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Factors Contributing to Compassion Fatigue: Exposure to Trauma

CHAPTER 5: FINDINGS

5.4 Factors Contributing to Compassion Fatigue: Exposure to Trauma

Esta última seção aborda os impactos recentes da reestruturação metropolitana sobre o Alves Cruz e seu entorno urbano. Analisa, com mais detalhe, os impactos no cotidiano da escola, decorrentes da adequação institucional da secretaria da educação. É um período em que a escola passa pela sua maior crise, inclusive de degradação das relações internas. Porém consegue se recuperar, sob novas condições de funcionamento, que configuram uma identidade e uma forma distinta.

O vínculo local, e entre os próprios sujeitos da escola, é qualitativamente desfeito se comparado à escola de bairro, que predominou até os anos de 1960. Perdendo, além disso, a identidade coletiva em torno das transformações da sociedade, ainda percebida nos primeiros anos de 1990.

As práticas de ajustes produtivos intensificam desajustes que estavam em curso no cotidiano da vida descolar. A diminuição repentina do número de alunos implica em maior rotatividade dos diretores e dos professores, e daí na impessoalidade das relações. Abre caminho, inclusive, para intensificar problemas relativamente contidos em relação ao uso de drogas e à violência no interior da escola.

O movimento de resgate que atraiu ex-alunos e, principalmente, a formação de uma ONG, evita o fechamento da escola. No momento de superação do quadro mais crítico de desintegração da escola, períodos e espaços da escola são reocupados por atividades complementares, como forma de se contrapor ao seu esvaziamento. Recuperam-se, inclusive, com o retorno de antigos personagens que trabalharam e estudaram na escola, a memória e sua trajetória pedagógica, cultural e política, a partir da reunião de documentos, relatos, dissertações acadêmicas.

A efetivação da nova diretora foi um acontecimento que trouxe mais estabilidade à escola, que se reflete inclusive num pequeno aumento das matrículas, que ajuda a afastar o perigo do fechamento. Porém isto tudo ocorre num quadro de contradições que tornam a escola vulnerável, dependente e internamente fragmentada.

Os problemas relativos à vinculação do professor com a escola aumentaram depois que diminuíram os alunos. O professor da escola é algo praticamente estranho no Alves Cruz, porque, com poucas aulas, ali tem que pegar aulas em outras para completar sua jornada. Ao ter que responder às formalidades burocráticas e trabalhistas, que estão na base do sistema de ensino paulista, ele se afasta do cotidiano, dos problemas e das decisões da escola.

Os alunos vêm cada vez mais de lugares diferentes da metrópole de São Paulo. Com relativa diminuição dos alunos locais, a escola sobrevive com a chegada de alunos das periferias, principalmente da parte oeste e noroeste de São Paulo. A escola pública recusada pelas classes médias de Sumaré, Pinheiros, Perdizes, Vila Madalena é, para estes alunos, uma oportunidade profissional, e às vezes acadêmica, que dificilmente teriam nas escolas de seus locais de moradia.

Este quadro de desvinculação de alunos e professores, até pouco tempo também da direção, transfere excessivo poder a duas instituições, que acabam

permanecendo e tecendo os fios, cada uma a sua maneira. Uma é a diretoria de ensino, instância superior regional que define o uso e as possibilidades da escola; a outra é a ONG que completa dez anos funcionando no interior da escola com suas atividades complementares. Isto para uma escola com alta rotatividade de diretores e professores, e também de alunos, como se verá adiante, lhes transfere poder e responsabilidade.

4.3.1 A particularidade local do entorno da escola

A escola ficou inscrita numa região interna de São Paulo que continua concentrando os serviços modernos (dos serviços financeiros aos pessoais). As obras de circulação de pessoas, de informação e de dinheiro são concentradas nesta porção oeste da cidade, incorporando-se no circuito de valorização imobiliária. A estrutura adensa-se com a verticalização de escritórios e das torres residenciais que vêm de Perdizes, e seguem por Vila Romana, Vila Leopoldina, Pinheiros e principalmente o vetor Sudoeste.

As operações e intervenções urbanas que removem os espaços antigos das indústrias, dos bairros e das favelas criam homogeneizações num espaço ainda marcado por diferenciações, se comparadas ao conjunto metropolitano, principalmente nas periferias. O conjunto diferenciado impõe-se como melhor região de São Paulo para morar, segundo um conjunto de indicadores de qualidade de vida286. Os efeitos da urbanização, que se concentraram nestas áreas centrais, são

depositários inclusive dos resíduos urbanos, a lógica da modernização tende a apagar.

A morfologia urbana da área que circunda a escola que mais se preservou foi a dos bairros jardins (Jardim das Bandeiras e Sumaré). As restrições urbanas destes espaços da cidade foram mantidas nos zoneamentos mais recentes, como Z1. Com isto, frearam o avanço da verticalização residencial e de serviços, que cercam os

286 “São Paulo, 454 anos. Região de Pinheiros é a melhor de São Paulo”. Folha de São Paulo, São

Paulo, Especial C1, p.6, 26/01/2008. Nesta reportagem especial das comemorações da cidade de São Paulo, a região da subprefeitura de Pinheiros ficou em primeiro lugar entre diversos indicadores de Educação, Saúde, transporte, violência.

bairros jardins numa coroa de prédios. As características restritivas também servem para impedir a moradia de famílias e pessoas de baixa renda.

Ilustração 21 - Entorno da EE Prof. Antônio Alves Cruz

Fonte: Caio Guimarães Machado. No canto inferior esquerdo está parte do Jardim das Bandeiras, ao fundo os prédios de Perdizes e a parte verticalizada de Sumaré, no meio está a praça Horácio Sabino

As características restritivas do zoneamento integram as estratégias e a ferocidade do setor imobiliário. Prova desta utilização dos efeitos urbanísticos e paisagísticos pelo complexo imobiliário, que circunda e penetra nos bairros jardins, é que os moradores e proprietários vêm requerendo, através de Associações de Moradores, o tombamento destas localidades287.

O Pacaembu conseguiu aprovação junto ao CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo)288.

Sumaré já se encontra tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP)289 e está com processo de estudo de tombamento junto ao CONDEPHAAT.

287 Minuta de resolução de tombamento do loteamento do Jardim das Bandeiras. Disponível em:

<http://www.aajb.org/tombamento_jardim_das_bandeiras.pdf>. Acesso em 21/05/2010.

288 Resolução SC-8, de 14.03.1991. 289 Resolução 1/2005/CONPRESP.

Aproveitando estes precedentes, moradores do Jardim das Bandeiras também vêm realizando estudos para preservar o padrão urbanísticos destas localidades e modo de vida urbano de seus moradores.

Vistas pelo alto ou percorridas por suas ruas, estas localidades se distinguem pelas casas de grande dimensão, pelas ruas largas e arborizadas, oásis da cidade. A praça principal, Praça Horácio Sabino, se estende por duas grandes quadras. Em um dos extremos da praça fica a EE Alves Cruz. Numa ponta, encontram-se mães e babás com seus bebês e crianças e, na outra, alunos e alunas do Alves Cruz, que se encontram antes e depois das aulas, às vezes durante as aulas também. Encontram-se nela nos últimos anos, todos os sábados, centenas de jovens que participam ou visitam o ensaio de maracatu, que acontece no interior da escola e depois toma a Praça.

A entrada da escola está voltada para praça. Praticamente a escola se integra à praça pelo contato das copas das árvores; não fosse o levantamento dos muros, após os acontecimentos do final dos anos 1990, quando os problemas relacionados às drogas, às gangues e às brigas entraram pelos portões da escola, esta integração paisagística provavelmente seria maior. Seu retrato permite ver seus traços geométricos, simples, de uma estrutura pré-fabricada, porém de uma beleza que a distingue no conjunto da paisagem.

Ilustração 22 - EE Prof. Antônio Alves Cruz

Outro aspecto que a distingue, neste momento, da metrópole reestruturada é o despovoamento destas localidades, e que aparecem no crescimento negativo na quantidade de seus moradores. Algo que, como já visto no Capítulo 1, atinge mais as classes médias e empobrecidas, que se expandem nas periferias urbanas.

Nos seis distritos que circundam a escola houve perda de população, crescimento negativo, entre 1991 e 2000. Com bases em projeções realizadas pela SEMPLA (Secretaria Municipal do Planejamento) entre 1991 a 2007, portanto, entre o período analisado nesta última seção, a perda significa a redução em 18% dos habitantes da região.

Tabela 6 - Evolução da População Total Distritos municipais de São Paulo (1991 a 2007)

Distritos 1991 2000 1991/2000 2007 1991/2007 Lapa 70.319 60184 -14 59470 -15 Perdizes 108.840 102445 -6 99252 -9 Alto de Pinheiros 50.351 44454 -12 40801 -9 Jardim Paulista 103.138 83667 -19 78585 -24 Pinheiros 78.644 62997 -20 62376 -21 Consolação 66.590 54 522 -18 47461 -29 Total 479873 410269 -15 389952 -18 Fonte: SEMPLA, Projeção entre 1991 a 2007.

4.3.1.1 Diminuição da demanda regional pela escola pública

Tudo indica que tais mudanças demográficas influíram na diminuição dos alunos das escolas desta região de seis distritos do entorno escolar mais próximo. No total, o número de matrículas cai 37% entre 1995 a 2007, portanto cai mais do que a população total, e num período um pouco menor.

O que se viu foi que a reestruturação produtiva produziu efeitos espaciais, ou pelo menos intensificou efeitos inversos. Enquanto, de maneira geral, as localidades periféricas mantiveram a dinâmica de aumento das matrículas, nas localidades mais centrais (Pinheiros e Perdizes), a dinâmica das matrículas apresentou redução significativa.