) pelas deficiências do serviço. c. Os dois irmãos encontram-se frequentemente (um com o outro).
d. Os dois cientistas elogiaram-se mutuamente.
[N.B.: pode haver valor recíproco com pronomes fortes: Os dois cientistas conversaram
EXCURSUS: VALORES DE SE EM PORTUGUÊS
1. SE COMO CONJUNÇÃO
• ••
• conjunção subordinativa integrante (introduz oração interrogativa indirecta) (151) Não sei se hei-de trocar de carro ou não.
• ••
• conjunção subordinativa condicional (152) Vou ao cinema se estiver a chover. 2. SE COMO PRONOME PESSOAL
• ••
• pronome pessoal reflexo de 3.ª pessoa singular ou plural [NB: Faz paradigma com me, te, nos, vos.]
(153) O Paulo apresentou-se ao grupo. (154) As crianças vestiram-se.
• ••
• pronome pessoal recíproco (logo, plural) de 3.ª pessoa [NB: Faz paradigma com nos, vos.]
(155) Reencontrámo-nos ao fim de muitos anos. (156) Os antigos colegas abraçaram-se efusivamente. •
••
• pronome pessoal de valor indeterminado (sujeito indeterminado pronominal) (157) Está-se aqui muito bem.
(158) Vai-se vivendo. •
••
• “partícula apassivante” (pronome pessoal de valor nulo ou, alternativamente, idêntico ao tipo anterior)
(159) Encadernam-se livros.
(160) Puseram-se os quadros mais bonitos ao fundo da sala. (161) Primeiro, batem-se as claras em castelo.
(162) Não se dizem essas coisas. •
••
• pronome pessoal de valor nulo (dito inergativo ou anticausativo) (163) As portas abriram-se.
(164) Os copos partiram-se sem ninguém lhes tocar. •
••
• pronome pessoal de valor nulo (intrínseco) [NB: Faz paradigma com me, te, nos, vos.] (165) O Pedro arrependeu-se do que disse. (166) A Rita queixou-se de dores.
6.3.2 Verbos comuns e verbos pronominais
No que respeita ao modo de combinação de verbos e pronomes átonos, distinguem-se duas classes de verbos que aqui são designados verbos comuns (ou verbos não pronominais), que são os que podem combinar-se ou não com um pronome átono, e verbos pronomi- nais, que são os que se combinam obrigatoriamente com um pronome átono sem valor semântico (seja em próclise, seja em ênclise). As duas classes são a seguir ilustradas.
6.3.2.1 Verbos comuns (pronome facultativo, com valor semântico)
Nos dados que se seguem, a primeira frase de cada par contém um verbo comum sem pro- nome e a segunda apresenta o mesmo verbo acompanhado de pronome:
(168) a. O jornalista entrevistou o candidato. b. O jornalista entrevistou-o.
(169) a. O pai lavou o bebé. b. O pai lavou-o.
(170) a. O director promoveu os estagiários. b. O director promoveu-me.
(171) a. A mãe penteou a criança.
b. A criança penteou-se. [VALOR REFLEXO DO PRONOME]
(172) a. Os candidatos cumprimentaram a entrevistadora.
b. Os candidatos cumprimentaram-se. [VALOR RECÍPROCO DO PRONOME]
6.3.2.2 Verbos pronominais (pronome obrigatório, sem valor semântico)
CORRELATOS LEXICAIS VALORES PRESENTES NUMA
POSSÍVEL PARÁFRASE COM
DECOMPOSIÇÃO SEMÂNTICA COM A MESMA BASE LEXICAL CLASSES DE VERBOS EXEMPLOS VALOR REFLEXO VALOR RECÍPROCO ERGATIVA NÃO ERGATIVA COM DIFERENTE BASE LEXICAL A despenhar-se4 (1 ARG) arrepender-se (2 ARG) B deitar-se (1 ARG) esquecer-se (2 ARG) deitar esquecer C mover-se mover D suicidar-se matar-se a si próprio E auto-elogiar-se elogiar-se a si mesmo
elogiar F entreajudar-se ajudar-se um ao outro
ajudar Quadro 2 – Subclasses de verbos pronominais
4 Em relação aos verbos desta subclasse e da seguinte, estamos a ter em conta apenas a variante intransitiva, e
não os casos exemplificados por frases como o avião despenhou-se no mar ou ele deitou-se na cama, em que se poderá considerar que é seleccionado um argumento interno de valor “locativo direccional”.
OUTROS EXEMPLOS DE VERBOS PRONOMINAIS
Classe A: [UM ARGUMENTO] benzer-se, cansar-se1, constipar-se, finar-se, persignar-se;
[DOIS OU MAIS ARGUMENTOS] aboletar-se, abster-se, apiedar-se, atrever-se, ausentar-se, aventurar-se, comprazer-se, condoer-se, congratular-se, despedir-
se, escapulir-se, esvair-se, evadir-se, gabar-se, imiscuir-se, intrometer-se,
pisgar-se, queixar-se, vangloriar-se, ufanar-se.
Classe B: [UM ARGUMENTO] baixar-se, cansar-se2, entusiasmar-se, iludir-se, lançar-se, levantar-se, sentar-se;
[DOIS OU MAIS ARGUMENTOS] desculpar-se, distrair-se, justificar-se, lembrar- se, recordar-se.
Classe C: afundar-se, derramar-se, derreter-se, entornar-se, estragar-se, evaporar-se,
movimentar-se, romper-se, sujar-se.
Classe E: autocriticar-se, autodestruir-se, autofinanciar-se, autogerir-se, autogovernar-
se, auto-intitular-se, automutilar-se, autoquestionar-se, autonomear-se, auto-
proclamar-se, autopromover-se, auto-regular-se.
Classe F: entreajudar-se, entrechocar-se, entrecruzar-se, entreolhar-se.
Como mostram os dados subsequentes, a ausência de pronome com verbos pronominais origina agramaticalidade:
(173) a. O avião despenhou-se. b. *O avião despenhou.
(174) a. Não me arrependo de ter vendido as acções há alguns anos. b. *Não arrependo de ter vendido as acções há alguns anos. (175) a. Os alpinistas refugiaram-se numa gruta.
b. *Os alpinistas refugiaram numa gruta.
(176) a. Se ele se auto-intitula coordenador do grupo, tem de trabalhar. b. *Se ele auto-intitula coordenador do grupo, tem de trabalhar. (177) a. Os noivos entreolharam-se.