3 Methodology
3.5 Analysis of data
Em relação ao futebol profissional de Mato Grosso, é importante destacar que se trata de um estado em que este esporte profissional passa por importantes mudanças e crises, especialmente entre os principais clubes, como Mixto Esporte Clube e Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, além dos times de Rondonópolis, União, Rondonópolis e o Vila Aurora.
Uma pesquisa da Consultoria Pluri, realizada em 2014, mostrou que temos o campeonato de futebol profissional com o menor valor de mercado. O campeonato local tem 09 clubes participantes (em 2014), tendo 10,3 milhões de Euros como valor de mercado do campeonato total, e representa cerca de 34,2 milhões de reais. Este valor teve variação negativa de -20% em relação ao campeonato de 2013. O valor médio de mercado por clube de Mato Grosso é de 1,1 milhões de Euros, bem abaixo dos times do Sergipe (1,3), Piauí (1,4), Espírito Santo (1,4), Paraíba (1,4), Maranhão (1,4), Para (1,4), Mato Grosso do Sul (1,2), Distrito Federal (1,3) e Goiás (5,7). O time mais valioso
no caso é o Luverdense, de Lucas do Rio Verde (Fonte: PLURI Especial – Valor de Mercado dos Estaduais e Copa do Nordeste 2014 – 30/01/2014, www.pluriconsultoria.com.br).
No que diz respeito à média de público do futebol pro- fissional brasileiro, a PLURI Consultoria divulgou pesquisa que mostra que a cidade de São Paulo foi a que mais teve público presente nos estádios em 2013, sendo que dos 123 jogos reali- zados na cidade, a média de torcedores presentes por jogo foi de 18.920, seguida de Porto Alegre-RS, com média de 16.780 torcedores por jogo, Araraquara com 16.194, Belo Horizonte com 15.776 e Recife com 14.720. A média nacional foi de 4.672 torcedores por jogo, sendo que apenas 30 cidades tiveram média superior a esta. Mais da metade das cidades tiveram média inferior a 1.000 torcedores por jogo.
A menor média de público em todo o Brasil foi encontrada na cidade de Rio Preta da Eva (AM), com cerca de 106 torcedores por jogo, seguida de Porto Velho (RO) com 132, Propriá (SE) com 143, Iranduba (AM) com 146 e Chapadão do Sul (MS) (Fonte: Ranking Brasileiro de Público e Renda em 2013, por cidade – 05/03/2014, www.pluriconsultoria.com.br).
Em relação ao ranking de Público e Renda por cidade em 2013, temos São Paulo na primeira posição (1ª), com média de público por jogo de 18.920, público total de torcedores – 2.327,2 milhões, média de renda por jogo de R$ 588.600, renda total de 72.397,8 milhões de reais e ticket médio por torcedor de R$ 31,11.
Neste Ranking, o futebol de Mato Grosso aparece em 79º lugar, representado pela cidade de Lucas do Rio Verde (MT), com média de público por jogo de 1.677 torcedores (79ª), 41,9 mil torcedores no total de presentes em todos os jogos (51º), com renda média por jogo de R$ 56.851 (39º), renda total de R$ 1.421,3 (32º), tendo o preço do ticket médio de R$ 33,91 (10º). É bom lembrar que se trata da cidade do Luverdense, clube que está disputando a Série B do campeonato Brasileiro de Futebol.
Neste mesmo Ranking, a cidade de Cuiabá/MT, aparece em 122ª posição, com média de público por jogo de 805 torcedores, com público total de 37 mil torcedores no ano, e renda média de R$ 10.846, com renda total de R$ 498,9 mil torcedores e com ticket de R$ 13,47 como preço médio. Neste mesmo ranking, a próxima cidade de Mato Grosso a constar é Cáceres, em 139ª posição no tocante ao público médio, com 630 torcedores por jogo de futebol e 5.000 mil torcedores no total dos jogos, com média de renda de R$5.756, renda total de 46,1 mil torcedores, tendo R$ 9,00 como preço médio do ticket por torcedor.
No ranking de público nos estádios em relação ao tamanho da população, temos em 1º lugar a cidade de Salgueiro-PE, com Público total de 151,9 mil torcedores em 2013, com população de 59 mil habitantes, tendo como
A Tabela 2 mostra um panorama geral dos jogos realizados na Arena Pantanal em 2014 envolvendo clubes profissionais de futebol de Mato Grosso. Foram realizados 14 jogos, envolvendo Copa do Brasil, Séries B, C e D do campeonato Brasileiro. Outros times do eixo Rio-São Paulo realizaram jogos na Arena.
Tabela 2 – Jogos realizados na Arena Pantanal em
2014 pelos clubes profissionais de Mato Grosso
Jogo Público (Nº de torce- dores) Renda
(em R$) Série Data
Mixto x Santos-SP 17.000 788.760,00 Copa do Brasil 02/04/2014 Cuiabá X Inter- nacional-RS 21.385 884.085,00 Copa do Brasil 01/05/2014 Luverdense X Vasco-RJ 15.829 708.400,00 Brasileirão Série B 26/04/2014 Operário X Tombense – MG 10.605 184.030 Brasileirão Série D 03/08/2014
Jogo Público (Nº de torce- dores) Renda
(em R$) Série Data
Operário X Luziânia – GO 1.372 19.010,00 Brasileirão Série D 10/08/2014 Operário X Barueri – SP 3.284 35.546,08 Brasileirão Série D 31/08/2014 Operário X Goianésia – GO 1.277 13.252,00 Brasileirão Série D 21/09/2014 Cuiabá X Águia de Marabá-PA 1.925 14.475,00 Brasileirão Série C 27/09/2014 Cuiabá X Paysandu-PA 14.401 215.020,00 Brasileirão Série C 20/07/2014 Cuiabá X CRB-AL 11.833 184.030,00 Brasileirão Série C 03/08/2014 Cuiabá X Fortaleza-CE 14.404 248.845,00 Brasileirão Série C 16/08/2014 Luverdense X Naútico – PE 14.404 248.845,00 Brasileirão Série B 16/08/2014 Cuiabá X Botafogo-PB 2.355 18.840,00 Brasileirão Série C 14/09/2014 Cuiabá X Asa – AL 13.000 50.170,05 Brasileirão Série C 31/08/2014 Fonte: Elaboração própria (2014).
A seguir, analisaremos parte da entrevista que realizamos com um dos dirigentes do futebol profissional de Mato Grosso. Trata-se de Cristiano Dresch – Vice-presidente do Cuiabá Esporte Clube, que falou sobre os impactos da Copa do Mundo 2014 em Cuiabá e no futebol profissional de Mato Grosso.
Indagamos sobre sai avaliação sobre a realização da Copa do Mundo em Cuiabá. Segundo ele, “Foi muito boa, tudo fun- cionou conforme o planejado. Foi um sucesso. A população que não conhecia ainda um estádio do nível da Arena Pantanal e foi, gostou muito”. O dirigente destaca o sucesso do evento e a novidade do Estádio de Futebol padrão Fifa em Cuiabá. Além
de destacar a organização do evento e a dimensão festiva da Copa do Mundo 2014.
Quais os pontos positivos e negativos da Copa do Mundo 2014 para o futebol de Mato Grosso?
Ponto negativo não teve nenhum para o futebol de MT. Só pontos positivos, como a construção da Arena Pantanal, um estádio que propicia o estado a estar numa lista dos melhores estádios do Brasil, um estádio que pode receber qualquer tipo de evento de futebol, pequenos ou grandes, um estádio moderno, que dá ao atleta a condição de estar jogando, pra- ticando o esporte dele da melhor forma possível. Também a construção dos dois Centros Oficiais de Treinamento (COTs), do bairro do Pari e da UFMT, que são legados muito importantes para o futebol. São dois estádios que podem ser utilizados em partidas pequenas, dos times que não tem tanta torcida. Outro legado foi a volta do torcedor para o estádio, o Cuiabá mesmo teve alguns jogos pós Copa do Mundo em Cuiabá com público muito bom, então no meu ponto de vista só tiveram pontos positivos a realização da Copa do Mundo para o futebol de Mato Grosso.
A respeito do principal legado da Copa do Mundo 2014 para o futebol de Mato Grosso, a Arena Pantanal, especialmente no que diz se refere ao uso da Arena e à ajuda do governo do estado, o Vice-Presidente do Cuiabá afirma que
O governo ajudou muito o Cuiabá, apoiou todos os clubes locais que jogaram na Arena. Nós não pagamos aluguel, tivemos auxílio logístico da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), pagamos somente as despesas operacionais. A ajuda foi muito importante para o sucesso das rodadas duplas. Pela fala do dirigente, o poder público estadual subsidiou o uso da Arena durante esse período pós-Copa do Mundo. Neste período, considerando que as despesas de manutenção da Arena Pantanal foram arcadas pelo Governo do estado, os jogos dos times locais foram realizados no novo estádio.
De que forma o Cuiabá pretende usar a Arena Pantanal no próximo ano?
“A partir de 2015 esperamos poder usar a Arena da mesma forma que usamos em 2014, ou seja, com subsídio do Governo do estado. Nós já procuramos o governador eleito, Pedro Taques, para discutir esse assunto, com isso esperamos que permaneçam as condições para o ano que vem, para poder viabilizar a utili- zação do estádio. Caso tenhamos que pagar um aluguel muito alto ou se a Arena venha a ser privatizada, e a empresa que vier a assumir colocar taxas altas vai ser inviável os jogos na Arena dos times daqui”. A fala do dirigente esportivo mostra que o futebol local não terá condições de utilizar a Arena Pantanal se a mesma for privatizada, pois os gastos com sua manutenção são muito elevados, por isso, os times locais precisam da ajuda do poder público.
Considerando que o Governo de Mato Grosso pretende abrir um processo licitatório para alguma empresa administrar a Arena Pantanal, indagamos o dirigente sobre sua posição a respeito da concessão/privatização da Arena Pantanal:
Depende dos custos que forem cobrados. Independente de privatização ou não, a Arena precisa ser subsidiada para os clubes locais. Isto porque os clubes daqui não conseguem arcar ainda com os gastos totais de uma Arena moderna como essa”(Cristiano, Vice-Presidente do Cuiabá Esporte Clube). Não tem possibilidade dos clubes locais arcarem com elevados custos de manutenção da Arena Pantanal.
Perguntamos ao dirigente do Cuiabá se o governo do estado auxiliou financeiramente o futebol de Mato Grosso desde 2009.
“Não recebemos nenhum incentivo financeiro em função disso. E eu acho um erro muito grande o governo não incentivar os clubes da capital”. A respeito dos investimentos do poder público estadual no futebol profissional de Mato Grosso, o dirigente falou que não teve qualquer tipo de ajuda.