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4 Research results and discussion

4.3 Factors outside the informants control that affect textbook usage

Ary José Rocco Júnior Leandro Carlos Mazzei

Introdução

Para o Brasil sediar a Copa do Mundo Fifa 2014 a Fédération

Internationale de Football Association (Fifa) exigiu a construção

ou reforma de arenas ou estádios. Por decisões políticas e con- venientes com a dimensão territorial do país, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) projetou a realização do evento em 12 sedes, 12 cidades escolhidas para terem estádios e arenas com o objetivo de acolher o evento mais importante do futebol mundial, a saber: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Manaus, Natal e Recife.

Para abrigar os 3.429.873 torcedores nas 64 partidas do torneio, o país investiu US$ 4,5 bilhões (R$ 8,4 bilhões) na adequação ou construção das 12 praças esportivas que foram palcos da chamada “Copas das Copas” (PLURI CONSULTORIA, 2014). Após a realizou do evento, contabilizou-se uma média

de público de 53.591 espectadores por jogo, a segunda maior da história, só perdendo para a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, que apresentou média de 68 mil torcedores (DF SUPERESPORTES, 2014).

O suposto sucesso de público da competição pode ser men- surado pela taxa de ocupação de 98,4%, em média dos estádios, muito acima da expectativa da Fifa. Foram aproximadamente 3,2 milhões de ingressos vendidos ao público geral para todas as partidas da competição (PLURI CONSULTORIA, 2014).

Por outro lado, os investimentos realizados pelo Brasil nos estádios e arenas, através de seus mais diversos agentes, foram disparados os mais altos de toda a história dos mundiais. Comparando com os gastos neste tipo de instalações esportivas em outras edições do evento, como as Copas da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010, o Brasil teve os assentos mais caros, na média, R$ 12.650, contra R$ 7.021 da África do Sul e R$ 6.412 da Alemanha (PLURI CONSULTORIA, 2014).

Somente o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, custou US$ 830 milhões (R$ 1,5 bi), seguido pela Arena Corinthians com US$ 588 milhões (R$ 1,2 bi) e pelo Maracanã com US$ 578 milhões (R$ 1,1 bi) (PLURI CONSULTORIA, 2014).

Como país sede da competição, o Brasil precisou reformar alguns antigos estádios e construir novas arenas para atender às exigências da Fifa, a promotora do evento, que edita o documento

Estádios de Futebol: recomendações e requisitos técnicos (Fifa, 2011). O

material estabelece os padrões de construção e atendimento ao consumidor que devem ser seguidos pelos países que promovem e organizam a Copa do Mundo de Futebol.

Em 2011, foi publicada a 5ª edição deste documento que estabeleceu ao Brasil a busca por um padrão de qualidade nos estádios e arenas que sediaram os jogos de futebol do evento. Este padrão, buscado a todo o custo nas novas instalações

esportivas envolvidas na Copa do Mundo foi denominado de “Padrão-Fifa” de qualidade (Fifa, 2011).

De acordo com a proposta da Fifa, os estádios e arenas destinados ao futebol devem ser concebidos para o entreteni- mento e envolver a participação de múltiplos públicos. Estes públicos (espectadores, telespectadores, ouvintes, leitores, internautas etc.), por seu número e seus investimentos econô- micos e emocionais, fazem com que as instalações esportivas se tornem um local que possui uma ligação emocional, funcional, cognitiva, simbólica, espiritual e/ou afetiva com os consumi- dores (CARVALHO et al., 2013).

Essas instalações esportivas cristalizam não só os desejos dos consumidores, mas também muitos dos interesses econô- micos, sociais e desportivos fundamentais para os diferentes atores envolvidos no universo do futebol. As atuais exigências dessas instalações acabam por ser elevadas: por um lado, o espetáculo deve corresponder ao seu contexto moderno e atual, por outro lado, o desenvolvimento do futebol mundial acaba por pressionar ainda mais os modelos adotados pelo futebol brasileiro.

Neste sentido, o desafio para o Brasil foi o de promover este megaevento e oferecer, principalmente aos torcedores, os conceitos de qualidade e atendimento ao consumidor. Em espe- cial, a qualidade e o atendimento deveriam ser contemplados nas construções e reformas dos estádios e arenas utilizados na “Copa das Copas”.

Todos os elementos apresentados acima funcionaram como base para a construção do projeto de pesquisa “Os Novos Estádios e Arenas e o Comportamento do Consumidor do Produto Esportivo: o Padrão Fifa de qualidade e o impacto no torcedor brasileiro”, submetido, aprovado e financiado junto ao Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq), em sua chamada ME/CNPq N º 091/2013. Tal chamada apresentou como objetivo

a seleção pública de projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, voltados para o desenvolvimento do Esporte em suas diferentes dimensões. O projeto em questão, desenvolvido por uma equipe composta por dez pesquisadores, foi classificado na linha 1 – Legados dos Megaeventos Esportivos, da chamada já mencionada.

A ideia deste artigo é apresentar os resultados iniciais, uma vez que a pesquisa ainda está em andamento, do referido projeto que apresenta como seus principais objetivos:

1º) identificar o perfil do consumidor que frequenta está- dios de futebol em três momentos: a) no 1º semestre de 2014, antes da Copa do Mundo, nos chamados estádios “antigos” do futebol brasileiro, aqueles não utilizados para a disputa do Mundial; b) durante a Copa do Mundo de 2014, nos novos estádios/arenas desenvolvidos para o evento com base no docu- mento Estádios de Futebol: recomendações e requisitos técnicos (Fifa, 2011); e, c) depois da Copa do Mundo, de um a quatro meses após o término do Mundial, nos estádios/arenas utilizados em eventos organizados e promovidos por entidades que gerenciam o futebol no Brasil, como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), as Federações regionais; e,

2º) identificar, através do disposto no documento editado pela Fifa, a real percepção dos torcedores/consumidores da qualidade e dos benefícios introduzidos nas instalações pelos investimentos financeiros realizados para a Copa do Mundo de 2014, em comparação com os “antigos” estádios oferecidos ao público pelos promotores dos eventos esportivos até então. O projeto visa colaborar para melhoria da qualidade da gestão dos estádios e arenas tendo como foco os consumidores (torcedores) do produto futebol através do conhecimento sobre suas expectativas e suas relações com as novas instalações esportivas surgidas no universo do esporte brasileiro com a Copa do Mundo de 2014. As informações e resultados geridos

com o projeto possibilitarão que os clubes e principais organi- zações do futebol brasileiro utilizem o consumo, de bilheterias, como fonte exponencial de receita, característica presente nas principais ligas profissionais do futebol mundial.

Acreditamos que o estudo pode colaborar com informa- ções para melhorar a viabilidade econômico/financeira dos novos estádios/arenas e da gestão desses espaços de entrete- nimento esportivo. Para alicerçarmos nossas análises, tomare- mos como base o conceito de sociedade do espetáculo, de Guy Debord (2000), e uma série de estudos sobre estádios, arenas e instalações esportivas.